O coração do Brasil é a Eucaristia

“Dirijo uma saudação especial ao povo brasileiro que vai se reunir na sua capital, Brasília, para celebrar o XVI Congresso Eucarístico Nacional, de quinta-feira a domingo próximos, com a presença do meu Enviado especial, o Cardeal Dom Cláudio Hummes. No lema do Congresso, aparecem as palavras dos discípulos de Emaús “Fica conosco, Senhor”, expressão do desejo que palpita no coração de todo ser humano. Possais todos vós, pastores e povo fiel, redescobrir que o coração do Brasil é a Eucaristia. É justamente no Santíssimo

Sacramento do Altar que Jesus mostra a sua vontade de estar conosco, de viver em nós, de doar-se a nós. A sua adoração leva-nos a reconhecer o primado de Deus, pois só Ele pode transformar o coração dos homens, levando-os à união com Cristo num só Corpo. De fato, ao receber o Corpo do Senhor ressuscitado, experimentamos a comunhão com um Amor que não podemos guardar para nós mesmos: este exige ser comunicado aos demais para assim poder construir uma sociedade mais justa. Por fim, estando próximo o encerramento do Ano sacerdotal, convido todos os sacerdotes a cultivarem uma espiritualidade profundamente eucarística a exemplo do Santo Cura D’Ars que, buscando unir o seu sacrifício pessoal àquele de Cristo atualizado no Altar, exclamava: «Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!». E enquanto invoco, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, as maiores graças do céu para que alimentados pela Eucaristia, pão da Unidade, se tornem verdadeiros Discípulos Missionários, a todos concedo benevolente Bênção Apostólica”.

(Papa Bento XVI, Regina Coeli, 09 de maio de 2010)

A Igreja celeste

Neste domingo o evangelho é como que uma continuação do domingo passado. Mas de maneira particular gostaria de centrar-me neste domingo na segunda leitura, para daí passarmos ao Evangelho.

No Apocalipse de São João somos convidados a olharmos a Igreja santa e celestial, a Jerusalém vindoura para a qual caminhamos esperançosos.

Mas devo confessar aqui que na minha leitura orante da Bíblia chamou-me bastante atenção tais versículos. Ricos em simbologia, estes exprimem o fundamento da Igreja e o rumo que ela dá aos seres humanos desesperançados neste mundo.

O apóstolo usa no texto uma rica simbologia numérica: 3 e 12 são números que, na Bíblia, são chamados de números da perfeição. Todo este simbolismo contém uma visão profética da Igreja. Esta já é premeditada pelo apóstolo e continua a manter-se firme, mesmo diante dos problemas que são indubitáveis em sua caminhada.

Mas agora devo ater-me a uma interpretação lógica do livro (Ap 21,10-14.22-23). A Jerusalém triunfante seria aquela gloriosa, que manifestar-se-á nos santos e naqueles que, nesta vida, deram testemunho do Evangelho e com dignidade viveram a sua vida cristã.

“Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente”. Ora, se somarmos 4 (direção das portas) X 3 (Três pessoas da Trindade) = 12. Doze é o número dos apóstolos. E se observamos os lados em que se posicionam as portas (norte, sul, leste e oeste) logo formarão uma cruz. A Igreja, em toda a direção, deve estar certa de que caminha com a Trindade. Seu objetivo é anunciar o Amor do Deus Trindade que, fazendo-se homem, enviado pelo Pai nos santifica com seu Santo Espírito. A Igreja deve olhar para a cruz de Cristo e nela ver a missão que deve impeli-la. Ela se fundamenta na cruz, ali, do lado direito de Cristo, jorram o sangue e água, representação da Eucaristia e do Batismo.

“A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”. Os doze apóstolos são colunas e fundamentos da Igreja. Neles ela se mantém sólida para enfrentar as dificuldades do mundo presente.

“A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro”. Sim! Esta verdade nos é possível constatar ainda hoje. A Igreja caminha, mesmo em meio às trevas, com confiança no Cristo ressuscitado, Senhor e Juiz da história. A Sua luz irradia todo o seu interior e todos os seus pastores e membros, certos de que a mensagem de Cristo deve criar perspectivas salvíficas em todos os homens.

No Evangelho somos mais uma vez tomados pelo tema Amor. Aproximando-se das Solenidades da Ascensão e de Pentecostes, somos direcionados a vermos o Cristo que entra na Glória e de lá envia o Seu Espírito, Aquele que a partir daí deveria guiar a Igreja e seus pastores.

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23). Quantas vezes fico a pensar como é difícil guardar a palavra de Cristo hoje. E mais do que guardar é necessário testemunhá-la de forma autêntica, mostrando nossa missão e nosso compromisso com o Reino de Deus.

Verdadeiramente em uma sociedade secularizada, anti-vida e anti-família, que deseja sufocar os valores evangélicos, constantemente Jesus se dirige a nós e recorda-nos que o mais importante não é vivermos prazerosamente neste mundo e rejeitarmos, por conseguinte, a vida eterna. Mas o necessário é que nos privemos, já neste mundo, de muitas coisas, para podermos gozar alegremente das alegrias celestiais. Os homens de todo o mundo só poderão chegar à verdadeira paz quando descobrirem a beleza de Cristo e do Seu Evangelho. O conceito de paz implica muitos fatores, mas só uma solução: Jesus Cristo. Ele é a verdadeira paz. Nele encontramos total repouso. Não é uma paz firmada em limites e interesses terrenos, mas é uma paz que se doa sem reservas.

Aproveito a oportunidade e convido a elevarmos preces a Deus por ocasião do XVI Congresso Eucarístico Nacional e por ocasião da Viagem Apostólica do Santo Padre a Portugal.

Peçamos à Santíssima Virgem que guie o caminho dos homens, para que cheguem na Igreja celestial, em comunhão com todos os santos.

Pax Domini!