A Igreja celeste


Neste domingo o evangelho é como que uma continuação do domingo passado. Mas de maneira particular gostaria de centrar-me neste domingo na segunda leitura, para daí passarmos ao Evangelho.

No Apocalipse de São João somos convidados a olharmos a Igreja santa e celestial, a Jerusalém vindoura para a qual caminhamos esperançosos.

Mas devo confessar aqui que na minha leitura orante da Bíblia chamou-me bastante atenção tais versículos. Ricos em simbologia, estes exprimem o fundamento da Igreja e o rumo que ela dá aos seres humanos desesperançados neste mundo.

O apóstolo usa no texto uma rica simbologia numérica: 3 e 12 são números que, na Bíblia, são chamados de números da perfeição. Todo este simbolismo contém uma visão profética da Igreja. Esta já é premeditada pelo apóstolo e continua a manter-se firme, mesmo diante dos problemas que são indubitáveis em sua caminhada.

Mas agora devo ater-me a uma interpretação lógica do livro (Ap 21,10-14.22-23). A Jerusalém triunfante seria aquela gloriosa, que manifestar-se-á nos santos e naqueles que, nesta vida, deram testemunho do Evangelho e com dignidade viveram a sua vida cristã.

“Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente”. Ora, se somarmos 4 (direção das portas) X 3 (Três pessoas da Trindade) = 12. Doze é o número dos apóstolos. E se observamos os lados em que se posicionam as portas (norte, sul, leste e oeste) logo formarão uma cruz. A Igreja, em toda a direção, deve estar certa de que caminha com a Trindade. Seu objetivo é anunciar o Amor do Deus Trindade que, fazendo-se homem, enviado pelo Pai nos santifica com seu Santo Espírito. A Igreja deve olhar para a cruz de Cristo e nela ver a missão que deve impeli-la. Ela se fundamenta na cruz, ali, do lado direito de Cristo, jorram o sangue e água, representação da Eucaristia e do Batismo.

“A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”. Os doze apóstolos são colunas e fundamentos da Igreja. Neles ela se mantém sólida para enfrentar as dificuldades do mundo presente.

“A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro”. Sim! Esta verdade nos é possível constatar ainda hoje. A Igreja caminha, mesmo em meio às trevas, com confiança no Cristo ressuscitado, Senhor e Juiz da história. A Sua luz irradia todo o seu interior e todos os seus pastores e membros, certos de que a mensagem de Cristo deve criar perspectivas salvíficas em todos os homens.

No Evangelho somos mais uma vez tomados pelo tema Amor. Aproximando-se das Solenidades da Ascensão e de Pentecostes, somos direcionados a vermos o Cristo que entra na Glória e de lá envia o Seu Espírito, Aquele que a partir daí deveria guiar a Igreja e seus pastores.

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23). Quantas vezes fico a pensar como é difícil guardar a palavra de Cristo hoje. E mais do que guardar é necessário testemunhá-la de forma autêntica, mostrando nossa missão e nosso compromisso com o Reino de Deus.

Verdadeiramente em uma sociedade secularizada, anti-vida e anti-família, que deseja sufocar os valores evangélicos, constantemente Jesus se dirige a nós e recorda-nos que o mais importante não é vivermos prazerosamente neste mundo e rejeitarmos, por conseguinte, a vida eterna. Mas o necessário é que nos privemos, já neste mundo, de muitas coisas, para podermos gozar alegremente das alegrias celestiais. Os homens de todo o mundo só poderão chegar à verdadeira paz quando descobrirem a beleza de Cristo e do Seu Evangelho. O conceito de paz implica muitos fatores, mas só uma solução: Jesus Cristo. Ele é a verdadeira paz. Nele encontramos total repouso. Não é uma paz firmada em limites e interesses terrenos, mas é uma paz que se doa sem reservas.

Aproveito a oportunidade e convido a elevarmos preces a Deus por ocasião do XVI Congresso Eucarístico Nacional e por ocasião da Viagem Apostólica do Santo Padre a Portugal.

Peçamos à Santíssima Virgem que guie o caminho dos homens, para que cheguem na Igreja celestial, em comunhão com todos os santos.

Pax Domini!

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