Jesus diviniza a humanidade


Celebramos neste domingo a Solenidade da Ascensão do Senhor Jesus aos Céus. Ascensão significa que Jesus, como Filho de Deus e eterno Sacerdote, por excelência, elevou-se a Si mesmo para junto do Pai. Diferente da Assunção de Maria, onde ela é elevada pelo poder de Cristo e não por si só.

Mas o que tem de tão importante e peculiar nesta Festa. Como ela fala também aos nossos tempos?

Jesus é elevado à Glória do Pai e senta-se à direita de Deus. Como já disse aqui o “direito” na Bíblia carrega em si um grande significado. Creio que por isto o evangelista diz que Jesus está sentado à direita do Pai, e de fato está.

Da primeira leitura poderíamos tirar algo que incita os cristãos à uma verdadeira caminhada missionária. Depois que Jesus ascendeu aos céus os discípulos ficaram estupefatos com aquela cena, mesmo já contemplando muitos outros sinais, e continuavam a olhar para o céu. Neste momento dois anjos aparecem e lhes dizem: “Homens da Galiléia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (At 1, 11). Esta afirmação dos anjos dirige-se também a nós. Não podemos ficar todo o tempo parados, olhando para o céu e esperando uma solução, um milagre. O cristão deve inserir-se na missão. O Batismo consiste precisamente em tornar-nos cristãos, e como cristãos faz de nós discípulos (para ouvirmos e seguirmos o Mestre) e missionários (para que possamos anunciar a outros o que nós podemos ouvir).

É importante termos presente que a Ascensão de Jesus não é um afastamento da nossa humanidade. Ele não é retirado, de certa forma, do nosso meio. Jesus sempre está presente conosco, guiando-nos e acompanhando a nossa vivência cristã, protegendo-nos e fortalecendo-nos no combate contra o mal.

Na segunda leitura Paulo nos diz que Deus, com sua “força em Cristo”, fez com que Ele sentasse “à sua direita nos céus” (Ef 1, 20). Já fiz uma rápida alusão no início do artigo sobre o porquê da “direita”. Cristo está acima de qualquer poder, autoridade, soberania, potência… Também está acima dos poderes deste mundo. Ele os vence e dá-nos a certeza de que, com Ele, também venceremos.

“Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal” (v. 22-23). Paulo usa uma metáfora comum de seu tempo: Sujeitou sob seus pés. Aquele que é vencido e estava prostrado no chão, derrotado, o que tinha saído vitorioso colocava o pé sobre o derrotado. Cristo é aquele que, por sua morte, derrotou a Satanás e os espíritos malignos e, como vemos em algumas imagens, Nossa Senhora também, vencendo a serpente maligna, pisa em sua cabeça.

Outra característica que aplicar-se-á também nos dias hodiernos é o Cristo como Cabeça do corpo, a Igreja. O membro principal do corpo é a cabeça. Assim, Paulo dirigindo-se aos Efésios e a nós manifesta que Cristo é aquele que guia a Igreja e não a abandona nunca. Ele, Sumo e eterno Sacerdote, Altar e Vítima, se oferece por nós todos e, como fundador da Igreja, guia-a pelo caminho da Verdade, ajudando-a a superar os vales tenebrosos. Nós “membros do seu Corpo, somos chamados a participar da sua glória” (Oração da Coleta, Missa da Ascensão do Senhor).

No Evangelho, Jesus envia os apóstolos a anunciarem a Methanoia e o Kerigma. Sobre a primeira poder-se-á definir como uma mudança de mentalidade. Postos em termo cristão poderíamos dizer que é a “conversão” (Lc 24, 47). Todos são chamados a uma mudança de vida radical e ao encontro pessoal com Jesus. A vida cristã deve ser, toda ela, inteiramente possuída pelo desejo de Cristo e esta deve movê-la a um encontro pessoal com Ele. Sobre a segunda poderíamos dizer que é o anúncio da Palavra. Os discípulos são enviados a anunciarem as maravilhas que os seus olhos puderam contemplar e os seus corações puderam sentir.

Com efeito, na sua Ascensão Jesus abre para nós as portas do Céu. Podemos agora ingressar alegres na eterna Jerusalém, e podemos desfrutar de todo o bem que dela provém. Ao mesmo tempo esta subida gloriosa é um constante convite a fazer com que a nossa humanidade ponha-se em constante contato com Deus, especialmente e sobretudo pela oração. Na sua Encarnação Jesus, neste feliz intercâmbio, humaniza a divindade. Na sua Ascensão ele diviniza a humanidade. Porém, aos poucos, a humanidade deixa perder este seu lado divino e reveste-se de uma “capa” ilusória que será toda descoberta quando tiver que apresentar-se a Deus no fim dos tempos.

Por fim gostaria de fazer rápida menção a dois aspectos mui importantes que hoje celebramos. O Primeiro é o dia de manifestação em apoio ao Papa Bento XVI, com mobilização de várias (Arqui) Dioceses e Comunidades Paroquiais. Que este dia possa ser para todos nós um verdadeiro momento de reafirmarmos nossa união eterna com a Cátedra de Pedro e com o Sumo Pontífice, a quem tanto me agrada recordar. Sobre este momento de tribulação que a Igreja passa, recordo as palavras de Santo Agostinho: “Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo continua sofrendo na terra por meio das tribulações que nós experimentamos como seus membros. Deu testemunho desta verdade quando se fez ouvir lá do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues? (At 9, 4)” (Sermão de Santo Agostinho, Livro: Alimento Sólido, pag. 95).

Em segundo gostaria de deixar uma menção ao Dia Mundial das Comunicações Sociais. Este ano o Santo Padre propõe como tema: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media a serviço da Palavra”. Gostaria de citar um parágrafo da Mensagem do Papa em que ele recorda a necessidade dos sacerdotes estarem inseridos nos meios de comunicação.

Contudo, a divulgação dos «multimédia» e o diversificado «espectro de funções» da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas «vozes» que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogs, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.

Que neste dia da Ascensão do Senhor possamos elevar nosso espírito e colocá-lo sempre em contato com Cristo, buscando as alegrias celestiais.

Estejamos sempre na escola de Maria, ela nos guia ao encontro com a única Verdade que deve guiar o mundo.

Fraternalmente em Cristo Jesus!



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