Trindade: Fonte e origem da Igreja


Neste domingo, celebrando a Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja quer mais uma vez reafirmar seu compromisso constante de anunciadora da Verdade que é subsistente nestas três Pessoas. Estamos no centro do mistério da fé cristã. Mas o que precisamente vem à nossa mente quando falamos neste profundo e jamais totalmente entendido mistério da Trindade? Em que precisamente esta consiste?

Em primeiro lugar devo dizer que este artigo não irá apresentar nenhuma solução para se entender o mistério trinitário, se nem mesmo Santo Agostinho e os grandes Santos conseguiram, não serei eu que conseguirei. Apenas desejo exemplificar e dar uma melhor compreensão sobre algo que, superior à mente humana, é incompreensível à nossa natureza.

É na Trindade que a Igreja se reúne. A primeira e a última saudação da Missa, os prefácios, etc. “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (II Cor 13, 13). Comumente esta saudação é usada na celebração eucarística. A Igreja quer seguir os passos da Comunidade Perfeita. Quer estar constantemente unida ao mistério que desvela-se nas Santas Missas.

Na primeira leitura nos-é possível notar que é feita uma profunda analogia com a Trindade, família perfeita e modelo ideal para nossas famílias nos dias hodiernos. “Desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra” (Pr 8, 23). Sabemos que Deus (Trindade) é um ser infinito. Desde as origens do mundo vemos Deus dialogar com as outras duas pessoas: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1, 26). Ora, se Ele disse “façamos”, logo não estava sozinho. Mas Deus, Sabedoria suprema, manifesta a sua essência. Já professamos no Credo que Jesus é “consubstancial”, ou seja, da mesma substância do Pai e do Espírito. São Eles três Pessoas em um só Deus. Nenhum age sem plena adesão do outro; pelo contrário, agem juntos e em comum.

Na segunda leitura São Paulo escreve algo que me admira, e ao qual poucos tendem a fazê-lo: “Nos gloriemos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona” (Rm 5, 3-4). Difícil já é suportar uma tribulação, quanto mais gloriar-se nela. Mas é isso que nos exorta o apóstolo. O melhor meio para superar uma tribulação é ter a certeza de que Cristo está conosco, de que, apesar de nossa fraqueza, o Senhor não nos abandona, e mais que isso: Ele prova a nossa fé.

No momento que passo por constantes dúvidas e provações, essa palavra toca profundamente o meu coração. E posso dizer: Sim! Teremos provações. E nelas o Senhor testa a nossa fé, para saber se realmente somos dignos de um dia contemplarmos a sua face. Para ser padre, por exemplo, não basta apenas que você tome isso como meta, achando que superará fácil todas as provações. Posso dizer seguro que isso não acontecerá. Quem quer servir o Senhor sempre passará por provações e dificuldades, ainda mais quando não apenas servimos, mas quando tomamos em nós a pessoa do próprio Cristo. Satanás tentará impor barreiras que nós devemos, não saltá-las, pois elas ficarão para trás, mas um dia poderão voltar. Devemos quebrar, derrubar, todas as barreiras que impedem o nosso caminho e o nosso encontro pessoal com Cristo.

Àquele que se confia a Deus e se entrega a oração o Senhor os ajudará a vencer as dificuldades e a darem um sentido novo à suas vidas.

Precisamos passar pelo processo descrito por São Paulo: Tribulação, constância, virtude provada e esperança. Esperança que se fundamenta em Cristo Jesus e na Sua Igreja. E quem mais tem demonstrado esta esperança é a Igreja.

É engraçado como, às vezes, escuto alguém dizer: “Se o Papa voltar a Missa em latim vai acabar com a Igreja”. Ou então: “Se não por um ponto final ao celibato, vai acabar com a Igreja”. Eu digo a estes: ainda que ficasse somente o Papa na Igreja, ela não acabaria. Pois ainda seria uma comunidade unida a Trindade. Que maior comunidade pode haver, senão aquela unida com o Pai, o Filho e o Espírito Santo? Jesus quando disse que as portas do inferno não prevaleceriam, Ele não diz com quantas pessoas. Pois só o Papa, guiado pelo Espírito Santo que “sonda tudo, mesmo as profundezas de Deus” (I Cor 2, 10), é capaz de por abaixo toda a horda demoníaca.

No Evangelho Jesus, no seu discurso de despedida, promete o envio do Paráclito sobre os apóstolos. “Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade… Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu” (Jo 16, 13-15).

Recordo-me de Santo Hilário de Poitiers que dizia: “Já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom, que é o Espírito Santo, estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades à encarnação de Deus” (Tratado sobre a Trindade).

Este Espírito, recordo o artigo por ocasião da Solenidade de Pentecostes, tem guiado a Igreja, ainda que mediantes as tribulações. A Igreja é imperecível, e o-é mais ainda depois do dia de Pentecostes, naquela gloriosa efusão. Ela anuncia o que lhe foi entregue pelos apóstolos, e a estes entregue por Cristo.

Peçamos a Maria Santíssima que nos oriente para a estrada trinitária. Que nos fortaleça nas tribulações e nos torne perseverantes em nossa fé cristã.

Fraternalmente em Cristo Jesus!

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