Sacerdotes segundo o Coração de Jesus


Encerrando o Ano Sacerdotal e neste dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, senti-me na necessidade de escrever aos nossos sacerdotes, em particular os que visitam este humilde blog que dispõe-se a serviço da Santa Igreja e da evangelização.

Desejo saudar a cada um de forma afetuosa, em Cristo Jesus e Maria Santíssima.

O Ano Sacerdotal foi uma experiência frutuosa para toda a Igreja, radicada em um clamor insistente pedindo sacerdotes santos para que, com sapiência, possam guiar o povo de Deus.

Esta feliz iniciativa do Santo Padre, o Papa, põe ante nossos olhos a urgente necessidade de rezarmos constantemente pedindo por alguns sacerdotes que passam por alguma dificuldade, ou que se desviam do mandato missionário, agindo de forma não muitas vezes errônea e imoral.

As leituras propostas à esta Solenidade relatam-nos a missão do sacerdote e como ele deve exercê-la, observando as Escrituras e confiantes na misericórdia incessante de Deus.

Na primeira leitura (Ez 34,11-16), assim como no Evangelho, somos postos em uma figura de linguagem, comumente usada na Igreja: pastor e ovelha. “Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas” (v. 11). Vemos aqui já uma prefiguração da missão de Jesus. Este pastor que nos relata o profeta é o próprio Cristo, que, não permanecendo inacessível nos céus, quis fazer deste mundo sua habitação, e mais que isto: quis fazer de nós sua habitação. O Sumo e Eterno Sacerdote também quis estar presente e fazer dele as palavras do livro aos Hebreus: “O sacerdote é tirado do meio do povo, para ser posto no meio do povo”. Mas Ele poderia assumir um sacerdócio diferente, não necessitaria sair da Virgem Maria. O que quer Cristo mostrar?

Em minha concepção Jesus aponta-nos que, apesar de seres seus representantes, e agirem em sua pessoa, os sacerdotes também tem suas fraquezas, seus limites. Não podemos crucificar os padres por causa do erro de alguns membros do clero. Há padres que vivem a Boa Nova do Evangelho, são perseguidos, mortos. Padres que trabalham em prol dos que sofrem, tanto pelo sistema opressor do capitalismo, do marxismo, do comunismo, quanto pelas enfermidades corporais. Mas isso a mídia não propaga. Omite-se em anunciar uma verdade, para se apegar a mitos que criam na tentativa de, inutilmente, tentar derrubar a Igreja.

“Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-la conforme o direito” (v. 16). Estas missões às quais os pastores de hoje são chamados, florescem cada dia mais no jardim da humanidade. Muitas são as ovelhas perdidas, que apascentam a si mesmas, se bem que algumas não se deixam apascentar.

Eis que os nossos sacerdotes devem ser pastores, assumindo a missão que lhes foi confiada pelo próprio Cristo: “Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos” (Lc 10, 3). “Ide!” Ainda hoje Jesus continua a fazer este veemente apelo, para que não se cesse nunca o ardor missionário que os padres devem ter. Iremos Senhor. Mas iremos olhando para ti, observando teus mandamentos e guiando-nos pelo teu caminho, que é a Igreja.

No Evangelho Jesus afirma: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?” (Lc 15, 4). Parece paradoxal esta parábola, principalmente quando Jesus completa: “Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (v. 7).

Não seria o céu um lugar para se alegrar pelos justos? Também! Mas se o é, ainda mais o será pelos pecadores.

Mergulhados na imensidão do Sagrado Coração de Jesus, queremos pedir que Ele olhe e proteja os nossos sacerdotes. A misericórdia infinita do Senhor é capaz de acolher a todos, por maior que seja o pecado. Basta arrepender-se de coração humilhado e confiar no Senhor que tudo perdoa. Ao contrário do nosso coração, o Coração de Jesus sabe amar e perdoar. Para aprender a amar o único meio é mergulharmos na inexaurível fonte de graças que jorram abundantemente do Coração de Jesus, ferido por nossos pecados. Introduzamo-nos neste mistério e descubramos que o Senhor convida a todos nós. E por que não aceitar o seu convite? Vamos ao manancial de graças. Deixemo-nos tomar por este espírito de amor, ao qual pedimos que hoje possa irradiar todo o mundo.

Do coração ferido pela lança, outrora saiu sangue e água, hoje saem o amor e a misericórdia, que a ninguém abandona e que a todos conforta.

Jesus é o amor que os cristão devem experimentar; caso contrário viverão na superficialidade e sentirão falta de algo essencial na caminhada. Ninguém tem uma boa caminhada religiosa se não ama, e mais ainda, se não sabe o que é o amor de Cristo. O desejo da santidade parte também do amor. Porque amaram, os santos puderam testemunhar o Evangelho de Cristo, puderam vivê-lo com fidelidade e puderam ter um feliz encontro com Deus.

Peçamos pelos que andam no mundo obscuro, para que seja-lhes dada a visão da luz.

Que este Ano Sacerdotal não fique restrito apenas ao tempo cronológico. Mas que esteja sempre no presente da vida sacerdotal.

Permaneçamos sempre confiantes nas palavras de Jesus a Santa Maria Alacoque: “Afinal reinará, este amável Coração, apesar de todos os que se quererão opor. Satã e todos os seus seguidores serão confundidos”