A última, talvez


O venerável Tomás de Kempis, na sua Imitação de Cristo, recomenda que participemos de cada missa como se fosse a última de nossas vidas. Um dia realmente assistiremos nossa última missa. Não saberemos, evidentemente. Mesmo se estivermos gravemente enfermos, sempre acharemos que haverá mais uma.

Hoje quando saia da missa dominical pelo corredor central da nave este pensamento me assaltou. A última missa, talvez. A última vez que verei este altar… como já não vejo outros altares dos lugares dos que me mudei. A consciência percorreu num segundo a vida espiritual e tive um calafrio, arrependido de ter ficado tão distraído na celebração. Olhei para trás, para o altar do qual me afastava. “Ah, Deus queria que não seja a última“. E dei mais uns passos com o povo que saia. Mas olhei de novo para altar: “Não, não será a última missa, como aquela olhada para o altar não foi a última“. E antes de sair, virei-me novamente “Não, queira Deus que não seja a última, como poderei pagar a multidão de meus pecados?“. Tenha paciência comigo e tudo te pagarei! (Mt 18, 26)

Sai da Igreja e fui fazer as compras no supermercado. Na volta, meio sem pensar, mudei meu caminho e desnecessariamente passei de novo pela Igreja. Ao ver a torre, lembrei-me do salmo 121. A porta da frente ainda estava aberta. Reduzi a velocidade o suficiente para ver de novo o altar de dentro do carro: “Não, não será a última“. Não, não mesmo.

Mas no fundo da minha alma sei que sempre pode ter sido a última. Estarei preparado quando o Dia do Senhor chegar como um ladrão, sem que o dono da casa saiba a hora?