E Deus nos busca diligentemente…


O tema das leituras neste domingo é a misericórdia. Misericórdia divina frente à infidelidade humana.

Na primeira leitura, vemos o gravíssimo pecado de Israel por idolatria. Aos pés do Monte Sinai, nos mesmos dias em que receberam a Lei de Deus, Israel pecou, pecou gravemente – literalmente diante da face de Deus.

Na segunda leitura vemos o pecado individual, de São Paulo, que narra sua época de perseguidor implacável da Igreja, e, em certo sentido, surpreende-se com a graça imerecida recebida pela misericórdia de Deus. São Paulo confessa-se naquela época ignorante: “Ainda não tinha recebido a graça e o fazia (a perseguição) por ignorância“, mas vê um sentido em sua conversão: Se encontrei misericórdia, foi para que em mim primeiro Jesus Cristo se manifestasse em toda sua magnanimidade e eu servisse de exemplo para todos que, a seguir, nele crerem. Liga-se este trecho de modo admirável à primeira leitura: “Lembrai-vos de Abraão, de Isaac e de Israel, vossos servos, aos quais jurastes por vós mesmo de tornar sua posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e de dar aos seus descendentes essa terra de que falastes, como uma herança eterna.” É a Aliança de Deus a fonte da misericórdia. Foi pela aliança de Deus com Abraão que o Senhor relevou o pecado de Israel, foi pela aliança eterna de Jesus Cristo que Deus relevou o pecado de Paulo, e de todos nós.

Finalmente no Evangelho, Nosso Senhor, como que escancara as portas de seu coração e revela toda sua face amável e misericordiosa. Ele é o bom pastor que vai atrás da ovelha perdida. Ele é a mulher zelosa que varre a casa pelo seu dracma. E deixa-nos entrever literalmente um pedacinho do céu: Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.

É pela graça do Espírito Santo que o homem reconhece-se pecador. Cristo é o bom pastor, e envia seu Espírito Santo para aquele aperto no peito que dá na ovelha quando ouve a sua voz. Na parábola da mulher e dos dracmas, chama-me a atenção o versículo “a busca diligentemente, até encontrá-la“. Não só busca, mas busca diligentemente. Cristo sempre foi claro que sua vontade era fazer a vontade do Pai, comprando esta vontade a sua comida e sua bebida. E acrescenta que a vontade do Pai era que nenhum se perdesse. Cristo cumpre esta vontade até a dor da sua Paixão: – Tudo está consumado!, grita nos transes finais da cruz, que suportara com paciência e zelo extremos. Buscou as ovelhas perdidas da humanidade, e buscou diligentemente. O Apóstolo foi claro: “Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores“.

Na primeira leitura as conseqüências do pecado são claras: Deixa, pois, que se acenda minha cólera contra eles e os reduzirei a nada. O pecado é aniquilação. São Paulo ao refletir sobre seus pecados dá graças à Jesus Cristo por tamanha bondade imerecida de ter se livrado deles. No Santo Evangelho, Deus revela a sua justa providência, ele não vai passar por cima da justiça, ele quer é que o pecador se arrependa e volte. Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. A ovelha pecadora estava perdida, estava morta. Ao converter-se do pecado, volta à vida. Este retorno está de acordo com a vontade de Deus, que é a existência das criaturas, da sua alegria. Deus não compactua com o pecado, é o pecador que se repactua com Deus, que “deixa-pra-lá” movido por sua bondade, e desejoso de ter novamente sua criatura amada – sua ovelha e moeda perdida – junto a si.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, que também me buscou diligentemente até me encontrar!