Abrir-se à salvação

https://i2.wp.com/messiah.sites.uol.com.br/Fe/imagens/zaqueu.jpgNeste Domingo, o Evangelho nos faz a narrativa de Zaqueu, que por ter baixa estatura e querendo ver Jesus, subiu numa árvore para observá-lo. No entanto, algo de supreendente acontece na vida daquele publicano: Jesus pára, olha-o, e ordena que desça, pois haveria de hospedar-se na casa dele naquela ocasião. Eis aqui algo maravilhoso, caríssimos! Quão bela é esta passagem que nos insere na misericórdia infinita de Deus.

O que poderíamos esperar de Zaqueu? Por que ele haveria  de receber a digna honra de hospedar Jesus? O que Jesus faria na casa de um publicano? Permeada destas perguntas estava a mente de toda aquela multidão. E Jesus, ao chegar na casa de Zaqueu, afirma: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este é um filho de Abraão” (Lc 19, 9).

Ora, Jesus aqui assume na radicalidade o sentido de misericórdia, até porque Ele é misericórdia. A sua resposta aos que assim interrogavam foi clara: “O Filho do Homem veio para salvar o que estava perdido” (v. 10).

Postas em termos atuais, Jesus talvez quizesse dizer: “Todos podem ser salvos, mesmo os mais pecadores, pois também eles são filhos de Deus”. Nosso Deus não está afastado das nossas realidades e da nossa fraqueza, não está retido a um tempo e a um local, mas se faz sempre nosso amigo, companheiro de jornada. Ainda que pareçam ser fortes as tribulações, Deus é maior que elas, e se faz peregrino conosco.

Zaqueu sobe na árvore para ver Jesus. A atitude de subir, como recordamos no Domigo passado, busca um contato íntimo com Deus, um relacionamento interior, que só pode partir do encontro pessoal com o Senhor, deixando-se transformar primeiramente pelo interior. É preciso, quando nos sentirmos pequenos, que subamos nas árvores da humildade, do amor, da esperança. É preciso que nos agarremos a estes troncos que é Jesus.

Outra questão que gostaria de retratar é que o publicano Zaqueu faz questão de doar quatro vezes mais a quem havia roubado, além de doar seus bens aos pobres. Jesus faz uma completa transformação na vida daquele pecador. Ele é regenerado. Mas isto só acontece após a entrada da Salvação na sua casa. Esta Salvação é o próprio Cristo, mas também pode ser descrita como uma salvação interior, não visível e não palpável ao homem.

Peçamos ao Senhor que conceda também a nós o dom da humildade, para reconhecermos sua incomensurável misericórdia, e que possamos nos abrir à realidade da Salvação, pela qual todos somos chamados a sermos partícipes do Reino escatológico do Senhor.

Salus et Pax in corde Iesus et Maria.

E Pedro falou!

O Santo Padre Bento XVI no seu discurso aos Bispos do Regional Nordeste 5 na manhã desta quinta-feira, dia 28, foi verdadeiramente feliz em suas colocações.

Na situação drástica em que está a política brasileira hoje, vemos o PT e sua candidata Dilma que querem a todo custo aprovar a legalização do aborto, a retirada de símbolos religiosos de lugares públicos, etc. Têm duas caras: por um lado dizem não querer legalizar, e ainda dizem estar em defesa da vida; por outro, são a favor do aborto e buscam legalizá-lo. A Igreja agradece a Deus por um pastor tão fiel ao ministério que lhe foi confiado. O Santo Padre não teme os ataques e impropérios daqueles que se erguem contra ele, não se silencia mediante os ataques ao Evangelho e aos ensinamentos pela Igreja transmitidos desde os apóstolos.

Por isso, hoje, no seu discurso, vemos de forma clara aquilo que Jesus sempre chamava a atenção: aos lobos em pele de cordeiro. Não precisa nem citar o partido, pois sabemos que de forma indireta o Santo Padre critica veementemente as atitudes petistas. E nos convida a usar o voto contra estes que buscam impor-se na sociedade.

Não temer a oposição e a impopularidade. Outro ponto ao qual nos exorta o Santo Padre. A Igreja não precisa ser popular, a Igreja precisa anunciar o Evangelho, como diz são Paulo, quer agrade, quer desagrade. Se anunciar o Evangelho não traz popularidade, então não somos popular; pois antes não ser popular mas ser fiel aos mandamentos de Cristo, do que ser popular e ab-rogar o mandamento do Senhor a nós confiado. Popularidade não salva ninguém, e o Papa sabe disso ao proferir tais palavras.

Certamente muitos Bispos e Padres não estão felizes com o posicionamento do Papa, não é Dom Pedro Casaldáliga, Dom Demétrio Valentini, entre outros (sobretudo os da Teologia da Libertação)? Mas vão ter que engolir, afinal: Quem falou foi Pedro!

Neste dia de São Judas Tadeu, peçamos que ele corte, com seu machado, toda raiz de ódio e intolerância imposta pelo Partido dos Trabalhadores.

E Viva o Santo Padre Bento XVI!

* * *

Segue abaixo o discurso do Santo Padre:

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas(cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases(cf. Evangelium vitae, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo»(ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Benedictus PP. XVI

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Veja também: O “grave dever” dos bispos de orientarem os fiéis também em questões políticas, do blog Deus lo Vult!.

Leia mais: Bento XVI e o Silêncio dos Bispos, do blog do padre Paulo Ricardo.

Orar com humildade

Em que consiste orar com humildade? Por que este tema?

Não poderemos compreendê-lo se não fizermos uma analogia entre as leituras e a necessidade da oração, conjugando-a na sociedade hodierna. Verdadeiramente ultimamente temos sido veementemente exortados pelas leituras dominicais a uma oração que nasça da sinceridade do coração; que não se revista de uma aparência exterior, mas interiormente está vazia e sem sentido. Por isso a primeira leitura é taxativa a dizer: “Jamais despreza a súplica do órfão nem da viúva, quando esta lhe fala com seus gemidos… Quem adora a Deus será recebido com agrado e sua súplica chegará até as nuvens. A oração do humilde penetra as nuvens e não se consolará enquanto não se aproximar de Deus; e não se afastará, enquanto o Altíssimo não olhar e o justo juiz não fizer justiça” (Eclo 35, 27. 20-21).

Estas penetrantes palavras contêm um ensinamento profundo, que em uma primeira vista não seria possível observarmos. Mas debrucemo-nos um instante sobre estas palavras sapienciais. O que elas indicam-nos? Em primeiro lugar tenhamos em mente que estas palavras, como obviamente está à nossa percepção, dirige-se aos humildes. Mas quem são os humildes? São os pobres materiais? Falando-se no contexto deste mundo, restrito à possessão de bens, sim. Falando no contexto evangélico não. Mesmo os ricos, que não atribuem suas riquezas a méritos próprios, mas a reconhecem como presente de Deus; quem tem o espírito submisso a Deus e sabe partilhar, também eles são os humildes. Santa Teresa de Ávila apresenta-os um pouco diferente, mas em um mesmo contexto: “O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”. Comumente a Bíblia os associa aos “órfãos, viúvas e estrangeiros”, que eram colocados à margem da sociedade na época, e ainda hoje não obstante os diversos progressos e esforços a uma igualdade continuam a existir diversos marginalizados.

Depois gostaria de deter-me sobre a frase: “Quem adora a Deus será recebido com agrado e sua súplica chegará até as nuvens”. Feliz realização! Como estas palavras são incômodas nos dias de hoje. Muitos não adoram a Deus; no entanto, fixam seu olhar sobre os bens terrenos e passageiros, que em nada contribuem para uma melhor vivência da fé; vivem na ganância e na soberba, são bem aparentados por fora, mas por dentro estão vazios e não sabem o verdadeiro valor do amor. São Paulo condena a estes e exorta, também a nós: “Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Cor 10, 31).  E ainda, ao escrever a Timóteo fala com dureza: “A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro… Ordena aos ricos deste mundo que rejeitem o orgulho e não ponham sua esperança na riqueza incerta, mas em Deus que provê abundantemente de tudo para nosso bom uso. Ordena-lhes ainda que façam o bem e se enriqueçam de boas obras, que sejam prontos para dar e generosos” (1 Tm 6, 10.17-18).

Na segunda leitura, vemo-la frequentemente nas celebrações de São Pedro e São Paulo, este último apóstolo já tinha consciência de sua morte, e, portanto, sabemos que não se distancia desta. Gastada sua vida em favor do Evangelho, Paulo não a perde, mas a ganha. Por isso escreve: “Combati o bom combate. Conclui a corrida. Guardei a fé. Agora me é reservada a coroa da justiça” (2 Tm 4, 7-8). Sobre isso São João Crisóstomo bem afirmou: “Estar longe de Cristo representava para ele o combate e o sofrimento, mais ainda, o máximo combate e a mais intensa dor. Pelo contrário, estar com Cristo era um prêmio único. Paulo, porém, por amor de Cristo, prefere o combate ao prêmio… Talvez algum de vós afirme: Mas ele sempre dizia que tudo lhe era suave por amor de Cristo! Isso também eu afirmo, pois as coisas que são para nós causa de tristeza eram para ele enorme prazer… Rogo-vos, pois, que não vos limiteis a admirar este tão ilustre exemplo de virtude, mas imitai-o. Só assim poderemos ser participantes de sua glória” (Riquezas da Igreja, Prof. Felipe Aquino, pag. 172 e 173).

“Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu, todos me abandonaram. Que isto não lhe seja levado em conta. Mas o Senhor veio em meu auxílio e me deu forças… E eu fui libertado da boca do leão” (2 Tm 4, 16-17). Ora, este abandono de Paulo é sentido por muitos hoje. Quantos acham que Deus o abandonou? Ou então o contrário: Quantos só podem contar com Deus, pois foram “abandonados”? Nestes dois casos vale aquilo que o Papa bento XVI disse: “Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar ninguém, a Deus sempre posso falar. Se não há mais ninguém que me possa ajudar – por tratar-se de uma necessidade ou de uma expectativa que supera a capacidade humana de esperar – Ele pode ajudar-me” (Carta Encíclica Spe Salvi, 32).

No Evangelho Jesus conta-nos a parábola do fariseu e do publicano. Dirigia-se o Senhor àqueles que confiavam na própria justiça e desprezavam os outros. “Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos” (Lc 18, 10). A atitude de subir significa estar em contanto íntimo com Deus. Assim como Jesus subia ao monte para orar, estes dois vão também pôr-se diante do Altíssimo.

Mas a diferença é que um na sua oração exaltava-se, o outro reconhecia a imensidão dos seus pecados. “O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’.
O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!” (vv. 11-13).

A oração não é para nos engrandecer, mas para reconhecermos nossos pecados, colocando-nos por inteiro nas mãos de Deus. O pecado não traz alegria, mas ele faz com que busquemos a verdadeira alegria, que é a nossa reconciliação com Deus: “O não reconhecimento da culpa, a ilusão de inocência não me justifica nem me salva, porque o entorpecimento da consciência, a incapacidade de reconhecer em mim o mal enquanto tal é culpa minha” (Spe Salve, 33). Aquele fariseu não foi justificado, mas sim o publicano, porque não apenas rezou, mas rezou com humildade. A oração não nos isola, mas nos ensina a viver em comunidade. “Orar não significa sair da história e retirar-se para o canto privado da própria felicidade. O modo correto de rezar é um processo de purificação interior que nos torna aptos para Deus e, precisamente desta forma, aptos também para os homens” (idem).

Na oração devemos buscar estar unidos de uma forma tão íntima com o Senhor que nem precisamos falar, pois Ele como Pai já sabe das nossas necessidades, do que realmente é importante.

Peçamos ao Senhor a humildade, para que não sobreponha-se as nossas misérias, mais que reconheçamos tudo como graça de Deus. Peçamos também, neste dia mundial das Missões, a graça de sermos testemunhas autênticas do Evangelho, para que ele seja levado a outros, sobretudo por nossas ações.

Enquanto agradeço a Deus pelo bom êxito do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, confio-vos em minhas orações à proteção de Maria, Mãe da humildade.

Salus et Pax in corde Iesus et Maria

 

Hipocrisia política ou cinismo? Considerações minhas sobre a candidata Dilma

 

É isso que queremos?

É isso que queremos?

 

Não tenho como deixar de manifestar minha indignação com a atitude, no mínimo antidemocrática, do PT.

A proibição e apreensão dos panfletos que seriam distribuídos mostram realmente quem é a senhora Dilma Rousseff e os seus companheiros do PT. O seu cinismo em garantir a “liberdade religiosa” é realmente de se admirar; extrapolam-se os limites e os parâmetros do bom senso. Ao proibir a distribuição dos panfletos, também a justiça está sendo coerente com a mentira e injustiça. Deveria olhar-se primeiro para o interior da polícia e observar as injustiças cometidas, especialmente ao defender alguns ladrões que sentam-se no senado ou na câmara. Tornou-se crime falar a verdade? Os folhetos foram, até então, aprovados pelos Bispos do regional Sul 1, e serão apoiados por todos aqueles que buscam denunciar as leis injustas pelas quais o PT quer promover sua cultura de morte.

Que democracia é esta? Com que cara de pau vocês afirmam estar a favor da democracia! Começa o PT a demonstrar o seu verdadeiro programa de governo: Transformar o Brasil em um país comunista, onde proíba-se qualquer manifestação contrária ao governo, ainda que este esteja infestado de ideologias satânicas.

Bem sabemos que o mal busca imperar no mundo de todas as formas, e aqueles que promovem tais culturas são coerentes com estas ações maléficas.

É sabido também que a senhora Dilma, que sempre foi a favor do aborto, agora tem a audácia de se afirmar católica e a favor da vida. Digo, pois, que com este catolicismo de Dilma até Satanás é católico, e daqueles bem fiéis.

Dilma faça um favor ao povo: guarde essa hipocrisia para você mesmo! Não queira aplicar estas idiotices ao povo. Não fale dos outros quando você mesmo está desmoralizada e não têm respaldo para avaliar os demais.

A hipocrisia traja-se de verdade para persuadir muitos brasileiros, e de fato está acontecendo. A Igreja, no entanto, ao contrário do que muitos dizem, deve guiar os seus filhos para que não incorram em erros como esses. Por isso parabenizo os Bispos e Padres que, incansavelmente, cumprem seu apostolado também no âmbito social. Vejam bem! Não estou felicitando padres que se envolvem em candidatura; porém os padres que denunciam, em seu ministério, os horrores manifestados na política.

Se a candidata acha que irá conseguir calar a voz do povo, indubitavelmente está enganada. Nos meios de comunicação, nos blogs, revistas, e em panfletos diversos, mostraremos quem realmente é esta senhora que se esconde por tás de uma aparente católica, que nem o sinal da cruz sabe fazer.

Que Maria, Rainha do Brasil, interceda pelo nosso povo. E continuemos nossa campanha pela salvação do Brasil

P.S: Se não gostou mande me prender!

Desculpem pela firmeza, mais é inaceitável isso. Realmente estou muito revoltado.

A persistência da fé

 

Sagrado Magistério

Sagrado Magistério

 

Neste domingo somos convidados a persistir, a ter perseverança, uma santa insistência. Foi isto que moveu o coração do poderoso juiz que meditamos no Evangelho. Também o Evangelho tornar-se-á para nós um paradigma, olhando aquela pobre viúva. Em nossos dias a persistência tem se esfacelado e perdido toda a sua consistência. Ter persistência, por conseguinte, é ter esperança. Precisamos de uma esperança que não esmoreça, que não se limite em consistir apenas neste mundo, mas que vá além. Além das nossas expectativas, além do que este mundo possa oferecer, além do que possamos imaginar.

Não costumo fazer meditações dos salmos, mas hoje vemos claramente presente um ato de confiança, de clamor, que parte das entranhas do salmista. “De onde pode vir meu socorro? – Pergunta –. Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!” (Sl 120/121, 1-2). Nas atuais condições da nossa sociedade tais afirmações põem-nos novamente em contato íntimo com Deus. Contato este que só poderá acontecer quando os homens reconhecerem o auxílio que, provindo de Deus, perpetra em cada um o espírito da verdadeira esperança, que não é finita, mas infinita..

Um verdadeiro consolo é manifestado neste salmo. Um Deus que não abandona seu povo, mas está caminhando lado a lado com ele. Na vicissitude dos tempos é-nos possível comprovar os maravilhosos prodígios de Deus na história da humanidade. Somos um povo que para Deus caminha. Esta verdade manifestar-se-á mediante as ações cristãs que praticarmos. “Voltemo-nos para Deus!” É o clamor que leva a Igreja a bradar aos homens de hoje. Tomada por um espírito de individualismo, a sociedade começa a degenerar-se, dissimulando-se de sua missão. E se esta assim progride acaba por fomentar divisões, ódios, guerras. Não obstante as diversas tentativas para manter-se a paz, consequentemente esta não poderá subsistir se as ações contrárias forem maiores.

Mas eis que, quando tudo parece impossível, o salmo mais uma vez vem a recordar-nos: “O Senhor te guardará de todo o mal, ele mesmo vai cuidar da tua vida! Deus te guarda na partida e na chegada. Ele te guarda desde agora e sempre” (120/121, 7-8). Devemos colocar-nos sob o domínio do Senhor, submeter-nos aos seus salvíficos desígnios. Mas perguntemo-nos, então, por que muitos não o fazem? Porque a prepotência e a arrogância parecem falar mais alto a estes pobres corações do que a voz de Deus, que por vezes faz-se ouvir baixinha, quase inaudível.

Dirigindo-se a Timóteo, Paulo alerta para que o discípulo não deixe esmorecer sua fé.

Escreve ele: “Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus.
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça,  a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra. Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu Reino, eu te peço com insistência: proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina” (2 Tm 3, 14 – 4, 2).

Avaliemos bem este rico texto de Paulo. Em primeiro lugar tenhamos em mente que já, desde aqui, se faz presente o Magistério da Igreja, ao qual muitos se recusam a aceitar. Existe uma verdade que muitos podem não aceitar: a posse da verdade só será concedida aos que falam em união com a Igreja e com seus ensinamentos. É preciso que haja uma autêntica interpretação do Magistério da Igreja. Se a Igreja deixa livre a interpretação das Escrituras tende-se a cair no erro de Lutero (Sola Scriptura). Por isso a Escritura deve ser associada ao Magistério e a Tradição.

No versículo 16 fala-se da inspiração das Escrituras. Escritas por homens, por inspiração divina, elas tendem a levar-nos a Deus. Como escreve a Dei Verbum: “Tudo o que os autores inspirados afirmam deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, de onde se deduz que os livros sagrados ensinam com certeza, fielmente e sem erro, a verdade que Deus, em vista da nossa salvação, quis que fosse consignada nas Escrituras Sagradas” (nº 11). O Papa Leão XIII ainda afirma que elas são “oráculos e palavras divinas, cartas dirigidas pelo Pai celestial e transmitidas pelos autores sagrados ao gênero humano que peregrina longe de sua pátria” (Encíclica Providentissimus Deus).

Outro aspecto que ressaltei no texto é o caráter incisivo de Paulo. Em suas veementes palavras ele pede a Timóteo que pregue a palavra, quer agrade, quer desagrade. Isso significa que jamais deveria silenciar-se mediante as injustiças e uma possível “prepotência” do homem.

Mas como estas palavras toda a Igreja é conclamada a aferir suas ações nestes milênios tão conturbados, não obstante a constante persistência na evangelização. Vivemos momentos difíceis na história da humanidade, como também na história da Igreja. Muitos querem silenciar a Igreja para que não mais propague a verdade unicamente a ela confiada. Diversos inimigos levantaram-se, ainda que inutilmente, contra a Igreja para tentar ferir-lhe a dignidade. Inimigos que muitas vezes surgiram de ações malignas, do pai da mentira, que não fica feliz com o trabalho valoroso dispensado por aquela que é a prefiguração do Reino de Deus. A Igreja não esconde os erros dos seus filhos, mas também sabe reconhecer a má-fé, ou ignorância, que muitos usam para ferir-lhe a dignidade.

A Igreja e os seus valorosos membros não se deixam abater. Mas levantam-se com a espada da justiça para dilacerar toda a mentira e hipocrisia que insurja no mundo, “Todos os imperativos acumulados nestes versículos têm a força das ordens militares e devem ser obedecidas por todo ministro de Cristo em todos os tempos e em todos os países” (Erdmann).

Os padres e bispos na podem ocultar-se, e nenhum cristão está isento da missão. Como dirá São Pio V: “Aquele que conhece a verdade e não a proclama é um covarde miserável e não um cristão”

Por fim, o Evangelho fala de duas parábolas que representam a insistência e perseverança, de um lado uma pobre viúva, do outro um rico juiz. No coração endurecido da humanidade desvela-se a insistência da oração cristã. Na viúva figura o retrato de muitos crentes que veem sua fé abatida em momentos tão delicados. Mais Jesus convida-nos a perseverar. Ainda que sejam fortes os problemas, as graças vindouras serão mais abundantes ainda.

É importante dizermos que o fato de Jesus apresentar um Deus que fará justiça aos pequeninos, não significa que Ele queira apresentar um Deus sem misericórdia, inacessível. Ao contrário: Ele afirma que Deus tornar-se-á mais acessível à medida que os homens tornarem-se mais justos e misericordiosos.

Ao final Ele faz uma pergunta que, na verdade, se transforma em uma exortação à perseverança: “Quando vier o Filho do Homem, será que ainda encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18, 8). É precípuo como nunca que os homens guardem a fé, que redescubram a beleza da oração, e nela encontrem sentido para a caminhada.

Maria, Mãe da Fé, nos auxilie nesta caminhada. Aproveito para agradecer a Deus pelos seis novos santos concedidos pelo Santo Padre Bento XVI, hoje, à Igreja. E renovo as minhas orações pelo Sínodo dos Bispos do Oriente Médio, no Vaticano.

Salus et Pax in corde Iesus et Maria

Os leprosos de hoje

No Evangelho deste domingo vemos de maneira significativamente presente uma doença temida na época de Jesus, mas que está carregada de um valor espiritual: a lepra.

Já na primeira leitura o autor nos coloca diante de um fato notável. Em primeiro lugar devemos ressaltar quem era o leproso na época de Cristo. O que ele representava? Como podemos fazer uma analogia com os nossos dias?

Para os antigos o leproso era alguém impuro. Ele devia ser evitado, pois a lepra poderia contagiar-lhes, por isso não viviam nas cidades e povoados, mas fora destes.

Elias manda que Naamã, o sírio, lave-se no Jordão e ele fica purificado (cf. 2 Reis 5, 14). Mas por que o autor usa o termo purificado, e não curado? Por que purificar quer dizer limpar, tornar puro. O rio Jordão constitui o símbolo do renascimento. Nos Evangelhos veremos que Cristo batizou-se no Jordão, transformando-o assim em uma espécie de fonte de vida.

Na segunda leitura o apóstolo São Paulo, mais uma vez, dirigindo-se a Timóteo, seu fiel colaborador, alerta: “Lembra-te de Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitado dentre os mortos, segundo o meu evangelho.  Por ele eu estou sofrendo até às algemas, como se eu fosse um malfeitor; mas a palavra de Deus não está algemada.  Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos, para que eles também alcancem a salvação, que está em Cristo Jesus, com a glória eterna.
Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negamos, também ele nos negará. Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” (2 Tm 2, 8-13).

Com o termo usado por Paulo percebe-se que ao escrever ao seu discípulo estava ele acorrentado, isto é, preso. Um frase do apóstolo, dentre as tantas, que chamou-me particular atenção é a sua afirmação de que, apesar de estar acorrentado, mas a Palavra de Deus não. Ora, a Palavra de Deus por excelência é Jesus Cristo, Verbo encarnado. Logo, ele afirma que Jesus não está preso, restrito a um grupo. Podem ter prendido Paulo, mas não impedirão que mensagem de Cristo se expanda a todos os povos. Bem oportuna é esta leitura dentro do mês missionário. Ela nos estimula e nos dá consciência de que todos são chamados a anunciar Jesus Cristo, mesmo mediante as dificuldades que impõe-se na sociedade hodierna, levando-nos a um relativismo, a uma exclusão de Deus da sociedade e a falta de fraternidade, comumente presente, sobretudo pela guerra. Com tudo isso, somos chamados a testemunhar, e não apenas a anunciar, o evangelho.

De resto, Paulo convida a Timóteo para que permaneça firme em Cristo. As palavras do apóstolo anunciam de certa forma o Reino vindouro, e a Parusia do Senhor, em Seu Advento definitivo. Aquele que nega sua missão, porém, também soam veemente as palavras apostólicas que nos levam a um juízo sobre o rumo de nossa caminhada existencial. O que faço da minha vida? Perguntemo-nos. Será que estou deixando-me conduzir pelo bom caminho?

Mas uma coisa o apóstolo diz que Deus não pode ser: infiel. Ainda que o neguemos, que sejamos infiéis, mas Ele nunca poderá assumir tal aspecto que seria humano. Diria que a infidelidade não parte de uma ação divina, mas sim dos desejos limitados da nossa frágil humanidade.

Por isso peçamos sempre ao Senhor que nos ensine a sermos fiéis aos seus ensinamentos. Deste modo poderemos contemplar a Onipotência de Deus, que é amor. Um Amor capaz de vencer a mesquinhez e os egoísmos do coração humano.

Por fim o evangelho introduz-nos novamente ao pensamento da lepra. Uma lepra que contamina a nossa sociedade. A cura para esta doença está no perdão, na busca de uma profunda reconciliação com Deus, em vista de um bem comum a todos. Só centralizando-se em Deus e buscando mergulhar no Coração de Jesus, saberemos que o amor não consiste em méritos passageiros, mas no eterno mérito do encontro pessoal com Jesus.

A ingratidão presente no texto mostra-nos a ingratidão nos homens de hoje. Apenas um estrangeiro vem agradecer. “E os outros nove – pergunta o Senhor – onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. (Lc 17, 17-18).

Veja, meus irmãos! O Senhor sente a dureza dos corações desses nove homens. Apenas um voltou. O Senhor poderia ter dito aos que não voltaram: “Agora vou devolver a lepra para vocês”; no entanto não faz isso. E por que não o faz? Porque Ele é misericórdia. Veja que os dez homens pararam a distância, mas quando foram curados apenas um aproximou-se de Jesus. Isso significa que muitos recorrem ao Senhor somente em momentos de tribulação, e quando veem que a tempestade já cessou, sequer vem agradecer-Lhe.

Saibamos ser gratos ao Senhor. Vejamos nEle a Imagem da Misericórdia. Para que não deixemos apagar em nós a chama da fé.

Confio a intercessão de Nossa Senhora o Sínodo dos Bispos do Oriente Médio, que tem início hoje, para que possa a Terra Santa tornar-se lugar de paz e de contemplação dos mistérios da salvação.

Saúdo-vos em Cristo Jesus e Maria Santíssima!

A Fé: ponto de partida

As leituras deste domingo nos convidam a uma reflexão mais profunda sobre a fé. Partindo da primeira leitura vemos o clamor do profeta Habacuc, que, em determinado momento, parece ter sido esquecido por Deus. Parece que seu clamor havia sido ignorado. E onde se achava Deus nesta hora? Por que deixava que seus filhos sofressem, assim como sorem muitos hoje?  A resposta para essas questões encontra-se no mesmo livro, não de uma forma direta, mas que nescessita de uma reflexão à qual deter-me-ei primeiro.

Habacuc vivia no final do século VII, início do século sexto, A.C. Reinava Joaquim, rei iníquo. O povo já não cultivava amor pelo Senhor, vivia-se na impiedade. O clamor feito pelo profeta era um clamor de todo o povo. O Senhor manifesta-se de forma dura. E afirma: “O justo viverá por sua fé” (Hb 2, 4). Estas palavras, associadas ao Evangelho, demostrar-nos-á que a fé é sempre necessária. Não obstante o contexto histórico que vivia o profeta, também para os dias hodiernos podemos associar tais palavras. A fé é capaz de nos retirar do mundo da mesquinhez e do egocêntrismo, e inseri-nos em uma comunidade fraterna, mesmo quando aí parecem surgir várias adversidades.

Quando o homem, ou a sociedade, busca uma autossuficiência afastada de Deus; quando eles já não rezam e curvam-se a Deus; quando já não mais obedecem os desígnios do Senhor e se põe contra os seus mandamentos, então deixam de ter forças, suprime sua fé e lança-se no “fundo do poço”.

Será que a nossa sociedade ainda não percebeu (ou, se percebeu, não quer ver) que sem Deus todos tendemos a um existencialismo vazio, desumano, obscurecido e irracional? Hoje lanço a todos vós um convite: levantai-vos! O Senhor nos chama! Que desperte o Brasil, os plíticos, os sacerdotes, e todo o mundo! Que a Santa Igreja, com sua espada da justiça e misericórdia levante-se contra todas as ameaças que tendem a secularizar mais a sociedade.

Na segunda leitura Paulo faz uma exortação veemente a Timóteo, seu fiel colaborador, para que reavive “a chama do dom de Deus que recebestes por imposição das minhas mãos” (2 Tm 1, 6). Vemos aqui presente um gesto que era usado já pelos apóstolos desde a Igreja primitiva, outrora fora usado também pelos sacerdotes que ofereciam os sacrifícios do cordeiro.

Com o gesto da imposição das mãos a Igreja confirma e ao mesmo tempo dá o direito para que uma pessoa assuma uma função. Vemo-lo principalmente nas ordenações.

“Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho… Guarda o precioso depósito com a ajuda do Espírito Santo, que habita em nós” (ibid., v. 14). As palavras de Paulo foram zelosamente assumidas pela Igreja no decorrer destes dois milênios. Ainda que tempestades impetuosas pareçam balançar a Nau de Cristo, guiada por Pedro e seus sucessores, mas a certza de que ela nunca naufragará nos dá um alívio e um porto seguro.

Paulo não quer que Timóteo se desanime com relação à pregação. Por isso pede que ele não se envergonhe do testemunho do Evangekho; nem por sua causa (pois estava preso), nem por causa do Senhor. Há! Como as palavras de São Paulo necessitam impetrar um espírito de coragem em muitos católicos. Tantos que ocultam sua fé por motivos políticos. Colocam as ações políticas acima do âmbito religioso. Sobretudo neste dia de eleição deve-se ter consciência de que devemos prezar pelo futuro do país. Não deixar que abortistas e anti-cristãos assumam o governo do país é um dever nosso. Um cristão dá testemunho de sua fé, ainda que seja na política. Ou será que queremos ver o Brasil como uma futura Espanha?

“Bonum depositum custodi per Spiritum Sanctum qui habitat in nobis – Guarda o precioso depósito com a ajuda do Espírito Santo, que habita em nós (idem). O depósito confiado a Igreja há dois mil anos trás permanece com sua originalidade. A Igreja nunca poderá auterá-lo. Muitos me perguntam: por que a Igreja não se moderniza? Respondo: por que no “depósito” que São Paulo mandou guardar não está escrito que a doutrina é feita pela Igreja. Quiçá um dia possam compreendê-lo! Todas as leis e mandamentos que a Igreja guarda, de alguma forma, procedem de Cristo e dos apóstolos.

Por fim, o Evangelho é um exemplo de que a fé é necessária. Jesus diz aos apóstolos que “Se tivésseis fé como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria” (Lc 17, 6). Com isto Jesus quer nos convidar a fortalecer nossa fé; a não nos preendermos em nada supérfluo e passageiro.

É necessário que estejamos voltados para o alto, para os bens celestiais. A nossa fé é a plena e livre adesão aos ensinamentos do Senhor, e deve ser sinal concreto de testemunho autêntico.

Que Maria, nos ajude a sermos fiéis ao Evangelho de Seu Filho.

Com cordiais saudações em Cristo Jesus e Maria Santíssima!

Salute et Pax!