E Pedro falou!


O Santo Padre Bento XVI no seu discurso aos Bispos do Regional Nordeste 5 na manhã desta quinta-feira, dia 28, foi verdadeiramente feliz em suas colocações.

Na situação drástica em que está a política brasileira hoje, vemos o PT e sua candidata Dilma que querem a todo custo aprovar a legalização do aborto, a retirada de símbolos religiosos de lugares públicos, etc. Têm duas caras: por um lado dizem não querer legalizar, e ainda dizem estar em defesa da vida; por outro, são a favor do aborto e buscam legalizá-lo. A Igreja agradece a Deus por um pastor tão fiel ao ministério que lhe foi confiado. O Santo Padre não teme os ataques e impropérios daqueles que se erguem contra ele, não se silencia mediante os ataques ao Evangelho e aos ensinamentos pela Igreja transmitidos desde os apóstolos.

Por isso, hoje, no seu discurso, vemos de forma clara aquilo que Jesus sempre chamava a atenção: aos lobos em pele de cordeiro. Não precisa nem citar o partido, pois sabemos que de forma indireta o Santo Padre critica veementemente as atitudes petistas. E nos convida a usar o voto contra estes que buscam impor-se na sociedade.

Não temer a oposição e a impopularidade. Outro ponto ao qual nos exorta o Santo Padre. A Igreja não precisa ser popular, a Igreja precisa anunciar o Evangelho, como diz são Paulo, quer agrade, quer desagrade. Se anunciar o Evangelho não traz popularidade, então não somos popular; pois antes não ser popular mas ser fiel aos mandamentos de Cristo, do que ser popular e ab-rogar o mandamento do Senhor a nós confiado. Popularidade não salva ninguém, e o Papa sabe disso ao proferir tais palavras.

Certamente muitos Bispos e Padres não estão felizes com o posicionamento do Papa, não é Dom Pedro Casaldáliga, Dom Demétrio Valentini, entre outros (sobretudo os da Teologia da Libertação)? Mas vão ter que engolir, afinal: Quem falou foi Pedro!

Neste dia de São Judas Tadeu, peçamos que ele corte, com seu machado, toda raiz de ódio e intolerância imposta pelo Partido dos Trabalhadores.

E Viva o Santo Padre Bento XVI!

* * *

Segue abaixo o discurso do Santo Padre:

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas(cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases(cf. Evangelium vitae, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo»(ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Benedictus PP. XVI

* * *

Veja também: O “grave dever” dos bispos de orientarem os fiéis também em questões políticas, do blog Deus lo Vult!.

Leia mais: Bento XVI e o Silêncio dos Bispos, do blog do padre Paulo Ricardo.

19 pensamentos sobre “E Pedro falou!

  1. Concordo plenamente com o Santo Padre, mas regra, vale para todos. E o próprio Vaticano sabe muito bem que o único candidato que fez medidas CONTRA vida, foi José Serra.
    Se Serra realmente fosse católico conforme o Santo Padre pede nesta bela reflexão, ele JAMAIS teria assinado medidas queria contra a VIDA.

    Todos nós temos que ser HONESTO e anunciar que nossa Igreja é CONTRA qualquer TIPO de aborto. Não existe meio termo.
    Não podemos esquecer dos atos de José Serra quando estava no PODER. Porque agora ele esta falando qualquer coisa para iludir o eleitor.

    Isso é CLARO, quem conhece José Serra sabe que é uma com medidas econômicas CONSERVADORA, nesta eleição ele esta prometendo o céu, a terra e o inferno. Tudo para iludir o eleitor.

    Uma eleição se resume só em aborto, ou o estado só gira em torno disso.

    Temos que reconhecer que no Governo Lula houve grandes avanços sociais, muitas pessoas sairam da linha da pobreza, entraram na classe média.

    Para concluir que decide leis no país, são deputados e senadores.

  2. Por que a Igreja Católica não barra o aborto na Itália, que é onde se encontra sua sede. Pelo que eu sei o aborto na Itália é legalizado desde dos anos 70. Quantos Papas se passaram, porque não bateram de frente com o governo ou mesmo incentivaram a população derrubar essa LEI?

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  4. Contra as argumentaçãos do Fernando Paiva, que teima em não reconhecer os projetos que o PT tem na origem contra o aborto, a família e a liberdade religiosa.

    Papa e eleições

    Bento XVI e o Silêncio dos Bispos
    Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior

    Faltando três dias para a votação do segundo turno, o acalorado debate eleitoral ganhou um interlocutor de peso: o Papa Bento XVI.

    Num discurso pronunciado, nesta manhã de quinta-feira, para bispos do Nordeste – reconhecida base eleitoral do PT de Dilma Rousseff – Bento XVI condenou com clareza “os projetos políticos” que “contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto”.

    Com o discurso de hoje, Bento XVI rompe, desde o mais alto grau da hierarquia católica, o patrulhamento ideológico que o PT vem impondo a bispos do Brasil através de ameaças, pressões diplomáticas, xingamentos e abusos de poder.
    É conhecida a absurda apreensão, a pedido do PT, de milhares de folhetos contendo o “Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras”, em que a Comissão em Defesa da Vida, da Regional Sul I da CNBB, exortava os católicos a não votar em políticos que defendam a descriminação do aborto. É conhecida a denúncia do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de que tem sido vítima de censura e perseguição por parte do PT (cf. Revista Veja). É arquiconhecida a prisão de leigos católicos que realizavam o “ato subversivo” de distribuir nas ruas o documento dos bispos de São Paulo.

    O Papa convida os bispos à coragem de romper este patrulhamento e falar. Ao defender a vida das crianças no ventre das mães, os bispos não devem temer “a oposição e a impopularidade, recusando qualquer acordo e ambigüidade”.
    O pronunciamento de Bento XVI ainda exorta os bispos a cumprirem “o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”. E, numa clara alusão a uma das propostas do PNDH-3 do PT, se opõe à ausência “de símbolos religiosos na vida pública”.

    Com seu discurso, o Papa procura evitar que o Brasil continue protagonista de um fenômeno que seria mais típico do feudalismo medieval, do que de uma suposta democracia moderna. De fato, durante a Baixa Idade Média, era comum que os posicionamentos e protestos mais decididos fossem os do Papa, enquanto os do episcopado local, mais exposto às pressões e ao poder imediato dos senhores feudais, eram como os de um cão atado à coleira. Pode até ensaiar uns latidos, mas quem passa por perto sabe que se trata de barulho inofensivo.

    Ao apagar das luzes da campanha de segundo turno, o Pontífice parece preparar o terreno para que a Igreja do Brasil compreenda, sejam quais forem os resultados das eleições, que é inútil apelar para um currículo de progressos sociais e de defesas dos oprimidos do Partido dos Trabalhadores, quando seu “projeto político” está tão empenhado em eliminar os seres humanos mais fracos e indefesos no ventre das mães.

  5. MEUS AMIGOS…..
    NÃO QUERO DISCORRER SOBRE O ASSUNTO ABORTO, QUERO DIZER QUE EXISTEM PAÍSES POR EXEMPLO PORTUGAL QUE SE ABORTA MAIS DO QUE NASCE.
    E POR CAUSA DE UMA LEI DE APOSENTADORIA NA FRANÇA HOJE O PAÍS PAROU.
    MUITO BEM, VEMOS PROGRESSOS COM O ATUAL GOVERNO, MAS NÓS BRASILEIROS VEMOS TODOS OS DIAS VERDADEIRAS ROUBALHEIRAS E NADA FAZEMOS.
    MAS NÓS CATÓLICOS TEMOS UMA FORÇA ESPETACULAR, PORQUE UM SERMÃO DE UM PADRE MEXEU ATÉ COM O PAPA. O PAPA MEXEU NA FERIDA POIS OS BISPOS DO NORDESTE (A MAIORIA) É DILMA
    REZEMOS PELO NOSSO PAIS
    FIQUEM COM DEUS

  6. Dilma assinou documento que legaliza o assassinato de crianças, pois permite o aborto no nono mês de gestação. Quero deixar claro aos petistas que não tenho carteirinha de partido nenhum. Não é questão do Papa estar certo ou não. Ele apenas transmite o que está na biblia e que devemos proteger seguir, protegendo a vida. Não são palavras do Papa, são palavras do nosso Pai.

  7. Sob o Governo FHC e do ministro da saude Serra foi introduzido o aborto sob duas condições. Pelo canon 1398 ficam excomungados.Vale lembrar. Leonardo Boff

  8. PNDH-3 se opõe à ausência “de símbolos religiosos na vida pública”.

    Isso é coisa de protestante, Silas Malafaia….

    Vou novamente repetir vamos ver se vocês entende de uma vez por todas, PNDH-3 não é uma LEI, não tem valor juridico. É algo NORMATIVO, não tem nenhum valor juridico, logico que os deputados pode pegar alguns itens transformar em lei.

    PNDH-2 (2002), diz que o aborto é questão de saúde pública, eu pergunto a vocês: O aborto foi legalizado no Brasil :::: NÃO, então não deixe de fazer fantasia

    Esse é documento é apenas normativo, não significa que é um LEI e somos obrigados cumprir.

  9. Cala a boca, jumento!
    Você não é teólogo. Você é só um jumentinho que não sabe interpretar nem um PNDH-24 do Dilmão, muito menos um cânon. Cala a boca e vai dormir.

  10. Pingback: Bento XVI neles! « Vida sim, aborto não!

  11. Agora diante deste pronunciamento do papa os bispos terão de tomar uma posição e os petistas se silenciarem.

  12. Mudando um pouco de assunto, os petralhas alardeiam aos quatro ventos que o governo Lula quitou a dívida externa. Ah, o que seria do PT se não existisse a mentira…
    Para desmascarar mais essa grossa e cínica falsidade, nada melhor que trazer os dados fornecidos pelo órgão oficial para o assunto, que é o Banco Central do Brasil:

    “NOTA DO BANCO CENTRAL PARA A IMPRENSA – 25.10.2010

    Setor Externo

    I – Balanço de pagamentos – Setembro de 2010

    (…)

    II – Reservas internacionais

    (…)

    III – Dívida externa

    A dívida externa total para setembro de 2010 foi estimada em US$243,8 bilhões, com elevação de US$8 bilhões em relação à posição estimada para o mês anterior. Em setembro, a dívida externa de longo prazo totalizou US$190,8 bilhões, com crescimento de US$3 bilhões, enquanto a dívida externa de curto prazo, que atingiu US$53 bilhões, cresceu US$5 bilhões.

    Os principais fluxos que afetaram o estoque da dívida externa de longo prazo foram ingressos líquidos de títulos, US$1,2 bilhão, e de empréstimos diretos, US$935 milhões. O incremento de estoque devido a variações de paridades foi estimado em US$1,2 bilhão.

    Quanto à dívida externa de curto prazo, o acréscimo observado deveu-se à elevação de US$4,3 bilhões verificada no saldo dos empréstimos diretos em moeda, e ao aumento de US$784 milhões ocorrido nas obrigações em moedas estrangeiras dos bancos comerciais.”

    Fonte: Banco Central do Brasil
    http://www.bcb.gov.br/?ecoimpext

  13. Já havia lido o discurso do Papa Bento XVI, aos Bispos do Maranhão, em visita ad limina apostolorum. Muito interessante o discurso do Papa. Ele não pode deixar de cumprir sua missão de Pastor Universal, exortando o Povo de Deus, especialmente no que diz respeito à defesa da VIDA.

    O Santo Padre foi muito oportuno e feliz nas suas colocações, porque o Estado Brasileiro é laico, mas seu povo é religioso, e isto precisa ser respeitado. Quando digo que o povo é religioso é porque está disposto a fazer a Vontade de Deus e não somente dizer: Senhor, Senhor…, como às vezes se pretende, de maneira especial dentro da própria Igreja. Existem facções sociais, políticas e religiosas especializadas em fazer lavagem cerebral, deixando as pessoas sem convicções, mas com obsessões, e com a consciência invencivelmente errônea. Ficam semelhantes aos grãos de pipoca que levados ao fogo não estouram, e com mais fogo, mais duros ficam. Tornam-se donas da “verdade”. Estão até manipulando o texto do Papa, para justificar a sede do poder. (cf. http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp)

    É a Vontade de Deus que nos salva e não a nossa, e sobre isto precisamos sempre nos exortar mutuamente, como diz o Apóstolo São Paulo. Portanto, que nossa fé seja sempre vivificada pela mútua exortação. Pode ocorrer de nos esquecermos que somos todos peregrinos caminhando para a Casa do Pai, e quando lá chegarmos, poderemos ouvir de Jesus o seguinte: “Afastai-vos de mim, vos que praticastes a injustiça, a maldade” (Lc13,27). Creio que ninguém vai querer ouvir isto naquela hora. Seu passaporte está em dia? Pode ter certeza de que a eternidade existe… Assim, busquemos alimentar nossa fé, sem esquecer, como diz o Papa, que ela deve implicar na política. A fé sem obras é morta, diz a Escritura Sagrada. E uma das obras que deve provir da fé, é o nosso voto consciente em pessoas que vão governar para o bem comum, respeitando a vida em todas as suas etapas e dimensões.

    No mesmo dia em que li o discurso do Papa, assistindo ao telejornal, à noite, escutei o pronunciamento da candidata e do candidato à presidência do Brasil a respeito do discurso do Papa. Ambos concordaram com as Palavras do Papa, dizendo que é missão dele exortar para uma vida coerente com os valores da fé e da moral, e que as palavras do Papa valem para todas as pessoas de fé, no mundo inteiro.

    O Papa falou, também, que o voto deve estar a serviço da construção de uma sociedade justa e fraterna, defensora vida.

    Como Bispo da Igreja Católica, e como cidadão brasileiro, fico feliz por saber que nosso Presidente tem defendido a vida, e sempre se pronunciou contra o aborto. Nesses últimos anos o Brasil tem crescido e melhorado em todos os aspectos, de maneira especial no respeito à vida e a valorização da dignidade humana. Esta é a Vontade de Deus! E as pessoas, em plena posse de suas faculdades mentais, vão reconhecer esta verdade.

    Nosso país está em pleno desenvolvimento e assim queremos continuar e, depois de 500 anos, nosso povo quer eleger, pela primeira vez, uma mulher que tem compromisso com a vida e provou isso com sua própria vida. Como? Ela não fugiu para o exterior durante a ditadura, mas a enfrentou com garra e, por isso, foi presa e torturada. Ela queria um país livre, e que todas as pessoas pudessem viver sem medo de serem felizes, vencendo a mentira e o ódio com a verdade e o amor, servindo aos ideais de liberdade e justiça, com sua própria vida. Disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a própria vida pelos irmãos” (Jo 15,13).

    Obrigado Santo Padre por suas sábias palavras! A Dilma é a resposta para as nossas inquietações a respeito da vida. Quem sofreu nos porões da ditadura, não mata. Mas teve gente que matou a vida no seu ventre para fugir da ditadura, e portanto não deveria se comportar como os fariseus, que jogam pedras, sabendo-se pecadores. E Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem entregar sua vida por causa de mim, vai salvá-la”(Mt 10,39)

    Vamos fazer o nosso Brasil avançar ainda mais, com Dilma, que já provou ser coerente, competente e comprometida com a VIDA. O dragão devastador não pode voltar ao poder.
    Deus abençoe os leitores e eleitores, governos e governados. Saúde e paz a todos (as)!

    Tudo o que você me desejar, eu lhe desejo cem vezes mais. Obrigado.

    Caçador, 28 de outubro de 2010

    Dom Luiz Carlos Eccel
    Bispo Diocesano de Caçador

  14. Repassando:

    REPORTAGEM DO SITE DA GLOBO, ONTEM, DIA 28/10/2010.

    O que chama a atenção dos mais críticos não é a manchete da reportagem que informa que “DILMA REAFIRMA POSIÇÃO CONTRA ABORTO E PEDE RESPEITO À ORIENTAÇÃO DO PAPA”, mas sim as últimas frases que ela diz na reportagem; reproduzo abaixo, é só conferir.

    CATÓLICOS, PRESTEM ATENÇÃO ABAIXO:

    “…A petista reafirmou ser contra o aborto, mas a favor do tratamento das mulheres que recorrem à clandestinidade para interromper a uma gestação. “Cansei de repetir qual minha posição nessa questão do aborto. Eu, pessoalmente, sou contra o aborto, mas sei que a cada dois dias morre uma mulher nessas circunstâncias. Eu não acredito que ninguém em sã consciência recomende que se prenda essas mulheres.”

    Ou seja, se ela acha um absurdo alguém achar que aquelas que praticam aborto devam ser presas,
    logo, o que deve ser feito para combater esse absurdo?
    DISCRIMINALIZAR O QUE HOJE É CRIME –
    Código PenalAborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
    Art. 124. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
    Pena – detenção, de um a três anos.
    Na situação atual, a maioria das mães que cometem o aborto do art. 124 não são presas, mas respondem processo, até porque a tendência é de punir com a prisão em regime fechado apenas os crimes considerados mais graves.
    O que a “presidenta” deseja é tratar o aborto como uma “questão de saúde pública” (ou seja, discriminalizar a conduta do CP para que os médicos da rede do SUS possam “disponibilizar” esse “serviço” às “pobres mulheres” que “precisam abortar”.
    Lindo, não? É um discurso tão Rosa, cheio de flores e de “bondade”, não é?
    ACORDA BRASIL!!!
    45 – 45 – 45 – 45!!!!

  15. Em especial ao Carlos, já que ele é o entedido

    Sob o Governo FHC e do ministro da saude Serra foi introduzido o aborto sob duas condições. Pelo canon 1398 ficam excomungados.Vale lembrar. Leonardo Boff

    Sem contar o aborto praticado na vida pessoal, quer mais?

  16. Fernando Paiva

    de quem é o projeto do aborto inserido na CF ??

    O pndh2 foi encaminhado ao congresso ? O projeto morreu e o PT deseja ressuscitá-lo.

  17. Cesár, não interessa de quem seja o projeto. Serra regulamentou, jogou contra que a vida que a Igreja defende. Se ele realmente fosse fiel aos costumes, não teria regulamentado, e seguido a orientação da Igreja

    pndh2 mas nesta versão já constava descriminalização do aborto….

    pndh não é LEI, acabe o congresso decidir.

    Bom, agora eleição acabou… os tradicionalista perde mais uma.

  18. A hora é de magnanimidade. O momento é de respeitar, relevar e perdoar. Todos convidados para a grandeza de ânimo.

    Publicados os resultados das eleições, urge festejar a democracia. Por mais frágil que tenha se mostrado durante a campanha, ela acabou se fortalecendo com esta eleição.

    Podemos fortificá-la mais ainda, se soubermos levar adiante as muitas lições que esta campanha nos deixa.

    Quem dá o exemplo é Dilma Rousseff, a candidata eleita presidente do Brasil. Em seu discurso de domingo à noite, logo após a publicação dos resultados, disse textualmente: “Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles”.

    Estas palavras têm mais força do que todas as injúrias e difamações que a candidata recebeu durante a campanha. Tornam ainda mais expressiva sua vitória.

    A nobre atitude do perdão precisa vir acompanhada da lúcida constatação dos fatos, e dos desafios que eles nos apresentam.

    Na verdade, a candidata Dilma Rousseff precisou enfrentar uma avalanche enorme de obstáculos, desencadeados, sobretudo, pela carga de preconceitos, cuja virulência surpreendeu, e mostrou quanto a sociedade brasileira ainda está impregnada de resíduos tóxicos da ditadura militar.

    O fato de uma candidata ter sido vítima da truculência do regime ditatorial, em vez de servir de oportunidade para lavar a honra de todos os que foram presos arbitrariamente pela ditadura, acabou dando o pretexto para muitos se acharem no direito de vestirem a carapuça de torturadores, e descarregarem sobre a candidata o ódio destilado nos porões do regime militar.

    Esta pesada constatação nos coloca um grande desafio. Muitos assim pensam e fazem sem terem culpa das motivações equivocadas que movem seus preconceitos. Não sabem o que foi a ditadura militar. A anistia foi pactuada. Mas de novo se comprova que ela não pode prescindir da memória histórica, que precisa ser cultivada e trabalhada, para que toda a sociedade, conscientemente, erradique no seu nascedouro as sementes da ditadura, que foram plantadas com eficácia pelo regime militar. Caso contrário, elas continuam germinando, e produzindo seus frutos maléficos. A Escola precisa ensinar a verdadeira história da ditadura militar.

    Este trabalho só pode ser feito com sucesso se vier acompanhado da garantia do perdão e da superação de todo e qualquer tipo de vingança. De novo, as circunstâncias apelam para a grandeza de ânimo, que não significa timidez ou subserviência.

    O exercício da cidadania, em tempos de campanha eleitoral, precisa levar em conta as circunstâncias de cada um. O que se pede de todos é o voto. Mas existe largo espaço de atuação, visando fornecer critérios para o discernimento dos eleitores.

    Atendendo ao apelo de minha consciência, também procurei dar minha pequena contribuição. Agradeço as milhares de manifestações, públicas ou particulares, que expressaram sua concordância com as ponderações que fui fazendo cada semana, ao longo da campanha. Agradeço também aos que sensatamente ponderaram suas divergências, às quais procurei responder com respeito e atenção.

    Por outro lado, recebi também algumas furiosas contestações, e alguns ataques de caráter pessoal, carregados de ódio, e revestidos da presunção de seus autores de se julgarem os justiceiros da ira divina, para condenarem ao inferno todos os seus desafetos.

    Pela exorbitância de suas acusações, devo avisá-los que mereceram destino menos solene que o inferno. De modo que ainda podem contar com meu perdão.

    Além do mais, não me preocupo com julgamentos humanos. Como Davi, também prefiro mil vezes cair nas mãos de Deus do que ser julgado pela justiça humana.

    Mas o resultado dessas eleições nos convida a tirar muitas outras lições, que, estas sim, nos motivam a deixar de lado condenações ou represálias, e contribuir com tudo o que estiver ao nosso alcance para levar em frente a nobre tarefa de construirmos juntos um Brasil justo e solidário.

    D. Demétrio é bispo da diocese de Jales-SP.

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