Meditações sobre as Cartas Paulinas – 1 Tes 2 (Parte II)


A Palavra de Deus por excelência é Jesus Cristo, e isto a Igreja sempre teve presente consigo durante a sua jornada terrena. O Logos encarna-se no seio virginal de Maria, a Palavra faz-se carne, como nos relata o Apóstolo João (cf. Jo 1,14). Este maravilhoso acontecimento dá um novo rumo à humanidade e a transforma, ainda que em sua fragilidade. Mesmo em nossa fragilidade, mesmo com os nossos pecados, em nossa miséria incomensurável, ainda que estejamos no maior dos abismos, Deus se inclina e nos olha com misericórdia; Ele desce aos abismos, se rebaixa à nossa condição humana para resgatar-nos. E triste é ver que muitos o renegam!Muitos não se deixam amar por Deus.

E assim, São Paulo continua sua exortação aos Tessalonicenses, no capítulo 2, versículos 13 a 20, do qual falaremos hoje. Escreve: “Agradecemos a Deus sem cessar, por que, ao receberdes a palavra de Deus que ouvistes de nós, vós a recebestes não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus, que age em vós que acreditais” (v. 13). Acreditar na Palavra de Deus! Eis uma das questões mais difíceis do homem moderno compreender. Às vezes nos perguntamo: por que tantas pessoas, mesmo católicos, muitas vezes não querem seguir a Palavra de Deus? E a resposta é que, não obstante recorrer a Deus nos momentos de aflição e necessidade, no momento de vivenciar as leis e os mandamentos, todos correm, todos se fecham em seus individualismos e fazem-se deuses de  seus mundos.

De fato, o cristão é chamado a experimentar Deus não apenas em seus momentos de misericórdia, mas também nos mandamentos que fazem parte da caminhada, e nos ajudam a enfrentar as dificuldades que surgem no decorrer desta caminhada.

Também torna-se necessário que os pastores conduzam seu rebanho na sã doutrina, não ensinando ideologias particulares, como convier a cada um; mas que assumam seu papel. Que saibam viver a radicalidade do Evangelho, anunciando aquilo que a Santa Igreja, em comunhão com os Sucessores dos Apóstolos, transmitiu nestes vinte e um séculos.

Em seguida, São Paulo faz uma grave advertência aos judeus que estavam fechados ao Evangelho por ele anunciado. “A ira de Deus está prestes a cair sobre eles” (v. 16). O que Paulo queria afirmar com palavras tão duras?

Em primeiro lugar, tenhamos presente o contexto da época. Estavam perseguindo os cristãos; haviam matado Jesus e perseguiam as Igrejas espalhadas pela região. Uma realidade não muito adversa da que encontramos nos dias hodiernos. Ainda hoje a Igreja de Deus é também perseguida em seu vasto campo de missão. Porém, ainda que pareçam vir à tona as dificuldades, a Igreja permanecerá inerente à sua missão, tal como nos foi transmitida desde os primórdios da nossa fé cristã.

Mas voltemos ao termo “ira”. Ora, no começo afirmamos que Deus é a misericórdia, que é capaz de nos resgatar dos mais profundos abismos, como agora ele pode ter ira? Bem, na verdadea ira de Deus, a sua cólera, não se exerce contra o ser humano, mas contra o pecado. E isto São Paulo nos relata bem: “A ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens” (Rm 1,18). Não que Deus seja um ser impiedoso, inclemente; pelo contrário, a sua natureza é Amor. E graças a este amor a salvação foi-nos dada. Mas Ele não nutre estima pelo pecado dos homens; pelo contrário, abomina o pecado, e busca o extirpar do ser humano.

Deus é um juiz justo, que, como recorda Jesus, colhe aquilo que semeia. Se nós pecamos e não nos arrependemos; se não nos convertemos, se optamos por destinar-nos ao inferno (à morte), então Deus nada poderá fazer, pois Ele não fere a liberdade humana, mas a respeita. Cuidemos para que a ira não venha sobre nós também!

Eis, por fim, uma passagem onde São Paulo manifesta seu desejo de voltar uma outra vez a Tessalônica, mas, segundo ele, havia sido impedido por Satanás (cf. v.18). No entanto, Paulo não desiste, e nos ensina algo fundamental para a nossa caminhada. A verdadeira esperança reside em Deus. E se Ele vive em nós esta nunca poderá morrer! Ainda que a chama pareça estar se apagando, o Deus da vida, que é luz, nunca deixará que ela se induza pelo caminho do desespero e da obscuridade.

Falando da iminente vinda do Senhor, no último versículo deste capítulo, o apóstolo das nações manifesta sua alegria pelos seus evangelizados. Ele se realiza em sua missão, e isto lhe valerá no dia do julgamento.

Maria, Virgem Imaculada, concebida sem pecado, nos ajude nesta caminhada. Dá-nos sabedoria e entendimento para colocarmos em prática a mensagem do Vosso Filho. Concede-nos coragem para enfrentar o mal, e concede-nos amor para amarmos os que se entorpecem por esse caminho. Amém.