Fazer a vontade de Deus (Meditações das Cartas Paulinas 1Tes 4,1-8)


Dando continuidade às meditações, detenhamo-nos hoje sobre o quarto capítulo, versículos de 1-8, da Carta de São Paulo à comunidade de Tessalônica, que transparece uma solícita preocupação do apóstolo, sobretudo, com a vinda definitiva do Senhor que terá reflexo nas ações da comunidade.

Tomemos o versículo que dá título ao artigo: “Enfim, irmãos, nós vos pedimos e exortamos, no Senhor Jesus, que progridais sempre mais no modo de proceder para agradar a Deus. A vontade de Deus é que sejais santos e que vos afasteis da imoralidade” (1Tes 4, 1.3). Paulo usa o termo Senhor, isto é Kyrie, não se referindo a Deus Pai, mas a Cristo, Senhor de todas as coisas.

Nunca é demais falar de santidade! Em nossos dias, tanto quanto antes, precisamos de Santos que deem testemunho autêntico do Evangelho, ainda que por vezes este pareça ser radical.

Fazer a vontade de Deus hoje parece impossível e não dá, por assim dizer, prestígio, mas acarreta em um sofrimento, que deve ser vivido com resignação na hodierna sociedade. A forma de viver do mundo contradiz os preceitos do Evangelho, e clama para muitas almas que caminhem para a perdição. Nesta ideologia, neste contexto que se desponta ante nossos olhos, somos chamados, como cristãos, a darmos testemunho de vida e de santidade irrepreensível. Ainda que a fragilidade pareça nos derrubar e nos humilhar em nossa condição, Deus estende sua mão para todos nós, e nos chama a recomeçar de onde paramos. Por isso, a vida do cristão é sempre um recomeço. Já o insensato caminha direto, sem fazer a parada necessária para recarregar suas forças e nutrir-se do próprio Cristo. Este, ao chegar ao final do longo percurso, estará cansado e sobrecarregado e não terá forças para concluir sua jornada.

Por isso, devemos nos perguntar: qual a vontade de Deus para nós? Qual a vontade de Deus em um mundo que deixa-se dominar pela profanação e se esquece do seu Criador? Qual a vontade de Deus em um mundo onde os homens perpetram maldades contra seu próximo?

Não é fácil submeter-se a alguém e sujeitar-se a seus desejos. Mas, em contraposição aos desejos do homem, os desejos de Deus nos dão a garantia eterna da salvação. Só em Deus há salvação, e só n’Ele está a garantia da eterna felicidade do homem. Qualquer um que queira salvar-se fora de Deus nada mais encontrará do que vazio e tormento. Não é necessário que nos aprofundemos em diversos livros para conhecer a vontade de Deus; de diversas formas Ele nos fala. A Sagrada Escritura é um dos meios eficazes para conhecermos aquilo que Deus espera de nós.

Agora nos detenhamos nos versículos 4-8, que soam de forma específica para todos hoje, e mais ainda, é como que duro em suas afirmações.

“Saiba cada um de vós viver seu matrimônio com santidade e com honra, sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique ou lese o irmão, pois o Senhor é vingador de todas estas coisas, como já vos dissemos e atestamos. Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Portanto, quem rejeita esta instrução não rejeita a uma pessoa humana, mas ao próprio Deus, que vos dá também o seu Espírito Santo”.

São Paulo dirige-se aos casais para que vivam seu matrimônio com santidade e honra. Não obstante os dois mil anos que nos separam do escrito paulino, suas palavras incidem veementemente nos nossos tempos tomados pela desunião entre os casais, a falta de fidelidade e outros problemas que corroem a vida conjugal.

Quanto ao fato de afirmar que o Senhor é vingador este termo São Paulo não usa para designar um Ser de ira implacável; ele afirma, sim, que Deus faz justiça, e que também em seu nome vem o adjetivo Justo.

E eis que aqui São Paulo responde à pergunta feita anteriormente: Qual a vontade de Deus? A vontade de Deus é que sejamos santos. Não devemos nos entorpecer nos caminhos obscuros da impureza, mas devemos trilhar o caminho da salvação, o qual Cristo aponta a todos os homens, sem distinção: seja para o rico ou para o pobre; para o negro ou para o branco; para o homem ou para a mulher.

E quantos rejeitam este convite de nosso Senhor transmitido pela Igreja?! Mas saibam que não rejeitam senão ao Espírito Santo, que nos foi e é dado por Deus. E sem o Espírito Santo presente em nós, estejamos certos de que todas as nossas ações serão vãs. Se fazemos as coisas, façamo-las bem, e façamos tudo para a maior glória de Deus! Ora, é insensato aquele que busca a Deus somente por interesse. Deus nos reserva algo maior que um bem estar econômico neste mundo. Ele nos reserva o maior bem que poderíamos ter: a contemplação incessante da Sua face.

De nosso coração deixemos que surja uma oração de clamor e de agradecimento: Nós te rendemos graças, Senhor, e te suplicamos que possas excluir da terra toda a ganância que surja no coração do homem, e tudo aquilo que o torna escravo de suas paixões. Te agradecemos pela vida, e pedimos por aqueles que dela são privados. Te agradecemos pelo Teu Espírito Santo, e pedimos que Ele seja derramado novamente em profusão sobre toda a Igreja, para que, ainda mediante as dificuldades, ela seja a primeira a dar testemunho autêntico do Evangelho. Amém!

2 pensamentos sobre “Fazer a vontade de Deus (Meditações das Cartas Paulinas 1Tes 4,1-8)

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  2. Pax na Terra Aos Homens!… Perdão, Toda a Humanidade deve Pedir à DEUS pois, ESTE Foi, É e, Sempre Será Amor.

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