O Senhor dos senhores manifesta-se


Celebramos hoje a Solenidade da Epifania do Senhor. Esta Solenidade originariamente celebra-se a 6 de janeiro, mas a Igreja no Brasil, com autorização da Santa Sé, pôde transferi-la para o Domingo mais próximo, já que permite maior participação dos fiéis. No Oriente celebra-se no dia da epifania o Natal do Senhor, por isso desejo saudar aos nossos irmãos de outros continentes do mundo oriental. Que o Menino Deus possa nascer em vossos corações!

[In the East is celebrated on the day of epiphany Christmas, so I want to welcome our brothers from other continents of the Eastern world. May the Christ Child be born in your hearts.]

A Epifania assume um importante significado na vida cristã. O termo grego Ἐπιφάνεια significa aparição/manifestação; um fenômeno miraculoso. Verdadeiramente esta festa é a manifestação do Filho de Deus. Pela visita dos Magos Jesus é apresentado ao mundo. No dia de Natal a mensagem litúrgica é uma novidade que faz-se ressoar por todo o mundo: “Hodie descendit lux magna super terram – Hoje uma grande luz desce sobre a terra” (Missal Romano). Agora esta mesma luz que desceu faz-se manifestar a todos os homens por meio da estrela de Belém. Jesus é luz! N’Ele impera o brilho resplandecente da vitória sobre o pecado. Mesmo na fragilidade daquele menino de Belém, Deus faz imperar glorioso o Seu poder, e manifesta Jesus Cristo ao mundo. A luz de Cristo primeiro atinge a Virgem Maria e São José, que contemplaram e adoraram o mistério ali escondido. Depois atingiu também aos pastores que vão às pressas a Belém para ali encontrar o sinal prenunciado do menino envolto em panos e repousando numa manjedoura. Estes constituem os pequenos, o “resto” de Nazaré aos quais Deus se manifestou primeiramente. Por fim envolve também os Magos do Oriente, que representam todos os povos pagãos, aqueles que ainda não conheciam Cristo, apenas ouviam as profecias, são maravilhados por adorarem o Senhor vivo em nosso meio. Permanecem na penumbra, porém, o Palácio de Jerusalém, onde a notícia de que teria nascido o Messias é levada pelos Magos a Herodes, que, só depois, avisados pelo anjo, souberam do seu plano de matar o Menino, e por isso voltaram por outro caminho. Tal notícia não é portadora de alegria para o rei, mas traz um temor e uma reação adversa.

Para Herodes, Jesus viria tomar seu trono. O Salvador, o Rei que tudo governa, iria lhe destituir do seu poder. Muitos acham que esta seria a libertação que o Messias traria: uma libertação social, onde já não mais haveria injustiças; uma libertação onde a salvação seria promovida atravéz dos pobres. Não é de se surpreender que este seja também um dos pensamentos de Judas Iscariotes, como ele deixou claro várias vezes nas Escrituras. Porém deve-se admitir que ainda hoje dentro da Igreja tal pensamento tenha se infiltrado e dado outro sentido à verdadeira libertação. Sim! Cristo é um libertador! Mas não é um “libertador social”, como nós concebemos, que veio para aquebrantar o poder de opressão dos romanos ou dos reis. Não é um libertador que veio exterminar a pobreza. Mas a sua libertação está acima de tudo isso. Sua libertação consisti na doação de Seu sangue na cruz e na vitória sobre o pecado.

Por isso, Ele traz em Si a luz. Ele é a luz! Uma luz que não se deixa ofuscar pelas trevas, mas devasta, por assim dizer, com a força da sua claridade toda a escuridão do mundo.

Na primeira leitura o profeta Isaias já prenunciava esta manifestação da luz. “De pé! Deixa-te iluminar! Chegou a tua luz! A glória do Senhor te ilumina. Sim, a escuridão cobre a terra, as trevas cobrem os povos mas sobre ti brilha o Senhor, sobre ti aparece a sua glória” (60, 1-2).

Estar de pé é uma posição daqueles que estão prontos, preparados para caminharem, para irem em direção de algo, ou mesmo para receber alguém. Ora, eis que nos chega a Luz! Eis que Ele vem em direção a nós, e nós devemos ir ao seu encontro! A glória de Deus é manifestada em Seu Filho. Quando toda a terra era coberta pela escuridão e os homens já não mais se preocupavam com o futuro de suas vidas e com o futuro de Deus, cumpre-se a promessa do Salmo: “Do céu o Senhor se inclina sobre os homens” (Sl 14, 2). E não apenas se inclina como também vem até nós. Vindo a luz os homens preferem as trevas. São João revelará isto muito bem ao afirmar: “Veio para os seus, mas os seus não o acolheram” (Jo 1,11).

Todos são chamados à salvação pela unidade em Cristo Jesus. São Paulo expressa isso de maneira significativa na segunda leitura. Certamente poderemos fazer uma alusão aos Magos do Oriente que, mesmo sendo de uma cultura diferente, encontram o único e verdadeiro Deus em uma pobre gruta, fria e cercada pelo silêncio das altas horas da noite.

Mas, quem eram os Magos? Eram uma tribo sacerdotal da Pérsia que se dedicava a astrologia. No entanto, naquela noite uma estrela assumiu diferente brilho. Eles percebem que tal resplandecer não era comparado a nenhum outro astro. Aquela estrela não era apenas mais um astro a brilhar, mas era o próprio Deus, e eles sabiam que seguindo-a encontrariam o verdadeiro Astro, o Senhor do Cosmos. Mas, certamente, não ser-lhes-ia suficiente a estrela se eles não se abrissem à verdade.

A melhor descrição dos magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” assim relata: “Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.

Quanto aos seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Obviamente que os nomes podem ter sido dados durante a escrita do Evangelho pelo autor. Mas o que aqui sobressai é que cada um em seu nome carrega a sua missão. Todos eles tinham uma missão: ir ao encontro do Salvador. E todos nós temos uma missão: fazer com que a nossa humanidade tomada pelo peso dos pecados vá ao encontro daquele que poderá aliviá-la.

Se não caminhamos com Jesus Cristo permaneceremos na escuridão. Somente estando com aquele que é luz veremos o despontar de um novo dia. Um dia onde já não mais imperarão as trevas, senão reinará a única estrela que deve brilhar no céu dos nossos lares.

Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2,2). Estas palavras nos chamam a atenção ao sabermos que os Magos prostaram-se em adoração diante de um frágil bebê, nos braços de sua mãe (cf. Mt 2,11). O rei Herodes estava centrado nas suas riquezas e poderes; já eles quando encontraram o Menino comportaram-se como os pastores. Sabiam que aquele que ali estava era mais que um bebê, era um Deus encarnado.

Como aqueles três homens em busca da Verdade encarnada, vamos também nós ao encontro d’Aquele que é a única verdade, e d’Aquele que pode nos dar a salvação eterna. Caminhemos para o presépio. Lá adoremos ao mistério encarnado e nos coloquemos na atitude dos pastores. E do nosso coração brote um incessante clamor: Senhor! Que os homens conheçam tua verdade. Que os homens Te conheçam, pois só em Ti há Verdade. Que sejamos homens e mulheres sedentos da tua Palavra e praticantes da Tua vontade. Que todos Te conheçam! Que todos Te adorem! E que na Tua fragilidade seja reconhecido o poder que quebra todo o pecado e transforma os corações dos homens. Maria, olha por nós! Acalente-nos em nossas provações, e ame-nos com Teu amor materno e misericordioso.

Um pensamento sobre “O Senhor dos senhores manifesta-se

  1. Amor Puro e Cristalino.
    Com esta Dadiva divína sem préconceitos, Devemos Catequisar por onde Estivermos, Iluminando os Nossos Caminhos, com Justiça em Igualdade.

    Amém!!!

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