O Concílio Vaticano II e a ruptura.


FONTE: http://is.gd/LNfVjp

Esses anos pulularam cursos e palestras sobre o Concílio Vaticano II em virtude da comemoração de 50 anos do Concílio. Pois é, em um deles fui obrigado a ouvir muita besteira de um bispo emérito, que obviamente não vou citar o nome, mas que foi Bispo Conciliar.

Iniciou apresentando, como quis, sua posição sobre o ecumenismo, hierarquia, infalibilidade, posição do episcopado, perfeição da Igreja, fechamento da Igreja em si mesma e outros temas semelhantes, tudo relativo ao Concílio. Bem típico mesmo!

Esse tipo de pensamento: modernista e ligado à Teologia da Libertação virou bandeira depois do Concílio. Ideologizaram o tema, fincaram mastros, escreveram livros, manipularam fatos e opiniões. Fazem isso até hoje!

Pois bem, em um lado diametralmente oposto, os chamados tradicionalistas radicais diriam, sem muito pestanejar que o Concílio Vaticano II contradisse a Tradição da Igreja no que se refere a seus ensinamentos, especialmente ecumenismo, doutrina social e alguns outros temas.

Ora, nem tanto ao mar, nem tanto a terra. O Vaticano II parece ter se tornado um amplo campo de disputas.

Os tradicionalistas radicais não podem estar corretos porque se estiverem um grave problema deverá ser resolvido: o Vaticano II não poderia ser considerado legítimo, uma vez que um concílio ecumênico pode desenvolver, mas nunca poderá contradizer o ensinamento dogmático anterior da Igreja. É uma sequência, não uma quebra.

Mas o argumento de quebra não seria também um argumento pelo lado dos modernistas e TL? Sim. Seria. Eis um ponto de convergência entre os que estão em alto mar e os que estão em terra firme. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

A diferença se dá apenas em ver o lado positivo e o negativo. Para radicais tradicionalistas é ponto negativo essa quebra que o Vaticano II teria imposto em vários temas, para os modernistas, TL e afins, seria um ponto positivo. É como duas pessoas que veem um peixe no fundo de um lago turvo. Cada uma está em um ângulo diferente, cada uma tem uma iluminação diferente. Uma vê um peixe outra vê uma tartaruga. Na verdade é uma pedra! Se tirassem a nebulosidade do rio e deixassem suas paixões de lado para serem racionais, veriam que se trata de uma simples pedra: estática, fixa, concisa e dura. Uma doutrina. Uma pedra que não varia conforme as ondas, mas que fica firme, mesmo com as piores marés e tribulações.

A Igreja não pode simplesmente se contradizer em questão de doutrina. Se assim o for, não poderemos dizer que se trata da Igreja de Cristo. A Igreja de Cristo é a Igreja de Deus. A Igreja de Deus não pode errar em determinadas matérias. Se a Igreja de Deus errar nas matérias pré-estabelecidas significa que é imperfeita, se for imperfeita não é de Deus, pois Deus é perfeito. E ai? Como fica?

Como fica o Espírito Santo que guia a Igreja cuja cabeça é Cristo? Como fica a cabeça perfeita que é Cristo se erra com tanta facilidade?

Os Concílios Ecumênicos estão sob a égide de Pedro que é pedra e sob o qual a Igreja é edificada e que recebeu de Deus as chaves do reino dos céus sendo possível a ele, Pedro/Papa, ligar e desligar. (Mt. 16,18ss)

Errar em questões de fé e moral não são possíveis porque a Igreja, e o Papa como seu porta-voz por aqui, são guiados pelo Espírito Santo nessas questões.

Ademais, no discurso de abertura do Concílio, o Papa João XXIII parecia já estar prevendo que essas rupturas que poderiam via a acontecer e afirmou no que o Concílio queria:

“transmitir pura e íntegra a doutrina, sem atenuações nem subterfúgios”, empenhando-se para que “esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo”.

Não a toa que a Constituição Apostólica Lumem Gentium, um dos principais documentos do Concílio Vaticano II afirma categoricamente que:

“A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar com a Sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura (cfr. Mc. 16,15)”

A pergunta que fica frente a essa afirmação é: os grupos que disputam a interpretação do Concílio estão levando em conta que a luz dos povos é Cristo? Entenderam que o Concílio se reuniu à luz do Espírito Santo? Ou apenas atendem a disputas vaidosas do tipo: aos vencedores as batatas?

Não é a toa que a Igreja nunca foi destruída nesses mais de dois mil anos. Padres, diáconos, bispos, cardeais e até Papas já tentaram consciente e inconscientemente destruí-la. Nunca conseguiram! Pessoas de fora, não católicos e católicos de IBGE, nem se fala. Ela resiste e resistirá até o fim dos tempos justamente porque é guiada pelo Espírito Santo. Está aqui por um propósito e esse propósito não cessará até o fim dos tempos, pois Ele estará conosco até a consumação dos séculos, ou seja, o fim desse mundo. Foi o que nos foi prometido em Mt. 28,20b. Porque duvidar disso? Até agora a promessa está sendo cumprida.

Será mesmo que a Igreja havia de existir por dezenove séculos e meio e depois desse tempo haveria uma ruptura? Seria necessária essa ruptura como querem os modernistas, TL e afins? Ou seria essa ruptura desnecessária como pregam os radicais tradicionalistas? Nenhum deles. Simplesmente não houve ruptura. O Concílio Vaticano II foi um concílio plenamente válido como todos os vinte anteriores.

5 pensamentos sobre “O Concílio Vaticano II e a ruptura.

  1. Caro Emanuel, boa noite!

    Gostaria de solicitar ao senhor, a divulgação da petição online para a permanência do frei carmelita Tiago de São José, de Atibaia, que está a ser expulso da diocese de Bragança Paulista (SP) pelo bispo local, justamente devido ao uso da forma Extraordinária do Missal pelo frade; se não bastasse, estão “no olho da rua”, não apenas o frade, mas também cerca de 50 irmãos conquistados por sua obra, além de terem de deixar os aposentos que construíram com seus esforços. Como se vê, é lamentável esta decisão, e estamos em mui insatisfação.

    Por favor, nos ajude:

    http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=P2012N32486

    Nosso muitíssimo obrigado. Att.

  2. Os Tradicionalistas Radicais argumentam que o Vaticano II é Pastoral. Que sendo Pastoral, é passível de “erros”. E que se é passível de “erros”, pode ser rejeitado.

    Bom, no meu humilde entendimento, rejeitar o Vaticano II por ser Pastoral é um “tiro no pé”…

    Pois se foi Pastoral, como o próprio Papa João XXIII afirmou que seria, não é Dogmático. Se não é Dogmático, não contém NOVA DOUTRINA DEFINITIVA. Logo, não é preciso “aderir na obediência da fé a tais definições” (CIC, 891).

    Ora, que o aceitem como Pastoral então, como ato não-definitivo, com “religioso obséquio da vontade e da inteligência” (CDF, Professio Fidei; CIC, 892).

    No meu humilde entendimento, são justamente os Tradicionalistas Radicais que fazem do Vaticano II um “concílio dogmático”, por fazerem dele um impecílio para a sua “plena comunhão” com a Igreja.

    Se não há NOVO ATO DEFINITIVO, se é meramente Pastoral, se deve ser interpretado – naquilo em que não é definitivo – em continuidade com o Magistério precedente, não deveria ser impecílio.

    Espero que voltem, que sejam oficialmente reconhecidos e que ajudem a Igreja “a responder às exigências do nosso tempo”.

    OBS: o Vaticano II recorda várias doutrinas que foram propostas com ato definitivo pelo Magistério precedente. Estas exigem um pleno e definitivo assentimento de fé!

  3. Não sou tradicionalista, mas amo a Tradição. Agora me pergunto.. na Igreja não há infabilidade pastoral, somente infabilidade dogmática/doutrinária.. se o concílio foi pastoral, logo, tecnicamente falando, não se pode falar que tenha sido infalível, pois não se definiu dogmas.. simples assim, não?

    Agora, ao meu ver, o erro dos tradicionalistas seja em não querer obedecer. A obediência ocorre em situações que nós discordamos também. Eu posso discordar de algo que seja pastoral, mas obedeço! Assim deve ser a postura perante um Concílio pastoral.. estou errado?

  4. Graça e paz de Cristo Jesus!

    Prezados(as),

    Primeiramente, não sei o porque vcs discutem o que foi definido pela igreja. A afirmação feita acima pelos moderadores, sobre Cristo ser a luz do mundo é isso mesmo e tem que ser, pois se o Espírito Santo permitiu que fosse assim, assim tem que ser, assim como chamaram São Paulo de louco por extinguir a circuncisão no primeiro concílio da Santa Igreja, hoje reclamam sobre o SCVII.

    Segundo, a infabilidade não está apenas em proclamar o dogma que se torna atempotal, mas a partir do SCVI, a infabilidade papal vem rerratificar o poder das chaves e junto a infabilidade do Magistério da mesma. Um concílio não precisa ser dogmático para ter obediência ao papa, vale lembrar que o penúltimo dogma foi proclamado fora de um concílio. O SCVII é pastoral na questão em afirmar que NÃO FOI FEITO PARA CONDENAÇÃO DE ALGUMA HERESIA, pois todos os outros foram para condenar heresias e afirmar uma verdade que é indiscutível. Afirmação do SCV-I: “São contrários a este dogma os que, ao rechaçar a hierarquia (Papa), rechaçam também o Magistério da autoridade da Igreja.”

    Então meus caros moderadores e também aos tradicionalista fundamentalistas, amem a Santa Igreja, pois Cristo A santifica e por Ela o mundo. Quando a Constituição Apostólica Lumem Gentium fala: “A luz dos povos é Cristo”, não quer desacreditar a Santa Igreja, mas sim confirmar ao extremo que a cabeça é quem manda e não a vontade humana.

    Deixo aqui também um recado para os progressistas….NÃO INTERPRETEM MAL O SCVII, porque vocês parecem PROTESTANTES dentro da Santa Igreja de Cristo. Concordo que a CN vem transformando a SUPREMA LITURGIA em uma bagunça, mas não é isso que a Igreja ordena na Constituição Apostólica Redeptiones Sacramentum, onde afirma que a lingua oficial da liturgia é o latim e que os textos não ordinários, as leituras, podem ser na lingua vernacular: como a firma no Capítulo V, número 2, § 3º, número [112.] sequencial: “A Missa se celebre quer em língua latina ou quer noutra língua, contanto que se usem textos litúrgicos que têm sido aprovados, de acordo com as normas do direito. Excetuadas as Celebrações da Missa que, de acordo com as horas e os momentos, a autoridade eclesiástica estabelece que se façam na língua do povo, sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo Sacrifício em latim”.

    Salve Maria!

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