A verdadeira riqueza é Deus

Se no domingo passado fomos convidados a um encontro com Cristo por meio da oração, agora somos chamados a grande virtude da humildade.

A primeira leitura já é ela um ensinamento para nos desapegarmos das vaidades e prazeres materiais, supérfluos: “Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade” (Ecl 1,2). Assim começa o livro do Eclesiastes. A vaidade pode garantir uma vida melhor neste mundo, mas não nos dá a certeza de uma bem-aventurança, de uma vida moldada nos ensinamentos de Jesus Cristo e dos santos, e mais ainda: busca inserir-nos em um contexto totalmente adverso aos ensinamentos evangélicos.

Frutuoso são os ensinamentos provenientes do “Diálogo” entre Deus e Santa Catarina de Sena. Eis que Deus diz àquela fiel serva: “A soberba não leva ao céu, mas para o mais profundo do inferno” (Edit. Paulus, pag. 274). Quanta prepotência; quanta arrogância; quanta vaidade; quanto orgulho vemos no mundo de hoje! A sociedade está a descaracterizar-se e a privar-se de um intrínseco relacionamento com Deus, pois limita seu olhar apenas às possibilidades terrenas, não podendo ver, assim, o futuro espiritual destinado a cada um de nós, que deve ser o encontro salvífico com Deus.

Na segunda leitura São Paulo nos exorta:

“Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl 3, 1-3).

Toda esta segunda leitura põe-nos em um contexto que caracteriza fortemente a nossa sociedade atual.

Ressuscitar com Cristo é um convite que cada dia renova-se a todos os homens, para que, conhecendo-O, possam amá-lO. E mais ressonante ainda é o objetivo desta ressurreição: alcançar as coisas do alto. O alto é a meta do cristão! É para lá que ele deve caminhar, não sozinho, mas com Cristo. A nossa vida nova, o nosso erguer-se junto com Cristo (synegeirö=conresurgere), se dá pela plena adesão aos seus ensinamentos, anunciados zelosamente pela Santa Igreja e propagados para a conversão das almas e a plena salvação de todos.

“Buscai as coisas do alto!” Não as terrenas, mas as do alto. As que provêm de Deus. Sim, não são fáceis as condições, para tais exige-se uma constante renúncia, no entanto, os frutos que dela provém perpassam esta vida e nos põe em uma profunda união com Deus.

Não pode progredir na vida quem, antes de tudo, não busca progredir na fé. E aqueles que sobrepõem-se a esta necessidade devem ter em mente que “somente o poder que se coloca sob a medida e o juízo do céu – isto é, de Deus – pode tornar-se poder para o bem. E só o poder que se coloca sob a benção de Deus pode ser seguro” (Bento XVI, Jesus de Nazaré, pag. 49).

“Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria.” (Cl 3, 4-5).

Eis aqui onde muitos santos encontraram conforto em suas vidas. Aqui está a razão porque tudo renunciaram e deixaram-se totalmente preencher por Cristo. Eis o nosso consolo! Os santos (temos total certeza) virão na glória com Cristo. Essa vinda é dada, não por não pecarem, mas porque, sendo pecadores, reconheceram a grandeza de Deus, e humilharam-se a esta soberana bondade. Há uma frase que define a atitude de muitos, à qual seria desnecessário acrescentar mais alguma coisa: “Os santos concordam que são pecadores; só os pecadores acham que santos” (Peter Kreeft).

Nós, muitas vezes, nos iludimos com as vãs “glórias” deste mundo, nos exaltamos a tal ponto que não percebemos a nossa insignificância. O próprio Jesus recorda-nos, e mais que isso, impõe-nos esta condição para o seu fiel seguimento: “Quem se exalta, pelo orgulho, será humilhado; e quem se humilha será exaltado” (Mt 23, 12).

Ora, para o alto rumamos e do alto viremos no dia em que Cristo aparecer em sua glória. Mas como se dará esta subida? Dar-nos-á esta resposta o nosso Santo Padre Papa Bento XVI, felizmente reinante, que de forma sublime assim nos define: “A subida para Deus acontece precisamente na descida ao serviço humilde, a descida ao amor, que é a essência de Deus e, portanto, a verdadeira força purificadora, que capacita o homem para conhecer Deus e vê-lo”.
(Ibidem, p. 95).

Na humildade e no perdão Cristo manifestou a sua glória. Humilhado, não quis vingar-se, mas orou pelos seus malfeitores. Ó Senhor, ensina-me a também ser humilde. Ensina-me a curvar-me e a lavar os pés dos meus próximos. Ensina-me que não é pela grandeza que conquistarei o Reino dos céus, mas que quanto menor for maior serei.

Pela humildade nós poderemos contemplar a face de Deus. E são tantos os que estão a privar-se dela. Tantos que põe a confiança no dinheiro e no prazer, mas não buscam beber da verdadeira fonte, aquela da qual emana água viva. Não basta sermos homens novos, se não tomarmos atitudes de tal. “Não é suficiente ir em frente, é preciso ver para onde se vai!” (Bento XVI, Homilia na Missa de Corpus Christi, 2008).

No evangelho Jesus suscita o objetivo de sua missão: Anunciar o Reino de Deus. Ao ser indagado por um homem que pedia-Lhe para convencer o seu irmão que repartisse os bens com ele, o Senhor o diz: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” (Lc 12, 14). Cristo não é divisor de bens materiais. Quem apega-se a bens materiais não serve para seguir Jesus. Quem se lamenta por segui-lO e não ter uma vida melhor (sinceramente digo) por favor não O siga. Ele não necessita e nem quer pessoas que se lamentem. O cristão não pode ser alguém que carpe-se por seguir Jesus! Ele almeja almas que dêem testemunho do seu nome; que não tenham nenhum resquício por ter abandonado tudo para segui-lO, mesmo que seja para a morte. E aí está a nossa verdadeira riqueza: em Deus. Deus é a única e verdadeira riqueza de um cristão. Não será mais impulsionado a esbanjar os prazeres deste mundo, aquele que tiver Deus como centro de sua vida. Ele deixa-nos um alerta: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens” (Lc 12, 15).

Maria, nossa mãe, a Serva do Senhor, nos ajude a tornamo-nos sempre mais dignos do Reino de Deus. Que ela nos torne cada dia mais humildes com o seu exemplo.

Fraternalmente, em Cristo Jesus e Maria Santissima!

OS DOGMAS DA VIRGEM MARIA

Quero iniciar aqui no blog uma série de estudos sobre os dogmas da Virgem Maria.

Primeiramente devemos entender o que vem a ser Dogma.

Dogma é uma declaração feita oficialmente pela Igreja, após muitos estudos e aprofundamentos. O Catecismo nos diz que eles são “luzes no caminho da fé”. Verdadeiramente por meio deles somos chamados a viver mais intensamente nossa fé cristã. “O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propões verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária” (CIC, 88).

Portanto, o Dogma e uma doutrina proposta após uma madura reflexão, com os Bispos e cientistas, e demais representantes de outras religiões, e que é obrigada a ser seguida por todos os católicos sob pena de excomunhão se não se aceitar. Quando se define um Dogma o Papa fala Ex Cathedra, ou seja, fala infalivelmente, como se define o Dogma da Infalibilidade Papal.

Passemos agora a falar dos Dogmas da Virgem Maria.

A Igreja, desde outrora, ama e venera com grande devoção a Virgem Maria. Sendo Ela grande colaboradora no projeto salvífico de Cristo em favor do mundo. Sendo Ela figura materna na história da humanidade, a Igreja reconhece nEla a mulher mais Santa, digna de ser a mais intima com o Senhor, pois O gerou no seu ventre.

Muitos Santos foram grandes devotos da Virgem Maria. Ela é parte integral no mistério da salvação. São Luís Maria de Montfort, grande missionário francês do século XVII e doutor marial, escreve: “O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria pela obediência” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria). E mais a frente: “Por meio de Maria começou a salvação do mundo, e é por Maria que deve ser consumada” (Ibid.). Frases como estas realçam o fundamento da nossa devoção a Virgem Santíssima, e o grande valor que a Igreja se lhe confia.

“Deus escolheu-a desde a eternidade para vir a ser Mãe do Verbo, que se encarna; e, por este motivo, entre todas as criaturas mais belas na ordem da natureza, da graça e da glória. Ele a distinguiu com privilégios tais, que a Igreja com razão aplica a ela aquelas palavras: ‘Sai da boca do Altíssimo, primogênita antes de toda criatura’ (Ecle 24,5)” (Papa Leão XIII, Cart. Enc. Augustissimae Virginis Maria, 12/09/1897, 1).

Diante de tão grande amor, a Igreja, ao longo de XXI séculos, proclamou quatro dogmas em honra da grande Mãe de Deus. Procuraremos aprofundar e conhecer cada um mais de perto. Escreverei um artigo para cada dogma.

Dogma da Maternidade Divina: Proclamado pelo Concílio de Éfeso em 431, como sendo a “Mãe de Deus” (em grego: Theotokos);

• Virgindade perpétua (Aéiparthenos): Virgem antes e depois do parto, não foi corrompida;

• Imaculada Conceição: Concebida sem a mancha do pecado original;

• Assunção ao Céu: Refere-se à elevação de Maria em corpo e alma à glória celeste.

A nossa Santa Mãe Maria não é qualquer mulher, como muitos afirmam. Isto é um absurdo! Ela é aquela que trouxe a salvação ao mundo, por meio do Salvador.

Ian Farias