Eu creio na Igreja!

Basilica de São PedroFundada por Jesus Cristo sobre o bem-aventurado Pedro, a Igreja, sinal e instrumento de salvação, tem a missão de dar continuidade a presença real de Cristo em nosso meio, por meio da Eucaristia, e da transmissão da Boa Nova a todos os homens e mulheres desta humanidade, que “geme como em dores de parto” (Rm 8, 22). Este caráter peculiar ganha mais força ainda quando sabe-se que ela é corpo de Cristo, e nós somos partes integrais que a compõe.

São Paulo dirá, de forma esplêndida, que: “[A] Igreja de Deus vivo, [é] coluna e sustentáculo da verdade” (I Tm 3, 15). E sendo assim, ela recebeu esta imperiosa missão de fazer com que a humanidade conheça a única Verdade (Jesus), que ela contém e deseja transmitir ardorosamente aos povos que não conhecem Cristo, ou buscam ocultá-lo de suas vidas. Mas hoje uma forte onda anti-católica alastrou-se por todos os cantos. A Palavra de Deus, transmitida pela santa Igreja, e que graças a ela perpassou estes dois mil anos, já não faz efeito em muitas pessoas, está a perder seu valor em muitos âmbitos da sociedade, mas a Igreja, confiante nas palavras de Cristo, nunca abandonará sua missão para satisfazer o seu bel prazer; no-lo podemos constatar mediante as grandes perseguições que ela sofreu e sofre, e mediante o sangue de muitos mártires, derramado para que assim pudesse fertilizar os solos estéreis. E isto prova que não é a sua moral que a Igreja prega, não seus ensinamentos, senão e unicamente os de Cristo, para isto ela existe e por isso ela é perseguida.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, assim ensina: “Fundado na Escritura e Tradição, ensina que esta Igreja, peregrina sobre a terra, é necessária para a salvação. Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no Seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Batismo (cfr. Mc. 16,16; Jo. 3,15), confirmou simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Batismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar” (Lumen Gentium nº 14). E São Clemente de Alexandria afirma-nos de igual modo: “Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja” (Paed, 1,6). Quanto aos não-católicos a Lumen Gentium, diz: “Deste modo, o Espírito suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo e a prática efectiva em vista de que todos, segundo o modo estabelecido por Cristo, se unam pacificamente num só rebanho sob um só pastor (31). Para alcançar este fim, não deixa nossa mãe a Igreja de orar, esperar e agir, e exorta os seus filhos a que se purifiquem e renovem, para que o sinal de Cristo brilhe mais claramente no seu rosto” (nº 15). Mas não quero ater-me a este assunto sobre questões de salvação agora, quero apenas mostrar a necessidade insubstituível da Igreja.

Não é qualquer instituição, mas é aquela que Cristo escolheu para ser sua esposa (2Cor 11,2; Ap 21,9). É nesta instituição que quero perseverar, é por ela que desejo me consumir, e sei que não será em vão.

Muito me admira a veemencia e voracidade com que muitos atacam, injustamente, a Igreja. Quanta falta de sabedoria; quanta hipocrisia a uma instituição que sempre procurou fazer o bem. É errôneo, e mais que isso, absurdo, culpar a Igreja por erros que partem de seus filhos. Mas neste momento recordo-me sempre das sábias palavras de Santo Epifânio, que logo nos primeiros séculos ressaltava a necessidade da união com a Igreja: “A Igreja é a finalidade de todas as coisas”. (Haer. 1,1,5)“ ‘Há um caminho real’, que  é a Igreja católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando-se para a direita ou para a esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros. Eia, pois, servos de Deus e filhos  da  Igreja  santa  de Deus, que conheceis  a regra segura da fé, não deixeis que vozes estranhas   vos  apartem  dela  nem  que  vos  confundam as  pretensões  das  erroneamente  chamadas  ciências”  (Haer.59,c. 12s).

Não obstante os constantes ataques a Igreja nunca perderá sua raiz, sua originalidade: os apóstolos e a Trindade, por isso mesmo ela se torna Ícone da Trindade. Pois sua raiz remete a estas três pessoas que agem continuamente nela.

Quando se diz que a Igreja é “santa e pecadora” vejo ai uma certa “precipitação”, e por que não uma confusão entre a Igreja como instituição, na sua originalidade, e o clero. O clero faz parte da Igreja (e é a parte mais importante, pois a eles cabe governar, administrar os sacramentos, tornar presente o Cristo, por meio da Eucaristia), porém não são somente eles a Igreja. A Igreja é a santa e infalível instituição que Jesus quis deixar aos homens, e por isso a edificou sobre Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Ela é – como bem recordou o Papa Leão XIII – “a obra imortal do Deus de misericórdia” e tem por fim “a salvação das almas e a felicidade eterna” (Immortale Dei, 1).

Outro ponto a si questionar desta afirmação que a Igreja é também pecadora, estaria no fato que Cristo é a Cabeça da Igreja (cf. Cl 1, 18). Ora, se o próprio Senhor a governa, como poderia ela errar? Teria Cristo abandonado sua Igreja? Será que Ele esqueceu-se de sua promessa? Não meus irmãos. Em vão tentam derrubar a Igreja, mas nunca conseguirão. O Senhor, que age em sua Igreja, é maior que todas as tribulações e ventos impetuosos, porém passageiros. “Com efeito, é à própria Igreja que foi confiado o Dom de Deus. É nela que foi depositada a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, penhor da incorruptibilidade, confirmação de nossa fé e escada de nossa ascensão para Deus. Pois lá onde está a Igreja, ali também está o Espírito de Deus; e lá onde está o Espírito de Deus, ali está a Igreja e toda graça” (Catecismo da Igreja Católica, 797).

Eis, pois, combatentes do Senhor, levantemos o estandarte da vitória, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, e permaneçamos sempre firmes nesta Igreja. Mostremos ao mundo o que realmente é a nossa Igreja. Não a abandonemos nunca, pois quem está com a Igreja Católica, está com Jesus Cristo. E crer na Igreja não é nada mais do que mostrar plena adesão a vontade de Jesus e aos seus ensinamentos.

Algumas estatísticas:

Com certeza nem todos sabiam das estatísticas que passarei agora.

No campo da instrução e da educação a Igreja administra 64.307 maternais, freqüentados por 6.394.295 alunos; 92.461 escolas primárias para 28.511.698 alunos; 39.404 institutos secundários para 16.454.439 alunos. Além disso, segue 1.715.556 de jovens das escolas superiores e 2.364.899 universitários. Este setor da atividade pastoral da Igreja marca um incremento em todas as faixas de idade: em relação ao ano precedente, os maternais aumentaram em 1.204, os primários em 911, os secundários em 2129.

Os institutos de beneficência e assistência administrados pela Igreja são no total 80.612, assim distribuídos: 5.236 hospitais, 16.679 dispensários, 656 leprosários, 14.794 institutos para idosos e portadores de deficiências, 9.996 orfanatos, 10.634 creches, 12.804 consultórios matrimoniais, 9.813 institutos de outro tipo. O continente com o maior número de estruturas é a América, seguido por Europa, Ásia, África e Oceania.

Estatísticas do site: Santa Sé

Aqui está a verdadeira riqueza da Igreja!

Então, essa era a sua visão da Igreja? Você sabia disso?

Pense bem!

Fraternalmente, em Cristo Jesus e Maria Santíssima!

A voz que clama no deserto

Neste terceiro domingo do Advento contemplamos a figura penitente e austera de João Batista, o precursor do Messias. Verdadeiramente João era conhecido por pregar a Boa nova do Reino de Deus – Kerigma –, que vinha sendo trazida por Jesus. É fato que por anunciar o Evangelho da justiça e da salvação, e por condenar os erros de Herodes, João foi preso e mais tarde degolado.

João chega com um novo anúncio, desconhecido ainda para os judeus. Os poucos que aderem a ele são os primeiros discípulos de Jesus. Mas perguntavam-se os judeus, e perguntam muitos hoje: “Qual a verdadeira missão de João Batista? Só aplainar os caminhos do Senhor?” Este “só” vem carregado de desentendimento da verdadeira missão de João que é mais que aplainar, fazer com que todos creiam e sejam batizados. Mas se se diz que João veio aplainar, ele encontrou um caminho muito difícil. Os corações duros, que não acreditavam na chegada do Messias, e que eram oprimidos pelos romanos.
Algo que me chama muita atenção é a frase de João ao ser interrogado sobre quem ele era, citando Isaías ele diz: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ’preparai os caminhos do Senhor, endireitai suas veredas’ ” (Lc 3,4). João veio para chamar todos a um batismo de conversão e arrependimento, isto é, uma profunda e sincera mudança de vida, que busque enaltecer o nome de Deus. Poderia fazer uma analogia com a primeira leitura do Profeta Baruc: “Despe, ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus” (5,1). Revestirmo-nos do homem novo, este é o convite de São Paulo, já prefigurado pelo profeta.
Hoje há pessoas sequiosas do Deus vivo, mas que não o buscam, e sabem onde O encontrar. Num mundo que vive uma forte “ditadura do relativismo” e uma forte cultura consumista, que tende a fazer desaparecer os valores cristãos, a Igreja, Mater et Magistra, mostra-nos o verdadeiro caminho a ser seguido. E esta missão foi-lhe incumbida pelo próprio Cristo que disse: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Portanto, constitui este, um chamado missionário, ao qual todos os cristãos somos chamados a seguir; pois, como costumo afirmar: ninguém é obrigado a ser cristão, mas todo cristão é obrigado a ser missionário. A missão já é algo que faz parte da natureza da Igreja, e quando somos incorporados à Igreja, passa a fazer parte da nossa natureza. Daí poderemos afirmar como São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim(Gl 2,20); ou ainda: “Anunciar o Evangelho não é titulo de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16).
Tomemos como nossa a missão de João Batista: sejamos arautos da Boa nova, mensageiros do Reino, precursores do Messias, que virá nos últimos dias, para julgar os bons e os maus.
Na segunda leitura, Paulo nos pede para discernimos o que é melhor. Já escrevi aqui, em outro artigo, que neste mundo cheio de escolhas fáceis, mas que corrompem o ser humano, seria difícil discernir o que é bom ou mal. Mas para aqueles que vivem sua vida conforme os desígnios de Deus e o auxílio da Sagrada Escritura, já não haveria tantas dúvidas. Dificuldades sim, dúvidas não. “Afastai o mau do meio de vós” (1Cor 5,13).”‘Tudo me é permitido’, mas nem tudo me convém” (Idem 6,12).
Encerro com as magníficas palavras de São Paulo, proclamadas na segunda leitura: “Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até à vinda de Cristo Jesus” (Fl 1,6).
 Que Maria “auxilium christianorum” nos ajude nesta difícil caminhada.
Salve Maria Santíssima
Pax et bonus