Carta aos sacerdotes sobre a oração

 [Neste Ano Sacerdotal, publico uma carta enviada por Dom Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero, sobra a necessidade da oração na vida do presbítero]

Fonte: Agencia Zenit

Caros Presbíteros,

         Na vida do Presbítero, a oração ocupa necessariamente um lugar central. Não é difícil de entender, porque a oração cultiva a intimidade do discípulo com seu Mestre, Jesus Cristo. Todos sabemos que, ao esvaecer-se a oração, debilita-se a fé e o ministério perde conteúdo e sentido. A consequência existencial para o Presbítero exprime-se em menor alegria e felicidade no ministério quotidiano. É como se o Presbítero, ao seguir os passos de Jesus, lado a lado com tantos outros, perdesse o passo no caminho, ficando sempre mais para trás e mais distante do Mestre, até perdê-Lo de vista no horizonte. A partir de então, caminha sem rumo e vacilante.

         São João Crisóstomo, numa homilia, ao comentar a Primeira Carta de Paulo a Timóteo, adverte sabiamente: “O diabo joga-se contra o pastor […]. Com efeito, se matar as ovelhas o rebanho diminui; ao invés, eliminando o pastor, destruirá o rebanho inteiro”. O comentário faz pensar em muitas situações hodiernas. Crisóstomo admoesta que a diminuição dos pastores faz e fará diminuir sempre mais o número dos fiéis e das comunidades. Sem pastores, nossas comunidades serão destruídas!

         Aqui, porém, desejo, antes de tudo, falar da necessária oração para que, como diria Crisóstomo, os pastores vençam o diabo e não pereçam. Em verdade, sem o alimento essencial da oração, o Presbítero adoece, o discípulo não encontra forças para seguir o Mestre, e assim morre por inanição. Em consequência, seu rebanho se dispersa e morre.

         Realmente, cada Presbítero é, por definição, portador de uma referência essencial à comunidade eclesial. Ele é um discípulo muito especial de Jesus, que o chamou e, pelo sacramento da Ordem, o configurou a Si como Cabeça e Pastor da Igreja. Cristo é o único Pastor, mas quis fazer participar a  Seu ministério os Doze e seus Sucessores, mediante os quais também os Presbíteros, ainda que em grau inferior, são feitos participantes deste sacramento, de tal forma que também eles participem, a seu modo próprio, do ministério de Cristo, Cabeça e Pastor. Isso comporta um laço essencial do Presbítero com a comunidade eclesial. Ele não pode omitir-se no que diz respeito a essa responsabilidade, dado que a comunidade sem pastor se desfaz. A exemplo de Moisés, deve permanecer de braços erguidos ao céu, em oração, para que o povo não pereça.

         Por esta razão, para continuar fiel a Cristo e à comunidade, o Presbítero precisa ser  homem de oração,  homem que vive na intimidade do Senhor. Necessita, além disso, ser confortado pela oração da Igreja e de cada cristão. As ovelhas devem rezar por seu pastor! Mas, quando este se dá conta que sua própria vida de oração enfraquece, é hora de dirigir-se ao Espírito Santo e implorá-Lo com ânimo de pobre. O Espírito reacenderá o fogo em seu coração. Reacenderá a paixão e o encanto para com o Senhor. Este está sempre ali e deseja fazer a ceia com quem Lhe abre a porta.

         É Ano Sacerdotal e, por isso, queremos orar, com perseverança e grande amor, pelos Presbíteros e com os Presbíteros. A propósito, a Congregação para o Clero, cada primeira Quinta Feira do mês, durante o Ano Sacerdotal, às 16 horas, celebra uma Hora eucarístico-mariana, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, para os Sacerdotes e com os Sacerdotes. Conosco vem rezar muita gente, com alegria.

         Caríssimos Presbíteros, aproxima-se o Natal de Jesus Cristo. Faço a todos vós os melhores e mais fraternos votos de Bom Natal e Feliz Ano de 2010. O Menino Deus, no presépio, convida-nos a renovar para com Ele aquela intimidade de amigos e discípulos, a fim de reenviar-nos como Seus anunciadores!

Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero

Gays não vão para o céu! (?)

[Do blog Igreja Una. Muito interessante, resolvi postá-lo. Verdadeiramente tende-se, de diversos modos, a fazer com que as pessoas tenham dúvida sobre o destino ultimo dos homossexuais. A Igreja, com o seu Magistério infalível, é capaz, não de responder definitivamente, mas dar um sentido aos ânseios humanos.]
 
 
Cardeal Mexicano afirma. Mas será mesmo?

Corre por ai que o cardeal mexicano Javier Lozano Barragan, ex-presidente o Pontificio Conselho para a Saúde, afirmou que os “homossexuais e transsexuais não entrarão no Reino dos Céus“.

Certamente uma frase de um duplo impacto. Primeiro, o impacto psicológico de uma negativa tão clara num mundo onde tudo deve ser positivo e politicamente correto. Segundo, uma frase impactante no seu sentido teológico, se a levarmos ao pé-da-letra.

Se a homossexualidade é uma tendência psicológica reversível ou não, se é um fator genético ou não, não sei dizer, mas o que realmente importa é como o homossexual, masculino ou feminino, vive a sua vida.

O cardeal não faz qualquer distinção explícita entre os homossexuais obstinados em viver a homossexualidade e os homossexuais que vivem a castidade (em número esmagadoramente inferior). Mas deixa uma declaração que, talvez, nos faça entender melhor a sua declaração anterior:

Talvez eles não sejam culpados (da sua homossexualidade, nt), mas agindo contra a dignidade do corpo eles certamente não entrarão no reino dos céus“.

Como escreveu Torinielli, uma coisa é o pecado, outra bem diferente é o pecador. Se há arrependimento, então a Igreja terrestre o reconcilia com Cristo. Se não há arrependimento, bom, então Barragam está certo porque a homossexualidade é incompatível com a santidade.

Se o homossexual, que vive a castidade, encontra-se excomungado “latae sententiae” desde sempre (é o que a mídia européia está popularizando, com o auxílio da entrevista de Barragan), então deduzimos que há seres humanos de 2ª classe, cuja Redenção não se aplica. Isso se agrava se a homossexualidade estiver mais inclinada a fatores alheios ao controle, como a genética. Mas não sou especialista para definir a raiz da homossexualidade como genética ou psicológica.

É, caro leitor, um assunto polêmico.

Tornielli crê que foi tudo um erro de transliteração da entrevista. Espero que sim.Uma coisa é o pecado, outra é o pecador – ainda mais se o pecador estiver arrependido e decidir viver uma vida santa.

NINGUÉM SABE A DATA DO FIM DO MUNDO

Roma, 25 nov (RV) – O Arcebispo de Guadalajara, México, Cardeal Juan Sandoval Íñiguez, minimizou o impacto dos meios de comunicação do filme dirigido por Roland Emmerich, 2012, e recordou que ninguém sabe a data do fim do mundo. Conforme informa a agência Notimex, o Cardeal recordou que a Igreja Católica sempre afirmou que no futuro chegará o juízo final, mas ninguém sabe nem o dia nem a hora do mesmo.

“As pessoas já estão cansadas de espantos, anunciaram-se muitas vezes supostos fins do mundo e estes nunca chegaram, disse o Cardeal.

O interesse pelo filme 2012 e os maias é um “fenômeno de filme” e de “folclore hollywoodiano” inspirado no fato que os maias foram um povo misterioso com uma altíssima cultura, sobre tudo astronômica, disse o Arcebispo de Guadalajara

“A Igreja esteve constantemente dizendo o que assinala o Evangelho, que ninguém sabe a data do fim do mundo e que antes do fim todos os povos abraçarão a fé, ainda faltam muitos para que isso ocorra”, destacou o cardeal. (SP)

Razões para ser padre

Na sociedade atual, hedonista e secularizada, a figura do Padre é objeto de muita discussão, inclusive através da mídia. Freqüentemente, pessoas que pouco entendem do assunto, se permitem a audácia, talvez até com boa intenção, de dar sugestões sobre como deveria ser o sacerdócio católico. O Presbítero, habitualmente chamado pelo povo de Padre, possui o segundo grau do Sacramento da Ordem. Portanto, é Sacerdote, assim como o Bispo, que tem a plenitude deste Sacramento. Nesta reflexão, vamos considerar algumas razões para ser Padre, isto é, participante do Sacerdócio de Jesus Cristo, hoje e sempre.

Primeiramente, é preciso compreender que o Padre foi chamado por Deus. Não é uma vocação que alguém escolhe, porque se julga apto para tal, ou porque acha interessante. A escolha é de Deus, e o seu chamado não se discute. Por isso, o sacerdócio é um privilégio, imerecido. Quando da eleição dos Apóstolos, e também dos discípulos, Jesus passou a noite em oração. Pela manhã, Ele escolheu os que queria para o seu grupo, com os quais fundou a sua Igreja, que subsistirá até o fim dos tempos – a Igreja Católica Apostólica Romana.

O Padre é homem de Deus. Esta é sua característica fundamental. Tudo que se queira acrescentar à sua figura, são detalhes acidentais. Jesus, aos 12 anos, afirmou: “Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Tal é a realidade mais profunda do Padre – as coisas do Pai. Isto não impede que seja uma pessoa politizada e comprometida com a realidade que o cerca. Não se trata de fazer política partidária, que não compete ao ministro ordenado, mas da orientação ao seu rebanho para a prática da cidadania e um posicionamento segundo a moral cristã, sempre tendo em vista o bem comum.

Apesar do secularismo, a que já aludimos, o homem hodierno busca, sequiosamente, o rosto de Cristo. Por isso, o Padre é chamado a ser representante do próprio Senhor: ele O torna novamente presente. E quanto mais transparente e mais perfeita for essa presença, melhor responderá às indagações dos que a procuram. Nosso pranteado Papa João Paulo II nos exortava a contemplar o rosto de Cristo, para revelá-lo aos outros.
 Chegou a dizer que os Padres são o “Coração de Jesus” – expressão forte, que significa o amor de Jesus, divino e humano, que o Padre deve transparecer, através da missão que exerce. O povo quer ver, tocar, perceber, ouvir o Cristo na pessoa do Padre. Por isso, a palavra do Padre não é dele mesmo, mas é a Palavra de Deus. O toque sacramental do Padre não é um toque meramente humano, mas ultrapassa esta dimensão e penetra no divino, do qual o sacerdócio é, de fato, mediação.

Esta configuração ao Cristo tem profundas raízes teológicas, que atestam a exclusividade do sacerdócio para os varões, como participação no único e eterno sacerdócio do próprio Cristo. Jesus não escolheu nem sua própria Mãe Santíssima, para compor o grupo daqueles que seriam a base apostólica da sua Igreja. Mas não é nosso propósito discutir este assunto, no presente texto. Apenas confirmamos a posição da Igreja, em nome de quem o Papa João Paulo II falou, quando expôs, claramente, seu ensinamento a este respeito.

Ainda segundo o saudoso Papa, na sua Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis – “Dar-vos-ei Pastores segundo o meu Coração” (Jr 3,15), de 25 de março de 1992, o Padre tem que possuir 5 qualidades essenciais:

1° Ser homem, física e psicologicamente, sadio.

2° Ser pessoa de oração, portanto piedoso. Pietas, em latim, significa um devotamento filial aos pais. O Padre deve ter um afeto filial, carinhoso para com Deus, nosso Pai, e é a partir desse modelo, que ele vai buscar a delicadeza paterna, e materna, que demonstrará na sua experiência humana de diálogo com o mundo de hoje, homens e mulheres do nosso tempo.

3° Ser uma pessoa culta. A formação intelectual de um Padre exige um mínimo de 7 anos de estudos universitários, incluindo as Faculdades de Filosofia e de Teologia, além da comprovada competência pastoral.

4° Ser um verdadeiro pastor. Deve conhecer os problemas que se abatem sobre a humanidade, para dar a resposta pastoral necessária, dentro de uma visão eclesial coerente.

5° Ser um elemento de equipe, que saiba viver em comunidade e para a comunidade. Que nunca trabalhe só, a não ser nas coisas do trato direto com Deus. Tudo o mais seja feito em conjunto com a comunidade a que ele serve. Isto exige afabilidade, equilíbrio e capacidade de diálogo.

Como seguidores de Cristo, os Apóstolos tiveram que deixar tudo: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim” (Mt 10,37). Trata-se da doação integral da pessoa e da sua capacidade de amar, para que Cristo dela disponha em favor dos mais necessitados: os pobres, os pecadores, os que sofrem de múltiplas carências, os que nos procuram para aconselhamento. Para estar disponível a tudo isto, permanentemente, é preciso ter um amor exclusivo. São Paulo diz, claramente: “O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa” (1Cor 7,32-33). Portanto, tem um coração dividido. 

O Padre não pode viver assim. O seu amor, as suas energias, a sua competência, tudo deve estar a serviço das ovelhas do seu rebanho. Por isso, a Igreja, desde os primórdios, introduziu o celibato, seguindo a exigência que Jesus fez aos Apóstolos sobre deixar tud
o. Apesar do que afirmam as críticas apressadas a esta norma antiqüíssima, o celibato sacerdotal não é a causa de eventuais problemas afetivos. 

O Pontifício Conselho para a Família tem afirmado, muitas vezes, que se encontram na família os maiores problemas da atualidade, sob qualquer ponto de vista: pastoral, social, cultural. Não adianta querer resolver uma suposta carência afetiva na vida do Padre, apelando para o Matrimônio, como se fosse a solução mágica. Na vida a dois também há solidões. E muitas. Talvez, até, mais dolorosas do que no celibato. Os psicólogos estão aí para comprová-lo. A doação integral do amor faz parte da condição existencial do Padre. Sendo uma vocação, é a única capaz de realizá-lo como pessoa. Quem não for capaz disto, por um compromisso total, irrestrito e perpétuo, não é chamado para o sacerdócio, segundo a vivência da Igreja Latina, Ocidental. 

Rezemos para que Deus nos dê sempre bons e santos Padres, segundo o seu Coração: “A promessa do Senhor suscita no coração da Igreja a oração, a súplica ardente e confiante no amor do Pai de que, tal como mandou Jesus o Bom Pastor, os Apóstolos, os seus sucessores, e uma multidão inumerável de presbíteros, assim continue a manifestar aos homens de hoje a sua fidelidade e a sua bondade” (Pastores Dabo Vobis, n°82).
CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro


Sai ou não a Beatificação?

CARD. BERTONE DESMENTE BEATIFICAÇÃO DE JPII EM ABRIL

Cidade do Vaticano, 05 nov (RV) – O secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, desmentiu as notícias que circularam nos últimos dias acerca da possível beatificação de João Paulo em abril de 2010.

“Não, as notícias sobre a beatificação na primavera (européia, ndr) não se baseiam em nenhuma decisão concreta” – declarou o cardeal, acrescentando que o itinerário da causa deve seguir ainda algumas etapas e que é preciso esperar.

As palavras do Card. Bertone confirmam as opiniões expressas dias atrás por membros da Congregação das Causas dos Santos, de que o processo de beatificação de João Paulo II dificilmente sairá a tempo do quinto aniversário de sua morte.

Ontem, na Audiência Geral, o papa homenageou seu antecessor. A um grupo de peregrinos poloneses, Bento XVI fez votos de que o exemplo de João Paulo II nos confirme na fé e nos inspire no caminho da santidade. (BF)

Cardeal Bertone: escolas europeias sem crucifixos e com abóboras de Halloween

O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, lamentou que a Europa do terceiro milénio troque os seus “símbolos mais queridos” pelas “abóboras” do Halloween.

O número dois do Vaticano comentava assim a decisão do Tribunal Europeu de Direitos do Homem, emitida esta Terça-feira, que define a presença do crucifixo nas escolas como uma violação da liberdade religiosa dos alunos e como contrária ao direito dos pais em educarem os filhos segundo as suas convicções.
O Cardeal Bertone considera tratar-se de uma “verdadeira perda”.

“Devemos procurar conservar, com todas as nossas forças, os sinais da nossa fé, para quem crê e para quem não crê”, concluiu.

Após ter manifestado o seu apreço pela iniciativa do Governo italiano, que anunciou recurso contra a decisão, o Secretário de Estado do Vaticano sublinhou que o crucifixo é “símbolo do amor universal, não de exclusão, mas de acolhimento”.

“Pergunto-me se esta sentença é sinal de razoabilidade ou não”, concluiu.

Na sua edição desta Quinta-feira, o jornal do Vaticano, além das declarações do Cardeal Bertone, apresenta um artigo sobre a decisão do Tribunal de Estrasburgo, considerando que a mesma não reconhece “a importância do papel das religiões na construção da identidade europeia e na afirmação da centralidade do homem na sociedade”.

“A decisão dos juízes de Estrasburgo, por outro lado, parece inspirada numa ideia de laicidade do Estado que leva a marginalizar o contributo das religiões na vida pública”, acrescenta o artigo do “Osservatore Romano”.

Papa recorda Cardeais e Bispos falecidos durante o ano: é a vida eterna que dá sentido à nossa jornada terrena

“A vida deve ser uma constante espera vigilante, uma peregrinação para a vida eterna, cumprimento final que dá sentido e plenitude de nossa jornada terrena”, é o que Bento XVI disse esta manhã na Basílica do Vaticano, durante missa para as almas dos Cardeais e Bispos falecidos ao longo deste ano.
“A partida dos entes queridos é dolorosa, o acontecimento da morte é um enigma carregado de inquietude, mas para os crentes é sempre iluminado pela esperança da imortalidade, assinalou na homilia da Missa celebrada na Basílica de São Pedro.

A cerimónia foi celebrada em sufrágio por sete cardeais e vários arcebispos e bispos que faleceram durante este ano.

O Papa lembrou os “pastores que serviram a Igreja assegurando ao rebanho de Cristo os cuidados necessários”, considerando-os “testemunhas do Evangelho que na variedade de dons e tarefas, deram prova de vigilância e dedicação generosa á causa do Reino de Deus”.

A partir das passagens bíblicas lidas na celebração, Bento XVI observou que “não faltam dificuldades e problemas nesta vida, existem situações de sofrimento e de dor, momentos difíceis que se devem compreender e aceitar”.

“Tudo porém – salientou – adquire valor e significado se é considerado na perspectiva da eternidade”.
Os Cardeais que faleceram no último ano foram Avery Dulles, Pio Laghi, Stéphanos II Ghattas, Stephen Kim Sou-Hwan, Paul Joseph Pham Dình Tung, Umberto Betti e Jean Margéot.

OMELIA DEL SANTO PADRE

Venerati Fratelli nell’Episcopato e nel Sacerdozio,
cari fratelli e sorelle
!

“Quale gioia, quando mi dissero: Andremo alla casa del Signore!”. Le parole del Salmo 122, che abbiamo cantato poco fa, ci invitano ad elevare lo sguardo del cuore verso la “casa del Signore”, verso il Cielo dove è misteriosamente raccolta, nella visione beatifica di Dio, la schiera di tutti i Santi che la liturgia ci ha fatto contemplare qualche giorno fa. Alla solennità dei Santi è seguita la commemorazione di tutti i Fedeli defunti. Queste due celebrazioni, vissute in un profondo clima di fede e di preghiera, ci aiutano a meglio percepire il mistero della Chiesa nella sua totalità e a comprendere sempre più che la vita deve essere una continua vigile attesa, un pellegrinaggio verso la vita eterna, compimento ultimo che dà senso e pienezza al nostro cammino terreno. Alle porte della Gerusalemme celeste “già sono fermi i nostri piedi” (v. 2).

A questa meta definitiva sono ormai giunti i compianti Cardinali: Avery Dulles, Pio Laghi, Stéphanos II Ghattas, Stephen Kim Sou-Hwan, Paul Joseph Pham Đình Tung, Umberto Betti, Jean Margéot, e i numerosi Arcivescovi e Vescovi che ci hanno lasciato durante quest’ultimo anno. Li ricordiamo con affetto e rendiamo grazie a Dio per il bene che hanno compiuto. In loro suffragio offriamo il Sacrificio eucaristico, raccolti, come ogni anno, in questa Basilica Vaticana. Pensiamo a loro nella comunione, reale e misteriosa, che unisce noi pellegrini sulla terra a quanti ci hanno preceduti nell’aldilà, certi che la morte non spezza i vincoli di fraternità spirituale sigillati dai Sacramenti del Battesimo e dell’Ordine.

In questi venerati nostri Fratelli amiamo riconoscere i servi di cui parla la parabola evangelica poc’anzi proclamata: servi fedeli, che il padrone, di ritorno dalle nozze, ha trovato svegli e pronti (cfr Lc 12,36-38); pastori che hanno servito la Chiesa assicurando al gregge di Cristo la necessaria cura; testimoni del Vangelo che, nella varietà dei doni e dei compiti, hanno dato prova di operosa vigilanza, di generosa dedizione alla causa del Regno di Dio. Ogni celebrazione eucaristica, alla quale tante volte essi pure hanno partecipato dapprima come fedeli e poi come sacerdoti, anticipa nel modo più eloquente quanto il Signore ha promesso: Egli stesso, sommo ed eterno Sacerdote, farà mettere i suoi servi a tavola e passerà a servirli (cfr Lc 12,37). Sulla Mensa eucaristica, convito nuziale della Nuova Alleanza, Cristo, Agnello pasquale si fa nostro cibo, distrugge la morte e ci dona la sua vita, la vita senza fine. Fratelli e sorelle, anche noi restiamo desti e vigilanti: ci trovi così “il padrone quando torna dalle nozze, giungendo nel mezzo della notte o prima dell’alba” (cfr Lc 12,38). Anche noi, allora, come i servi del Vangelo, saremo Beati!

“Le anime dei giusti sono nelle mani di Dio” (Sap 3,1). La prima lettura, tratta dal libro della Sapienza, parla di giusti perseguitati, messi ingiustamente a morte. Ma se anche la loro morte – sottolinea l’Autore sacro – avviene in circostanze umilianti e dolorose tali da sembrare una sciagura, in verità per chi ha fede non è così: “essi sono nella pace” e, se pur subirono castighi agli occhi degli uomini, “la loro speranza è piena di immortalità” (vv. 3-4).

È doloroso il distacco dai propri cari, è un enigma carico di inquietudine l’evento della morte, ma, per i credenti, comunque esso avvenga, è sempre illuminato dalla “speranza dell’immortalità”.

La fede ci sostiene in questi momenti umanamente carichi di tristezza e di sconforto: “Ai tuoi occhi la vita non è tolta ma trasformata – ricorda la liturgia -; e mentre si distrugge la dimora di questo esilio terreno, viene preparata un’abitazione eterna nel Cielo” (Prefazio dei defunti). Cari fratelli e sorelle, sappiamo bene e lo sperimentiamo nel nostro cammino che non mancano difficoltà e problemi in questa vita, ci sono situazioni di sofferenza e di dolore, momenti difficili da comprendere e accettare. Tutto però acquista valore e significato se viene considerato nella prospettiva dell’eternità. Ogni prova, infatti, accolta con perseverante pazienza ed offerta per il Regno di Dio, torna a nostro vantaggio spirituale già quaggiù e soprattutto nella vita futura, in Cielo. In questo mondo siamo di passaggio, saggiati nel crogiuolo come l’oro, afferma la Sacra Scrittura (cfr Sap 3,6). Misteriosamente a
ssociati alla passione di Cristo, possiamo fare della nostra esistenza un’offerta gradita al Signore, un volontario sacrificio di amore.

Nel Salmo responsoriale e poi nella seconda lettura, tratta dalla prima Lettera di Pietro, troviamo come un’eco alle parole del libro della Sapienza. Mentre il Salmo 122, riprendendo il canto dei pellegrini che scendono alla Città santa e dopo un lungo cammino giungono pieni di gioia alle sue porte, ci proietta nel clima di festa del Paradiso, san Pietro ci esorta, durante il pellegrinaggio terreno, a tener viva nel cuore la prospettiva della speranza, di una “speranza viva” (1,3). Di fronte all’inevitabile dissolversi della scena di questo mondo – egli annota – ci è data la promessa di un’”eredità che non si corrompe, non si macchia e non marcisce” (v. 4), perché Dio ci ha rigenerati, nella sua grande misericordia, “mediante la risurrezione di Gesù Cristo dai morti” (1,3). Ecco il motivo per cui dobbiamo essere “ricolmi di gioia”, anche se siamo afflitti da varie pene. Se, infatti, perseveriamo nel bene, la nostra fede, purificata da molte prove, risplenderà un giorno in tutto il suo fulgore e tornerà a nostra lode, gloria e onore quando Gesù si manifesterà nella sua gloria. Sta qui la ragione della nostra speranza, che già qui ci fa esultare “di gioia indicibile e gloriosa”, mentre siamo in cammino verso la meta della nostra fede: la salvezza delle anime (cfr vv. 6-8).

Cari fratelli e sorelle, è con tali sentimenti che vogliamo affidare alla Divina Misericordia questi Cardinali, Arcivescovi e Vescovi, con i quali abbiamo lavorato insieme nella vigna del Signore. Definitivamente liberati da ciò che resta in loro dell’umana fragilità li accolga il Padre celeste nel suo Regno eterno e conceda loro il premio promesso ai buoni e fedeli servitori del Vangelo. Li accompagni, con la sua materna sollecitudine, la Vergine Santa, e apra loro le porte del Paradiso. Aiuti la Vergine Maria anche noi, ancora viandanti sulla terra, a mantenere fisso lo sguardo verso la patria che ci attende; ci incoraggi a restare pronti “con le vesti strette ai fianchi e le lampade accese” per accogliere il Signore “quando arriva e bussa” (Lc 12,35-36). A qualsiasi ora e in qualsiasi momento. Amen!

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BENTO XVI IRÁ A TURIM EM 2010, POR OCASIÃO DA EXPOSIÇÃO DO SANTO SUDÁRIO

Cidade do Vaticano, 27 out (RV) – Bento XVI irá a Turim – noroeste da Itália – dia 2 de maio de 2010, por ocasião da exposição do Santo Sudário, que se realizará de 10 de abril a 23 de maio do próximo ano.

Foi o que anunciou com uma carta o arcebispo de Turim, Cardeal Severino Poletto, que ontem, segunda-feira, foi recebido no Vaticano pelo Santo Padre.

Como primeiro ato da visita, o pontífice se deterá em oração diante do Santo Sudário, na Catedral de Turim. Em seguida, na praça da catedral – Praça São João – terá lugar a solene concelebração eucarística para todos os fiéis e peregrinos presentes, ao término da qual o papa fará a oração mariana do Angelus.

Na parte da tarde, Bento XVI encontrará os jovens na paróquia Santa Face de Turim. Durante o trajeto rumo à paróquia, o papa fará uma breve visita ao hospital Cotollengo para encontrar e abençoar os pacientes da Pequena Casa da Divina Providência.

Eis um trecho da referida carta do Cardeal Poletto, na qual o purpurado anuncia a visita do pontífice:

O dia que o Santo Padre transcorrerá em Turim será para todos nós uma ocasião “única” para encontrá-lo, rezar por ele e com ele, e escutar a mensagem particular que ele trará à Igreja de Turim e para toda a sociedade civil do nosso território.

O papa quer, sobretudo, oferecer uma palavra de conforto aos que sofrem, e o fará em sintonia com o tema da exposição do Santo Sudário “Passio Christi, Passio hominis” (Paixão de Cristo, Paixão do homem, ndr).

Ademais, no espírito de sua última encíclica “Caritas in veritate”, expressará encorajamento e esperança para aqueles que anseiam uma vaga de trabalho nesta cidade, que sempre foi considerada a “Cidade do trabalho e da indústria”, que, porém, neste momento, mais do que em outro lugar sente as conseqüências de uma crise vasta e prolongada que vai além das expectativas.

Estou certo de interpretar o sentimento geral ao expressar o meu sincero reconhecimento a Sua Santidade, porque a sua visita será para a nossa cidade e arquidiocese um presente extraordinário do seu coração de Pai e, portanto, convido todos a elevarem desde já fervorosas orações ao Senhor e à Virgem da Consolação por sua pessoa e por seu empenhado Ministério.

Nós o acolheremos com grande afeto e entusiasmo e isso lhe será de apoio e conforto para continuar por muitos anos oferecendo-nos o belo testemunho de sua fé e de sua sabedoria com a qual está conduzindo a Igreja; tornando-se assim, para o mundo inteiro, um ponto de referência de primeira importância para a defesa dos valores fundamentais de toda a humanidade.

Permanecendo na alegre expectativa de vivermos com proveito essa visita pastoral do Santo Padre, devemos empenhar-nos com sinceridade para não perdermos a ocasião especial de graça que esse evento nos oferece a todos; evento que dará novo impulso ao caminho espiritual e pastoral das nossas comunidades cristãs e infundirá esperança e confiança a todos nós, a começar pelas muitas pessoas provadas pela pobreza e por todo tipo de sofrimento físico e moral. (RL)

Bento XVI na Missa de encerramento do Sínodo dos Bispos para a África: Igreja conjuga sempre evangelização e promoção humana, seguindo assim Jesus Cristo

O Papa Bento XVI presidiu na manhã deste Domingo, na Basílica de São Pedro a Missa de encerramento da II Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África que de 4 a 25 de Outubro debateu no Vaticano o tema a igreja ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz, vos sois o sal da terra vos sois a luz do mundo.

Fiel ao projecto de Deus, a Igreja conjuga sempre evangelização e promoção humana, adoptando assim aquela “forma sacerdotal” que é a de Cristo, no caminho do amor. É partilhando até ao fim a condição dos homens e mulheres do seu tempo que a Igreja testemunha a todos o amor de Deus, semeando a esperança. – Palavras de Bento XVI, na homilia da Missa, partindo dos textos deste domingo, a começar pela primeira Leitura, do Profeta Jeremias.

“O projecto de Deus não muda. Através dos séculos e das convulsões da história, Ele visa sempre a mesma meta: o Reino da liberdade e da paz para todos. E isso implica a sua predilecção pelos que se encontram privados de liberdade e de paz, por aqueles que foram violados na sua dignidade de pessoas humanas. Pensamos especialmente nos irmãos e irmãs que na África sofrem pobreza, doenças, injustiças, guerras e violências, migrações forçadas”.

Recordando depois o episódio evangélica da cura do cego Bartimeu, Bento XVI fez notar que o episódio evangélica se situa no caminho que conduz Jesus e os seus discípulos a Jerusalém, onde se consumará a Páscoa, a sua Páscoa sacrificial, que o Messias vive, a nosso favor.

“Caros Irmãos, demos graças porque o misterioso encontro entre a nossa pobreza e a grandeza de Deus se realizou também na Assembleia para a África, que hoje se conclui. Deus renovou a sua chamada: Coragem, levanta-te… E também a Igreja que está em África, através dos seus Pastores, vindos de todos os países do Continente, de Madagáscar e das outras ilhas, acolheu a mensagem de esperança e a luz para caminhar pela estrada que conduz ao Reino de Deus. Vai, a tua fé te salvou”.

Sim, insistiu o Papa, é a fé em Jesus Cristo – bem entendida e praticada – que guia os homens e os povos à liberdade na verdade – à reconciliação, à justiça e à paz.

“Assim é a Igreja no mundo: comunidade de pessoas reconciliadas, promotoras de justiça e de paz; sal e luz no meio da sociedade dos homens e das nações. Foi por isso que o Sínodo reafirmou com vigor – e manifestou – que a Igreja é Família de Deus, na qual não podem subsistir divisões com base étnica, linguística ou cultural”.

Referindo-se ainda à segunda Leitura da Missa, da Carta aos Hebreus, o Papa fez notar “uma outra perspectiva” que esta oferece. Isto é, que “a Igreja, comunidade que segue Cristo no caminho do amor, tem uma forma sacerdotal”.

“O sacerdócio de Jesus Cristo não é primariamente ritual, mas sim existencial” – reflectiu Bento XVI. Embora não seja abolida a dimensão do rito, este – como se vê claramente na instituição da Eucaristia – assume significado a partir do Mistério pascal. Este supera, cumprindo-os, os antigos sacrifícios. Nascem assim um novo sacrifício, um novo sacerdócio e também um novo templo, todos eles coincidindo com o mistério de Jesus Cristo.

“Também a Comunidade eclesial, na esteira do seu Mestre e Senhor, está chamada a percorrer decididamente a sua estrada de serviço, a partilhar profundamente a condição dos homens e mulheres do seu tempo, para testemunhar a todos o amor de Deus, semeando assim a esperança”.

É “conjugando sempre a evangelização e a promoção humana” que a Igreja transmite a mensagem de salvação – sublinhou o Papa, evocando a Encíclica “Populorum progressio” de Paulo VI: é isso o que os missionários têm feito e continuam a fazer no campo, “promovendo um desenvolvimento respeitoso das culturas locais e do ambiente segundo uma lógica que, passados mais de 40 anos, aparece como a única capaz de fazer sair os povos africanos da escravidão da fome e das doenças”.

“Isto quer dizer transmitir o anúncio da esperança seguindo uma forma sacerdotal, ou seja, vivendo em primeira pessoa o Evangelho, procurando traduzi-lo em projectos e realizações coerentes com o princípio dinâmico fundamental – o amor”.

Nestas três semanas – observou o Papa – a II Assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a África confirmou o que já João Paulo II fizera notar e tinha sido recentemente recordado na Encíclica “Caritas in veritate”, isto é, que – em tempos de “globalização” – “se impõe renovar o modelo de desenvolvimento global”, para que nenhum povo dele fique excluído.
“A globalização (advertiu Bento XVI) é uma realidade humana e como tal modificável segundo um ou outro posicionamento cultural. A Igreja actua com a sua concepção personalista e comunitária para orientar o processo em termos de relacionalidade, fraternidade e partilha”.

“A urgente acção evangelizadora, de que muito se falou nestes dias, comporta também um premente apelo à reconciliação, condição indispensável para instaurar na África relações de justiça entre os homens e para construir uma paz equitativa e duradoura, no respeito de cada indivíduo e povo; uma paz que tem necessidade e se abre ao contributo de todas as pessoas de boa vontade, para lá das respectivas pertenças religiosas, étnicas, linguísticas, culturais e sociais”.

“Coragem, levanta-te, Continente africano!” – encorajou Bento XVI, a concluir.

“Acolhe com renovado entusiasmo o anúncio do Evangelho para que o rosto de Cristo possa iluminar com o seu esplendor a multiplicidade das culturas e linguagens das tuas populações.
Ao mes
mo tempo que oferece o pão da Palavra e da Eucaristia, a Igreja empenha-se também a agir, com todos os meios disponíveis, para que a nenhum africano falte o pão de cada dia. Para tal, juntamente com a obra de primária urgência que é a evangelização, os cristãos são activos nas intervenções de promoção humana”.

A continuación les ofrecemos el texto íntegro de la homilía:

¡Venerados Hermanos!

¡Queridos hermanos y hermanas!

He aquí un mensaje de esperanza para África: lo hemos escuchado ahora de la Palabra de Dios. Es el mensaje que el Señor de la historia no se cansa de renovar para la humanidad oprimida y atropellada de toda época y de toda tierra, desde cuando reveló a Moisés su voluntad sobre los israelíes esclavos en Egipto: “He visto la aflicción de mi pueblo… he oído su grito… conozco sus sufrimientos. He bajado para liberarlos… y para subirlo de esta tierra a una tierra buena y espaciosa, a una tierra que mana leche y miel” (Ex 3, 7 – 8). ¿Cuál es esta tierra? ¿No es tal vez el Reino de la reconciliación, de la justicia y de la paz, a la que está llamada toda la humanidad? El designio de Dios no cambia. Es el mismo que fue profetizado por Jeremías, en los magníficos oráculos denominados “Libro de la consolación”, del que hoy se ha extraído la primera lectura. Es un anuncio de esperanza para el pueblo de Israel, postrado por la invasión del ejército de Nabucodonosor, de la devastación de Jerusalén y del Templo, y de la deportación a Babilonia. Un mensaje de alegría para el “resto” de los hijos de Jacob, que anuncia un futuro para ellos, porque el Señor los conducirá a su tierra, a través de un camino directo. Las personas necesitadas de sostén, como el ciego y el cojo, la mujer embarazada y la parturienta, experimentan la fuerza y la ternura del Señor: Él es un padre para Israel, dispuesto a atenderlo como se hace con el hijo primogénito (cf. Jer 31, 7 – 9).

El designio de Dios no cambia. A través de los siglos y los giros de la historia, Él apunta siempre hacia la misma meta: el Reino de la libertad y de la paz para todos. Y ello implica su predilección por quienes están privados de la libertad y la paz, por quienes son violados en su propia dignidad de personas humanas. Pensemos en particular en los hermanos y hermanas que en África sufren la pobreza, enfermedades, injusticias, guerras y violencias, migraciones forzadas. Estos hijos predilectos del Padre celestial son como el ciego del Evangelio, Bartimeo, que “estaba sentado al borde del camino para pedir limosna” (Mc 10, 46), a las puertas de Jericó. Precisamente por ese camino pasa Jesús Nazareno. Es el camino que conduce a Jerusalén, donde se consumará la Pascua, su Pascua sacrificial, a la que el Mesías va por nosotros. Es el camino de su éxodo que es también el nuestro: la única vía que conduce a la tierra de la reconciliación, de la justicia y de la paz. En este camino el Señor encuentra a Bartimeo, que ha perdido la vista. Sus caminos se cruzan, se convierten en un único camino. “¡Hijo de David, Jesús, ten piedad de mí!”, grita el ciego con confianza. Jesús replica: “¡Llámenlo!”, y añade: “¿Qué quieres que haga por ti?”. Dios es la luz, y el creador de la luz. El hombre es hijo de la luz, hecho para ver la luz, pero ha perdido la vista, y se encuentra obligado a mendigar. A su lado pasa el Señor, que se ha hecho mendigo por nosotros: sediento de nuestra fe y de nuestro amor. “¿Qué quieres que haga por ti?”. Dios sabe, pero pregunta; quiere que sea el hombre quien hable. Quiere que el hombre se levante, que encuentre el valor para pedir lo que necesita para su dignidad. El Padre quiere escuchar de la viva voz del hijo la libre voluntad de ver de nuevo la luz, aquella luz por la cual lo ha creado. “¡Rabbuní, maestro, que vea de nuevo!”. Y Jesús le dice: “Anda, tu fe te ha salvado. Y al momento recobró la vista y lo seguía por el camino” (Mc 10, 51 – 52).

Queridos hermanos, demos gracias porque este “misterioso encuentro entre nuestra pobreza y la grandeza” de Dios se ha realizado en la Asamblea sinodal para África que se concluye hoy. Dios ha renovado su llamada: “¡Ánimo! Levántate…” (Mc 10, 49). Y también la Iglesia que está en África, a través de sus Pastores, venidos de todos los países del continente, desde Madagascar y de las otras islas, ha acogido el mensaje de esperanza y la luz para caminar por la vía que conduce al Reino de Dios. “Anda, tu fe te ha salvado” (Mc 10, 52). Sí, la fe en Jesucristo – cuando es bien entendida y practicada – guía a los hombres y pueblos a la libertad en la verdad, o para usar las tres palabras del tema sinodal, a la reconciliación, a la justicia y a la paz. Bartimeo que, curado, sigue a Jesús por el camino, es imagen de la humanidad que, iluminada por la fe, se pone en camino hacia la tierra prometida. Bartimeo se convierte a su vez en testigo de la luz, contando y demostrando en primera persona que fue curado, renovado, regenerado. Esto es la Iglesia en el mundo: comunidad de personas reconciliadas, agentes de justicia y de paz; “sal y luz” en medio de la sociedad de los hombres y de las naciones. Por ello el Sínodo ha afirmado con fuerza – y lo ha manifestado – que la Iglesia es Familia de Dios, en la cual no pueden subsistir divisiones basadas en las diferencias étnicas, lingüísticas o culturales. Testimonios conmovedores nos han mostrado que, también en los momentos más oscuros de la historia human, el Espíritu Santo obra y transforma los corazones de las víctimas y de los perseguidores para que se reconozcan como hermanos. La Iglesia reconciliada es una potente levadura de reconciliación en cada país y en todo el continente africano.

La segunda lectura nos ofrece una ulterior perspectiva: la Iglesia, comunidad que sigue a Cristo por el camino del amor, tiene una forma sacerdotal. La categoría del sacerdocio, como clave interpretativa del misterio de Cristo y, en consecuencia, de la Iglesia, fue introducida en el Nuevo Testamento por el Autor de la Carta a los Hebreos. Su intuición toma su origen en el Salmo 110, citado en el día de hoy, allá donde el Señor Dios, con solemne juramento, asegura al Mesías: “Tu eres sacerdote eterno, según el rito de Melquisedec” (v. 4). Referencia que remite a otra, extraída del Salmo 2, en la que el Mesías anuncia el decreto del Señor que dice de él: “Tu eres mi hijo, yo te he engendrado hoy” (v. 7). De estos textos se deriva la atribución a Jescristo del carácter sacerdotal, no en sentido genérico, sino “según el rito de Melquisedec”, es decir, el sacerdocio sumo y eterno, de origen no humano sino divino. Si todo sumo sacerdote “es elegido de entre los hombres y para los hombres es constituido tal en las cosas que tienen que ver con Dios” (Hb 5, 1), solo Él, Cristo, el Hijo de Dios, posee un sacerdocio que se identifica con su misma Persona, un sacerdocio singular y trascendente, del que depende la salvación universal. Este sacerdocio suyo, Cristo lo ha transmitido a la Iglesia mediante el Espíritu Santo; por tanto la Iglesia tiene en sí misma, en cada uno de sus miembros, en virtud del Bautismo, un carácter sacerdotal. Pero – y este es el aspecto decisivo – el sacerdocio de Jesucristo no es más primariamente ritual, sino existencial. La dimensión del rito no es abolida, sino, como aparece claramente en la institución de la Eucaristía, toma significado del Misterio Pascual, que lleva a cumplimiento los sacrificios antiguos y los supera. Nacen así contemporáneamente un nuevo sacrificio, un nuevo sacerdocio y también un nuevo templo, los tres coinciden con el Misterio de Jesucristo. Unida a Él mediante los Sacramentos, la Iglesia prolonga su acción salvífica, permitiendo a los hombres ser sanados mediante la fe, como el ciego Bartimeo. Así la Comunidad eclesial, siguiendo las huellas de su Maestro y Señor, está llamada a recorrer decididamente el camino del servicio, y a com
partir hasta el final la condición de los hombres y mujeres de su tiempo, para testimoniar a todos el amor de Dios y así sembrar esperanza.

Queridos amigos, este mensaje de salvación la Iglesia lo transmite conjugando siempre la evangelización y la promoción humana. Tomemos como ejemplo la histórica Encíclica Populorum progressio: lo que el Siervo de Dios Pablo VI elaboró en términos de reflexión, los misioneros lo han realizado y siguen realizándolo en el terreno, promoviendo un desarrollo respetuoso de las culturas locales y del ambiente, según una lógica que ahora, después de 40 años, aparece como la única en grado de hacer salir a los pueblos africanos de la esclavitud del hambre y las enfermedades. Esto significa transmitir el anuncio de esperanza según una “forma sacerdotal”, es decir, viviendo en primera persona el Evangelio, buscando traducirlo en proyectos y realizaciones coherentes con el principio dinámico fundamental, que es el amor. En estas tres semanas, la Segunda Asamblea Especial para África del Sínodo de los Obispos ha confirmado aquello que mi venerado predecesor, Juan Pablo II, había puesto ya de relieve, y que he querido también yo profundizarlo en la reciente Encíclica Caritas in veritate: que es necesario renovar el modelo de desarrollo global, de modo que sea capaz de “incluir a todos los pueblos y no solamente a aquellos particularmente dotados” (n.39). Todo lo que la Doctrina Social de la Iglesia siempre ha sostenido a partir de su visión del hombre y de la sociedad, hoy es requerido también de la globalización (cf. ibid.). Ésta – es necesario recordar – no va entendida fatalísticamente como si sus dinámicas fueran producto de anónimas fuerzas impersonales e independientes de la voluntad humana. La globalización es una realidad humana y como tal es modificable según uno u otro planteamiento cultural. La Iglesia trabaja con su concepción personalista y comunitaria para orientar el proceso en términos de relacionalidad, de fraternidad y compartir (cf. ibid., nº 42).

“¡Ánimo, levántate!..”. Así hoy el Señor de la vida y de la esperanza se dirige a la Iglesia y a las poblaciones africanas, al terminar estas sesiones de reflexión sinodal. Levántate, Iglesia de África, Familia de Dios, porque te llama el Padre celestial, que tus antepasados invocaron como Creador, antes de conocer su la cercanía misericordiosa, revelada en su Hijo unigénito, Jesucristo,. Emprende el camino de una nueva evangelización con al coraje que proviene del Espíritu Santo. La urgente acción evangelizadora, de la que mucho se ha hablado estos días, comporta también un llamado urgente a la reconciliación, condición indispensable para instaurar en África relaciones de justicia entre los hombres, y para construir una paz equitativa y duradera en el respeto de cada individuo y de cada pueblo; una paz que tiene necesidad y se abre a la aportación de todas las personas de buena voluntad, más allá de las respectivas dependencias religiosas, étnicas, lingúísticas, culturales y sociales. En tal comprometida misión tu, Iglesia peregrina en el África del tercer milenio, no estás sola. Está cercana a ti con la oración y la solidaridad toda la Iglesia católica, y desde el Cielo te acompañan los santos y santas africanos, que, con la vida tal vez entregada en el martirio, han dado testimonio pleno de fidelidad a Cristo.

¡Ánimo! Levántate, Continente africano, tierra que ha acogido al Salvador del mundo cuando de niño tuvo que refugiarse con José y María en Egipto para salvar su vida de la persecusión del rey Herodes. Acoge con renovado entusiasmo el anuncio del Evangelio para que el rostro de Cristo pueda iluminar con su esplendor la multiplicidad de las culturas y lenguajes de todas las poblaciones. Mientras ofrece el pan de la Palabra y de la Eucaristía, la Iglesia se compromete tambien a obrar, con todos los medios disponibles, para que a ningún africano le falte el pan de cada día. Por esto, junto a la obra de la primaria urgencia de la evangelización, los cristianos están activos en la intervención de promoción humana.

Queridos Padres Sinodales, al terminar mis reflexiones, deseo dirigirles mi saludo más cordial, agradeciéndoles por su edificante participación. Regresando a casa, ustedes, Pastores de la Iglesia en África, lleven mi bendición a sus Comunidades. Transmitan a todos el llamado que ha resonado en este Sínodo para la reconciliación, la justicia y la paz. Miestras se cierra la Asamablea sinodal no puedo dejar de renovar mi vivo reconocimiento al secretario general del Sínodo de los Obispos y a todos sus colaboradores. Un agradecido pensamiento expreso a los coros de la comunidad nigeriana de Roma y del Colegio Etíope, que contribuyen con la animación de esta liturgia. En fin, quiero agradecer a cuantos han acompañado los trabajos sinodales con su oración. Que la Virgen María les recompense, y obtenga a la Iglesia en África el crecer en cada parte de aquel gran Continente, difundiendo por todas partes la “sal” y la “luz” del Evangelio.

Bento XVI viajará ao Chipre no próximo ano

O papa Bento XVI anunciou hoje que viajará ao Chipre no próximo ano para entregar aos bispos do Oriente Médio o documento de preparação do Sínodo especial que convocou para essa região. O anúncio foi feito durante a reza do Ângelus, na praça de São Pedro do Vaticano, após oficiar na basílica a missa solene com a qual encerrou o 2º Sínodo de Bispos para a África.

“Desejo lembrar que, para o próximo ano, está prevista uma assembleia especial para o Oriente Médio do Sínodo de Bispos.

Durante minha visita ao Chipre, terei o prazer de entregar o “Instrumentum laboris” (documento de preparação)”, afirmou, diante de milhares de fiéis reunidos na praça vaticana.

O papa foi convidado a visitar o país pelo presidente cipriota, Demetris Christofias, e pela Igreja local, durante uma visita ao Vaticano do político cipriota, em março.

No entanto, não se sabe a data exata da viagem. Segundo a “Rádio Vaticano”, a visita pode acontecer no início de junho de 2010.

Ruídos

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Vivemos em uma civilização profundamente marcada pelo ruído. Há um vozerio por toda parte. A técnica moderna, com extraordinária rapidez, cria instrumentos que enchem os ouvidos e também os olhos com tudo o que ocorre aqui e no mais distante recôndito do mundo. Cada vez mais se torna difícil o silêncio interior e exterior. No entanto, ele é importante para nossa saúde física, mental e, especialmente, espiritual.

Muitos sentem a necessidade de superar essa escravizante estrutura de nossa sociedade moderna. Buscam um ambiente de calma para unir-se a Deus ou mesmo para refletir sobre sua vida e os problemas cotidianos. Na parte religiosa, a Igreja deve preservar nos templos, de modo permanente, um clima de tranquilidade. São oásis mais valiosos hoje, quando a movimentação nas ruas e até nos lares é massificante. Durante o culto, os cânticos, leituras e aclamações, indispensáveis para fortificar uma convivência realmente comunitária, não excluem os momentos de meditação. Em um e outro caso, a Casa de Deus deve oferecer ao coração agitado a oportunidade de usufruir um intenso contato com o divino. Sem recolhimentos, frequentes e profundos, é impensável a sobrevivência e o progresso de uma vida cristã coerente e dinâmica, num mundo que frequentemente repele a mensagem decorrente do Evangelho.
Santo Ambrósio, ao tratar desse assunto, em sua época (século IV) que poderíamos chamá-la de absolutamente silenciosa em comparação com os nossos dias, chega a afirmar: “O diabo busca o barulho, Cristo, o silêncio”. Assim, que dizer hoje do ruído nas cerimônias litúrgicas? Certamente, os elevados decibéis são um aferidor dos obstáculos do encontro do homem consigo mesmo e Deus. Recordo os falsos profetas que gritavam sem serem ouvidos e que Elias ironicamente estimulava: “Gritai com mais força (…) ele é deus, (…) mas certamente estará dormindo (…)” (1 Rs 18, 27).
Do extremo de um imobilismo, fruto do individualismo passa-se para o outro igualmente condenável. Neste, a estridência dos sons de instrumentos que enervam não eleva a Deus o coração do fiel. E os promotores muitas vezes não são advertidos, pois se apresentam com o falso salvo-conduto de observantes das orientações conciliares. Não me refiro à missa para jovens, mas simplesmente ao bom-senso. Evidentemente, um auditório composto de pessoas em idade juvenil terá um comportamento diverso do de outras faixas etárias. No entanto, mesmo assim, há limites.
Em nossos dias, urge relembrar a importância de um ambiente que favoreça o contato com o divino nas cerimônias religiosas e lugares sagrados, não como fim, mas como meio válido de fecundo encontro com Deus ou manifestação de respeito à casa do Senhor.
O Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia (nº 30), ao tratar das normas que derivam da natureza hierárquica e comunitária da liturgia, conclui: “A seu tempo, seja guardado o sagrado silêncio”.
A justa ênfase na prática da renovação conciliar facilmente levou a exageros na comunicação entre os fiéis, quer nos atos oficiais, quer em outros momentos na igreja. E isso, às custas do ambiente convidativo à prece, inclusive pessoal, que deve reinar nos lugares santos, mesmo quando não há celebrações. Nos documentos posteriores ao Concílio, verificamos uma revalorização do silêncio, ao menos em certas circunstâncias, como indica a Instrução Geral do Missal Romano (3 de abril de 1969): “Oportunamente, como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado” (nº 45).
A Escritura nos proporciona poderosa argumentação em favor de um grande esforço para restabelecer, em nossas igrejas, um clima de paz, em suma, de oração. Podemos constatar o significativo encontro de Elias com o Senhor, no Monte Horeb: “este não se encontrava no vento, nem no terremoto, nem no fogo e sim no ‘murmúrio de uma brisa’” (1 Rs 19, 9-15). E também quando o profeta Sofonias conclamava o povo: “Silêncio diante do Senhor!” (Sf 1, 7).
Na bela obra de Romano Guardini sobre a Missa, o capítulo I tem por título: “O silêncio”. Explica a razão de iniciar o livro com esse assunto: “Este livro trata da liturgia. Ora, se me perguntassem onde começa a vida litúrgica, eu responderia: com o aprendizado do silêncio. Sem ele, nada se obtém de válido (…). É a primeira condição para uma ação sagrada” (“La messe”, cap. I, pág. 20).
O recolhimento nas igrejas, dentro e fora do culto, só poderá existir se for fielmente observado por todos. Facilmente se deduz como é nocivo ter em torno de si pessoas que falam ou se movimentam ruidosamente. O templo é de todos e ninguém possui o direito de prejudicar o próximo.
Na observância do que é permitido e até normal, pode estar inserido algo que sirva de obstáculo à prece e união com o divino. Cito como exemplo a maior ou menor intensidade dos tons de certos instrumentos e a preservação do momento da saudação da paz, antes da Comunhão. Às vezes, ao desejá-la, nós o fazemos como se estivéssemos na via pública.
Temos necessidade de maior contato com o Altíssimo. Decorre daí a utilidade do exercício do silêncio, de modo particular em nossas igrejas. Nessa oportunidade nós homenageamos o Senhor, afastando interior e exteriormente a agitação do mundo. E as manifestações da comunidade devem ser fecundadas por uma atitude que favoreça o íntimo contato com Deus.
Dom Eugenio de Araújo Sales
 23-10-09