Anunciar o que vem do céu

Não é, portanto, nada de admirar se ainda hoje nalguns lugares se odeia o nome cristão; se, de diversos modos e com diversos métodos, é a Igreja em muitas regiões impedida de cumprir a missão divina que recebeu; e se, finalmente, não poucos católicos se deixam enganar com falsas doutrinas e se põem em grave perigo de perder a eterna salvação. Dê a todos nós força e ânimo a promessa do divino Redentor: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos”.(Mt 28,20.) Do céu nos alcance força S. Bonifácio, que, para levar o reino de Cristo a povos hostis, não recusou trabalhos aturados, ásperos caminhos e até a própria morte, que afrontou com fortaleza e confiança, derramando o próprio sangue. Com a sua intercessão obtenha ele de Deus invicta fortaleza de ânimo àqueles, sobretudo, que se encontram hoje em situação angustiosa por causa das maquinações dos inimigos de Deus; e chame também ele todos naquela unidade da Igreja, que foi não só constante norma o proceder, mas também anseio ardente que o fez perseverar toda a vida em tão diligente atividade. (Papa Pio XII, Carta Encíclica Ecclesiae Fastos, 39).

Celebrando a Festa de São Bonifácio, recordei-me desta passagem da Encíclica, acima citada, escrita pelo Servo de Deus Pio XII, para as comemorações do XII centenário da morte de São Bonifácio. Tais palavras são presentes de forma constante no mundo hodierno. Como São Bonifácio, muitos não cansam de dar suas vidas pela causa do Evangelho.

A Igreja tem sido constantemente atacada. Mas, se perguntarmo-nos do porquê a Igreja é alvo de tanta perseguição, não precisaríamos ir muito longe, basta que olhemos as recomendações de São Paulo aos Galátas, tomada com tanto fervor pelo Santo hoje lembrado: “Asseguro-vos, irmãos, que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos. Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo” (Gl 1, 11-12). Aqui está a causa central de toda a perseguição. Recentemente o Papa Bento XVI afirmou: “as perseguições também são prova da autenticidade de nossa missão apostólica.” E isto podemos constatar cada vez mais.

Ela deriva do fato que a Igreja prega aquilo que lhe foi ordenado por Cristo e transmitido pelos apóstolos. E eis que o Evangelho de Jesus, seus ensinamentos, contradizem todas as perspectivas de um mundo que é laicista, com ideologias marxistas e comunistas, anti-vida e anti-família. E não pode a Igreja buscar agradar ao mundo. Seu único prazer deve estar em Cristo Jesus. Por isso, se às vezes a Igreja é tida com retrógrada ou conservadora é porque não cede, e nunca irá ceder, às idéias que brotam das mentes humanas, pretendendo que se abandone aquilo que é seguramente divino.

“Se nós mesmo ou um anjo do céu vier e lhe anunciar um outro evangelho diferente do que temos pregado, que seja considerado maldito” (Gálatas 1, 9). Infelizmente têm surgido muitos “evangelhos”, mas não há um verdadeiro, senão o da única Igreja, subsistente em Nosso Senhor Jesus Cristo e que conduz todos os que nela permanecem à salvação.

Paulo designa a Igreja como “coluna e sustentáculo da verdade” (1Tim 3,15), ou seja: A Igreja sustenta a Verdade, que é Cristo Jesus e o que Ele lhe transmitiu. Por isso aqueles que se desviam da verdadeira doutrina atiram-se no poço da perdição e do erro. Ela é corpo místico de Cristo, Cabeça. Os que nela permanecem estão em Cristo, são guiados por Ele.

O que São Bonifácio viveu, dando testemunho até o martírio, é reflexo do que muitos cristãos vivem hoje. Perseguições e injúrias. Sabemos que Jesus não prometeu vida fácil a nenhum de seus seguidores; pelo contrário, ele foi firme ao afirmar: “Se alguém quiser seguirMe, tome a sua cruz e siga-Me” (Lc 9, 23). E tome a cruz justamente porque ela significa sofrimento, renúncia. O cristão que não é capaz de renunciar também não é capaz de dar testemunho do Evangelho. Somos chamados a viver a radicalidade do Evangelho, no seu todo. Não vivo o Evangelho pela metade, porque quem vive pela metade não é digno de ser chamado cristão. Só pode ser cristão quem assume uma vida firmada nos conceitos evangélicos, quem é capaz de, como São Bonifácio, doar sua vida em prol do Reino de Deus.

Mesmo sendo Bispo, Bonifácio, viveu a humildade, foi martirizado. Creio que está na hora de muitos Bispos olharem para a figura de São Bonifácio e nele verem o modelo ideal para suas vidas: Humildade e Obediência. Obediência a Cristo e ao Papa.

São Bonifácio, rogai por nós!

Fraternalmente em Cristo Jesus e Maria Santíssima!

São José, Patrono da Igreja

Fonte: Blog do Professor Felipe Aquino

 

O Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1870, declarou o glorioso São José, Padroeiro da Igreja Católica.  Este mesmo Papa, em 08/12/1854, já tinha proclamado solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.
Através de Decreto da Congregação dos Sagrados Ritos, o Papa atendeu à solicitação do episcopado do mundo todo, que estava então reunido no Concílio Vaticano I ( 08/12/1869 a 20/10/1870), os quais rogaram ao Santo Padre que se dignasse constituir São José Padroeiro da Igreja Católica.
Assim se expressou a Sagrada Congregação dos Ritos:
“Assim como Deus constituira o antigo José, filho do antigo patriarca Jacó, para presidir em toda a terra do Egito, a fim de conservar o trigo para os povos; assim, chegada a plenitude dos tempos, estando para enviar à terra o seu Unigênito Filho para redenção  do mundo, escolheu outro José, de quem o primeiro era figura; constituiu-o Senhor e Príncipe de sua casa e de sua possessão, e elegeu-o custódio de seus principais tesouros.
José teve, de fato, por esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual por virtude do Espírito Santo, nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo, que, junto aos homens,  se dignou  ser julgado filho  de José, e lhe foi submisso. E José, não só viu Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver, mas conversou com Ele, estreitou-O  ao peito  com  paternal  afeto, beijou-O; e, além disso, com extremoso cuidado, alimentou Aquele que devia ser nutrição espiritual e alimento de vida eterna para o povo fiel.
Por esta excelsa dignidade, concedida por Deus a seu fidelíssimo Servo, a Igreja, após a Virgem Santíssima, sua Esposa, teve sempre em  grande honra e cumulou de louvores o  Beatíssimo  José, e  nas  angústias lhe implorou a intercessão.  Ora, estando a Igreja, nestes tristíssimos tempos,  perseguida em toda parte por inimigos e opressa por tão  graves calamidades, a ponto de julgarem os ímpios que as portas do abismo prevaleceram contra Ela, os Bispos de todo o mundo católico, em seu nome e no dos fiéis confiados a seus cuidados, rogaram ao Sumo Pontífice que se dignasse constituir São José Padroeiro da Igreja Católica.
Tendo pois eles, no Sagrado Concílio Ecumênico Vaticano I, renovado com maior insistência os mesmos pedidos e desejos, o Santo Padre Pio IX, comovido com a presente e lutuosa condição dos tempos, querendo de modo especial  colocar-se  a  si mesmo e aos fiéis sob o poderosíssimo  Patrocínio  do Santo Patriarca José e satisfazer os desejos dos Bispos, declarou-o solenemente Padroeiro da Igreja Católica.
Elevou a sua festa, que caí a 19  de  março  a rito duplo de primeira classe. E, além disso ordenou que esta declaração, feita com o presente decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, fosse publicado no dia consagrado à Imaculada Virgem Mãe de Deus, Esposa do castíssimo José”.
Eram, como sempre, tempos difíceis para a Igreja. O Papa convocara o Concílio Vaticano I para enfrentar o brado da Revolução Francesa (1789) contra a fé, no endeusamento da razão e do nacionalismo. O século XIX começou marcado pelo materialismo racionalista e pelo ateísmo, fora da Igreja; dentro dela as tendências conciliaristas e de separatismo, que enfraqueciam a autoridade do Papa e a  unidade da Igreja. Mais uma vez a Barca de Pedro era ameaçada pelas ondas do século. Então a Igreja recomendou-se ao “Pai” terreno do Senhor. Aquele que cuidara tão bem da Cabeça da Igreja, ainda Menino, cuidaria também de todo o seu Corpo Místico.
Trinta anos depois, o Papa Leão XIII, no dia 15/8/1899, assinava a Encíclica “Quanquam Pluries” sobre São José, nos tempos difíceis da virada do século.
Ouçamos o Papa:
“Nos tempos calamitosos, especialmente quando o poder das trevas parece tudo usar em prejuízo da cristandade, a Igreja costuma  sempre invocar súplice a Deus, autor e vingador seu, com maior fervor e perseverança, interpondo também a mediação do Santo, em cujo patrocínio mais confia  para encontrar socorro, entre os quais se acha em primeiro lugar a Augusta Virgem Mãe de Deus”.
“Ora, bem sabeis Veneráveis Irmãos que os tempos presentes  não  são menos  desastrosos  do  que  tantos  outros, e tristíssimos,  atravessados  pela  cristandade.  De  fato,  vemos perecer em muitos o princípio de todas as virtudes cristãs, de fé, extinguir-se a caridade, depravar-se nas idéias e costumes a nova geração, perfeitamente hostilizar-se por toda a parte a Igreja  de  Jesus Cristo,  atacar-se  atrozmente o Pontificado, e com audácia cada vez mais imprudente arrancarem – se os próprios fundamentos da religião”.
“Nós propomos… para tornar Deus mais favorável às nossas preces  e  para  que  Ele, recebendo as súplicas de mais intercessores, dê mais pronto e amplo socorro à sua Igreja, julgamos sumamente conveniente que o povo cristão se habitue a invocar com singular devoção e confiança, juntamente com a Virgem Mãe de Deus, o seu castíssimo esposo São José: temos motivos particulares para crer que seja isto aceito e agradável à própria Virgem. E, a respeito desse  assunto,  do  qual pela primeira vez tratamos em  público, bem conhecemos  que  a  piedade  do povo cristão não    é  favorável,  mas  tem  progredido  também por iniciativa  própria; pois  vemos já gradativamente promovido e estendido o culto de São José por zelo dos Romanos Pontífices, nas  épocas  anteriores, universalmente aumentado e com indubitável incremento nestes últimos tempos, em especial  depois  que Pio IX, nosso antecessor de feliz memória, declarou às súplicas de muitos bispos, Padroeiro da Igreja Católica o Santíssimo Patriarca. Não obstante, por ser muito necessário  que  seu  culto  lance  raízes nas instituições católicas  e nos costumes, queremos que o povo cristão receba, antes  de tudo, de  nossa voz e autoridade novo estímulo”.
Vemos assim que, nas horas mais difíceis de sua caminhada a Igreja sempre recorre à Sua Mãe Santíssima, que nunca a desamparou; e, em seguida ao seu esposo castíssimo São José.
E Leão XIII explica as razões da grandeza de São José por “ser ele esposo de Maria e pai adotivo de Jesus”.
ORAÇÃO  A  SÃO  JOSÉ
“Ó glorioso São José, digno de ser amado, invocado e venerado com especialidade entre todos os santos, pelo primor de vossas virtudes, eminência de vossa glória e poder de vossa intercessão, perante a Santíssima Trindade, perante Jesus Vosso Filho adotivo, e perante Maria, Vossa Santíssima Esposa, minha Mãe terníssima, tomo-vos hoje por meu advogado junto de ambos, por meu protetor e pai, proponho firmemente nunca esquecer-me de Vós, honrar-Vos todos os dias que Deus me conceder e, fazer quanto em mim estiver para  inspirar  vossa  devoção  aos  que estão sob o meu encargo. Dignai-vos vo-lo peço ó pai do meu coração, conceder-me a vossa especial proteção e admitir-me entre os vossos mais  fervorosos  servos.  Em  todas  as  minhas ações assisti-me, junto de Jesus e Maria favorecei-me, e na hora da morte não me falteis, por piedade.  Amém”.
Glorioso São José, rogai por nós!