Ideologia de gênero: A criatura confabulando contra o Criador

Caros irmãos,

Saudação e paz no Senhor!

  1. Posicionamento dos católicos

Sobre a ideologia de gênero muito terá a se falar durante o percurso da história e dos aspectos biológicos. Mas confesso estar assustado com a reação de determinados grupos “católicos” com relação aos posicionamentos dos Bispos e da Igreja mediante tais questões.

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O Cristo sem Cruz, o Cristo voador, o Cristo sem Cruz nas Igrejas “nova moda”.

Pe. Juvan Celestino da Silva

Devemos de antemão nos lembrar que o Mistério de Cristo é inseparável do mistério da Cruz. Após Pedro responder que Jesus é o Messias (Mc 8,29); e para este título não se limitar a um triunfalismo imediato e próprio, Jesus acrescenta:

“O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas, ser morte e depois de três dias ressuscitar” (Mc 8,320)

Um mundo sem Cruz sem o sinal da Cruz Salvadora de Jesus cairá facilmente numa idéia distorcida do cristianismo. Tornar –se – á em um cristianismo hedonista, e o Cristo tornar-se-á em um Cristo do prazer, um Cristo fashion.

Quanto a este perigo o Apóstolo Paulo dá uma dura nos cristãos da comunidade de gálatas:

“Ó Gálatas insensatos, quem vos fascinou, a vós ante olhos foi desenhada a imagem de Jesus Cristo crucificado?… sois tão insensatos que, tendo começado pelo espírito, agora acabais na carne?” (Gl 3,1-3)

Substituindo em nossas Igrejas a imagem do Crucificado por um Cristo triunfante, glorioso e sem a Cruz, corremos o risco de cairmos em uma heresia disfarçada que se nega a humanidade do Verbo Encarnado. Uma Igreja sem Cruz é uma Igreja herética, uma Igreja “protestantizada”. Devemos reconhecer com pesar que vivemos uma verdadeira crise na teologia da Cruz.

Já imaginaram celebrarmos uma Semana Santa sem Cruz? O que faremos na sexta-feira santa? O que apresentaremos ao povo do Cordeiro Imolado?

Pois na sexta-feira santa temos a adoração da Cruz, sim, por mais que nos soe estranho a Igreja diz: “A Adoração da santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Cf.: Missal Romano)

Portanto, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo “é a única Cruz digna de adoração…” 

Na verdade esta imagem, até deve ser apresentada no Domingo da Ressurreição, mas não serve para está no lugar do Cordeiro Imolado. São duas as experiência pelas quais Jesus passa: morte de Cruz e a ressurreição. Uma não existe sem a outra. 

“Cristo voador” é um Cristo suspenso no ar, sem cruz sem razão de ser. Na verdade por mais que queiram representar o Cristo ressuscitado, a imagem foge totalmente da verdadeira experiência do cristão. Pois sem a Cruz na há salvação e como diz a carta aos hebreus:

“Segundo a Lei, quase todas as coisas se purificam com sangue; e sem efusão de sangue não há remissão” (Hb 9,22) 

“Cristo voador” que estão pendurando no presbitério em algumas Igrejas é um Cristo lavado e sem sangue, um Cristo enxuto, uma imagem sem graça, sem gosto, ou melhor, de mau gosto, porque está no lugar errado e na hora errada. Pois sabemos que a Igreja militante, é a Igreja da Cruz, do combate… da luta. A Igreja gloriosa nos espera para além deste mundo.

Além do mais, a Cruz não é o lugar do Cristo glorioso, a experiência gloriosa da ressurreição se deu no sepulcro, e o Cristo glorioso é o Cristo da ascensão, a Cruz é o lugar do martírio, e por sinal um lugar desconfortante, é um “caminho contra a corrente” do mundo.

Embora saibamos pela fé, que a ressurreição aconteceu, ninguém a testemunhou, só o santo sudário guardou o momento exato da ressurreição do Senhor, a experiência cristã é a da aparição do ressuscitado, que fora crucificado. Então pintar um Cristo voador e querer compará-lo ao Cristo ressuscitado é no mínino fantasioso, para não dizer folclórico. Embora alguns querem associá-lo à ascensão.

Este Cristo voador que estão colocando em algumas Igrejas é algo ridículo, um passo a mais para se eliminar o símbolo da Cruz das Nossas Igrejas e das nossas vidas, pois das escolas e ambiente públicos aos poucos já estão tirando. O modismo do Cristo voador é um perigo para a fé.

A Igreja não deve esconder o crucificado, sem incorrer na acusação de sentir vergonha da Cruz do Senhor, e quem tem vergonha da Cruz de Cristo se torna seu inimigo.

“Pois há muitos dos quais muitas vezes vos disse e agora repito, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3,18) 

São Paulo afirma que sem ressurreição “a nossa fé seria vã”, porém, sem a Cruz ela nem existiria. Pois sem a Cruz não haveria nem salvação nem a aurora da ressurreição. O anúncio de uma ressurreição que não passasse pela Cruz seria vazio. O túmulo está vazio, porque antes alguém esteve lá dentro. Sem a Cruz o Senhor não teria vencido a morte, o inferno, o mundo, o pecado e o medo. Portanto, “o Gólgota é a passagem obrigatória rumo à Ressurreição”.


Satanás e o PLC 122/06: Ele quer assinar!

Estamos às portas da votação do Projeto de Lei da Câmara 122/2006 que “criminaliza a homofobia”. Este projeto, repudiado pela maioria do povo brasileiro, é um retrocesso na constitucionalização do País, a insistência na votação e aprovação do mesmo, constitui um grave desrespeito ao povo, que já o repudiara de forma veemente. Outrora fora o Brasil edificado com a ajuda da Igreja esta ainda tem grande colaboração na vida do povo, desde o primeiro instante quando os portugueses aqui chegaram e celebraram a primeira Missa. O Brasil tem como berço a Cruz de Nosso Senhor, é um país eminentemente católico e cristão, e isto ninguém poderá erradicar, nem mesmo as forças de Satanás que tentam investir de forma desordenada contra ele. Este projeto, apoiado pela senadora Marta Suplicy, visa atacar a liberdade de expressão pela qual tanto se lutou.

Agora fico a pensar: do que adiantaram as lutas contra a ditadura militar se hoje esta senhora, junto com todos os seus comparsas, tentam mais uma vez destruir esta liberdade? Onde está a democracia e onde estão os tão propagados direitos se querem proibir de que se denuncie que a prática homossexual é pecado? É pecado e pecado mesmo. Pronto! Quem é a senhora Marta e seus companheiros para quererem proibir isso se as Sagradas Escrituras mesmo ordenam que não nos omitamos diante da verdade? Foi por essa verdade que os apóstolos e mártires entregaram sua vida e vocês querem silenciar tudo o que foi edificado em dois mil anos? São Paulo dirá: “prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir” (II Tm 4, 2).

A Santa Mãe Igreja durante dois mil e onze anos vem anunciando o Evangelho de Jesus Cristo a todos os povos. Acolhe a todos e não renega a nenhum dos filhos que a ela vierem necessitando de sua ajuda. Também os homossexuais, filhos de Deus por graça em Cristo Jesus, como nós também o somos, são chamados a viverem em plena comunhão com a Igreja desde que vivam o que é pedido pelas Sagras Escrituras e pelo Sagrado Magistério. Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica:

§2358 Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.

§2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Assim, ninguém é excluído do convite ao Reino de Deus, no entanto cabe a cada um, com o livro arbítrio que tem, escolher por ele ou pela perdição. A Igreja ama os homossexuais e não os trata como animais irracionais ou produtos de consumo, como fazem as mídias e o sistema político, cuja única finalidade é satisfação sexual e realização neste mundo. A Igreja vai além e olha para cada um deles como filhos e filhas de Deus, onde também há um sinal da manifestação da beleza divina e onde pode ser exercida uma vida de santidade. Quem tenta justificar os modismos de hoje como uma vontade de liberdade – ou deveria dizer de libertinagem – deve ouvir atentamente os conselhos de São Paulo e temer o dia do Santo Juízo: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus” (I Cor 6, 9-10).

Temei, caríssimos, esta advertência de São Paulo! Temam o fogo do inferno! Não irei enganar-vos como fazem tantos, mas faço aquilo que a Igreja nunca pode parar de fazer, como exorta-nos o Bem-aventurado Papa Pio IX, pregar sobre o inferno. Nossa Senhora em sua aparição em Fátima pede aos pastorinhos que anunciem ao mundo a necessidade de se pregar contra o inferno. Temamos todos!

Por isso a Igreja convida-nos a sempre trilharmos os caminhos da Palavra de Deus. Abandonem a vida de promiscuidade e vejam que o maior tesouro que vos é reservado é a eterna convivência com Deus.  Revestidos com “o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus” (Ef. 6, 17), possamos lutar por uma sociedade justa, onde a liberdade de expressão seja dada a todos e onde todos possam ter espaço para tecer suas críticas ou expressar suas convicções religiosas, culturais e sociais. Convidar os homossexuais para a vivência da castidade não pode porque é descriminação, mas criticar a Igreja e ofender os santos católicos com tão grande desrespeito como vimos na Parada Gay deste ano é denominado liberdade. Ora, que liberdade é esta que reprime a manifestação religiosa e o anúncio da verdade? Liberdade, deveriam saber os políticos, é também o direito que o povo tem de votar e escolher candidatos que possam lutar pelo que o povo quer e não pelo que é forçado a querer para priorizar grupos particulares ou pessoas.

Rezemos para que no dia de Nossa Senhora da Conceição a Virgem Santíssima esmague a cabeça de Satanás, que quer imperar neste País mas que nunca conseguirá, e possam ecoar as palavras do Bem-aventurado Apóstolo: “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa (II Tes. 2, 15).

Esqueci de recordar isso: Dois homossexuais nunca poderão ser um casal e nem a Lei poderá mudar isso! Se vocês não estão satisfeitos perguntem a Deus o por quê.

Agradeço a Deus por termos cristãos de grande influência, ainda que não sejam católicos, que se manifestem contra isso publicamente, por exemplo o Pastor Silas Malafaia e os políticos evangélicos que tem feito grandes denúncias, mas também agradeço aos líderes católicos renomados (que podem serem contados a dedo) Padres e Bispos, que têm lutado contra esta absurdidade, como Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, Padre Paulo Ricardo e outros que não conheço. Abaixo segue o vídeo do Padre Paulo na sua aula de ontem sobre o PLC 122.

Satanás quer destruir a Igreja com projetos do inferno, a Igreja calará Satanás com a Cruz de Cristo!

Uma reabilitação de Martinho Lutero?

Tendo em vista que precisava reforçar alguns pontos no artigo, torno a publicá-lo novamente, sem medo algum ou receio. O fato do artigo ter saído do ar uns dias para muitos pode ter parecido que quis retirar aquilo que disse. Jamais! Tenho comigo as palavras de Santo Agostinho que dizia: “Prefiro errar com a Igreja a acertar sozinho”.

***

A 21ª Viagem Apostólica de Sua Santidade Bento XVI é à Alemanha (a terceira neste país). Este é um momento propício para a renovação da fé daquele povo, que tanto necessita de uma palavra de consolo e de um gesto de apoio e carinho do Papa naquela sociedade secularizada. As maiores confissões religiosas nesse país são o Luteranismo e o Catolicismo, respectivamente, com 32,9% e 32,3% de fiéis. 67% (54.765.265) da população é cristã.

Em um dos atos públicos da sua viagem ressalta-se o encontro inter-religioso com os membros da confissão luterana e com os representantes das igrejas evangélicas na Alemanha. Esse grande passo dado pelo Santo Padre, neste âmbito, foi criticado por alguns católicos que disseram que  ele teria reabilitado Lutero; e ouve gente que até mesmo fez chacota afirmando: “São Lutero, rogai por nós!”. Essa mesma conversa já havia saído em 2008.

O grande problema não é o encontro que o Sumo Pontífice, felizmente reinante, promoveu, mas a má interpretação dele, sobretudo por alguns membros da Igreja e pela mídia. E o que dizer, quando até mesmo nos Seminários vemos pessoas que se opõem às decisões do Papa? São estes os sacerdotes que colocamos para o povo de Deus? E como depois queremos cobrar do povo aquilo que nós não oferecemos a eles?

Com este artigo não quero criar inimizade com os tradicionais, a quem muito admiro (e inclusive sou tradicional!), ou com os sedevacantistas, ou protestantes. Apenas desejo demonstrar de forma clara que as afirmações do Sumo Pontífice não reabilitam a Lutero.

Vamos, porém, ao que disse o Santo Padre:

«Como posso ter um Deus misericordioso?» O facto que esta pergunta tenha sido a força motriz de todo o seu caminho, não cessa de maravilhar o meu coração. Com efeito, hoje quem se preocupa ainda com isto, mesmo entre os cristãos? Que significa a questão de Deus na nossa vida, no nosso anúncio? Hoje a maioria das pessoas, mesmo cristãs, dá por suposto que Deus, em última análise, não se interessa dos nossos pecados e das nossas virtudes. Ele bem sabe que todos nós não passamos de carne. Se se acredita ainda num além e num juízo de Deus, praticamente quase todos pressupõem que Deus terá de ser generoso e, no fim de contas, na sua misericórdia ignorar as nossas pequenas faltas. A questão já não nos preocupa. Mas, verdadeiramente são assim pequenas as nossas faltas? Porventura não está o mundo a ser devastado pela corrupção dos grandes, mas também dos pequenos, que pensam apenas na própria vantagem? Porventura não é ele devastado por causa do poder da droga, que vive, por um lado, da ambição de vida e de dinheiro e, por outro, da avidez de prazer das pessoas que a ela se abandonam? Não está ele porventura ameaçado por uma crescente predisposição à violência que não raro se dissimula sob a aparência de religiosidade? Poderiam a fome e a pobreza devastar assim regiões inteiras do mundo, se estivesse mais vivo em nós o amor de Deus e, derivado dele, o amor ao próximo, às criaturas de Deus que são os homens? E poderiam continuar as perguntas nesta linha. Não, o mal não é uma ridicularia. Mas não seria forte, se verdadeiramente colocássemos Deus no centro da nossa vida. Esta pergunta que desinquietava Lutero – Qual é a posição de Deus a meu respeito, como apareço a seus olhos? – deve tornar-se de novo, certamente numa forma diversa, também a nossa pergunta, não acadêmica mas concreta. Penso que este constitui o primeiro apelo que deveremos escutar no encontro com Martinho Lutero” (Discurso aos representantes do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha).

Belíssimas palavras do nosso Papa! Quanta sabedoria! Quanta prudência! E neste texto quem seguramente poderá me afirmar que o Papa teria reabilitado Lutero? A única coisa que ele cita como esplêndido na vida do subversor é a pergunta que norteou toda a sua vida. E esta pergunta mesma foi colocada à margem da vida cristã. Elogiar uma pessoa por uma característica, não é elogiá-la pelo todo.

O que norteia-nos hoje? A mídia secularizada, nossos desejos, o excesso, do qual o filósofo Aristóteles bem falara, a relativização, a cultura de morte… Pecamos à vontade porque achamos que Deus perdoará todos os nossos pecados no dia do Juízo Final. Vivemos em constante estado de tibieza, fraquejamos na fé, apegamo-nos ao mundo e depois achamo-nos no direito de apontar os pecados dos outros. Quanta falta de fé! Anunciar a verdade do Evangelho, que é o próprio Cristo, significa transmitir puramente a Santa Doutrina, mas apenas transmitir e não julgar. ‎ “O dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios” (Papa Bento XVI, Homilia na Vigília com os jovens na Alemanha). Denunciar é uma coisa, julgar é outra bem diferente, e esta compete somente a Deus.

O Santo Padre, em seguida, formula várias perguntas, demonstrando se não seriam nossa culpa tantas desgraças que afligem a humanidade. Sabemos que Lutero era um apóstata, um libertino vulgar que se dizia “reformador” do Cristianismo e da Cristandade. Pode ele não ter querido (o que acho impossível!) a princípio ser este “reformador” e causar esta “desunião”, mas é sabido que ele, apesar de não ter querido, deu total continuidade a este desgraçado acontecimento. E o que aconteceu? A Igreja mudou? O Papado acabou? Não! Lutero morreu! A Igreja não acabou nem acabará!

“O pensamento de Lutero, a sua espiritualidade inteira era totalmente cristocêntrica. Para Lutero, o critério hermenêutico decisivo na interpretação da Sagrada Escritura era «aquilo que promove Cristo». Mas isto pressupõe que Cristo seja o centro da nossa espiritualidade e que o amor por Ele, o viver juntamente com Ele, oriente a nossa vida” (Discurso aos representantes do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha).

Querendo ou não sabemos que a Teologia de Lutero era sim, de certa forma, Cristocêntrica, apesar de não ser Eclesiológica. O centro de todos os seus escritos foi Cristo, foram as Escrituras, independente do que viria a fazer e falar deles depois. E todos os teólogos com quem conversei foram unânimes em afirmá-lo. Agora, se existe alguém que pressupõe saber mais do que os teólogos, e do que o próprio Papa (a quem comparo com um Doutor da Igreja), então não venha disseminar suas ideologias aqui. Ademais, o fato de que os protestantes não estejam unidos ao Corpo eclesiológico não significa que não possam estarem unidos a sua alma. Poderíamos condenar todos os não-católicos ao inferno? E aqueles que tem reta intenção? E aqueles que vivem o Evangelho melhor do que nós? E os que, mesmo não sendo cristãos, procuram viver uma vida reta e sem hipocrisia? Como o próprio Papa dissera:

“«Os publicanos e as mulheres de má vida vão antes de vós para o Reino de Deus. João Baptista veio ao vosso encontro pelo caminho que leva à justiça, e não lhe destes crédito, mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram nele. E vós, que bem o vistes, nem depois vos arrependestes, acreditando nele» (Mt 21, 31-32). Traduzida em linguagem de hoje, a frase poderia soar mais ou menos assim: agnósticos que, por causa da questão de Deus, não encontram paz e pessoas que sofrem por causa dos seus pecados e sentem desejo dum coração puro estão mais perto do Reino de Deus de quanto o estejam os fiéis rotineiros, que na Igreja já só conseguem ver o aparato sem que o seu coração seja tocado por isto: pela fé.

Assim, a palavra deve fazer-nos refletir seriamente; antes, deve abalar a todos nós. Isto, porém, não significa de modo algum que todos quantos vivem na Igreja e trabalham para ela se devam considerar distantes de Jesus e do Reino de Deus. Absolutamente, não!” (Homilia do Papa na santa Missa em Friburgo)

Sabemos que, pelas suas obras neste mundo, o seu destino ultimo pode não ter sido dos melhores. “Na hierarquia dos anjos rebeldes, ainda que cause pesar aos seus amigos, Lutero ocupa o grau mais baixo, mais próximo do lodo e do pântano” (Th. Mainage: Témoignages dês apostats. Paris 1916, p. 76). Por outro lado: se Cristo perdoou os maiores pecadores, aqueles que mereceriam as chamas eternas, que são os seus assassinos, como poderíamos afirmar que não perdoara também a Lutero? Então me direis: Mais aqueles não conheciam a Cristo, enquanto Lutero o conhecia. Eu responderia: E Cristo faz diferença em sua misericórdia? Acaso todos não são iguais ante seus olhos? Quem somos nós para restringir a misericórdia de Cristo? Quem somos nós para limitá-la e dizer quem deve ou não ser salvo? Não seremos nós, antes, condenados pela nossa falta de caridade? O Sagrado Concílio Vaticano II dirá:

São plenamente incorporados à sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e os meios de salvação nela instituídos, e que, pelos laços da profissão da fé, dós sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, se unem, na sua estrutura visível, com Cristo, que a governa por meio do Sumo Pontífice e dos Bispos. Não se salva, porém, embora incorporado à Igreja, quem não persevera na caridade: permanecendo na Igreja pelo «corpo», não está nela com o coração. Lembrem-se, porém, todos os filhos da Igreja que a sua sublime condição não é devida aos méritos pessoais, mas sim à especial graça de Cristo; se a ela não corresponderem com os pensamentos, palavras e acções, bem longe de se salvarem, serão antes mais severamente julgados (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 14).

O Concílio ainda afirma:

A Igreja vê-se ainda unida, por muitos títulos, com os batizados que têm o nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro. Muitos há, com efeito, que têm e prezam a Sagrada Escritura como norma de fé e de vida, manifestam sincero zelo religioso, creem de coração em Deus Pai omnipotente e em Cristo, Filho de Deus Salvador, são marcados pelo Batismo que os une a Cristo e reconhecem e recebem mesmo outros sacramentos nas suas próprias igrejas ou comunidades eclesiásticas. Muitos de entre eles têm mesmo um episcopado, celebram a sagrada Eucaristia e cultivam a devoção para com a Virgem Mãe de Deus. Acrescenta-se a isto a comunhão de orações e outros bens espirituais; mais ainda, existe uma certa união verdadeira no Espírito Santo, o qual neles actua com os dons e graças do Seu poder santificador, chegando a fortalecer alguns deles até ao martírio. Deste modo, o Espírito suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo e a prática efectiva em vista de que todos, segundo o modo estabelecido por Cristo, se unam pacificamente num só rebanho sob um só pastor. Para alcançar este fim, não deixa nossa mãe a Igreja de orar, esperar e agir, e exorta os seus filhos a que se purifiquem e renovem, para que o sinal de Cristo brilhe mais claramente no seu rosto (Idem, 45).

Na belíssima declaração Dominus Iesus, se diz:

Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares. Por isso, também nestas Igrejas está presente e atua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objetivamente tem e exerce sobre toda a Igreja.

As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão pelo Batismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja. O Batismo, efetivamente, tende por si ao completo desenvolvimento da vida em Cristo, através da íntegra profissão de fé, da Eucaristia e da plena comunhão na Igreja (nº 17).

Agora a questão é: Se alguém não aceita o Sagrado Concílio Vaticano não é a mim que se opõe, mas a Doutrina da Igreja, unida ao Sucessor de São Pedro, o nosso Supremo Pastor Visível.

Lutero era sim hipócrita! Queria condenar a Igreja por “vender” indulgências, mas era assassino, comparável a estes miseráveis abortistas e a estes movimentos claramente contrários a dignidade da vida humana. Antes: era antissemita. Ele próprio escrevera: “A Alemanha deve ficar livre de judeus, aos quais após serem expulsos, devem ser despojados de todo dinheiro e joias, prata e ouro, e que fossem incendiadas suas sinagogas e escolas, suas casas derrubadas e destruídas (…), postos sob um telheiro ou estábulo como os ciganos (…), na miséria e no cativeiro assim que estes vermes venenosos se lamentassem de nós e se queixassem incessantemente a Deus” (Sobre os judeus e suas mentiras de Martinho Lutero).

É nossa a culpa em não matar eles.“, dizia Lutero a respeito dos judeus (Michael, Robert. “Luther, Luther Scholars, and the Jews,” Encounter, 46 (Autumn 1985) No.4:343).

Conhecendo a ideologia desta personagem, que é a prefiguração de Hitler, vocês achariam realmente que o Santo Padre tenderia a reabilitar Lutero? A única coisa que ele não poderia afirmar (como também nenhum de nós) é que Lutero esteja no inferno. Detesto Lutero, mais neste aspecto não poderia calar-me diante da afirmação de alguns, sobretudo da mídia, que, como sempre, tende a contrariar as afirmações do Santo Padre.

Em 2006 Sua Santidade Bento XVI tinha afirmado que: “A fé não é uma marcha triunfal, mas um caminho salpicado de sofrimentos e de amor” (Audiência Geral, 24 de maio de 2006). Quem critica o Papa deveria ter ao menos um pouco de Teologia para saber que a justificação pela fé, para Lutero, tornaria o homem impecável, e, portanto, seria um triunfante caminho em direção do céu. Com este ataque o Papa faz cair por terra a ideia de uma possível reabilitação de Lutero, que, tenho certeza disto, nunca virá a acontecer.

Portanto, tenhamos cautela em nossas colocações. Negar a Misericórdia de Deus é pecado gravíssimo. Rezemos pelos membros da confissão luterana, que tiveram a triste sorte de terem Lutero como fundador, e rezemos pelo nosso Papa. Que o Espírito Santo o ilumine e inspire sempre mais. Que ele continue sendo esta autêntica testemunha da Verdade, modelo para todos os cristãos. E que sempre nos lembremos das promessas de Cristo: “As portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16,16).

Viva o Santo Padre!!

Viva a Santa Igreja Católica!!

São Pedro e São Paulo: modelos de verdadeiro e real apostolado!

Desde as épocas remontas a Igreja celebra neste mesmo dia, 29 de junho, a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Igreja que, por amor a Cristo, fizeram doação de sua própria vida em favor da expansão do Evangelho pelo mundo.

Também constitui o momento de renovarmos a nossa fé na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, e reafirmarmos nossa comunhão ao Santo Padre Bento XVI, cujo dia hoje celebramos, de modo particular nesta Solenidade que comemoramos o seu 60º aniversário de ordenação sacerdotal. Rendamos graças a Deus por sua vida de testemunho e serviço à Igreja e peçamos que, por muitos anos, ocupe a Cátedra de Pedro, com o seu belíssimo exemplo de apostolado e que possa percorrer o mundo anunciando o Evangelho com o espírito de São Paulo.

Hoje a Igreja retorna às suas origens e contempla estas tão excelsas personagens, procurando inserir seus exemplos em nossos dias tão conturbados por ideologias que, apesar de parecerem convincentes, boas e fáceis, se contrapõem ao Evangelho. Perturbados estão os nossos corações como outrora esteve o coração de São Pedro, mas ele não desanimou e, mesmo no cárcere, continuou a render louvor a Deus com toda a Igreja. Uma noite lhe apareceu o anjo do Senhor que lhe disse: “Levanta-te depressa!” (At 12, 7). E o anjo o libertou da cadeia sem que fosse visto pelos guardas. Maravilhosos prodígios realiza o Senhor por nós!. Realiza-o primeiramente em favor de Pedro e depois em favor de toda a Igreja.

A posição de estar em pé é muito significativa, como foi dito por nós em uma das reflexões passadas. Está em pé aquele que está pronto a servir, que é humilde, que caminha. Pedro levantou-se porque sentiu que a sua missão não findava ali, mas ainda deveria continuar, ele deveria ser um sinal luminoso para toda a Igreja que estava sacudida pelas perseguições e violentada pelos vários ventos de doutrinas. Hoje, como fizera o anjo a Pedro, ele quebra as correntes do pecado que aprisionam aos membros da Igreja, e também a estes encoraja para que possam erguer-se. Assim tomamos consciência de que, apesar das debilidades dos homens de hoje, que estão inseridos no Corpo místico de Cristo, a Igreja nunca poderá estar “presa” pelas investidas de Satanás que propõe derrubá-la.

Levante, ó Igreja! Aquilo que anuncias não é utópico, não está restrito a um passado distante. Aquilo que anuncias é o próprio Cristo, Senhor da vida, que impera sobre a morte e sobre todas as investidas malignas. Somos também constituídos de uma liberdade. Esta liberdade, porém, deve ser usada para nos aproximar de Deus e não para nos afastar d’Ele. São Pedro nos diz que a pior doença das almas é a ignorância. Mas que ignorância é esta? Como ela pode ser definida? Esta ignorância é a ausência de Deus da vida do homem, é o não conhecer a Deus. Só aquele que conhece a Deus possui a verdadeira sabedoria, e isto porque só em Deus reside a verdadeira sabedoria. Como dirá a Escritura: “O temor ao Senhor eis a sabedoria. Fugir do mal eis a inteligência” ( 28,28).Quem não O conhece não tem a vida eterna prometida por Jesus e destinada a todos aqueles que nele põem a sua confiança, exceto se esse não conhecer seja dado por uma falta de evangelização que, infelizmente, ainda não chegou a todo o mundo.

E é evidente que há duas formas de conhecer a Cristo: a primeira é a forma “superficial”, vista da multidão. Um olhar passageiro e distante, que é extrínseco e, por isso, incapaz de causar uma transformação no modo de agir de cada um. A segunda forma é mais intensa, é o olhar que modifica o íntimo, o olhar dos discípulos. Puderam compartilhar deste olhar a pecadora arrependida, Zaqueu, o ladrão que na cruz clama por perdão, o centurião que vai a Jesus para pedir por seu filho e o cobrador de impostos Levi, mas também tantos e tantos que foram modificados pelo olhar intrínseco dos que puderam conhecer a Cristo, e conhecer no sentido profundo e verdadeiro da palavra. Aquela pequena minoria é chamada a diferenciar-se de toda a multidão. E é verdadeiramente indiscutível e visível que os cristãos devem voltar às origens, devem apresentar-se ao mundo primeiro por suas ações, pelo testemunho que deve acompanhar a atividade eclesial.

Simão Pedro foi outro que pôde conhecer verdadeiramente a Cristo. E em dois momentos principais podemos ver esta manifestação: Em Cesaréia de Filipe e no mar de Tiberíades. Antes da sua morte Jesus institui Pedro como chefe da Sua Igreja; depois da morte Jesus confia a Pedro o pastoreio das ovelhas e confirma a missão que já lhe fora outorgada, pois só depois de Sua morte Jesus realmente solidifica as bases da sua Igreja, uma vez que fora comprada com o Seu sangue (cf. At 20, 28).

Gostaria de meditar sobre este primeiro momento que hoje nos narra o Evangelho. Pedro aqui é posto por Jesus como sinal de sustento para a Igreja e na frase dirigida a Jesus, após tê-los indagado sobre sua identidade, encontramos todo o lugar onde também está alicerçada a nossa profissão de fé: “Tu es Christus, Filius Dei vivi – Tu és Cristo, Filho de Deus vivo” (Mt 16, 16). E para nós, quem é Jesus Cristo? O que Ele significa para o nosso mundo que vive distante de Deus? O que Pedro professara é o ponto de discórdia para o mundo. Não se quer admitir que Jesus seja o Filho de Deus, e que Ele possa reivindicar para Si a adoração de Deus. Não se admite que Ele seja a salvação e um sinal de esperança para o mundo. Não se admite que Ele seja o ponto de partida e de chegada da humanidade.

A Pedro que iria negá-lo três vezes – e Jesus o sabia – Ele confia o mandato de governar a Igreja, de ser o primeiro Papa. Eis aqui um encontro misericordioso de Jesus com Pedro. Ele olha para Pedro, Pedro conhecia-o e sente este olhar quando se encontram em Tiberíades. “Tu és Pedro”. És Rocha, na qual o Senhor edifica a Sua Igreja, que é toda Santa. Mas quantas vezes desfiguramos a Igreja porque somos maculados pelo pecado?! Quantas vezes não nos submetemos a Deus para submetermo-nos ao mundo, porque parece difícil trilhar os caminhos da santidade? Pedro deixou o medo falar mais alto do que sua fé. Conosco, porém, o exemplo de Pedro e de tantos mártires deve nos precaver dessas tentações. Devemos temer o medo. Devemos manifestar ao mundo que o derramamento do sangue dos mártires não invoca divisão e de guerra, mas amor e uma verdadeira esperança. Ele relembra este sinal de união entre o céu e a terra, do qual Pedro é detentor das chaves.

Outro que experimenta o olhar misericordioso do Senhor é São Paulo. Ainda jovem Paulo via o olhar piedoso dos muitos cristãos que ele perseguiu, agora ele olha piedosamente para Jesus e sabe que tudo o que foi feito nele será consumado. Por isso, consciente do fim de sua missão, Paulo exclama:  “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2 Tm 4, 7). Guarda a fé aquele que antes no-la havia dado ao mundo, e a guarda não por viver de forma egoísta, mas porque vivenciou tudo aquilo que havia propagado, porque o que anunciou ao mundo, os sofrimentos que lista aos cristãos, ele já havia sentido em si.

São Paulo é para a Igreja espelho de sua ação missionária. A Igreja não é uma “porção” do povo que segue a uma ideologia, seja por atração ou por um bem estar, ao contrário: é o reflexo da viva e constante atuação de Cristo no mundo. É sustentada pelo Espírito Santo e a sua essência é a santidade! O apóstolo faz dessa atuação o sentido da sua vida. Na sua conversão ele encontra-se com o olhar misericordioso do Senhor, a partir daí sua vida já não era-lhe característica íntima mas pertencia a todos, sobretudo a Cristo, por isso exclama com tanta convicção: “É Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Esta frase expressa uma doação total nossa a Cristo; um doar-se sem reservas, sem esperar nada em benefício próprio. Ser cristão é amar e saber que muitas vezes seremos perseguidos e maltratados, e ainda assim continuaremos a amar. Isso Paulo fez e isso ele ensina-nos a fazermos.

Queremos rezar agora. Senhor, vos pedimos a graça de perseverarmos na unidade com o Sucessor de São Pedro, e o Colégio Apostólico. Não deixeis que a vossa Igreja seja maculada por divisões, mas que possa mostrar ao mundo que somente se estiver em Vós ela poderá permanecer unida em oração, como se encontraram a Santíssima Virgem Maria e os Apóstolos no Cenáculo. E erguemos uma prece incessante de agradecimento por estes modelos de vida que hoje celebramos, tão exemplares, pedindo “que a Igreja siga sempre o ensinamento dos Apóstolos dos quais recebeu o primeiro anúncio da fé” (Oração da Coleta).

O Espírito Santo: vivificador da Igreja

Neste domingo, encerrando o Tempo Pascal, celebramos a solenidade de Pentecostes. Hoje o Espírito Santo, maior de todos os dons, é dado a Igreja. Hoje a Igreja primitiva nasce do alto e encoraja os Apóstolos, reunidos com Maria Santíssima no Cenáculo. Hoje manifesta-se a pluralidade e, ao mesmo tempo, a universalidade da Igreja em todos os cantos da terra, tendo como cabeça visível Pedro, e hoje o Sumo Pontífice.

Na primeira leitura – ouvimo-la dos Atos dos Apóstolos – é lido: “Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam… Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua” (At 2,1-6).

O dia de Pentecostes é um novo marco na história da salvação. Deus santifica a sua Igreja com o Espírito que a todos fortalece e alumia. Não mais as trevas! Não mais o erro! Não mais a violência e a laceração! Somente haverá de reinar agora a luz, a coragem, a sabedoria, o amor. E de onde emanam estes dons que nos afastam de uma realidade contrária a Cristo? De onde emanam estes dons que nos fazem brilhar como luzeiros para o mundo? Emanam daquele que dá-nos o conhecimento de toda a Verdade, isto é, do Paráclito (cf. Jo 16,13), só Ele e só nEle os homens podem encontrar a finalidade de sua existência e o sentido de suas vidas. Só Ele pode nortear os caminhos da humanidade sem que a mesma caia na perdição e esqueça o objetivo primeiro para que foi criada: manifestar a bondade do Criador e louvá-Lo pelos seus feitos.

Com esta leitura vemos a confirmação do Senhor para a atuação constante da Igreja na história da humanidade, e desta forma ela cumpre sua missão de fazer chegar a todos os povos o anúncio salvífico da ação de Cristo na história e da Sua Ressurreição. Do Cristo ressuscitado, e agora ao lado do Pai, emana uma força inédita e vivificante, uma força que impulsiona a Igreja a ser testemunha e a reconciliar os homens com Deus; uma força que é capaz de fazer com que os homens doem sua própria vida em confirmação àquilo que pregaram; acalma o que está turvo, purifica o que está impuro, acolhe o que está disperso; uma força que procede do Pai e do Filho; uma força que reúne o que está dividido.

Mas, cabe-nos perguntar, que unidade é essa? Como ela realiza-se? Deveras, esta unidade não pode jamais ser comparada a unidade de Estados e muito menos ela concretizar-se-á para fins políticos. Não é uma unidade que é resultante deste mundo finito, mas poderíamos dizer que é transcendente. Ela transcende as barreiras do tempo e dos lugares; sobrepõe-se a todos os confins políticos e a todos é dirigida.

Nos sermões de um anônimo autor africano encontramos uma colocação que reflete precisamente a missão do Espírito: “O amor haveria de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra. E como naquela ocasião um só homem, recebendo o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora, uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas. Se por acaso alguém nos disser: ‘Recebeste o Espírito Santo; por que não falas em todas as línguas?` devemos responder: ‘Eu falo em todas as línguas. Porque sou membro do Corpo de Cristo, isto é, da sua Igreja, que se exprime em todas as línguas. Que outra coisa quis Deus significar pela presença do Espírito Santo, a não ser que sua Igreja haveria de falar em todas as línguas?” (Sermo 8,1-3: PL 65,743-744).

O Espírito Santo não conhece fronteiras! O Espírito Santo possui apenas uma linguagem: O amor; e é no amor que Ele reúne a todos. A primeira leitura, portanto, não manifesta somente a vinda do Paráclito, mas manifesta também que Ele fundou sua Igreja sobre as bases do amor, e fez deste a sua centralidade e o seu idioma. Assim, a Igreja é o contrário de Babel, quando todos os povos falavam uma só língua. Na Igreja falam-se várias línguas – como outrora fora em Pentecostes – mas todos podem entender como se fosse a sua própria língua. Unidade na diversidade, eis o retrato da Igreja.

Lucas observa que o Espírito veio sobre os Apóstolos e Maria, ou seja, veio sobre toda a comunidade ali reunida. Não veio apenas para Pedro, João ou Maria, mas para todos. É também possível vermos que os apóstolos pregaram a todos os povos que se encontravam em Jerusalém: Partos, medos, elamitas, mesopotâmicos, capadócios, pontos e asiáticos, frígios e panfílios, egípcios, líbios, romanos, judeus e prosélitos, cretenses e árabes. O evangelho é para todos! A salvação é para todos! Tantos povos demonstram que a Igreja é uma vasta comunidade e aqueles que nela encontram-se devem demonstrar o espírito de fraternidade, comum a todo cristão. Os discípulos recebem a visita de Jesus de forma inusitada. Com as portas fechadas Ele entra, e estavam as portas fechadas por medo dos judeus. (cf. Jo 20, 19). O Espírito mostra aos apóstolos que eles deveriam enfrentar o vasto campo de missão. Não poderiam eles reter o Evangelho a si e colocarem-se em atitude cômoda. Deveriam vencer o medo e não serem vencidos por ele. Ao doar o Espírito Santo o Senhor abre as portas ao mundo, que outrora foram fechadas. Como Sócrates pensava que o filósofo é alguém que incomoda também o cristão deve incomodar, um incômodo que toque a outros, que converta, que seja sinal concreto de que o que realmente pregamos é o evangelho. A unidade e a coragem tornam-se, então, sinais da presença do Espírito Santo, e quem se fecha em seu mundo, ignorando as necessidades do próximo, demonstra que afastou-se dEle.

O vento impetuoso enche a casa onde se encontravam os discípulos. Hoje, também nós, invocamos este mesmo preenchimento para a Igreja e para nosso interior. Que o Espírito, que é sempre novo, possa renovar o ar que respiramos, revigorando-nos e dando-nos um renovado espírito de caridade. Que a Igreja seja revigorada pelo sopro do vento que a reanima e a faz capaz de continuar testemunhando o Evangelho mediante a hodierna sociedade. Que possamos respirar novos ares em tempos tão conturbados, onde a Igreja é lançada de um lado a outro em alto mar.

Nesta perspectiva de receber novos ares, Jesus sopra sobre os apóstolos o ar da vida que dele procede: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22). Vem Ele acompanhado da paz, não qualquer paz. Para que pudessem conceder a paz aos outros, primeiro os discípulos receberam-na de Cristo, pois esta paz é aquela que só Cristo, por meio do Seu Espírito, pode conceder. Uma paz que também é transcendente, que é dom para a vida eterna, comprada com o Seu sangue. A Igreja é a primeira a fazer com que essa paz chegue a todos os povos, e ela nunca pode esquivar-se desta sua missão.

Hoje queremos invocar a intercessão de Maria Santíssima, pois se “não há Igreja sem Pentecostes…  não há Pentecostes sem a Virgem Maria” (Bento XVI, Regina Coeli, 23 de maio de 2010), Façamos da Igreja um novo cenáculo, repetindo o incessante clamor: “Domine, emitte spiritum tuum et renova faciem terrae – Enviai o vosso Espírito Senhor, e renovai a face da terra”.

Perseguida para triunfar

“Conta-se que São Pio X, durante audiência aos membros de um dos colégios eclesiásticos romanos, perguntou aos jovens estudantes:

– Quais são as notas distintivas da verdadeira Igreja de Cristo?

– São quatro, Santo Padre: Una, Santa, Católica e Apostólica – respondeu um deles.

– Não há mais de quatro? – indagou o Papa.

– Ela é também Romana: Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.

– Exatamente, mas não falta mencionar ainda uma característica das mais evidentes? – insistiu o Pontífice.

Após um instante de silêncio, ele próprio respondeu:

– Ela é também perseguida! Esse é o sinal de sermos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo”.

(Revista Arautos do Evangelho, nº 107, pag. 9)

Assim, pois, com esta imagem da Igreja perseguida, desejo iniciar a meditação de hoje.

Em mais um ano litúrgico que aproxima-se de seu término, as leituras nos convidam a preparar-nos para a vinda iminente do Senhor (Natal), como também direciona nossos olhares para o Advento definitivo e para a sua Parusia.

A primeira e a segunda leitura de hoje, são, de fato, um convite a uma mudança de vida imediata, uma autêntica conversão que nos ponha em Cristo, em seu coração, e nos faça partícipes do seu Reino no banquete ao qual somos convidados.

Na primeira leitura, o alerta do profeta faz com que também nos sintamos responsáveis pelos nossos atos já agora, enunciado ao mesmo tempo que nós somos responsáveis a nos condenar ou a nos salvar. Não podemos culpar a Deus por nosso fim último, pois somente a nós cabe defini-lo. E por que falo assim? Porque assim nos mostra Malaquias ao falar do vindouro dia, o dia que todos esperam; tanto aqueles que estão cravados nas rochas sepulcrais, como aqueles que neste mundo se dedicam ao Evangelho, ou, pelo contrário, dedicam-se somente a fazerem festas, a comer e a beber, sem, no entanto, fixarem os olhos no julgamento: “Eis que virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los, diz o Senhor dos exércitos, tal que não lhes deixará raiz nem ramo. Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas” (3, 19-20a).

Temamos ao Senhor, portanto! Não um temor que nos faça olhá-Lo como um Deus prepotente, que se afasta de nós, que se fecha nos mais insondáveis Céus. Mas, não obstante a distância que agora nos separa de Deus, nos conforta saber que o temos do nosso lado; e que o temor que devemos ter é salutar e deve nos conduzir à verdadeira salvação que é Ele próprio.

Na segunda leitura São Paulo nos chama a abandonar a ociosidade e toda a preguiça malígna, que nos afasta de Deus e dos diversos meios de missão que a nós são confiados. “Quem não quer trabalhar também não deve comer” (2Ts 3, 7 – 12). O que vem a ser esta máxima de São Paulo? Por que assim dirige-se a comunidade de Colossos? Já pude aludir neste site que o Reino de Deus é constituído também de renúncias, e renúncias às vezes muitos difíceis.

Ora, a carta de São Paulo a Colossos é também uma carta destinada a falar veementemente da Parusia. Trata-se, portanto, de uma organização da Igreja voltada para a escatológia. A Igreja é chamada a ser prefiguradora do Reino do Senhor. Tais palavras do apóstolo são um incentivo à missão, postas, obviamente, em uma figura escatológica. Como podem querer desfrutar do Reino vindouro aqueles que não trabalham, mas sustentam-se, como costumamos dizer, às “custas” dos outros? Por isso é como se fizéssemos uma analogia às palavras de São Paulo: Quem não quer assumir sua idêntidade cristã; quem não quer ser missionário, então que também não seja partícipe do Reino de Deus. Ora, alguns podem perguntar: onde está a misericórdia de Deus? Será que Sua misericórdia só atende aos cristãos? Digo: se Ele não manifestasse sua justiça, não menor que sua misericórdia, então não seria Deus. “Tem Ele, por assim dizer, duas mãos: a da misericórdia e a da justiça. Com a primeira, perdoa e protege; com a segunda, cobra e castiga; De uma dessas mão ninguém escapa” (Mons. João Scognamiglio Clá Dias, Revista Arautos do Evangelho, pag.11-12, Edic.107).

Santo Afonso Maria de Ligório afirma:

“Não merece a misericórdia de Deus quem se serve dela para ofendê-Lo. A misericórdia é para quem teme a Deus, e não para o que dela se serve com o propósito de não temê-Lo. Aquele que ofende a justiça pode recorrer à misericórdia; mas a quem pode recorrer o que ofende a própria misericórdia.”

(Preparação para a morte. Cons. XVII, ponto I)

E eis que chegamos ao Evangelho (Lc 21, 2-19), ao qual gostaria de centrar-me pela sua riqueza.

Ora, Jesus fala aqui do final dos tempos, mas também da perseguição, que a Igreja por muito tempo sofreu e ainda sofre. Por isso iniciei este post com aquela pequena história. Porque, não obstante estes dois mil anos, não cessam as perseguições inutilmente lançadas por Satanás para tentar, de alguma forma, derrubar a Igreja. Pois digo e ainda garanto: Se se levantasse todo o inferno e seus soldados, liderados pelo Príncipe das trevas, para tentar derrubar a Igreja, ainda assim, nunca conseguirão. Pois a nossa Igreja não é fundamentada em ideologias mitológicas e vazias, mas fundamenta-se unicamente em Jesus Cristo, Deus verdadeiro feito homem.

“Algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: ‘Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído’” (vv. 5-6).

O Templo era lugar sagrado para os judeus, e para o próprio Jesus. No entatanto, por que o Senhor dirige palavras tão ásperas àquelas pessoas? Ora, não obstante o templo ser lugar de oração, mas não contemplava-se além de uma mera visão naturalista. Estavam, por conseguinte, cegos para Deus, pois detinham-se na criatura e não no Criador; compreendiam o símbolo, mas não o Simbolizado. Por isso, contundentemente exorta Nosso Senhor.

E esta profecia não tardaria mais de quarenta anos para acontecer. Como escreveu São Beda: “Permitiu a Divina Providência a destruição de toda a cidade e do Templo para que nenhum daqueles que ainda estavam débeis na fé fossem seduzido por suas diversas cerimônias”.

Ainda assim os apóstolos achavam que essa destruição se daria na consumação dos séculos. Mas Jesus faz questão de manifestar-se sobre os dois momentos, para mostrar que não iria tardar acontecer aquilo que, de certa forma, seria jubilar. Destruído o Templo, a Lei deveria então ceder lugar à Graça, manifestada plenamente em Jesus.

Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater” (vv. 12-15).

Anunciando aos Apóstolos o que lhes haveria de acontecer, Jesus prenuncia a imagem da Igreja perseguida. Errôneo seria se a Igreja, mediante essa perseguição, se ocultasse de sua missão e se fechasse em si mesma, não completando sua missão de anunciar o Evangelho a todos os povos. Mas é verdade que, sobretudo na perseguição, Nosso Senhor põe-se ao lado dela, para que não pereça nunca, mas, como Ele próprio prometeu, seja invencível (cf. Mt 16, 18) e enfrente as tribulações que se fazem presente neste mundo. E não apenas isto: que ela seja triunfante. Esta é a figura da Igreja escatológica. Aquela que, como retrata o Apocalípse, desceu do céu gloriosa (cf. 21, 9-11a).

De fato, conta-nos a história que Napoleão, após ser excomungado pelo Papa Pio VII, perguntou, petulantemente, ao legado papal, se por causa disso as armas das mãos dos seus soldados iriam cair. Ora, o Conde de Ségur, testemunha ocular, narra: “As armas dos soldados pareciam ser de um peso insuportável para seus braços intumecidos; em suas frequentes quedas, escapavam-lhes das mãos, quebravam-se ou perdiam-se na neve” (Conde de Ségur apud Barón Henrion Historia general de la Iglesia 2ª ed. VIII, pag. 153).

Nas horas de tempestade a Providência Divina nunca faltou à Igreja. Suscitou homens e mulheres firmes e de vida paradigmática. E aí eles testemunharam sua fé, como também nós somos chamados a fazê-lo. Não sejamos ocultos ao mistério que nos foi revelado. Muito menos deixemos que a nossa vida seja afastada de Deus. Só Deus pode fortalecer a caminhada do homem. Só n’Ele os homens podem encontrar uma felicidade que não é interesseira, mas busca elevar a humanidade até Ele.

Com a afirmação em não nos planejar em preparar defesa com antecedência, Nosso Senhor não nos convida à negligência, mas não quer que nos aflinjamos, pois Ele estará conosco. Vale-nos aqui o que diz Santo Inácio: “Rezai como se tudo dependesse de Deus e trabalhai como se tudo dependesse de vós” (catecismo da Igreja Católica, 2834).  E São Gregório Magno escreve: “É como se o Senhor dissesse a seus discípulos: ‘Não vos atemorizemos. Vós ireis ao combate, mas Eu é que combaterei; vós pronunciareis palavras, mas quem falará sou Eu’” (São Gegório Magno apud Revista Arautos do Evangelho, pag. 13, Edic.107).

Que a Virgem Maria ajude a Igreja, e também a nós, a caminharmos ao encontro de Seu Filho. E que, mesmo diante dos conflitos, possamos sempre ter à nosso horizonte a gloriosa Igreja Católica Apostólica Romana de Nosso Senhor Jesus Cristo, que triunfará pelos séculos.

Eu creio na Igreja!

Basilica de São PedroFundada por Jesus Cristo sobre o bem-aventurado Pedro, a Igreja, sinal e instrumento de salvação, tem a missão de dar continuidade a presença real de Cristo em nosso meio, por meio da Eucaristia, e da transmissão da Boa Nova a todos os homens e mulheres desta humanidade, que “geme como em dores de parto” (Rm 8, 22). Este caráter peculiar ganha mais força ainda quando sabe-se que ela é corpo de Cristo, e nós somos partes integrais que a compõe.

São Paulo dirá, de forma esplêndida, que: “[A] Igreja de Deus vivo, [é] coluna e sustentáculo da verdade” (I Tm 3, 15). E sendo assim, ela recebeu esta imperiosa missão de fazer com que a humanidade conheça a única Verdade (Jesus), que ela contém e deseja transmitir ardorosamente aos povos que não conhecem Cristo, ou buscam ocultá-lo de suas vidas. Mas hoje uma forte onda anti-católica alastrou-se por todos os cantos. A Palavra de Deus, transmitida pela santa Igreja, e que graças a ela perpassou estes dois mil anos, já não faz efeito em muitas pessoas, está a perder seu valor em muitos âmbitos da sociedade, mas a Igreja, confiante nas palavras de Cristo, nunca abandonará sua missão para satisfazer o seu bel prazer; no-lo podemos constatar mediante as grandes perseguições que ela sofreu e sofre, e mediante o sangue de muitos mártires, derramado para que assim pudesse fertilizar os solos estéreis. E isto prova que não é a sua moral que a Igreja prega, não seus ensinamentos, senão e unicamente os de Cristo, para isto ela existe e por isso ela é perseguida.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, assim ensina: “Fundado na Escritura e Tradição, ensina que esta Igreja, peregrina sobre a terra, é necessária para a salvação. Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no Seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Batismo (cfr. Mc. 16,16; Jo. 3,15), confirmou simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Batismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar” (Lumen Gentium nº 14). E São Clemente de Alexandria afirma-nos de igual modo: “Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja” (Paed, 1,6). Quanto aos não-católicos a Lumen Gentium, diz: “Deste modo, o Espírito suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo e a prática efectiva em vista de que todos, segundo o modo estabelecido por Cristo, se unam pacificamente num só rebanho sob um só pastor (31). Para alcançar este fim, não deixa nossa mãe a Igreja de orar, esperar e agir, e exorta os seus filhos a que se purifiquem e renovem, para que o sinal de Cristo brilhe mais claramente no seu rosto” (nº 15). Mas não quero ater-me a este assunto sobre questões de salvação agora, quero apenas mostrar a necessidade insubstituível da Igreja.

Não é qualquer instituição, mas é aquela que Cristo escolheu para ser sua esposa (2Cor 11,2; Ap 21,9). É nesta instituição que quero perseverar, é por ela que desejo me consumir, e sei que não será em vão.

Muito me admira a veemencia e voracidade com que muitos atacam, injustamente, a Igreja. Quanta falta de sabedoria; quanta hipocrisia a uma instituição que sempre procurou fazer o bem. É errôneo, e mais que isso, absurdo, culpar a Igreja por erros que partem de seus filhos. Mas neste momento recordo-me sempre das sábias palavras de Santo Epifânio, que logo nos primeiros séculos ressaltava a necessidade da união com a Igreja: “A Igreja é a finalidade de todas as coisas”. (Haer. 1,1,5)“ ‘Há um caminho real’, que  é a Igreja católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando-se para a direita ou para a esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros. Eia, pois, servos de Deus e filhos  da  Igreja  santa  de Deus, que conheceis  a regra segura da fé, não deixeis que vozes estranhas   vos  apartem  dela  nem  que  vos  confundam as  pretensões  das  erroneamente  chamadas  ciências”  (Haer.59,c. 12s).

Não obstante os constantes ataques a Igreja nunca perderá sua raiz, sua originalidade: os apóstolos e a Trindade, por isso mesmo ela se torna Ícone da Trindade. Pois sua raiz remete a estas três pessoas que agem continuamente nela.

Quando se diz que a Igreja é “santa e pecadora” vejo ai uma certa “precipitação”, e por que não uma confusão entre a Igreja como instituição, na sua originalidade, e o clero. O clero faz parte da Igreja (e é a parte mais importante, pois a eles cabe governar, administrar os sacramentos, tornar presente o Cristo, por meio da Eucaristia), porém não são somente eles a Igreja. A Igreja é a santa e infalível instituição que Jesus quis deixar aos homens, e por isso a edificou sobre Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Ela é – como bem recordou o Papa Leão XIII – “a obra imortal do Deus de misericórdia” e tem por fim “a salvação das almas e a felicidade eterna” (Immortale Dei, 1).

Outro ponto a si questionar desta afirmação que a Igreja é também pecadora, estaria no fato que Cristo é a Cabeça da Igreja (cf. Cl 1, 18). Ora, se o próprio Senhor a governa, como poderia ela errar? Teria Cristo abandonado sua Igreja? Será que Ele esqueceu-se de sua promessa? Não meus irmãos. Em vão tentam derrubar a Igreja, mas nunca conseguirão. O Senhor, que age em sua Igreja, é maior que todas as tribulações e ventos impetuosos, porém passageiros. “Com efeito, é à própria Igreja que foi confiado o Dom de Deus. É nela que foi depositada a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, penhor da incorruptibilidade, confirmação de nossa fé e escada de nossa ascensão para Deus. Pois lá onde está a Igreja, ali também está o Espírito de Deus; e lá onde está o Espírito de Deus, ali está a Igreja e toda graça” (Catecismo da Igreja Católica, 797).

Eis, pois, combatentes do Senhor, levantemos o estandarte da vitória, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, e permaneçamos sempre firmes nesta Igreja. Mostremos ao mundo o que realmente é a nossa Igreja. Não a abandonemos nunca, pois quem está com a Igreja Católica, está com Jesus Cristo. E crer na Igreja não é nada mais do que mostrar plena adesão a vontade de Jesus e aos seus ensinamentos.

Algumas estatísticas:

Com certeza nem todos sabiam das estatísticas que passarei agora.

No campo da instrução e da educação a Igreja administra 64.307 maternais, freqüentados por 6.394.295 alunos; 92.461 escolas primárias para 28.511.698 alunos; 39.404 institutos secundários para 16.454.439 alunos. Além disso, segue 1.715.556 de jovens das escolas superiores e 2.364.899 universitários. Este setor da atividade pastoral da Igreja marca um incremento em todas as faixas de idade: em relação ao ano precedente, os maternais aumentaram em 1.204, os primários em 911, os secundários em 2129.

Os institutos de beneficência e assistência administrados pela Igreja são no total 80.612, assim distribuídos: 5.236 hospitais, 16.679 dispensários, 656 leprosários, 14.794 institutos para idosos e portadores de deficiências, 9.996 orfanatos, 10.634 creches, 12.804 consultórios matrimoniais, 9.813 institutos de outro tipo. O continente com o maior número de estruturas é a América, seguido por Europa, Ásia, África e Oceania.

Estatísticas do site: Santa Sé

Aqui está a verdadeira riqueza da Igreja!

Então, essa era a sua visão da Igreja? Você sabia disso?

Pense bem!

Fraternalmente, em Cristo Jesus e Maria Santíssima!