Irradiar o amor como imagens de Deus (Meditações das Cartas Paulinas 1Tes 4,9-12)

Continuando nossas meditações sobre as cartas paulinas, detenhamo-nos hoje entre os versículos 9 –12, do 4º capítulo da carta de São Paulo aos Tessalonicenses.

No versículo 9 o apóstolo exorta para a vivência do amor fraternoA humanidade sente falta deste amor. Falar do amor no mundo de hoje nunca é demais. Falar de amor nos faz olhar a essência de Jesus Cristo e nos faz olhar para aquilo que também deve ser a essência do ser humano. O mundo sente falta de amor! O mundo está sedento de Jesus Cristo! E eis que muitos se põem a perguntar e a clamar: Senhor! Onde estais? Mostra o teu rosto misericordioso!

No entanto, Deus não está longe. Ele se aproxima de nós. Ele faz-se um de nós, para que assim os homens possam adentrar os seus mistérios e mergulhar em suas graças. E tudo isto nos é concedido por meio do amor. O amor que Ele mesmo assume em sua essência e irradia em todos os homens. Se todos os homens são imagem e semelhança de Deus, logo, também eles devem irradiar o amor, e mais que isto: devem se tornar o amor em uma sociedade desesperançada e frívola.

Amar ao próximo é uma das características evangélicas fundamentais de todo cristão. Nosso Senhor jamais ab-rogou da nossa vida o amor ao próximo. E São João explicará a necessidade deste amor ao afirmar: “Aquele que diz estar na luz, mas odeia seu irmão, ainda está nas trevas” (1Jo 2,9). O amor é a característica principal na vida do cristão, e por meio dele todas as outras graças e todos os outros dons nos são concedidos. Para se estar na luz é preciso amar. Por isso, mais adiante, o apóstolo reafirmará: “Nisto se revela quem é filho de Deus e quem é filho do diabo; todo aquele que não pratica a justiça não é de Deus, como também não é de Deus quem não ama seu irmão” (3, 10).

Amar o irmão é, portanto, estar em conformidade com o Evangelho; e não apenas isso: é levar a esperança de Cristo aos sofredores. Toda a vida de Jesus foi um ato sacrifical, e a isto não no-lo moveria se não fosse pelo Amor. Amor este que quebrou as barreiras de espaço e tempo e transgrediu todos os pensamentos ideológicos de que Deus, estando nos céus, descesse como homem para transmitir a salvação à humanidade.

Mas, logo em seguida, São Paulo faz um relacionamento estreito entre trabalho e amor. Isto dá-se, talvez, para sublinhar que o amor autêntico não é aquele que cruza os braços, ou aquele que espera a vinda do Senhor sem nada fazer, mas é aquele que põe-se a caminho para dar, e este dar não deve ser interesseiro. dar do cristão não deve esperar nada em troca; não deve firmar-se em uma perspectiva de bem estar econômico, senão que tenha como único interesse Jesus Cristo: é pura gratuidade!

Também é possível que Paulo esteja pensando naquela injusta organização do mundo laborial greco-romano, onde o trabalho manual era coisa de escravo. O trabalho, quando digno e feito com amor, dignifica o cristão. E todos eles devem ser exercidos em favor do Reino de Deus. É preciso que saibamos que a nossa cidadania final é a celeste. Não busquemos fazer riquezas neste mundo se a verdadeira riqueza é Jesus Cristo, e a contemplação incessante de sua face.

Fazer a vontade de Deus (Meditações das Cartas Paulinas 1Tes 4,1-8)

Dando continuidade às meditações, detenhamo-nos hoje sobre o quarto capítulo, versículos de 1-8, da Carta de São Paulo à comunidade de Tessalônica, que transparece uma solícita preocupação do apóstolo, sobretudo, com a vinda definitiva do Senhor que terá reflexo nas ações da comunidade.

Tomemos o versículo que dá título ao artigo: “Enfim, irmãos, nós vos pedimos e exortamos, no Senhor Jesus, que progridais sempre mais no modo de proceder para agradar a Deus. A vontade de Deus é que sejais santos e que vos afasteis da imoralidade” (1Tes 4, 1.3). Paulo usa o termo Senhor, isto é Kyrie, não se referindo a Deus Pai, mas a Cristo, Senhor de todas as coisas.

Nunca é demais falar de santidade! Em nossos dias, tanto quanto antes, precisamos de Santos que deem testemunho autêntico do Evangelho, ainda que por vezes este pareça ser radical.

Fazer a vontade de Deus hoje parece impossível e não dá, por assim dizer, prestígio, mas acarreta em um sofrimento, que deve ser vivido com resignação na hodierna sociedade. A forma de viver do mundo contradiz os preceitos do Evangelho, e clama para muitas almas que caminhem para a perdição. Nesta ideologia, neste contexto que se desponta ante nossos olhos, somos chamados, como cristãos, a darmos testemunho de vida e de santidade irrepreensível. Ainda que a fragilidade pareça nos derrubar e nos humilhar em nossa condição, Deus estende sua mão para todos nós, e nos chama a recomeçar de onde paramos. Por isso, a vida do cristão é sempre um recomeço. Já o insensato caminha direto, sem fazer a parada necessária para recarregar suas forças e nutrir-se do próprio Cristo. Este, ao chegar ao final do longo percurso, estará cansado e sobrecarregado e não terá forças para concluir sua jornada.

Por isso, devemos nos perguntar: qual a vontade de Deus para nós? Qual a vontade de Deus em um mundo que deixa-se dominar pela profanação e se esquece do seu Criador? Qual a vontade de Deus em um mundo onde os homens perpetram maldades contra seu próximo?

Não é fácil submeter-se a alguém e sujeitar-se a seus desejos. Mas, em contraposição aos desejos do homem, os desejos de Deus nos dão a garantia eterna da salvação. Só em Deus há salvação, e só n’Ele está a garantia da eterna felicidade do homem. Qualquer um que queira salvar-se fora de Deus nada mais encontrará do que vazio e tormento. Não é necessário que nos aprofundemos em diversos livros para conhecer a vontade de Deus; de diversas formas Ele nos fala. A Sagrada Escritura é um dos meios eficazes para conhecermos aquilo que Deus espera de nós.

Agora nos detenhamos nos versículos 4-8, que soam de forma específica para todos hoje, e mais ainda, é como que duro em suas afirmações.

“Saiba cada um de vós viver seu matrimônio com santidade e com honra, sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique ou lese o irmão, pois o Senhor é vingador de todas estas coisas, como já vos dissemos e atestamos. Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Portanto, quem rejeita esta instrução não rejeita a uma pessoa humana, mas ao próprio Deus, que vos dá também o seu Espírito Santo”.

São Paulo dirige-se aos casais para que vivam seu matrimônio com santidade e honra. Não obstante os dois mil anos que nos separam do escrito paulino, suas palavras incidem veementemente nos nossos tempos tomados pela desunião entre os casais, a falta de fidelidade e outros problemas que corroem a vida conjugal.

Quanto ao fato de afirmar que o Senhor é vingador este termo São Paulo não usa para designar um Ser de ira implacável; ele afirma, sim, que Deus faz justiça, e que também em seu nome vem o adjetivo Justo.

E eis que aqui São Paulo responde à pergunta feita anteriormente: Qual a vontade de Deus? A vontade de Deus é que sejamos santos. Não devemos nos entorpecer nos caminhos obscuros da impureza, mas devemos trilhar o caminho da salvação, o qual Cristo aponta a todos os homens, sem distinção: seja para o rico ou para o pobre; para o negro ou para o branco; para o homem ou para a mulher.

E quantos rejeitam este convite de nosso Senhor transmitido pela Igreja?! Mas saibam que não rejeitam senão ao Espírito Santo, que nos foi e é dado por Deus. E sem o Espírito Santo presente em nós, estejamos certos de que todas as nossas ações serão vãs. Se fazemos as coisas, façamo-las bem, e façamos tudo para a maior glória de Deus! Ora, é insensato aquele que busca a Deus somente por interesse. Deus nos reserva algo maior que um bem estar econômico neste mundo. Ele nos reserva o maior bem que poderíamos ter: a contemplação incessante da Sua face.

De nosso coração deixemos que surja uma oração de clamor e de agradecimento: Nós te rendemos graças, Senhor, e te suplicamos que possas excluir da terra toda a ganância que surja no coração do homem, e tudo aquilo que o torna escravo de suas paixões. Te agradecemos pela vida, e pedimos por aqueles que dela são privados. Te agradecemos pelo Teu Espírito Santo, e pedimos que Ele seja derramado novamente em profusão sobre toda a Igreja, para que, ainda mediante as dificuldades, ela seja a primeira a dar testemunho autêntico do Evangelho. Amém!

Animados pela fé – Meditações em 1 Tes 3

Hoje adentramos no terceiro capítulo da carta de São Paulo aos Tessalonicenses. Nos versículos 1-2, Paulo fala de sua estadia em Atenas, juntamente com Silas, e do envio que faz de Timóteo, se estreito colaborador.

No versículo terceiro Paulo descreve como que uma realidade das perseguições que deveríam suscitar-se contra a Igreja por meio daqueles que repudiavam-na, e repudiavam o seu Fundador. Por isso, ele escreve explicando o objetivo do envio de Timóteo: “Para que ninguém desfaleça nestas tribulações. Pois bem sabeis que para isso é que fomos destinados. Quando estávamos convosco já dizíamos que haveríamos de passar tribulações; foi o que aconteceu, como sabeis” (v. 3-4). Tribulação! Perseguição! Tais palavras dilaceram nosso espírito e nos incitam, diversas vezes, a desistirmos da caminha cristã e a desistirmos do sofrimento como algo que não nos dará nenhum valor e nada nos ensinará.

Na verdade, tais pessoas que assim pensam, também não vivem de acordo os ensinamentos evangélicos. Se o sofrimento fosse em vão, também em vão seria o sofrimento de Cristo. O sofrimento esvaziar-se-á de seu sentido sempre que tentamos restringí-lo a esse mundo; sempre que o limitamos a vê-lo como uma barreira para o progresso material. Alcança maior glória quem bem sabe sofrer e suporta todas as tribulações com amor e paciência em Cristo, sabendo que não lhe será em vão. Sofre bem quem sofre com Cristo; sofre mal quem se apega a este materialismo mundano e esquece-se de Cristo. Este não mais sofre para o bem, senão sofre porque sente-se vazio e em nada ser-lhe-á frutífero assim sofrer. Bem dirá São João da Cruz, místico e Doutor da Igreja, cuja memória ontem celebramos: Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde“.

Mas, voltemos ao texto paulino. Dissemos noutro dia, que a Igreja sempre foi e será perseguida. Não obstante o maravilhoso trabalho que tem realizado, a perseguição não diminui e o que incomoda é o Evangelho que a Igreja transmite, a Palavra de Deus encarnada, o Logos. Ora, porventua estaria o Evangelho exercendo seu papel se ele não incomodasse? Porventura estaria a Igreja exercendo seu papel se ela não arranhasse os pecados e as ideologias que buscam prevalecer em certos corações? Seja grande o Deus que incomoda! Seja adorado o Deus que não “respeita” o pecado, mas o destrói pelo precioso Sangue Redentor de Seu Filho Unigênito .

Por isso – continua o apóstolo –, não podendo mais suportar, mandei colher informações a respeito de vossa fé, temendo que o Tentador vos tivesse seduzido, inutilizando o nosso trabalho” (v. 5). Em um primeiro momento, ao lermos este texto, parece-nos que Paulo está preocupado não tanto com a comunidade, mas com o seu trabalho que tornar-se-ia em vão.

Ora, afirmamo-vos que mais estava Paulo preocupado com a comunidade e sua fé, do que com sua fama e trabalho; pois um servo de Jesus Cristo não deve procupar-se com com o que os outros irão pensar dele, mas o que Deus cobrará dele. O que os outros pensarão caso ele não cumpra o trabalho que foi-lhe confiado.

E por que Paulo se preocupa com a fé daquela comunidade? Ora, não precisamos avançar muito para logo acharmos o centro do texto. Onde, pois, pode subsistir a alegria de uma comunidade senão na fé? Uma alegria que não se fundamente na fé torna-se vazia e sem sentido. Uma alegria que não tenha Cristo no centro não dá expectativas escatológicas ao homem, mas faz com que ele limite-se com o que hoje vive. Fundamentar-se em falsas alegrias significa abster-se da verdadeira e única alegria que é Cristo. E a pergunta é: Em que nos alegramos? Em Cristo, que deve ser o único e verdadeiro motivo da nossa alegria; ou neste mundo, invólucro de mentiras e que dá-nos uma falsa concepção de esperança? Acaso foi na esperança do mundo que fomos salvos ou na esperança de Cristo?

Não foi na fé de Cristo que encontramos repouso? Por isso no sétimo versículo Paulo diz: “Meus irmãos, a vossa fé nos consolou, em meio a muita angústia e tribulação. Agora estamos reanimados, porque estais firmes no Senhor” (vv. 7-8). Triste é ver que muitos não mais se consolam no Senhor, mas nos prazeres efêmeros deste mundo. Há pois consolação onde só se ver destruição e ócio? Não! Não há! Mas há consolo naquele que sempre está disposto a acolher-nos. Há consolo naquele que jamais abandona seus filhos e os entrega às superficialidades.

Devemos dar alegria ao Senhor! Sejamos o motivo de sua alegria! Não há alegria onde há tristeza. Só pode haver alegria onde há alegria! Em Deus há alegria! Seja Deus o motivo de nossa alegria, e sejamos o motivo da alegria dele.

“A vós, porém, o Senhor faça crescer e ser ricos em amor mútuo e para com todos os homens, a exemplo que nós vos temos. Queira ele confirmar os vossos corações numa santidade irrepreensível, aos olhos de Deus, nosso Pai, por ocasião da Vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos” (vv. 12-13).

Crescer e ser ricos no amor mútuo. O amor nasce na comunidade, mas deve chegar a todos os homens, mesmo aqueles que não crêem em Deus. Não importa o tamanho da comunidade, o que importa é que ela viva contrita ao Evangelho. O verdadeiro valor de uma comunidade não está na quantidade. Cresce-se muito, torna-se pior. Porém, ainda que seja pequena e esteja unida ao Evangelho, esta comunidade tornar-se-á cada vez melhor.

Confirmar os corações! Também esta missão foi destinada a Igreja, na figura de Pedro, pelo próprio Senhor, ao afirmar: “Confirma fratres tuos – Confirma os teus irmãos” (Lc 22,32). Confirmar-nos também em santidade. “Sede santos!” Um clamor das Escrituras Sagradas. Todos somos chamados à santidade, mas ninguém pode ser santo por si só, se não se confiar a Deus. E esta santidade nos há de dirigir para o salvífico encontro com Cristo na sua vinda. Vinda esta que dar-se-á com todos os seus santos. Ora, não nos mostra Paulo, há dois mil anos, que deve existir a santidade? Que precisamos de santos em nossos dias?

Louvemos a Deus pelo admirável testemunho dos Santos; os eleitos que virão na glória do Senhor. É importante apenas esclarecer que Santos podem ser os eleitos, os que se salvam ou os anjos; como também todos nós, chamados à santidade. Em outras traduções de algumas bíblias se diz ao invéz de santos: Todos aqueles que são dele. Essa afirmação cai por terra ao sabermos que todos são de Deus, mas nem todos são chamados a santidade, não porque não podem, mas porque não querem.

Como bem ressaltou João Paulo II, falando da santidade:

“A Igreja Católica sempre acreditou que desde os primeiros tempos do cristianismo os Apóstolos e os Mártires em Cristo estão unidos a nós mais estreitamente, venerou-os particularmente juntamente com a bem-aventurada Virgem Maria e os Santos Anjos, e implorou devotamente o auxílio da sua intercessão. A eles se uniram também outros que imitaram mais de perto a virgindade e a pobreza de Cristo e além disso aqueles cujo preclaro exercício das virtudes cristãs e dos carismas divinos suscitaram a devoção e a imitação dos fiéis. (…) A Sé Apostólica (…) propõe homens e mulheres que sobressaem pelo fulgor da caridade e de outras virtudes evangélicas para que sejam venerados e invocados, declarando-os Santos e Santas em ato solene de canonização, depois de ter realizado as oportunas investigações.”

(João Paulo II, Const. Apost. Divinus perfectionis Magister).

Meditações sobre as Cartas Paulinas – 1 Tes 2 (Parte II)

A Palavra de Deus por excelência é Jesus Cristo, e isto a Igreja sempre teve presente consigo durante a sua jornada terrena. O Logos encarna-se no seio virginal de Maria, a Palavra faz-se carne, como nos relata o Apóstolo João (cf. Jo 1,14). Este maravilhoso acontecimento dá um novo rumo à humanidade e a transforma, ainda que em sua fragilidade. Mesmo em nossa fragilidade, mesmo com os nossos pecados, em nossa miséria incomensurável, ainda que estejamos no maior dos abismos, Deus se inclina e nos olha com misericórdia; Ele desce aos abismos, se rebaixa à nossa condição humana para resgatar-nos. E triste é ver que muitos o renegam!Muitos não se deixam amar por Deus.

E assim, São Paulo continua sua exortação aos Tessalonicenses, no capítulo 2, versículos 13 a 20, do qual falaremos hoje. Escreve: “Agradecemos a Deus sem cessar, por que, ao receberdes a palavra de Deus que ouvistes de nós, vós a recebestes não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus, que age em vós que acreditais” (v. 13). Acreditar na Palavra de Deus! Eis uma das questões mais difíceis do homem moderno compreender. Às vezes nos perguntamo: por que tantas pessoas, mesmo católicos, muitas vezes não querem seguir a Palavra de Deus? E a resposta é que, não obstante recorrer a Deus nos momentos de aflição e necessidade, no momento de vivenciar as leis e os mandamentos, todos correm, todos se fecham em seus individualismos e fazem-se deuses de  seus mundos.

De fato, o cristão é chamado a experimentar Deus não apenas em seus momentos de misericórdia, mas também nos mandamentos que fazem parte da caminhada, e nos ajudam a enfrentar as dificuldades que surgem no decorrer desta caminhada.

Também torna-se necessário que os pastores conduzam seu rebanho na sã doutrina, não ensinando ideologias particulares, como convier a cada um; mas que assumam seu papel. Que saibam viver a radicalidade do Evangelho, anunciando aquilo que a Santa Igreja, em comunhão com os Sucessores dos Apóstolos, transmitiu nestes vinte e um séculos.

Em seguida, São Paulo faz uma grave advertência aos judeus que estavam fechados ao Evangelho por ele anunciado. “A ira de Deus está prestes a cair sobre eles” (v. 16). O que Paulo queria afirmar com palavras tão duras?

Em primeiro lugar, tenhamos presente o contexto da época. Estavam perseguindo os cristãos; haviam matado Jesus e perseguiam as Igrejas espalhadas pela região. Uma realidade não muito adversa da que encontramos nos dias hodiernos. Ainda hoje a Igreja de Deus é também perseguida em seu vasto campo de missão. Porém, ainda que pareçam vir à tona as dificuldades, a Igreja permanecerá inerente à sua missão, tal como nos foi transmitida desde os primórdios da nossa fé cristã.

Mas voltemos ao termo “ira”. Ora, no começo afirmamos que Deus é a misericórdia, que é capaz de nos resgatar dos mais profundos abismos, como agora ele pode ter ira? Bem, na verdadea ira de Deus, a sua cólera, não se exerce contra o ser humano, mas contra o pecado. E isto São Paulo nos relata bem: “A ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens” (Rm 1,18). Não que Deus seja um ser impiedoso, inclemente; pelo contrário, a sua natureza é Amor. E graças a este amor a salvação foi-nos dada. Mas Ele não nutre estima pelo pecado dos homens; pelo contrário, abomina o pecado, e busca o extirpar do ser humano.

Deus é um juiz justo, que, como recorda Jesus, colhe aquilo que semeia. Se nós pecamos e não nos arrependemos; se não nos convertemos, se optamos por destinar-nos ao inferno (à morte), então Deus nada poderá fazer, pois Ele não fere a liberdade humana, mas a respeita. Cuidemos para que a ira não venha sobre nós também!

Eis, por fim, uma passagem onde São Paulo manifesta seu desejo de voltar uma outra vez a Tessalônica, mas, segundo ele, havia sido impedido por Satanás (cf. v.18). No entanto, Paulo não desiste, e nos ensina algo fundamental para a nossa caminhada. A verdadeira esperança reside em Deus. E se Ele vive em nós esta nunca poderá morrer! Ainda que a chama pareça estar se apagando, o Deus da vida, que é luz, nunca deixará que ela se induza pelo caminho do desespero e da obscuridade.

Falando da iminente vinda do Senhor, no último versículo deste capítulo, o apóstolo das nações manifesta sua alegria pelos seus evangelizados. Ele se realiza em sua missão, e isto lhe valerá no dia do julgamento.

Maria, Virgem Imaculada, concebida sem pecado, nos ajude nesta caminhada. Dá-nos sabedoria e entendimento para colocarmos em prática a mensagem do Vosso Filho. Concede-nos coragem para enfrentar o mal, e concede-nos amor para amarmos os que se entorpecem por esse caminho. Amém.

Meditações das cartas paulinas – 1º Tes, cap. 2

No capítulo 2 da sua carta à Tessalônica (nos versículos 1 a 12), Paulo faz uma re-memória de como surgiu aquela comunidade e das dificuldades que logo no início, e ainda agora, estavam enfrentando.

Escreve ele que antes de fazer chegar o anúncio a ela, em Filipos, foram maltratados e sofreram ultrajes (cf. v. 2). Pois eis uma realidade que nunca deixou de fazer-se presente na história da Igreja: a perseguição, as injúrias. Quantas vezes a Igreja de Deus foi – e é – perseguida por um mundo que não deseja se adaptar ao Evangelho, mas quer que o Evangelho se adapte a ele? Quantas vezes cristãos morreram dando sua vida pela Igreja e pelo anúncio do Evangelho da Salvação?

Mas, o que consola a Igreja? O que a faz tornar-se mais firme a cada perseguição? O que faz com que ela não pereça mediante as investidas do inferno? São Paulo responderá para nós estas interrogações: “O nosso Deus nos deu coragem e segurança para vos anunciar seu evangelho, em meio a muitas lutas” (v. 2). Sim! Estamos firmes em Deus, e somente quando estamos firmes n’Ele, teremos coragem para anunciar a Boa Notícia, mesmo que venham inúmeras perseguições.

Estas, porém, não são maiores do que a certeza da presença de Deus conosco. Ele está conosco e nos guia! Não temamos! Se o mundo nos odeia por causa da nossa missão, não cabe a nós mudá-lo, mas devemos nos mudar, sobretudo, pelo nosso testemunho de discípulos do Senhor. E este não deve ser ilusão. Aliás, o cristão não pode fundamentar-se em ilusões; não pode ceder a ideologias que tendem a fazer com que este mundo nos traga plenamente a felicidade. Aqui seremos perseguidos para então, no céu, sermos agraciados em contemplar a face de Deus. Agraciados em contemplarmos o Amor, mas este contemplar não se restringe apenas a uma visualização, vai além: nos insere em Deus e faz com que possamos beber da Sua fonte inesgotável.

E é assim que falamos, não para agradar a seres humanos, mas a Deus, que examina em nossos corações. Aliás, sabeis muito bem que nunca bajulamos ninguém, nem fomos movidos por alguma ambição disfarçada – Deus é testemunha. Também não buscamos glória humana, nem junto de vós nem junto dos outros, embora, como apóstolos de Cristo, pudéssemos fazer valer nossa autoridade” (v. 5-7).

Mais uma vez vemos figurar um retrato da Igreja, um protótipo de como ela deve ser. É chamada a ser modelo dos apóstolos nos dias atuais. Mas, cabe também aqui meditar cada palavra desta bela afirmação do apóstolo.Se o Evangelho não incomoda, então há algo errado. As reações por parte de algumas pessoas, em protestos, de certa forma, dão a plena certeza de que a Igreja vai na direção certa; Ela cumpre sua missão em denunciar todas as obras do mal (cf. Ef 5,11) e em abrir as portas da sociedade para Deus, para que Ele possa renová-la.

Ambição disfarçada”. Com estas palavras, São Paulo exorta também aos nossos pastores, para que jamais se deixem levar pela ambição, e que jamais sua vida doada em prol do Evangelho seja revestida de um caráter ganancioso. O verdadeiro pastor serve, é humilde, e despretensioso. Não se configura com potências econômicas, mas modela a sua vida tendo Cristo como protótipo, não obstante as veementes perseguições pelo [e do] mundo.

O Pastor deve, antes de tudo, servir e, servindo, será elevado em sua obra. Agindo in persona Chrsti, o sacerdote é elevado pelo próprio Cristo, é resplandecido, é revestido das majestosas vestes do Rei, que na cruz reinou sobre o mal e o pecado, mostrando que, para ser Rei não é preciso ser detentor do poder material, mas antes e, sobretudo, do poder espiritual.

E aqui entra uma questão radical: “Estávamos dispostos, não só a comunicar-vos o evangelho de Deus, mas a dar-vos nossa própria vida” (v. 8). Tão grande era o carinho de Paulo com aquela comunidade que ele faria uma doação maior do que o anúncio que fazia: ele encarnaria as próprias palavras das Escrituras nele mesmo.

E hoje? Será que somos capazes de assumir o Evangelho em sua totalidade? Será que seríamos capazes de sofrer as conseqüências que suscitariam por nosso amor incondicional a Cristo? Quem busca felicidade já nesta vida encontrará dor na outra. Renunciar mesmo a vida parece ser uma decisão quase impossível, mas os mártires nos mostram que, para quem está com Deus, perder a vida é ganhar a alma, e isto mais vale.O cristão deve deixar exalar o perfume da santidade; deve deixar-se cingir pelo óleo da pureza e da perseverança; deixar emitir o “odor de Cristo”.

No versículo 9, Paulo se refere aos “trabalhos e fadigas”. Certamente, por ser ele um artesão, um confeccionador de tendas, ofício este que desempenhou desde a infância, tendo aprendido com seu pai, deveria atuar nesta área. Sabia da sua condição de apóstolo, e poderia viver à custa do anúncio do Evangelho, mas, na maioria das vezes, costumava não fazê-lo. Ademais, o fato de em Tessalônica fixar o trabalho, mostra que passou ali determinando tempo, dedicando-se a organizar aquela comunidade.

 

“Nós encorajamos e adjuramos todos e a cada um de vós a que leves uma vida digna de Deus, que vos chama para o seu Reino e glória.” (v. 12).

Também a nós são dirigidas estas palavras. Deus nos convida, a cada instante, para participarmos do Seu Reino. Parusia não é apenas um acontecimento que conclui a história da humanidade; pelo contrário: ela abre as portas para uma nova vida. Uma vida em Deus, que nos faz mergulhar em seu coração, fonte de todo o Amor.

 

Meditações sobre as Cartas Paulinas – 1ª Tessalonicenses, Cap. 1

Estamos iniciando o estudo do corpo da Carta Paulina aos Tessalonicenses. Hoje gostaria de falar do capítulo 1º.

Como podemos ver logo no começo, dirige-se à comunidade de Colossos, não somente Paulo, como também Silvano e Timóteo, como eles mesmos definiram: “À igreja dos tessalonicenses reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo” (v. 1). Conforta-nos, de certa forma, saber que Paulo não dirigia-se a indivíduos isolados, mas a uma comunidade de fé, reunida em Deus, por meio de Jesus Cristo. Garante suas orações pela comunidade e deseja-lhes graça e paz, de todo o coração sabemos que ele no-lo faz. Nutria, verdadeiramente, um sentimento de alegria pela comunidade.

Lembramo-nos da ação de vossa fé, do esforço de vosso amor e da constância de vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (v. 3).

O cristão ama! Esta verdade percorre dois mil anos com tamanha vivacidade. Não é um amor puramente sentimental, que restringe-se aos limites humanos. É um amor que plenamente se realiza em Deus. E poderíamos dizer que vai além: Um amor que é Deus. Que cativa a todos os homens não por bens materiais, ou por posses e títulos, mas por Sua Palavra, por Seu Filho, que, morrendo na cruz, destruiu todo o pecado, e nos inseriu no seu mistério de salvação. É preciso, não obstante, que deixemo-nos cativar por Ele, e não buscar impô-Lo em nossas ideologias, ou adaptá-Lo aos nossos sentimentos.

No versículo 6, porém, Paulo fala algo que me chama particular atenção: “Vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra em meio a muita tribulação e, no entanto, com a alegria que vem do Espírito Santo”.

Destas informações podemos fazer diversas analogias com nossos dias. Em primeiro lugar, o termo “imitadores nossos e do Senhor”. Devemos então centrar-nos um pouco aqui. Imitar! Como esta palavra é tão mais realista em nossos dias, e para nós cristãos. É preciso que nos tornemos imitadores. Imitadores na radicalidade, capazes de renunciarmos tudo para abraçar o ideal de Jesus Cristo, o qual Paulo abraçou e jamais se desapegou deste.

Porém, por vezes, parece que este imitar sente-se abalado mediante as divergências e oportunismos que figuram-se no mundo. Somos chamados a acolher a Palavra, e acolhendo-a então, poderíamos sentir-nos firmes, permeados da fortaleza que Deus nos concede dia a dia, ainda que mediante as dificuldades, possamos nos fixar unicamente no Evangelho. Um Evangelho que não é um conjunto de ideologias, mas é muito mais que isso: é o próprio Jesus Encarnado que faz-se Palavra de vida eterna. Só estando com Cristo poderemos ter plena força, e só então os homens poderão transcender. E esta transcendência não será apenas aparente, mas dar-se-á no interior, quando os homens não irão buscar mais o ter, e sim o ser.

Também nos é possível fazer uma associação com as palavras do Senhor, que nunca cessam de ressoar: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9, 23).

Precisamos ter em mente, primeiramente, que estas palavras salvíficas, de certa forma, exprimem um intrínseco imitar. Aquele que imita a Cristo, aquele que deseja fazer de sua vida um modelo de santidade, deve também carregar sua cruz. Não se pode esperar que nosso seguimento e doação total a Ele não tenha reação por parte de uma sociedade subjetivista.

Em segundo lugar, centremo-nos nas palavras “acolhendo a Palavra em meio a muita tribulação e, no entanto, com a alegria que vem do Espírito Santo”. Tribulações! E quantas vezes elas se põem no caminho do cristão! Quanto mais nos dedicamos ao anúncio do Evangelho, mais somos tentados a estarmos contra ele, a fazermos o que não nos é permitido. Parece-nos também paradoxal esta afirmação de São Paulo. Como pode alguém na tribulação, possuir a alegria?

A resposta para tal pergunta poderemos encontrar ao longo de toda a Sagrada Escritura. Precisamente no sofrimento, na tribulação, quando já não sentimos que Deus está conosco, aí então Ele se manifesta de uma forma forte, capaz de mover-nos, mesmo em nossos sentimentos mais profundos, seja de ódio ou de angústia; e no lugar dá-nos a alegria, vinda do Espírito, que atinge a cada um de forma diferente, mas com a mesma finalidade: tornar-nos cidadãos do céu. Alegria esta que nos impulsiona a sermos autênticas testemunhas do Evangelho. Testemunhando-o, antes de tudo, com nossa vida.

No capítulo 10, Paulo refere-se, pela primeira vez, à Parusia de Jesus Cristo. Escreve ele: “Pois todos contam como fomos recebidos por vós e como, virando as costas aos ídolos, vos voltastes para o Deus vivo e verdadeiro e vos pusestes ao seu serviço, na espera do seu Filho, Jesus, que ele ressuscitou dentre os mortos e que virá dos céus para nos arrancar da ira que vem vindo”.

Os tessalonicenses viraram as costas para os ídolos. Viremos também nós as costas para os ídolos que impregnam de forma maléfica a nossa sociedade. Voltemo-nos contra a ganância e o poder do consumismo; voltemo-nos contra as drogas e o uso desregrado do dinheiro; voltemo-nos contra os vícios e prazeres carnais, fora dos ensinamentos evangélicos.

Sigamos unicamente o Deus vivo e verdadeiro, que é capaz de confortar-nos e de nos abrir as portas para as eternas alegrias. Um Deus que nos ama sinceramente pelo que somos, e não pelo que possuímos. Deus que envia Seu Filho único para a Redenção do mundo, e para nos livrar dos abismos que nossos pecados causaram. Que o mundo se abra a Jesus Cristo e experimente o seu incomensurável amor por cada um de nós. Que o mundo se abra à verdadeira libertação, que não redime o homem por meio de seus bens, mas o liberta unicamente por Cristo Senhor.

O Ressuscitado, conforme diz São Paulo, vai nos “arrancar da ira que vem vindo”. Mas que ira seria esta?  Poderíamos associá-la ao Juízo Final, último acontecimento da obra Salvadora de Jesus Cristo. Não se expressaria exatamente pelo termo ira, seria demasiado pesado para nós; porém, para a comunidade da época, assim São Paulo no-la associou, visto que os pecados excediam, não a misericórdia de Deus, pois ela é verdadeiramente incomensurável, e o próprio Jesus atesta a Santa Faustina: “A falta de confiança das almas dilacera-Me as entranhas. Dói-me ainda mais a desconfiança da alma escolhida. Apesar do Meu amor inesgotável, não acreditam em Mim, mesmo a Minha morte não lhes é suficiente. Ai da alma que deles abusar!” (Diário de Santa Faustina, 50).

Portanto, também vemos uma perspectiva escatológica nestes textos. Que a nossa preparação para o advento definitivo do Senhor não seja apenas por temor do inferno ( = morte eterna), mas, sobretudo, por reconhecimento ao Amor de Jesus, que não faz distinções, e deveras olha a todos igualmente.

Peçamos neste dia a intercessão de Santa Isabel da Hungria, Padroeira da Ordem Franciscana Secular. Dela nos diz o Santo Padre Bento XVI, quando ainda era o Cardeal Ratzinger:

“O que fez foi realmente viver com os pobres. Desempenhava pessoalmente os serviços mais elementares do cuidado com os doentes: lavava-os, ajudava-os precisamente nas suas necessidades mais básicas, vestia-os, tecia-lhes roupas, compartilhava a sua vida e o seu destino e, nos últimos anos, teve de sustentar-se apenas com o trabalho das suas próprias mãos.(…)

Deus era real para ela. Aceitou-o como realidade e por isso lhe dedicava uma parte do seu tempo, permitia que Ele e sua presença lhe custassem alguma coisa. E como tinha descoberto realmente a Deus, e Cristo não era para ela uma figura distante, mas o Senhor e o Irmão da sua vida, encontrou a partir de Deus o ser humano, imagem de Deus. Essa é também a razão por que quis e pôde levar aos homens a justiça e o amor divinos. Só quem encontra a Deus pode também ser autenticamente humano”. (Da homilia na igreja de Santa Isabel da Hungria de Munique, em 2 de dezembro de 1981).

Meditações sobre as Cartas Paulinas

Carta de São Paulo aos Tessalonicenses – Introdução

Hoje damos início às meditações das Cartas Paulinas. A muito tempo vinha idealizando este projeto, que só agora foi posto em prática. Verdadeiramente precisamos ter uma maior compreensão dos textos sagrados, e mais que isso: precisamos vivenciá-lo na vida cotidiana, mesmo com as grandes pressões que o mundo hoje apresenta.

Seria um meio de ajudar nas reflexões – não obstante as que já são apresentadas domingo – e estudos sobre o que pensava São Paulo, e como poderíamos fazer uma analogia de seus pensamentos. Por isso meditaremos com a maior clareza possível, para que todos os leitores possam ter compreensão do texto.

Paulo constitui um verdadeiro modelo de missionário, que se doa sem reservas a Cristo e ao seu Evangelho. Este “totalmente” veremos presente se observarmos a sua vida que é doada por Cristo; o seu sangue derramado nos diz que jamais devemos calar. Ainda que fortes sejam as adversidades, mais fortes serão as graças e a força daquele que se une a Cristo Jesus.

É importante dizer que é inútil buscarmos um aprofundamento teológico nesta carta, pois ela é efetivamente de caráter pastoral. Aqui Paulo dirige-se ao coração, falando de amor, alegria, reconhecimento, e a enunciação da vinda do Senhor, preparando a todos quais ele se dirige.

Mas então podeis perguntar-me por que inicio com a meditação da carta à comunidade de Tessalônica e não de Romanos, como está organizado na Sagrada Escritura? Bem, esta foi a primeira carta de Paulo à comunidade recentemente fundada; e por isso acho que para compreendermos melhor devemos estar de acordo a escrita das cartas. Então, antes de começar os estudos, que serão divididos por capítulos, aprofundar-nos-emos nas características de cada comunidade, começando pela já citada; e, assim, ao decorrer de cada carta farei uma breve leitura social e religiosa que caracterizavam a sociedade da época de Paulo.

Como já foi afirmado, a Tessalônica, Paulo dirige sua primeira carta. Lá Paulo fez uma evangelização durante o ciclo das suas segundas viagens, por volta do inverno dos anos 49-50.

Era, pois, uma cidade de grande porte e populosa – como também hoje temos, claro que em números maiores – com 300.000 habitantes, sendo a segunda cidade grega mais importante depois de Atenas. Sendo uma cidade portuária, possuía um dos portos mais seguro dos portos comerciais do mar Egeu.

“O período de evangelização foi curto, mas suficiente – aproximadamente de três ou quatro meses pelo menos – para deixar uma comunidade cristã elementarmente organizada, que supõe manter-se fiel ao ensinamento recebido (1Ts 1, 2-10), defendendo-se eficazmente tanto do ambiente pagão, sempre sedutor e ameaçante (1Ts 4, 1-12), como das contínuas pressões e ciladas provenientes da comunidade judaica mais ativa e beligerante na cidade de Tessalônica (1Ts 2, 13-16). Era lógico, no entanto, que não faltassem dificuldades. Prevendo-as, Paulo envia-lhes Timóteo, que regressa alguns meses mais tarde portador de boas notícias no conjunto, mas também de alguns problemas” (Comentários ao Novo Testamento III, Edit. Ave Maria, pag. 559, 2ª Edição).

Tais problemas encontrá-los-emos mais à frente nas meditações no decorrer da carta.

Mas, de imediato, dois temas figuram logo nos primeiros capítulos, e indubitavelmente notá-lo-emos durante toda a carta: a Parusia de Nosso Senhor, o seu advento definitivo – e precisamente a este tema Paulo dedica boa parte da carta, sobretudo ao preocupar-se com o destino último da comunidade – e uma descrição da Igreja. Poderemos avaliá-los, e aprofundarmo-nos, na devida ocasião que nos for permitido pela carta.

Por acréscimo tenho a dizer que nossos estudos serão publicados às quartas-feiras. Espero que aproveitem! No próximo estudo já começaremos as meditações.

Permaneçam na Paz de Jesus e no Amor de Maria!