Vazio musical, sinônimo de vazio cultural

O quarteto da pesada: Beethoven, Mozart, Vivaldi e Bach

Mentes vazias não se contentam com o silêncio. Uma sociedade esvaziada da cultura perde todo o seu valor. O ponto a que chegou a nossa cultura musical, hoje, é simplesmente reflexo de uma sociedade sem cultura, ou melhor, com os valores culturais às avessas. Não que a música tenha perdido o seu valor, mas foram as pessoas que denegriram o valor da música, ou melhor: que denegriram-se a si próprias e acabaram por afetar todas as suas outras ações culturais, sentimentais e também religiosas. Recordo-me que desde muito pequeno já fora sido eu formado, de forma aprazível, por minha mãe, para apreciar a música erudita ou as boas músicas, que deixam alguma mensagem ou nos fazem contemplar o transcendente.

A música, que sempre serviu para o engrandecimento de Deus ou para a expressão de um sincero sentimento, agora tornou-se um viés de violência e depravação humana. O que antes cultuava o espírito e procurava engrandecer e enaltecer a poderosa manifestação divina, agora rebaixa o homem à condição de um mero animal ávido de realizar seus prazeres. A partir do momento que a música deixa de transparecer as belezas presentes no mundo e além dele; a partir do momento que ela já não mais é instrumento do amor e da expressão da pureza sentimental; quando ela deixa de ser uma expressão da alma e passa a ser expressão de uma realidade ignominiosa; em resumo: a partir do momento que ela é desvirtuada destas suas funções, ela deixa de ser manifestação de um sobrenatural divino, transcendente, para ser instrumento diabólico.

A música (do grego μουσική τέχνη – a arte das musas), como o próprio termo já sugere, é arte. Não é apenas uma prática cultural e humana, mas vejo-a como uma expressão da própria alma; aliás, as obras de arte, a pintura, a música, a arquitetura têm alma. A alma neste caso não é a conhecida por nós, que vivifica o homem, mas é um conjunto de capacidades ou possibilidades que cada homem ou cada coisa possuem em particular, em maior ou menor participam.

Na tentativa de definir-se a música dão-se muitos conceitos, nenhum deles, porém, definitivos e satisfatórios. É vista como “arte do efêmero”, mas eu prefiro vê-la como “expressão do inexpressível”, sabendo que ela não pode ser enquadrada em um conceito. O que é inexpressível menos ainda há de ser definível. Tão complexo quanto definir o tempo é definir a música. O que, no entanto, faz com que a música seja música? Certamente não será outra coisa senão a sua essência. Para a Filosofia a essência é aquilo que define a coisa; que faz com que ela seja esta coisa e não outra.

Santo Agostinho dirá que todas as coisas são belas pois trazem intrínsecas em si uma harmonia musical. No seu De Musica ele pergunta – ao mesmo tempo instigando-nos a descobrir na música as maravilhas do existir: “Podemos amar outra coisa senão a beleza? Mas é a harmonia que agrada na beleza; ora, nós já vimos, a harmonia é o resultado da igualdade nas proporções. Esta proporção igual não se acha apenas nas belezas que são do domínio do ouvido ou que resultam do movimento dos corpos, mas ela existe ainda nessas formas visíveis, às quais damos mais comumente o nome de beleza” (S. Agostinho, De Musica, VI, 13, 38).

A beleza musical consiste sobretudo na interiorização do que escuta-se. Não se deve – ao menos em meu ponto de vista – escutar a música, no sentido mais restrito da palavra. Esse método vazio tem feito com que qualquer combinação de sons, com letras vazias e depreciativas dos valores humanos e da dignidade da pessoa, fosse chamada de música.

“Se, para compor música, só fosse necessário obedecer às leis da harmonia e aos princípios formais de desenvolvimento, todos seríamos grandes compositores; mas é a ausência do sentido melódico que nos impede de atingir excelência musical simplesmente comprando um manual de música” (N. R. CAMPBELL, Physics; The Elements, 1920, p. 130).

É preciso sentir a música, deixar-se invadir pelos bons sentimentos que ela permite passar. Que a música não seja apenas agradável aos ouvidos, mas também a alma. O contexto da hodierna sociedade vê-se tomado, de forma avassaladora, pelas mais macabras letras musicais e melodias – se é que podemos chamá-las de músicas. Dos grandes compositores – dentre os quais os meus preferidos: Chopin, Mozart, Beethoven e Bach – tínhamos expressões vivazes de uma cultura salutar, fundamentada não apenas nos valores que os homens têm em sua cultura como também nos valores evangélicos.

O Papa Bento XVI, também profundo amante da música erudita, afirmou em seu discurso após um concerto que lhe fora oferecido em ocasião do seu 60º aniversário de ordenação sacerdotal, onde foram entoadas peças de Vivaldi e de Bach:

De Vivaldi, diz ele: “Era um sacerdote católico, fiel ao seu Breviário e às suas práticas de piedade. A escuta da sua produção de música sacra revela o seu espírito profundamente religioso”.

De Bach: “Tinha uma concepção profundamente religiosa da arte: honrar a Deus e voltar a criar o espírito do homem. A escuta da sua música evoca quase o correr de um regato, ou então uma grandiosa construção arquitetônica, em que tudo está harmoniosamente amalgamado, como se procurasse reproduzir aquela sintonia perfeita que Deus gravou na sua criação. Bach é um maravilhoso «arquiteto da música», com um uso sem igual do contraponto, um arquiteto norteado por um tenaz ésprit de géometrie, símbolo de ordem e de sabedoria, reflexo de Deus, e assim a racionalidade genuína torna-se música no sentido mais elevado e puro, beleza resplandecente.”

Sobre Mozart, diz o Santo Padre a respeito de suas músicas: “é uma alta expressão de fé, que conhece bem a tragicidade da existência humana e que não cala sobre seus aspectos dramáticos, e por isto é uma expressão de fé propriamente cristã, consciente que toda a vida do homem é iluminada pelo amor de Deus”

O Sumo Pontífice reconhece e aponta os aspectos destes grandes compositores: pessoas que tinham uma relação íntima com Deus e que compunham mais com o espírito do que com a razão. Agora, ao contemplar as músicas que hoje se-nos apresentam, fico perplexo com a formação que estamos atribuindo às gerações futuras. Amar a beleza é imprescindível na existência humana. Esta beleza, no entanto, não é adjetiva, não deve ser tomada aqui como algo que parte do exterior, um culto hedonista, entretanto é algo que brota do coração, que dá sentido a vida do homem e nos torna perceptíveis de uma realidade: Tudo o que vem de Deus é belo, desta forma só na beleza se pode encontrar Deus.

O ser humano não pode reconhecer Deus enquanto vive à sobra do que não lhe apraz, do que não o edifica, do que o torna meramente um objeto; mas só poderá encontrar Deus e fazer a “experiência” de Deus no que é aprazível aos olhos do coração e da fé. Na dinâmica da vida paradoxos são necessários. O que parece contrário, no entanto, para nada mais serve a não ser para a nossa edificação, para a nossa solidificação em Deus. Na experiência do mundo nós experimentamos o que ele nos oferece, mas na dinâmica de Deus nós oferecemos o que experimentamos.

Reclamamos o governo de distribuir camisinhas nas escolas, de mostrar a devassidão na TV, de propagar a imoralidade em novelas e reality shows, mas esquecemos de criticar mais uma coisa: As músicas que são permitidas e que muitas vezes ganham verbas das autoridades para serem propagadas pelo Brasil a fora. Do outro lado o governo critica a prostituição. Hipócritas! Imorais! Vocês querem acabar com a prostituição permitindo que as mulheres sejam denegridas e ofendidas, sendo rebaixadas a meros objetos? Vocês querem ser chamados “representantes do povo” para destruírem as famílias? Quem busca destruir as famílias e os valores não são “representantes do povo”, mas legítimos representantes de Satanás.

Às famílias, primeiras educadoras, cabem seguir claramente os conselhos de São Paulo: “Examinai tudo: guardai o que é bom” (1 Ts 5, 21). Cabe aos país educarem seus filhos para que não se deixem levar por esse redemoinho de imoralidades. Que a educação dos filhos e a formação dos valores éticos e dos valores da moral cristã sejam prioridades no berço familiar. Não esperemos que o governo eduque; nem que somente a Igreja eduque, mas que também vós possais, desde já, formar vossos filhos como verdadeiros cidadãos e verdadeiros cristãos.

Não irei entrar mais em detalhes e muito menos irei avaliar letras de músicas, apenas desejei fazer uma reflexão geral entre a música que as crianças, jovens e adultos estão habituados a escutarem hoje e a música que verdadeiramente podemos denominar como música, arte, obra. Se quisermos ter um país melhor, se queremos edificar cidadãos melhores, creio que precisaríamos reformular também a nossa cultura, pois uma só é a causa de tamanha lástima: A perda de valores.

A decadência dos valores em nossos dias

Estando em férias tomei conhecimento da absurdidade cometida por grupos homossexuais, do LGBT, na Parada Gay, na semana passada em São Paulo. Tudo isso para mim não passa de um reflexo que a muito já era premeditado na sociedade, uma realidade que logo apareceria com mais veemência e ganharia mais força. E sabemos que ela ganhou muita força, sobretudo em meio a muitos políticos que, na teoria, defendem os direitos dos cidadãos, mas na prática não passam de interesseiros e ávidos para defenderem seus próprios interesses e lucrarem o suficiente para morrerem “montados na grana”.

Mas realmente chocou-me a cena apresentada pelo Fantástico. Um verdadeiro absurdo! Chega a ser indescritível a falta de respeito com que os homossexuais, que tanto lutam por respeito e dignidade, atacaram a Igreja e os santos. Não deveriam eles reconhecer que a Igreja é a instituição que mais os ama? A Igreja não os vê como outros grupos os veem. Os outros só os veem como animais que devem agir por instinto, desejosos por terem relações sexuais. A Igreja, porém, os vê como filhos de Deus, não como objetos ou seres irracionais, que se atiram em um precipício vitimados pela incoerência e pelo desejo. E sabemos que onde os desejos falam mais alto a racionalidade cai ao extremo.

O tema escolhido para nortear este ato de extrema intolerância é o mesmo tema que o Senhor usa para falar do amor sincero e gratuito que devemos ter pelo próximo. Um amor que vai além de uma aparência corporal que logo cairá em putrefação. “Amai-vos uns aos outros” (Jo 15,12). Frase esta que Jesus dissera na ultima Ceia. Mas a frase não termina aí: “Como eu vos amei” (Idem). Esta é a segunda parte que eles ocultaram para deturpar a frase do Senhor e para justificar estas atitudes inexplicáveis. Ora, o amor de Cristo não é intolerante e não desrespeita, não ofende, não é mentiroso e é doado ao extremo. A Igreja sabe disso e transmite ao mundo este amor, mas, assim como outrora fora Jesus, também ela é crucificada por isso.

A perda de valores, como bem sugeriu o título, está causando um desgaste na sociedade. Ser homossexual virou “moda” e isso é totalmente inaceitável. O corpo não é uma roupa que se troca todos os dias, e também não é moda que progride com o tempo (se bem que hoje, falando-se de moda, não há progressão alguma, parece-me que cada dia mais está a deteriorar-se), São Paulo disse: “O corpo não é para a imoralidade” (I Cor 6,13).

Sabemos que há pessoas que nascem com esta tendência, e a Igreja, sabendo disso, os convida a viverem a castidade como via para chegarem à meta de todos os cristãos: contemplar a face de Deus. Mas infelizmente muitos não vivem esta proposta e procuram esconder-se, até mesmo na Igreja. Quantos padres homossexuais não estão a sujar o nome da Igreja, a desfigura-la e a ferir muitas famílias com essas atitudes incabíveis a um sacerdote e a qualquer outro cidadão de bem?

Sacerdócio e homossexualismo não podem caminhar juntos, não podem dar-se as mãos. Não se deve usar das Sagradas Ordens para esconder a sexualidade que é subjetiva. Antes se aceitavam pessoas com tendência homossexual, mas que não viviam o homossexualismo, hoje o nosso Santo Padre Bento XVI, de feliz reinado, sapientemente decidiu que nem mesmo as pessoas com tendência deveriam ser aceitas, uma vez que, no futuro, poderão vir a causar um eventual desgosto a Igreja, como, por exemplo, um problema de pedofilia. E sei que em muitos lugares esta lei não é cumprida. Romperam o vínculo com o Pastor instituído por Cristo. Alguns Bispos no Brasil, e talvez do mundo, têm “fome” para ordenar sacerdotes e ordenam a qualquer um que vier. Muitas vezes é alguém que tem um distúrbio sexual, ou quer servir a Igreja apenas para ter uma vida estável economicamente. Celebrar Missa e administrar os sacramentos é missão que deve ser assumida com amor, hoje vejo que estamos tendendo a fazer de algo tão importante uma atividade profissional, por falta, sobretudo, de um demasiado cuidado que os Bispos deveriam ter na formação dos futuros sacerdotes.

Mas é bom que os Bispos e os Padres não se esqueçam de que a missão deles é colaborar com o Santo Padre e não criarem “modismos” e “leis” que venham a ser contrárias ao que uma vez foi dito pelo Soberano Pontífice. A Igreja não é lugar para fazermos o que queremos, senão para agirmos na unidade. Quem não quer viver na unidade não é obrigado a permanecer na Igreja.

Sei que em minhas condições de um simples seminarista vocês podem perguntar-se: Como ele pode dizer isso? Será que não tem medo de ser expulso do Seminário? Com ordem de quem ele fala assim?  Tenham certeza de que pensei muitas e muitas vezes antes de afirmar tais coisas, mas não posso calar-me diante do que vejo, pois “não se opor a algum erro, é o mesmo que aprová-lo. Não defender a verdade é o mesmo que suprimi-la” (São Félix III, Papa). Enquanto há louváveis sacerdotes e bispos que prezam pela liturgia, pela unidade com o Papa, por zelarem por suas ovelhas; há outros que por nada prezam, muito menos pela unidade e pelo zelo litúrgico. Tem medo de falar a verdade para não ferir alguém, mas preferem conviver com a mentira que pode fazer perder uma alma.

Quando algum sacerdote manifesta-se em favor do Papa, de seus pensamentos, de sua belíssima ação, é chamado de retrógrado, ultrapassado, que não preza pela unidade porque apoia um Papa que só causa desunião. Vejo que estes que assim atacam os verdadeiros defensores da Igreja são pessoas sem nenhum exemplo de vida, que, por verem-se ameaçadas em seu comodismo preferem atacar aos fieis. Ora, se não estão contentes com as ações do Papa e com o seu modo de pensar, se for para atacar a Igreja, então é melhor que saiam dela, pois pior que um lobo em pele de cordeiro que vem atacar a Igreja, é um lobo em pele de pastor que vem arruiná-la por dentro.

Não dá para calar-me diante do erro! E se o que aqui disse incomoda então tenho certeza de que digo a coisa certa, pois a palavra de Deus é para incomodar-nos e não para acomodar-nos.

Mas a perda de valores vai além e é estimulada sobretudo pelos meios de comunicação. Vemos emissoras que em suas novelas exibem beijos homossexuais, como se já não bastasse em todas as novelas terem um casal gay, relações incestuosas, promiscuidade na juventude, incentivo ao aborto e tantas outras imoralidades. Por que não colocam os jovens que vivem a santidade, que lutam contra o pecado, que acorrem a Igreja, nas tribulações e encontram consolo, cristãos que lutam para seguirem o exemplo de Cristo e dos santos? Tudo isso para terem audiência, sem saber que a primeira audiência que ganham é a do demônio, que age por trás de todas essas coisas.

Estou cansado e desgostoso de ver essas perdas de valores nos vários âmbitos da sociedade. Não podemos desistir de lutar. Conclamemos a todos os cristãos para que levem ao mundo a verdade, sem temerem as perseguições e adversidades; que estejam em união com a Igreja e seus pastores, primeiramente com o Papa e o Colégio Apostólico e que confiem unicamente naquele que pode nos sustentar: Jesus Cristo. Que Maria santíssima, nosso pai são Bento, São Miguel Arcanjo e todos os santos venham em nosso auxílio e intercedam por nós.