Celibato: amor sem limites

Foi-me dada para leitura uma reportagem da revista Aventuras na História, Edição 85, deste mês de agosto, o tema proposto era: A Igreja e o Sexo. Em primeiro momento pensei que seria sobre a questão da defesa da Igreja nos valores morais e as propostas inaceitáveis que a sociedade hodierna apresenta-nos, mesmo que, como sabemos, o seguimento a Cristo, para muitos é inaceitável e radical; no entanto, o que se deu foi um verdadeiro “bombardeio” contra a nossa Santa Mãe Igreja e contra os Papas. Não escrevo para cobrir erros dos Papas. Sabemos que alguns levaram uma vida devassa, entregue às paixões deste mundo. Mas alguns! Porque a grande maioria deu testemunho de vida santa, radicada unicamente em Jesus Cristo e nos seus ensinamentos. A mídia não recorda Papas como Pedro, Pio X, Pio V, João XXIII, João I, Cornélio, e mesmo em nossos tempos atuais João Paulo II, João Paulo I, Pio XII, que salvou de 700.000 a 850.000 judeus da morte certa, no regime nazista. E tantos outros que se doaram totalmente à concretização do Reino de Deus, prefigurado já neste mundo pela Igreja.

Porém o objetivo não é “fazer justiça” e mostrar à humanidade os erros de alguns filhos da Igreja; o objetivo verdadeiro, que se esconde nesta farsa, é atacar a invencível Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que Ele resgatou com seu sangue (cf. At 20, 28) para que nela os homens encontrassem o verdadeiro caminho da salvação. Mas estes, que o fazem, não sabem (ou ignoram) a promessa do Seu Fundador: “Et porta inferi non prevalebunt – E nem as portas do inferno prevalecerão contra ela” (Mt. 16,18).

Mas retornando ao tema do celibato, vemos que esta preciosidade, à qual são chamados os sacerdotes, muitas vezes é interpretado de maneira precipitada. Quantos acham que o celibato é uma renúncia ao amor? Quantos vêem os padres como criaturas que não amam? Que são chamados a uma vida afastada, por assim dizer, do mundo e das pessoas. Tal interpretação é totalmente errônea, e tentarei provar o por quê.

Em primeiro lugar muitos, se perguntam: o por que de os padres não podem casar-se? “São Pedro foi Papa e se casou”, afirmam muitos categoricamente. Para começar desejo valer-me da diferença entre celibato e castidade. Poderíamos conjecturar que a castidade é o mesmo que celibato mas, na verdade, são diferenciais. Alguém que guarda o celibato, já pode ter sido casado. Outro que vive a castidade, deveras, nunca pode ter sido casado, exceto se, como a Virgem Maria, vivesse a castidade dentro do casamento.

São Pedro poderia ser viúvo. Não basta apenas afirmarmos que ele tinha uma sogra; isso seria argumento sem fundamento. De qualquer forma, estando viva ou não a sua esposa,  ele deixou tudo para seguir o Mestre. Prova disto é sua afirmação: “Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?” Ao que Jesus respondeu-lhe: “Todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna” (Mt 19, 27.29).

O Papa Paulo VI afirmou: “O celibato sacerdotal, que a Igreja guarda desde há séculos como brilhante pedra preciosa, conserva todo o seu valor mesmo nos nossos tempos, caracterizados por transformação profunda na mentalidade e nas estruturas” (Carta Encíclica Sacerdotalis Caelibatus, nº 01).

Bem nos recorda este Servo de Deus que hoje em dia, em todo o âmbito social, somos confrontados com uma mudança de mentalidade que deseja apoderar-se também da Igreja, e aos poucos essas ideologias anti-evangélicas atingem membros, mesmo do clero, que desejam aplicar esses pensamentos também na Igreja. Essa invasão foi muito bem esclarecida pelo mesmo Papa, ao dizer que: “Por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus: existe a dúvida, a incerteza, a problemática, a inquietação, o confronto. Não se tem mais confiança na Igreja; põe-se confiança no primeiro profeta profano que nos vem falar em algum jornal ou em algum movimento social, para recorrer a ele pedindo-lhe se ele tem a fórmula da verdadeira vida. E não advertimos, em vez disso, sermos nós os donos e os mestres. Entrou a dúvida nas nossas consciências, e entrou pelas janelas que deviam em vez disso, serem abertas à luz…” (Discurso em 29 de Junho de 1972)

Reconheçamos que, de alguma forma, se a Igreja hoje está infestada de pensamentos nefastos, isto se dá porque alguns de seus membros foram contaminados com os pensamentos de um mundo moderno, que apresenta uma forma de vida fácil; um mundo onde o consumismo, a ditadura do relativismo e a autossuficiência caminham lado a lado.

O Catecismo da Igreja Católica assim nos diz:

“Todos os ministros ordenados da Igreja latina, com exceção dos diáconos permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens fiéis que vivem como celibatários e querem guardar o celibato ‘por causa do Reino dos Céus’ (Mt 19,12). Chamados a consagrar-se com indiviso coração ao Senhor e a ‘cuidar das coisas do Senhor’, entregam-se inteiramente a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta nova vida a serviço da qual o ministro da Igreja é consagrado; aceito com coração alegre, ele anuncia de modo radiante o Reino de Deus” (§1579).

Os padres não são menos felizes ou amam menos por guardarem o celibato. Aí é que está a grande beleza disto: Quem mais ama são os padres. Quem mais doa-se e  vive radicalmente esta doação, são os sacerdotes. De uma grande multidão eles são pais. Por uma grande multidão eles se desgastam. Não pensam mais em si, mas apenas no próximo.

“A verdadeira e profunda razão do celibato é, como já dissemos, a escolha duma relação pessoal mais íntima e completa com o mistério de Cristo e da Igreja, em prol da humanidade inteira. Nesta escolha há lugar, sem dúvida, para a expressão dos valores supremos e humanos no grau mais elevado” (Carta Encíclica Sacerdotalis Caelibatus, nº 54).

A vocação para o sacerdócio exige também que haja vocação para o celibato. Deus, em sua divina sabedoria, quis que assim se fizesse. Por ventura nosso bondoso Pai daria uma vocação ao sacerdócio sem que a dê também para o celibato? O verdadeiro chamado de Deus para o sacerdócio requer que renunciemos a uma família, para que possamos abraçar uma multidão. Que grande dom! De Deus provém e para Deus se destina. Quem não tem vocação para o celibato, logo também não tem vocação para o sacerdócio; tê-la-á para o matrimônio, ou para a castidade, pois há outros meios [e muitos!] de servir santamente a Deus. Por exemplo: Não posso ser professor se tenho vergonha de falar em público. Posso conhecer tudo, mas a minha vergonha me impede de dirigir-me aos meus alunos.

O verdadeiro vínculo nupcial do sacerdote é com a Igreja. Feliz dos sacerdotes, pois deixam de contrair vínculo matrimonial com alguma mulher para se tornarem o próprio Cristo em cada Missa, em cada confissão, em cada celebração onde se faz presente.

Bem dizia São João Maria Vianney: “Quando um cristão avista um padre deve pensar em Nosso Senhor Jesus Cristo”. E ainda: “Se a Igreja não tivesse o sacramento da ordem, não teríamos entre nós Jesus Cristo”.

É interessante que em uma sociedade onde se clama por leis de divórcio e de projetos que se erguem contra os direitos da família, muitos estejam a gritar por casamento dos sacerdotes. É um visível paradoxo, uma verdadeira hipocrisia.

Quanto aos casos de pedofilia vale recordar as palavras do Cardeal Tarcísio Bertone, secretário de estado do Vaticano:Não há uma relação direta entre o celibato e a conduta desviada de alguns sacerdotes… Pelo contrário: é justamente a inobservância do celibato o que produz uma progressiva degradação da vida do sacerdote, que deixa de ser um exemplo, um dom, um guia espiritual para os demais… Está mais que demonstrado que o celibato, observado fielmente, é um grande valor para a missão sacerdotal e para a ajuda do Povo de Deus”.

Apenas 0,44% do clero estão envolvidos com possíveis casos de pedofilia. Philips Jenkins, em sua obra Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporany Crisis (Pedófilos e Padres: Anatômia de uma crise contemporânea), atesta que: “Comparando-se a Igreja Católica dos EUA com as principais denominações protestantes, descobre-se que a presença de pedófilos é de duas a dez vezes mais alta entre pastores protestantes do que entre padres católicos. O problema não é o celibato, no caso, a maior parte dos pastores protestantes é casada”.

As atitudes louváveis do Papa Bento XVI mediante as descobertas destes infelizes sacerdotes que trairam seu ministérios, têm mostrado que a Igreja não silencia mediante as injustiças, mas age, pois também ela impõe a espada da justiça. E não queiramos genaralizar. Como provei: a maioria dos sacerdotes tem uma vida santa e honram seu ministério!

Peçamos que, por intercessão de São João Maria Vianney e da Santíssima Virgem Maria, possamos compreender o inestimável valor do celibato.

Ut in omnibus glorificetur Deus!

Eu creio na Igreja!

Basilica de São PedroFundada por Jesus Cristo sobre o bem-aventurado Pedro, a Igreja, sinal e instrumento de salvação, tem a missão de dar continuidade a presença real de Cristo em nosso meio, por meio da Eucaristia, e da transmissão da Boa Nova a todos os homens e mulheres desta humanidade, que “geme como em dores de parto” (Rm 8, 22). Este caráter peculiar ganha mais força ainda quando sabe-se que ela é corpo de Cristo, e nós somos partes integrais que a compõe.

São Paulo dirá, de forma esplêndida, que: “[A] Igreja de Deus vivo, [é] coluna e sustentáculo da verdade” (I Tm 3, 15). E sendo assim, ela recebeu esta imperiosa missão de fazer com que a humanidade conheça a única Verdade (Jesus), que ela contém e deseja transmitir ardorosamente aos povos que não conhecem Cristo, ou buscam ocultá-lo de suas vidas. Mas hoje uma forte onda anti-católica alastrou-se por todos os cantos. A Palavra de Deus, transmitida pela santa Igreja, e que graças a ela perpassou estes dois mil anos, já não faz efeito em muitas pessoas, está a perder seu valor em muitos âmbitos da sociedade, mas a Igreja, confiante nas palavras de Cristo, nunca abandonará sua missão para satisfazer o seu bel prazer; no-lo podemos constatar mediante as grandes perseguições que ela sofreu e sofre, e mediante o sangue de muitos mártires, derramado para que assim pudesse fertilizar os solos estéreis. E isto prova que não é a sua moral que a Igreja prega, não seus ensinamentos, senão e unicamente os de Cristo, para isto ela existe e por isso ela é perseguida.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, assim ensina: “Fundado na Escritura e Tradição, ensina que esta Igreja, peregrina sobre a terra, é necessária para a salvação. Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no Seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Batismo (cfr. Mc. 16,16; Jo. 3,15), confirmou simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Batismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar” (Lumen Gentium nº 14). E São Clemente de Alexandria afirma-nos de igual modo: “Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja” (Paed, 1,6). Quanto aos não-católicos a Lumen Gentium, diz: “Deste modo, o Espírito suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo e a prática efectiva em vista de que todos, segundo o modo estabelecido por Cristo, se unam pacificamente num só rebanho sob um só pastor (31). Para alcançar este fim, não deixa nossa mãe a Igreja de orar, esperar e agir, e exorta os seus filhos a que se purifiquem e renovem, para que o sinal de Cristo brilhe mais claramente no seu rosto” (nº 15). Mas não quero ater-me a este assunto sobre questões de salvação agora, quero apenas mostrar a necessidade insubstituível da Igreja.

Não é qualquer instituição, mas é aquela que Cristo escolheu para ser sua esposa (2Cor 11,2; Ap 21,9). É nesta instituição que quero perseverar, é por ela que desejo me consumir, e sei que não será em vão.

Muito me admira a veemencia e voracidade com que muitos atacam, injustamente, a Igreja. Quanta falta de sabedoria; quanta hipocrisia a uma instituição que sempre procurou fazer o bem. É errôneo, e mais que isso, absurdo, culpar a Igreja por erros que partem de seus filhos. Mas neste momento recordo-me sempre das sábias palavras de Santo Epifânio, que logo nos primeiros séculos ressaltava a necessidade da união com a Igreja: “A Igreja é a finalidade de todas as coisas”. (Haer. 1,1,5)“ ‘Há um caminho real’, que  é a Igreja católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando-se para a direita ou para a esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros. Eia, pois, servos de Deus e filhos  da  Igreja  santa  de Deus, que conheceis  a regra segura da fé, não deixeis que vozes estranhas   vos  apartem  dela  nem  que  vos  confundam as  pretensões  das  erroneamente  chamadas  ciências”  (Haer.59,c. 12s).

Não obstante os constantes ataques a Igreja nunca perderá sua raiz, sua originalidade: os apóstolos e a Trindade, por isso mesmo ela se torna Ícone da Trindade. Pois sua raiz remete a estas três pessoas que agem continuamente nela.

Quando se diz que a Igreja é “santa e pecadora” vejo ai uma certa “precipitação”, e por que não uma confusão entre a Igreja como instituição, na sua originalidade, e o clero. O clero faz parte da Igreja (e é a parte mais importante, pois a eles cabe governar, administrar os sacramentos, tornar presente o Cristo, por meio da Eucaristia), porém não são somente eles a Igreja. A Igreja é a santa e infalível instituição que Jesus quis deixar aos homens, e por isso a edificou sobre Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Ela é – como bem recordou o Papa Leão XIII – “a obra imortal do Deus de misericórdia” e tem por fim “a salvação das almas e a felicidade eterna” (Immortale Dei, 1).

Outro ponto a si questionar desta afirmação que a Igreja é também pecadora, estaria no fato que Cristo é a Cabeça da Igreja (cf. Cl 1, 18). Ora, se o próprio Senhor a governa, como poderia ela errar? Teria Cristo abandonado sua Igreja? Será que Ele esqueceu-se de sua promessa? Não meus irmãos. Em vão tentam derrubar a Igreja, mas nunca conseguirão. O Senhor, que age em sua Igreja, é maior que todas as tribulações e ventos impetuosos, porém passageiros. “Com efeito, é à própria Igreja que foi confiado o Dom de Deus. É nela que foi depositada a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, penhor da incorruptibilidade, confirmação de nossa fé e escada de nossa ascensão para Deus. Pois lá onde está a Igreja, ali também está o Espírito de Deus; e lá onde está o Espírito de Deus, ali está a Igreja e toda graça” (Catecismo da Igreja Católica, 797).

Eis, pois, combatentes do Senhor, levantemos o estandarte da vitória, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, e permaneçamos sempre firmes nesta Igreja. Mostremos ao mundo o que realmente é a nossa Igreja. Não a abandonemos nunca, pois quem está com a Igreja Católica, está com Jesus Cristo. E crer na Igreja não é nada mais do que mostrar plena adesão a vontade de Jesus e aos seus ensinamentos.

Algumas estatísticas:

Com certeza nem todos sabiam das estatísticas que passarei agora.

No campo da instrução e da educação a Igreja administra 64.307 maternais, freqüentados por 6.394.295 alunos; 92.461 escolas primárias para 28.511.698 alunos; 39.404 institutos secundários para 16.454.439 alunos. Além disso, segue 1.715.556 de jovens das escolas superiores e 2.364.899 universitários. Este setor da atividade pastoral da Igreja marca um incremento em todas as faixas de idade: em relação ao ano precedente, os maternais aumentaram em 1.204, os primários em 911, os secundários em 2129.

Os institutos de beneficência e assistência administrados pela Igreja são no total 80.612, assim distribuídos: 5.236 hospitais, 16.679 dispensários, 656 leprosários, 14.794 institutos para idosos e portadores de deficiências, 9.996 orfanatos, 10.634 creches, 12.804 consultórios matrimoniais, 9.813 institutos de outro tipo. O continente com o maior número de estruturas é a América, seguido por Europa, Ásia, África e Oceania.

Estatísticas do site: Santa Sé

Aqui está a verdadeira riqueza da Igreja!

Então, essa era a sua visão da Igreja? Você sabia disso?

Pense bem!

Fraternalmente, em Cristo Jesus e Maria Santíssima!

O Pontífice romano é o primeiro e o maior entre todos os bispos

«O erro daqueles que pretendem que o vigário de Jesus Cristo, o Pontífice de Roma, não tem o primado na Igreja universal parece-se com o daqueles que pretendem que o Espírito Santo não procede do Filho. Pois Cristo Jesus, Filho de Deus, consagra a sua Igreja e marca-a com o sinal do Espírito Santo, como do Seu carácter e selo, o que é manifesto nos escritos dos Padres que citámos antes. Temos agora de provar, pela autoridade dos Padres gregos que esse Vigário de Jesus Cristo possui a plenitude da piedade sobre toda a Igreja. Com efeito, o Cânone do concílio prova expressamente que o Pontífice romano, sucessor de S. Pedro e vigário de Jesus Cristo é o primeiro e o maior de todos os bispos. “Nós confessamos, e está escrito, segundo as Escrituras e a definição dos Cânones, que o santíssimo Pontífice da antiga Igreja de Roma, é o primeiro e o maior de todos os bispos”. Isto é conforme à Sagrada Escritura, que atribui a S. Pedro o primeiro lugar entre os Apóstolos, tanto nos Evangelhos como nos Actos dos Apóstolos. É o que faz dizer a S. João Crisóstomo, no seu Comentário a S. Mateus sobre estas palavras: “Os discípulos aproximaram-se de Jesus dizendo: ‘quem é o maior no Reino dos Céus?’”, “Porque eles estavam escandalizados, sem o poder dissimular, como não podiam comprimir o seu orgulho humilhado, pois que viam que S. Pedro tinham sobre eles a primazia e a honra.

«O mesmo Pontífice tem o primado sobre toda a Igreja de Jesus Cristo

«É igualmente demonstrado que o Vigário de Jesus Cristo tem o primado na Igreja Universal. Lemos no concílio de Calcedónia, que “todo o Sínodo se exclama ao dizer ao papa Leão: ‘Viva o santíssimo pai Leão, apostólico e ecuménico’, ou seja universal. E S. João Crisóstomo sobre S. Mateus: “O Filho concedeu a S. Pedro o poder que vem do Pai e do próprio Filho, sobre todo o universo. E ele deu a um homem mortal a autoridade sobre tudo o que está no Céu, ao confiar-lhe as chaves, para estender a Sua Igreja a toda a Terra”. E na sua Homilia sobre S. João, c.VIII diz: “Ele estabeleceu S. Tiago num só lugar, mas fez de S. Pedro mestre e doutor de todo o universo”. E também sobre os Actos dos Apóstolos: “S. Pedro recebeu do Filho autoridade sobre todos os que lhe pertencem, não como Moisés sobre um só povo, mas em todo o universo.” Isto deduz-se também das Sagradas Escrituras. Pois Nosso Senhor Jesus Cristo confiou a S. Pedro todos as suas ovelhas dizendo (Jo 24) “Apascenta as minhas ovelhas” e no cap. 10 “Para que haja um só rebanho e um só pastor”.

«Ele herdou o poder que Jesus Cristo deu a S. Pedro

«Prova-se que sendo S. Pedro o Vigário de Jesus Cristo e o Pontífice romano sucessor de S. Pedro, este último é o herdeiro do seu poder. Está escrito no Cânone do concílio de Calcedónia:; “Se algum bispo está acusado de infâmia, que ele tenha a liberdade de apelar ao bem-aventurado da antiga Igreja de Roma. Porque temos Pedro, nosso pai, por refúgio, e só a ele pertence o direito, no lugar de Deus, de conhecer a criminalidade de um bispo acusado, pelo poder das chaves que Deus lhe deu”. E mais adiante: “Que tudo o que ele decide seja aceite como do vigário do trono apostólico”. S. Cirilo, patriarca de Jerusalém, disse falando na pessoa de Cristo: “Tu por um tempo e eu eternamente, eu estarei com todos os que colocarei no teu lugar, pela autoridade e os sacramentos, como estou contigo”. S. Cirilo diz, no seu livro Thesaurorum, que “os Apóstolos afirmaram, no Evangelho, e nas suas Epístolas, que para a doutrina, Pedro e a sua Igreja tinham o lugar de Deus, dando-lhe a primazia em todas as reuniões e todas as assembleias, em todas as eleições e em todas as decisões”, e mais adiante: “Todos inclinam a cabeça diante dele (Pedro), de direito divino, e todos os primazes do mundo obedecem-lhe como ao Senhor Jesus”. S. João Crisóstomo diz, falando na pessoa do Filho: “’Apascenta as minhas ovelhas’, quer dizer, está à cabeça dos teus irmãos, em meu lugar.”» (Contra errores Graecorum,  parte 2, c. 32, 33 e 35)