E Pedro falou!

O Santo Padre Bento XVI no seu discurso aos Bispos do Regional Nordeste 5 na manhã desta quinta-feira, dia 28, foi verdadeiramente feliz em suas colocações.

Na situação drástica em que está a política brasileira hoje, vemos o PT e sua candidata Dilma que querem a todo custo aprovar a legalização do aborto, a retirada de símbolos religiosos de lugares públicos, etc. Têm duas caras: por um lado dizem não querer legalizar, e ainda dizem estar em defesa da vida; por outro, são a favor do aborto e buscam legalizá-lo. A Igreja agradece a Deus por um pastor tão fiel ao ministério que lhe foi confiado. O Santo Padre não teme os ataques e impropérios daqueles que se erguem contra ele, não se silencia mediante os ataques ao Evangelho e aos ensinamentos pela Igreja transmitidos desde os apóstolos.

Por isso, hoje, no seu discurso, vemos de forma clara aquilo que Jesus sempre chamava a atenção: aos lobos em pele de cordeiro. Não precisa nem citar o partido, pois sabemos que de forma indireta o Santo Padre critica veementemente as atitudes petistas. E nos convida a usar o voto contra estes que buscam impor-se na sociedade.

Não temer a oposição e a impopularidade. Outro ponto ao qual nos exorta o Santo Padre. A Igreja não precisa ser popular, a Igreja precisa anunciar o Evangelho, como diz são Paulo, quer agrade, quer desagrade. Se anunciar o Evangelho não traz popularidade, então não somos popular; pois antes não ser popular mas ser fiel aos mandamentos de Cristo, do que ser popular e ab-rogar o mandamento do Senhor a nós confiado. Popularidade não salva ninguém, e o Papa sabe disso ao proferir tais palavras.

Certamente muitos Bispos e Padres não estão felizes com o posicionamento do Papa, não é Dom Pedro Casaldáliga, Dom Demétrio Valentini, entre outros (sobretudo os da Teologia da Libertação)? Mas vão ter que engolir, afinal: Quem falou foi Pedro!

Neste dia de São Judas Tadeu, peçamos que ele corte, com seu machado, toda raiz de ódio e intolerância imposta pelo Partido dos Trabalhadores.

E Viva o Santo Padre Bento XVI!

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Segue abaixo o discurso do Santo Padre:

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas(cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases(cf. Evangelium vitae, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo»(ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Benedictus PP. XVI

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Veja também: O “grave dever” dos bispos de orientarem os fiéis também em questões políticas, do blog Deus lo Vult!.

Leia mais: Bento XVI e o Silêncio dos Bispos, do blog do padre Paulo Ricardo.

SENADO APROVA ACORDO BRASIL-SANTA SÉ

Brasília, 08 out (RV) – O acordo diplomático entre Brasil e Santa Sé foi aprovado ontem pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal (CRE). A matéria segue agora para a promulgação do presidente do Congresso Nacional, José Sarney. O acordo foi assinado em novembro passado pelo presidente Lula e o Papa Bento XVI, no Vaticano.

Com a aprovação, o Brasil reconhece à Igreja Católica, com fundamento no direito de liberdade religiosa, “o direito de desempenhar a sua missão apostólica, garantindo o exercício público de suas atividades, observado o ordenamento jurídico brasileiro”.

O acordo trata do Estatuto Jurídico da Igreja Católica e possui 20 artigos. Em seus pontos principais, estabelece as bases para o relacionamento entre a Igreja Católica e o Estado brasileiro; reafirma a personalidade jurídica da Igreja e de suas entidades, como a Conferência Episcopal, as dioceses e as paróquias, reconhece às instituições assistenciais religiosas igual tratamento tributário e previdenciário garantido a entidades civis semelhantes. Prevê também a colaboração entre a Igreja e o Estado na tutela do patrimônio cultural do país, preservando a finalidade de templos e objetos de culto.

Em relação ao ensino religioso nas escolas, o artigo 11 do texto prevê que a disciplina seja facultativa e parte dos “horários normais” nas escolas públicas de ensino fundamental de todo o País. Já o artigo 12, relativo ao matrimônio, confirma a atribuição de efeitos civis ao casamento religioso.

Nos últimos anos, a Santa Sé firmou mais de 100 acordos desse gênero, de modo especial com países do antigo bloco soviético, no Oriente Médio e na África.
Depois de ter sido aprovado no Senado, o Acordo agora deverá ser remitido ao Presidente Lula para sua promulgação, publicação no Diário Oficial e posterior entrada em vigor.(CM)