Missão: objetivo da vida cristã

Mesmo viajando, dediquei um tempo a escrever o artigo deste XIV domingo do Tempo Comum. Precisamente porque no Evangelho encontramos uma fonte riquíssima sobre a necessidade do “ser missionário” hoje, especialmente em um mundo conturbado pelos valores anti-evangélicos e uma descristianização da humanidade. Enviando os discípulos para a missão, Jesus que mostrar-nos que o cristão deve estar inserido na missão, e, sobretudo, que este é o objetivo específico da vida cristã: anunciar Jesus a outros que ainda não o conhecem.

“Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe” (Lc 10, 2). Em nossos dias, a Igreja tem repetido este mesmo pedido de Jesus. Poucos são os operários. E são poucos não por falta de quem os guie, mas porque são profundamente tomados pela escuridão das trevas. Nosso Senhor não apresenta forma de vida fácil para seus seguidores; pelo contrário, estes terão que sofrer muito, e, se preciso, terão que doar suas vidas pela causa do Reino de Deus. E precisamente aqui se prova a verdadeira capacidade de um discípulo, sua sinceridade e o seu amor incondicional pelo Evangelho. No domingo passado Jesus apresentou os meios pelos quais é possível segui-lo. Agora ele apresenta as conseqüências, mas também os inúmeros milagres que poderão ser operados, em seu nome, para a conversão das almas e para o perdão dos pecados.

A constante necessidade da Igreja para que aumente o número de sacerdotes é justamente porque ela tem esse perene dever de levar Jesus a lugares onde ele ainda é ocultado, às vezes por falta de conhecimento, outras vezes por causa de um sistema político capitalista e comunista, outras vezes, ainda, por causa de conflitos religiosos. E nesta sua missão ela vê se cumprir as palavras de Cristo: “Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos” (Lc 10, 3). Sim, em uma sociedade tomada por “lobos” que querem impedir a expansão do Evangelho e a sua ação salvífica entre os homens, a Igreja toma para si todas as fadigas que suporta em nome de Cristo, e imperiosamente faz com que a Boa notícia seja anunciada a todos os homens deste mundo.

Jamais a Igreja se calará, pois sua missão não parte deste mundo, mas parte de uma ação de Cristo, de um desejo manifestado pelo Salvador. Nem os grandes imperadores puderam silenciar a Igreja. Nem este mundo poderá silenciar a Igreja, mas a Igreja silenciará o mundo, com todos os seus pecados, as suas omissões no seguimento a Cristo, a sua falta de amor. Ela mostra ao mundo que, só em Cristo, a humanidade poderá falar aquilo que é útil e que produz vida, santidade.

“Jesus disse-lhes: Vi Satanás cair do céu como um raio” (Lc 10, 18). Também nós poderemos contemplar esta visão, de ver cair, não mais Satanás, mas as suas artimanhas, suas ideologias e projetos, sua investidura contra a Santa Fé Católica e contra o Reino de Deus, prefigurado na Igreja.

Verdadeiramente, maior que as investidas do demônio, e mais salutar que seus ensinamentos, é a Cruz de Cristo, penhor da humanidade e salvação dos que crêem.

Peçamos ao Senhor que nos guie e faça de nós pessoas comprometidas com o Evangelho, para que aconteça conosco o que aconteceu com os apóstolos: estejamos com nossos nomes escritos no céu. E isto só poderá acontecer quando, vencendo as batalhas e cumprida a nossa missão, repousarmos em Cristo.

Fraternalmente em Cristo Jesus e Maria Santíssima!

Sacerdotes segundo o Coração de Jesus

Encerrando o Ano Sacerdotal e neste dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, senti-me na necessidade de escrever aos nossos sacerdotes, em particular os que visitam este humilde blog que dispõe-se a serviço da Santa Igreja e da evangelização.

Desejo saudar a cada um de forma afetuosa, em Cristo Jesus e Maria Santíssima.

O Ano Sacerdotal foi uma experiência frutuosa para toda a Igreja, radicada em um clamor insistente pedindo sacerdotes santos para que, com sapiência, possam guiar o povo de Deus.

Esta feliz iniciativa do Santo Padre, o Papa, põe ante nossos olhos a urgente necessidade de rezarmos constantemente pedindo por alguns sacerdotes que passam por alguma dificuldade, ou que se desviam do mandato missionário, agindo de forma não muitas vezes errônea e imoral.

As leituras propostas à esta Solenidade relatam-nos a missão do sacerdote e como ele deve exercê-la, observando as Escrituras e confiantes na misericórdia incessante de Deus.

Na primeira leitura (Ez 34,11-16), assim como no Evangelho, somos postos em uma figura de linguagem, comumente usada na Igreja: pastor e ovelha. “Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas” (v. 11). Vemos aqui já uma prefiguração da missão de Jesus. Este pastor que nos relata o profeta é o próprio Cristo, que, não permanecendo inacessível nos céus, quis fazer deste mundo sua habitação, e mais que isto: quis fazer de nós sua habitação. O Sumo e Eterno Sacerdote também quis estar presente e fazer dele as palavras do livro aos Hebreus: “O sacerdote é tirado do meio do povo, para ser posto no meio do povo”. Mas Ele poderia assumir um sacerdócio diferente, não necessitaria sair da Virgem Maria. O que quer Cristo mostrar?

Em minha concepção Jesus aponta-nos que, apesar de seres seus representantes, e agirem em sua pessoa, os sacerdotes também tem suas fraquezas, seus limites. Não podemos crucificar os padres por causa do erro de alguns membros do clero. Há padres que vivem a Boa Nova do Evangelho, são perseguidos, mortos. Padres que trabalham em prol dos que sofrem, tanto pelo sistema opressor do capitalismo, do marxismo, do comunismo, quanto pelas enfermidades corporais. Mas isso a mídia não propaga. Omite-se em anunciar uma verdade, para se apegar a mitos que criam na tentativa de, inutilmente, tentar derrubar a Igreja.

“Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-la conforme o direito” (v. 16). Estas missões às quais os pastores de hoje são chamados, florescem cada dia mais no jardim da humanidade. Muitas são as ovelhas perdidas, que apascentam a si mesmas, se bem que algumas não se deixam apascentar.

Eis que os nossos sacerdotes devem ser pastores, assumindo a missão que lhes foi confiada pelo próprio Cristo: “Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos” (Lc 10, 3). “Ide!” Ainda hoje Jesus continua a fazer este veemente apelo, para que não se cesse nunca o ardor missionário que os padres devem ter. Iremos Senhor. Mas iremos olhando para ti, observando teus mandamentos e guiando-nos pelo teu caminho, que é a Igreja.

No Evangelho Jesus afirma: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?” (Lc 15, 4). Parece paradoxal esta parábola, principalmente quando Jesus completa: “Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (v. 7).

Não seria o céu um lugar para se alegrar pelos justos? Também! Mas se o é, ainda mais o será pelos pecadores.

Mergulhados na imensidão do Sagrado Coração de Jesus, queremos pedir que Ele olhe e proteja os nossos sacerdotes. A misericórdia infinita do Senhor é capaz de acolher a todos, por maior que seja o pecado. Basta arrepender-se de coração humilhado e confiar no Senhor que tudo perdoa. Ao contrário do nosso coração, o Coração de Jesus sabe amar e perdoar. Para aprender a amar o único meio é mergulharmos na inexaurível fonte de graças que jorram abundantemente do Coração de Jesus, ferido por nossos pecados. Introduzamo-nos neste mistério e descubramos que o Senhor convida a todos nós. E por que não aceitar o seu convite? Vamos ao manancial de graças. Deixemo-nos tomar por este espírito de amor, ao qual pedimos que hoje possa irradiar todo o mundo.

Do coração ferido pela lança, outrora saiu sangue e água, hoje saem o amor e a misericórdia, que a ninguém abandona e que a todos conforta.

Jesus é o amor que os cristão devem experimentar; caso contrário viverão na superficialidade e sentirão falta de algo essencial na caminhada. Ninguém tem uma boa caminhada religiosa se não ama, e mais ainda, se não sabe o que é o amor de Cristo. O desejo da santidade parte também do amor. Porque amaram, os santos puderam testemunhar o Evangelho de Cristo, puderam vivê-lo com fidelidade e puderam ter um feliz encontro com Deus.

Peçamos pelos que andam no mundo obscuro, para que seja-lhes dada a visão da luz.

Que este Ano Sacerdotal não fique restrito apenas ao tempo cronológico. Mas que esteja sempre no presente da vida sacerdotal.

Permaneçamos sempre confiantes nas palavras de Jesus a Santa Maria Alacoque: “Afinal reinará, este amável Coração, apesar de todos os que se quererão opor. Satã e todos os seus seguidores serão confundidos”

Maria: Mãe de Deus e nossa

Por ocasião do dia mundial da paz e deste novo ano que se iniciará, desejo a todos vós, bem como a vossos familiares, um feliz ano novo com o coração voltado para o mistério da salvação que realiza-se em Cristo. Em verdade sobrepõe-se hoje a ideologia de que o ano novo deve ser voltado para festas e não para o Cristo. Infelizmente estes, que de tal forma pensam, não conhecem ou não se aprofundaram no mistério da encarnação

Existem nexos entre a celebração da Solenidade de Maria, Santa Mãe de Deus e o dia mundial da paz, que foi oportunamente estabelecido à esta data. Verdadeiramente Maria é aquela que doa a Paz ao mundo e nela os homens encontram o caminho para a plena paz, a salvação de todos os homens. O mistério da maternidade divina de Maria deixa a razão humana perplexa. Talvez por se crer que Deus é um ser incriável, a quem todos e tudo fez e que não foi feito. Ora, realmente Deus é um ser incriável. Mas o fato de ter se tornado homem, como um de nós, de ter querido encarnar-se no seio da Virgem Maria e de salvar o gênero humano sendo homem, põe ante os nossos olhos o fato de que a Virgem, predestinada para esse objetivo, serva do Senhor, aceitou na sua humildade aquilo que Deus queria e O fez.

“A expressão Theotokos, que literalmente significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz Maria.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana”. (Livro A Virgem Maria, Papa João Paulo II)
Sedúlio escreve: “Salve, ó Santa Mãe de Deus, vós destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos!” (Antífona de entrada). Sim meus irmãos, saudemos a Maria, nela inicia todo o projeto salvífico da humanidade, “pois ela nos trouxe o autor da vida” (Oração da coleta). Que dizer de tão grande mistério, senão expressar nossa veneração?
Nas leituras centraliza-se a pessoa de Jesus – que nos faz venerar mais ainda Maria –, afinal estamos na oitava de Natal, e antes se celebrava, neste dia, a Festa da Circuncisão do Senhor.
Na primeira leitura vemos a benção que o Senhor dá a Moisés e que perpassa nestes vários séculos depois. “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o rosto e te dê a paz!” (Nm 6, 24-26). Esta benção que ainda hoje o sacerdote repete convida-nos a abrirmo-nos à misericordia infinita de Deus, para que aceitando-a possamos receber os frutos e benção divinas.
“É assim cumprida a antiga tradição judaica da bênção (Nm 6, 22-27): os sacerdotes de Israel abençoavam o povo ‘impondo sobre ele o nome’ do Senhor. Com uma fórmula ternária presente na primeira leitura o santo Nome era invocado três vezes sobre os fiéis, como votos de graça e de paz. Esta tradição remota conduz-nos a uma realidade essencial: para poder caminhar pela vereda da paz, os homens e os povos precisam de ser iluminados pelo ‘rosto’ de Deus e ser abençoados pelo seu ‘nome’. Precisamente isto se concretizou de modo definitivo com a Encarnação: a vinda do Filho de Deus na nossa carne e na história trouxe uma bênção irrevogável, uma luz que nunca se apaga e que oferece aos crentes e aos homens de boa vontade a possibilidade de construir a civilização do amor e da paz” (Papa Bento XVI, Homilia na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, 2009).
Na segunda leitura Paulo fala da plenitude dos tempos, onde Deus envia seu Filho, “nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei” (Gl 4,4). E o apóstolo acrescenta: “Já não és ecravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça do Senhor” (Gl 7). Assim conhecemos a misericórdia de Deus que se manifesta. Somos filhos, somos herdeiros, tudo isso por “graça”. Esta “graça” manifestou-se ao mundo no Natal. Ele veio para que a humanidade pudesse redescobrir os valores do amor, da fé, da esperança, da fidelidade. Jesus não vem para libertar economicamente. Seria demasiada ignorância pensarmos assim. Ele é a Graça de Deus manifestada em nosso meio; e, hoje, Ele que manifestar-se também em nós. Por isso, com a vinda do Filho de Deus, também nós tornamo-nos filhos, e por conseguinte tornamo-nos herdeiros. O seu amor O levou a tornar-se, mais que homem, tornou-se pobre. E assim podemos citar a expressão de São Paulo na segunda Carta aos Coríntios: “Com efeito – escreve ele – conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que por causa de vós se fez pobre, embora fosse rico, para vos enriquecer com a sua pobreza” (8, 9).
Gostaria de recordar o Santo Evangelho que nos afirma: “Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido” (Lc 2,20). Esta narrativa do Evangelho convida-nos, também hoje, a agradecermos a Deus por todas as maravilhas que Ele nos proporcionou, a começar do Seu Filho Jesus, nosso Salvador, passando pelas graças deste ano que se encerra. Não deixemo-nos abalar pelos ventos fortes que, indubitavelmente, é algo que ocorre na vida de todos os cristão, e que por um lado é util pois nos fortalece na oração. Assim como os pastores, glorifiquemos a Deus. Ele é aquele que nos acolhe de braços abertos, mesmo que o pecado leve-nos a cair várias vezes, Deus está ali e nos diz: “Coragem! Levanta-te!”
Por fim, faço uma alusão a mensagem do Santo Padre Papa Bento XVI para o dia mundial da paz, que tem co
mo tema: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. Todo o ser humano é chamado a defender a criação. Ela não é só um meio de crescimento e de exploração para o desenvolvimento capitalista. Ela é dom de Deus e nos põe em profundo contato com Ele.

A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os cristãos, iluminados pela Revelação divina e seguindo a Tradição da Igreja, prestam a sua própria contribuição. Consideram o cosmos e as suas maravilhas à luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo, que, pela sua morte e ressurreição, reconciliou com Deus «todas as criaturas, na terra e nos céus» (Cl 1, 20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu à humanidade o dom do seu Espírito santificador, que guia o caminho da história à espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, serão inaugurados «novos céus e uma nova terra» (2 Pd 3, 13), onde habitarão a justiça e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se há-de enfrentar com renovado e concorde empenho; é uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os responsáveis das nações e quantos, nos diversos níveis, têm a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da criação e a realização da paz são realidades intimamente ligadas entre si” (Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, 2010).

A Maria, mãe que nos acolhe no seu regaço materno, peço que ela esteja sempre nos defendendo nas insidiosas estradas que a vida oferece, para que trilhemos o único e verdadeiro caminho.
Mais uma vez um feliz ano novo a todos!
Pax Domini