São Pedro e São Paulo: modelos de verdadeiro e real apostolado!

Desde as épocas remontas a Igreja celebra neste mesmo dia, 29 de junho, a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Igreja que, por amor a Cristo, fizeram doação de sua própria vida em favor da expansão do Evangelho pelo mundo.

Também constitui o momento de renovarmos a nossa fé na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, e reafirmarmos nossa comunhão ao Santo Padre Bento XVI, cujo dia hoje celebramos, de modo particular nesta Solenidade que comemoramos o seu 60º aniversário de ordenação sacerdotal. Rendamos graças a Deus por sua vida de testemunho e serviço à Igreja e peçamos que, por muitos anos, ocupe a Cátedra de Pedro, com o seu belíssimo exemplo de apostolado e que possa percorrer o mundo anunciando o Evangelho com o espírito de São Paulo.

Hoje a Igreja retorna às suas origens e contempla estas tão excelsas personagens, procurando inserir seus exemplos em nossos dias tão conturbados por ideologias que, apesar de parecerem convincentes, boas e fáceis, se contrapõem ao Evangelho. Perturbados estão os nossos corações como outrora esteve o coração de São Pedro, mas ele não desanimou e, mesmo no cárcere, continuou a render louvor a Deus com toda a Igreja. Uma noite lhe apareceu o anjo do Senhor que lhe disse: “Levanta-te depressa!” (At 12, 7). E o anjo o libertou da cadeia sem que fosse visto pelos guardas. Maravilhosos prodígios realiza o Senhor por nós!. Realiza-o primeiramente em favor de Pedro e depois em favor de toda a Igreja.

A posição de estar em pé é muito significativa, como foi dito por nós em uma das reflexões passadas. Está em pé aquele que está pronto a servir, que é humilde, que caminha. Pedro levantou-se porque sentiu que a sua missão não findava ali, mas ainda deveria continuar, ele deveria ser um sinal luminoso para toda a Igreja que estava sacudida pelas perseguições e violentada pelos vários ventos de doutrinas. Hoje, como fizera o anjo a Pedro, ele quebra as correntes do pecado que aprisionam aos membros da Igreja, e também a estes encoraja para que possam erguer-se. Assim tomamos consciência de que, apesar das debilidades dos homens de hoje, que estão inseridos no Corpo místico de Cristo, a Igreja nunca poderá estar “presa” pelas investidas de Satanás que propõe derrubá-la.

Levante, ó Igreja! Aquilo que anuncias não é utópico, não está restrito a um passado distante. Aquilo que anuncias é o próprio Cristo, Senhor da vida, que impera sobre a morte e sobre todas as investidas malignas. Somos também constituídos de uma liberdade. Esta liberdade, porém, deve ser usada para nos aproximar de Deus e não para nos afastar d’Ele. São Pedro nos diz que a pior doença das almas é a ignorância. Mas que ignorância é esta? Como ela pode ser definida? Esta ignorância é a ausência de Deus da vida do homem, é o não conhecer a Deus. Só aquele que conhece a Deus possui a verdadeira sabedoria, e isto porque só em Deus reside a verdadeira sabedoria. Como dirá a Escritura: “O temor ao Senhor eis a sabedoria. Fugir do mal eis a inteligência” ( 28,28).Quem não O conhece não tem a vida eterna prometida por Jesus e destinada a todos aqueles que nele põem a sua confiança, exceto se esse não conhecer seja dado por uma falta de evangelização que, infelizmente, ainda não chegou a todo o mundo.

E é evidente que há duas formas de conhecer a Cristo: a primeira é a forma “superficial”, vista da multidão. Um olhar passageiro e distante, que é extrínseco e, por isso, incapaz de causar uma transformação no modo de agir de cada um. A segunda forma é mais intensa, é o olhar que modifica o íntimo, o olhar dos discípulos. Puderam compartilhar deste olhar a pecadora arrependida, Zaqueu, o ladrão que na cruz clama por perdão, o centurião que vai a Jesus para pedir por seu filho e o cobrador de impostos Levi, mas também tantos e tantos que foram modificados pelo olhar intrínseco dos que puderam conhecer a Cristo, e conhecer no sentido profundo e verdadeiro da palavra. Aquela pequena minoria é chamada a diferenciar-se de toda a multidão. E é verdadeiramente indiscutível e visível que os cristãos devem voltar às origens, devem apresentar-se ao mundo primeiro por suas ações, pelo testemunho que deve acompanhar a atividade eclesial.

Simão Pedro foi outro que pôde conhecer verdadeiramente a Cristo. E em dois momentos principais podemos ver esta manifestação: Em Cesaréia de Filipe e no mar de Tiberíades. Antes da sua morte Jesus institui Pedro como chefe da Sua Igreja; depois da morte Jesus confia a Pedro o pastoreio das ovelhas e confirma a missão que já lhe fora outorgada, pois só depois de Sua morte Jesus realmente solidifica as bases da sua Igreja, uma vez que fora comprada com o Seu sangue (cf. At 20, 28).

Gostaria de meditar sobre este primeiro momento que hoje nos narra o Evangelho. Pedro aqui é posto por Jesus como sinal de sustento para a Igreja e na frase dirigida a Jesus, após tê-los indagado sobre sua identidade, encontramos todo o lugar onde também está alicerçada a nossa profissão de fé: “Tu es Christus, Filius Dei vivi – Tu és Cristo, Filho de Deus vivo” (Mt 16, 16). E para nós, quem é Jesus Cristo? O que Ele significa para o nosso mundo que vive distante de Deus? O que Pedro professara é o ponto de discórdia para o mundo. Não se quer admitir que Jesus seja o Filho de Deus, e que Ele possa reivindicar para Si a adoração de Deus. Não se admite que Ele seja a salvação e um sinal de esperança para o mundo. Não se admite que Ele seja o ponto de partida e de chegada da humanidade.

A Pedro que iria negá-lo três vezes – e Jesus o sabia – Ele confia o mandato de governar a Igreja, de ser o primeiro Papa. Eis aqui um encontro misericordioso de Jesus com Pedro. Ele olha para Pedro, Pedro conhecia-o e sente este olhar quando se encontram em Tiberíades. “Tu és Pedro”. És Rocha, na qual o Senhor edifica a Sua Igreja, que é toda Santa. Mas quantas vezes desfiguramos a Igreja porque somos maculados pelo pecado?! Quantas vezes não nos submetemos a Deus para submetermo-nos ao mundo, porque parece difícil trilhar os caminhos da santidade? Pedro deixou o medo falar mais alto do que sua fé. Conosco, porém, o exemplo de Pedro e de tantos mártires deve nos precaver dessas tentações. Devemos temer o medo. Devemos manifestar ao mundo que o derramamento do sangue dos mártires não invoca divisão e de guerra, mas amor e uma verdadeira esperança. Ele relembra este sinal de união entre o céu e a terra, do qual Pedro é detentor das chaves.

Outro que experimenta o olhar misericordioso do Senhor é São Paulo. Ainda jovem Paulo via o olhar piedoso dos muitos cristãos que ele perseguiu, agora ele olha piedosamente para Jesus e sabe que tudo o que foi feito nele será consumado. Por isso, consciente do fim de sua missão, Paulo exclama:  “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2 Tm 4, 7). Guarda a fé aquele que antes no-la havia dado ao mundo, e a guarda não por viver de forma egoísta, mas porque vivenciou tudo aquilo que havia propagado, porque o que anunciou ao mundo, os sofrimentos que lista aos cristãos, ele já havia sentido em si.

São Paulo é para a Igreja espelho de sua ação missionária. A Igreja não é uma “porção” do povo que segue a uma ideologia, seja por atração ou por um bem estar, ao contrário: é o reflexo da viva e constante atuação de Cristo no mundo. É sustentada pelo Espírito Santo e a sua essência é a santidade! O apóstolo faz dessa atuação o sentido da sua vida. Na sua conversão ele encontra-se com o olhar misericordioso do Senhor, a partir daí sua vida já não era-lhe característica íntima mas pertencia a todos, sobretudo a Cristo, por isso exclama com tanta convicção: “É Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Esta frase expressa uma doação total nossa a Cristo; um doar-se sem reservas, sem esperar nada em benefício próprio. Ser cristão é amar e saber que muitas vezes seremos perseguidos e maltratados, e ainda assim continuaremos a amar. Isso Paulo fez e isso ele ensina-nos a fazermos.

Queremos rezar agora. Senhor, vos pedimos a graça de perseverarmos na unidade com o Sucessor de São Pedro, e o Colégio Apostólico. Não deixeis que a vossa Igreja seja maculada por divisões, mas que possa mostrar ao mundo que somente se estiver em Vós ela poderá permanecer unida em oração, como se encontraram a Santíssima Virgem Maria e os Apóstolos no Cenáculo. E erguemos uma prece incessante de agradecimento por estes modelos de vida que hoje celebramos, tão exemplares, pedindo “que a Igreja siga sempre o ensinamento dos Apóstolos dos quais recebeu o primeiro anúncio da fé” (Oração da Coleta).

Fazer a vontade de Deus (Meditações das Cartas Paulinas 1Tes 4,1-8)

Dando continuidade às meditações, detenhamo-nos hoje sobre o quarto capítulo, versículos de 1-8, da Carta de São Paulo à comunidade de Tessalônica, que transparece uma solícita preocupação do apóstolo, sobretudo, com a vinda definitiva do Senhor que terá reflexo nas ações da comunidade.

Tomemos o versículo que dá título ao artigo: “Enfim, irmãos, nós vos pedimos e exortamos, no Senhor Jesus, que progridais sempre mais no modo de proceder para agradar a Deus. A vontade de Deus é que sejais santos e que vos afasteis da imoralidade” (1Tes 4, 1.3). Paulo usa o termo Senhor, isto é Kyrie, não se referindo a Deus Pai, mas a Cristo, Senhor de todas as coisas.

Nunca é demais falar de santidade! Em nossos dias, tanto quanto antes, precisamos de Santos que deem testemunho autêntico do Evangelho, ainda que por vezes este pareça ser radical.

Fazer a vontade de Deus hoje parece impossível e não dá, por assim dizer, prestígio, mas acarreta em um sofrimento, que deve ser vivido com resignação na hodierna sociedade. A forma de viver do mundo contradiz os preceitos do Evangelho, e clama para muitas almas que caminhem para a perdição. Nesta ideologia, neste contexto que se desponta ante nossos olhos, somos chamados, como cristãos, a darmos testemunho de vida e de santidade irrepreensível. Ainda que a fragilidade pareça nos derrubar e nos humilhar em nossa condição, Deus estende sua mão para todos nós, e nos chama a recomeçar de onde paramos. Por isso, a vida do cristão é sempre um recomeço. Já o insensato caminha direto, sem fazer a parada necessária para recarregar suas forças e nutrir-se do próprio Cristo. Este, ao chegar ao final do longo percurso, estará cansado e sobrecarregado e não terá forças para concluir sua jornada.

Por isso, devemos nos perguntar: qual a vontade de Deus para nós? Qual a vontade de Deus em um mundo que deixa-se dominar pela profanação e se esquece do seu Criador? Qual a vontade de Deus em um mundo onde os homens perpetram maldades contra seu próximo?

Não é fácil submeter-se a alguém e sujeitar-se a seus desejos. Mas, em contraposição aos desejos do homem, os desejos de Deus nos dão a garantia eterna da salvação. Só em Deus há salvação, e só n’Ele está a garantia da eterna felicidade do homem. Qualquer um que queira salvar-se fora de Deus nada mais encontrará do que vazio e tormento. Não é necessário que nos aprofundemos em diversos livros para conhecer a vontade de Deus; de diversas formas Ele nos fala. A Sagrada Escritura é um dos meios eficazes para conhecermos aquilo que Deus espera de nós.

Agora nos detenhamos nos versículos 4-8, que soam de forma específica para todos hoje, e mais ainda, é como que duro em suas afirmações.

“Saiba cada um de vós viver seu matrimônio com santidade e com honra, sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique ou lese o irmão, pois o Senhor é vingador de todas estas coisas, como já vos dissemos e atestamos. Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Portanto, quem rejeita esta instrução não rejeita a uma pessoa humana, mas ao próprio Deus, que vos dá também o seu Espírito Santo”.

São Paulo dirige-se aos casais para que vivam seu matrimônio com santidade e honra. Não obstante os dois mil anos que nos separam do escrito paulino, suas palavras incidem veementemente nos nossos tempos tomados pela desunião entre os casais, a falta de fidelidade e outros problemas que corroem a vida conjugal.

Quanto ao fato de afirmar que o Senhor é vingador este termo São Paulo não usa para designar um Ser de ira implacável; ele afirma, sim, que Deus faz justiça, e que também em seu nome vem o adjetivo Justo.

E eis que aqui São Paulo responde à pergunta feita anteriormente: Qual a vontade de Deus? A vontade de Deus é que sejamos santos. Não devemos nos entorpecer nos caminhos obscuros da impureza, mas devemos trilhar o caminho da salvação, o qual Cristo aponta a todos os homens, sem distinção: seja para o rico ou para o pobre; para o negro ou para o branco; para o homem ou para a mulher.

E quantos rejeitam este convite de nosso Senhor transmitido pela Igreja?! Mas saibam que não rejeitam senão ao Espírito Santo, que nos foi e é dado por Deus. E sem o Espírito Santo presente em nós, estejamos certos de que todas as nossas ações serão vãs. Se fazemos as coisas, façamo-las bem, e façamos tudo para a maior glória de Deus! Ora, é insensato aquele que busca a Deus somente por interesse. Deus nos reserva algo maior que um bem estar econômico neste mundo. Ele nos reserva o maior bem que poderíamos ter: a contemplação incessante da Sua face.

De nosso coração deixemos que surja uma oração de clamor e de agradecimento: Nós te rendemos graças, Senhor, e te suplicamos que possas excluir da terra toda a ganância que surja no coração do homem, e tudo aquilo que o torna escravo de suas paixões. Te agradecemos pela vida, e pedimos por aqueles que dela são privados. Te agradecemos pelo Teu Espírito Santo, e pedimos que Ele seja derramado novamente em profusão sobre toda a Igreja, para que, ainda mediante as dificuldades, ela seja a primeira a dar testemunho autêntico do Evangelho. Amém!

Meditações sobre as Cartas Paulinas – 1 Tes 2 (Parte II)

A Palavra de Deus por excelência é Jesus Cristo, e isto a Igreja sempre teve presente consigo durante a sua jornada terrena. O Logos encarna-se no seio virginal de Maria, a Palavra faz-se carne, como nos relata o Apóstolo João (cf. Jo 1,14). Este maravilhoso acontecimento dá um novo rumo à humanidade e a transforma, ainda que em sua fragilidade. Mesmo em nossa fragilidade, mesmo com os nossos pecados, em nossa miséria incomensurável, ainda que estejamos no maior dos abismos, Deus se inclina e nos olha com misericórdia; Ele desce aos abismos, se rebaixa à nossa condição humana para resgatar-nos. E triste é ver que muitos o renegam!Muitos não se deixam amar por Deus.

E assim, São Paulo continua sua exortação aos Tessalonicenses, no capítulo 2, versículos 13 a 20, do qual falaremos hoje. Escreve: “Agradecemos a Deus sem cessar, por que, ao receberdes a palavra de Deus que ouvistes de nós, vós a recebestes não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus, que age em vós que acreditais” (v. 13). Acreditar na Palavra de Deus! Eis uma das questões mais difíceis do homem moderno compreender. Às vezes nos perguntamo: por que tantas pessoas, mesmo católicos, muitas vezes não querem seguir a Palavra de Deus? E a resposta é que, não obstante recorrer a Deus nos momentos de aflição e necessidade, no momento de vivenciar as leis e os mandamentos, todos correm, todos se fecham em seus individualismos e fazem-se deuses de  seus mundos.

De fato, o cristão é chamado a experimentar Deus não apenas em seus momentos de misericórdia, mas também nos mandamentos que fazem parte da caminhada, e nos ajudam a enfrentar as dificuldades que surgem no decorrer desta caminhada.

Também torna-se necessário que os pastores conduzam seu rebanho na sã doutrina, não ensinando ideologias particulares, como convier a cada um; mas que assumam seu papel. Que saibam viver a radicalidade do Evangelho, anunciando aquilo que a Santa Igreja, em comunhão com os Sucessores dos Apóstolos, transmitiu nestes vinte e um séculos.

Em seguida, São Paulo faz uma grave advertência aos judeus que estavam fechados ao Evangelho por ele anunciado. “A ira de Deus está prestes a cair sobre eles” (v. 16). O que Paulo queria afirmar com palavras tão duras?

Em primeiro lugar, tenhamos presente o contexto da época. Estavam perseguindo os cristãos; haviam matado Jesus e perseguiam as Igrejas espalhadas pela região. Uma realidade não muito adversa da que encontramos nos dias hodiernos. Ainda hoje a Igreja de Deus é também perseguida em seu vasto campo de missão. Porém, ainda que pareçam vir à tona as dificuldades, a Igreja permanecerá inerente à sua missão, tal como nos foi transmitida desde os primórdios da nossa fé cristã.

Mas voltemos ao termo “ira”. Ora, no começo afirmamos que Deus é a misericórdia, que é capaz de nos resgatar dos mais profundos abismos, como agora ele pode ter ira? Bem, na verdadea ira de Deus, a sua cólera, não se exerce contra o ser humano, mas contra o pecado. E isto São Paulo nos relata bem: “A ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens” (Rm 1,18). Não que Deus seja um ser impiedoso, inclemente; pelo contrário, a sua natureza é Amor. E graças a este amor a salvação foi-nos dada. Mas Ele não nutre estima pelo pecado dos homens; pelo contrário, abomina o pecado, e busca o extirpar do ser humano.

Deus é um juiz justo, que, como recorda Jesus, colhe aquilo que semeia. Se nós pecamos e não nos arrependemos; se não nos convertemos, se optamos por destinar-nos ao inferno (à morte), então Deus nada poderá fazer, pois Ele não fere a liberdade humana, mas a respeita. Cuidemos para que a ira não venha sobre nós também!

Eis, por fim, uma passagem onde São Paulo manifesta seu desejo de voltar uma outra vez a Tessalônica, mas, segundo ele, havia sido impedido por Satanás (cf. v.18). No entanto, Paulo não desiste, e nos ensina algo fundamental para a nossa caminhada. A verdadeira esperança reside em Deus. E se Ele vive em nós esta nunca poderá morrer! Ainda que a chama pareça estar se apagando, o Deus da vida, que é luz, nunca deixará que ela se induza pelo caminho do desespero e da obscuridade.

Falando da iminente vinda do Senhor, no último versículo deste capítulo, o apóstolo das nações manifesta sua alegria pelos seus evangelizados. Ele se realiza em sua missão, e isto lhe valerá no dia do julgamento.

Maria, Virgem Imaculada, concebida sem pecado, nos ajude nesta caminhada. Dá-nos sabedoria e entendimento para colocarmos em prática a mensagem do Vosso Filho. Concede-nos coragem para enfrentar o mal, e concede-nos amor para amarmos os que se entorpecem por esse caminho. Amém.

Meditações das cartas paulinas – 1º Tes, cap. 2

No capítulo 2 da sua carta à Tessalônica (nos versículos 1 a 12), Paulo faz uma re-memória de como surgiu aquela comunidade e das dificuldades que logo no início, e ainda agora, estavam enfrentando.

Escreve ele que antes de fazer chegar o anúncio a ela, em Filipos, foram maltratados e sofreram ultrajes (cf. v. 2). Pois eis uma realidade que nunca deixou de fazer-se presente na história da Igreja: a perseguição, as injúrias. Quantas vezes a Igreja de Deus foi – e é – perseguida por um mundo que não deseja se adaptar ao Evangelho, mas quer que o Evangelho se adapte a ele? Quantas vezes cristãos morreram dando sua vida pela Igreja e pelo anúncio do Evangelho da Salvação?

Mas, o que consola a Igreja? O que a faz tornar-se mais firme a cada perseguição? O que faz com que ela não pereça mediante as investidas do inferno? São Paulo responderá para nós estas interrogações: “O nosso Deus nos deu coragem e segurança para vos anunciar seu evangelho, em meio a muitas lutas” (v. 2). Sim! Estamos firmes em Deus, e somente quando estamos firmes n’Ele, teremos coragem para anunciar a Boa Notícia, mesmo que venham inúmeras perseguições.

Estas, porém, não são maiores do que a certeza da presença de Deus conosco. Ele está conosco e nos guia! Não temamos! Se o mundo nos odeia por causa da nossa missão, não cabe a nós mudá-lo, mas devemos nos mudar, sobretudo, pelo nosso testemunho de discípulos do Senhor. E este não deve ser ilusão. Aliás, o cristão não pode fundamentar-se em ilusões; não pode ceder a ideologias que tendem a fazer com que este mundo nos traga plenamente a felicidade. Aqui seremos perseguidos para então, no céu, sermos agraciados em contemplar a face de Deus. Agraciados em contemplarmos o Amor, mas este contemplar não se restringe apenas a uma visualização, vai além: nos insere em Deus e faz com que possamos beber da Sua fonte inesgotável.

E é assim que falamos, não para agradar a seres humanos, mas a Deus, que examina em nossos corações. Aliás, sabeis muito bem que nunca bajulamos ninguém, nem fomos movidos por alguma ambição disfarçada – Deus é testemunha. Também não buscamos glória humana, nem junto de vós nem junto dos outros, embora, como apóstolos de Cristo, pudéssemos fazer valer nossa autoridade” (v. 5-7).

Mais uma vez vemos figurar um retrato da Igreja, um protótipo de como ela deve ser. É chamada a ser modelo dos apóstolos nos dias atuais. Mas, cabe também aqui meditar cada palavra desta bela afirmação do apóstolo.Se o Evangelho não incomoda, então há algo errado. As reações por parte de algumas pessoas, em protestos, de certa forma, dão a plena certeza de que a Igreja vai na direção certa; Ela cumpre sua missão em denunciar todas as obras do mal (cf. Ef 5,11) e em abrir as portas da sociedade para Deus, para que Ele possa renová-la.

Ambição disfarçada”. Com estas palavras, São Paulo exorta também aos nossos pastores, para que jamais se deixem levar pela ambição, e que jamais sua vida doada em prol do Evangelho seja revestida de um caráter ganancioso. O verdadeiro pastor serve, é humilde, e despretensioso. Não se configura com potências econômicas, mas modela a sua vida tendo Cristo como protótipo, não obstante as veementes perseguições pelo [e do] mundo.

O Pastor deve, antes de tudo, servir e, servindo, será elevado em sua obra. Agindo in persona Chrsti, o sacerdote é elevado pelo próprio Cristo, é resplandecido, é revestido das majestosas vestes do Rei, que na cruz reinou sobre o mal e o pecado, mostrando que, para ser Rei não é preciso ser detentor do poder material, mas antes e, sobretudo, do poder espiritual.

E aqui entra uma questão radical: “Estávamos dispostos, não só a comunicar-vos o evangelho de Deus, mas a dar-vos nossa própria vida” (v. 8). Tão grande era o carinho de Paulo com aquela comunidade que ele faria uma doação maior do que o anúncio que fazia: ele encarnaria as próprias palavras das Escrituras nele mesmo.

E hoje? Será que somos capazes de assumir o Evangelho em sua totalidade? Será que seríamos capazes de sofrer as conseqüências que suscitariam por nosso amor incondicional a Cristo? Quem busca felicidade já nesta vida encontrará dor na outra. Renunciar mesmo a vida parece ser uma decisão quase impossível, mas os mártires nos mostram que, para quem está com Deus, perder a vida é ganhar a alma, e isto mais vale.O cristão deve deixar exalar o perfume da santidade; deve deixar-se cingir pelo óleo da pureza e da perseverança; deixar emitir o “odor de Cristo”.

No versículo 9, Paulo se refere aos “trabalhos e fadigas”. Certamente, por ser ele um artesão, um confeccionador de tendas, ofício este que desempenhou desde a infância, tendo aprendido com seu pai, deveria atuar nesta área. Sabia da sua condição de apóstolo, e poderia viver à custa do anúncio do Evangelho, mas, na maioria das vezes, costumava não fazê-lo. Ademais, o fato de em Tessalônica fixar o trabalho, mostra que passou ali determinando tempo, dedicando-se a organizar aquela comunidade.

 

“Nós encorajamos e adjuramos todos e a cada um de vós a que leves uma vida digna de Deus, que vos chama para o seu Reino e glória.” (v. 12).

Também a nós são dirigidas estas palavras. Deus nos convida, a cada instante, para participarmos do Seu Reino. Parusia não é apenas um acontecimento que conclui a história da humanidade; pelo contrário: ela abre as portas para uma nova vida. Uma vida em Deus, que nos faz mergulhar em seu coração, fonte de todo o Amor.

 

Meditações sobre as Cartas Paulinas – 1ª Tessalonicenses, Cap. 1

Estamos iniciando o estudo do corpo da Carta Paulina aos Tessalonicenses. Hoje gostaria de falar do capítulo 1º.

Como podemos ver logo no começo, dirige-se à comunidade de Colossos, não somente Paulo, como também Silvano e Timóteo, como eles mesmos definiram: “À igreja dos tessalonicenses reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo” (v. 1). Conforta-nos, de certa forma, saber que Paulo não dirigia-se a indivíduos isolados, mas a uma comunidade de fé, reunida em Deus, por meio de Jesus Cristo. Garante suas orações pela comunidade e deseja-lhes graça e paz, de todo o coração sabemos que ele no-lo faz. Nutria, verdadeiramente, um sentimento de alegria pela comunidade.

Lembramo-nos da ação de vossa fé, do esforço de vosso amor e da constância de vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (v. 3).

O cristão ama! Esta verdade percorre dois mil anos com tamanha vivacidade. Não é um amor puramente sentimental, que restringe-se aos limites humanos. É um amor que plenamente se realiza em Deus. E poderíamos dizer que vai além: Um amor que é Deus. Que cativa a todos os homens não por bens materiais, ou por posses e títulos, mas por Sua Palavra, por Seu Filho, que, morrendo na cruz, destruiu todo o pecado, e nos inseriu no seu mistério de salvação. É preciso, não obstante, que deixemo-nos cativar por Ele, e não buscar impô-Lo em nossas ideologias, ou adaptá-Lo aos nossos sentimentos.

No versículo 6, porém, Paulo fala algo que me chama particular atenção: “Vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra em meio a muita tribulação e, no entanto, com a alegria que vem do Espírito Santo”.

Destas informações podemos fazer diversas analogias com nossos dias. Em primeiro lugar, o termo “imitadores nossos e do Senhor”. Devemos então centrar-nos um pouco aqui. Imitar! Como esta palavra é tão mais realista em nossos dias, e para nós cristãos. É preciso que nos tornemos imitadores. Imitadores na radicalidade, capazes de renunciarmos tudo para abraçar o ideal de Jesus Cristo, o qual Paulo abraçou e jamais se desapegou deste.

Porém, por vezes, parece que este imitar sente-se abalado mediante as divergências e oportunismos que figuram-se no mundo. Somos chamados a acolher a Palavra, e acolhendo-a então, poderíamos sentir-nos firmes, permeados da fortaleza que Deus nos concede dia a dia, ainda que mediante as dificuldades, possamos nos fixar unicamente no Evangelho. Um Evangelho que não é um conjunto de ideologias, mas é muito mais que isso: é o próprio Jesus Encarnado que faz-se Palavra de vida eterna. Só estando com Cristo poderemos ter plena força, e só então os homens poderão transcender. E esta transcendência não será apenas aparente, mas dar-se-á no interior, quando os homens não irão buscar mais o ter, e sim o ser.

Também nos é possível fazer uma associação com as palavras do Senhor, que nunca cessam de ressoar: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9, 23).

Precisamos ter em mente, primeiramente, que estas palavras salvíficas, de certa forma, exprimem um intrínseco imitar. Aquele que imita a Cristo, aquele que deseja fazer de sua vida um modelo de santidade, deve também carregar sua cruz. Não se pode esperar que nosso seguimento e doação total a Ele não tenha reação por parte de uma sociedade subjetivista.

Em segundo lugar, centremo-nos nas palavras “acolhendo a Palavra em meio a muita tribulação e, no entanto, com a alegria que vem do Espírito Santo”. Tribulações! E quantas vezes elas se põem no caminho do cristão! Quanto mais nos dedicamos ao anúncio do Evangelho, mais somos tentados a estarmos contra ele, a fazermos o que não nos é permitido. Parece-nos também paradoxal esta afirmação de São Paulo. Como pode alguém na tribulação, possuir a alegria?

A resposta para tal pergunta poderemos encontrar ao longo de toda a Sagrada Escritura. Precisamente no sofrimento, na tribulação, quando já não sentimos que Deus está conosco, aí então Ele se manifesta de uma forma forte, capaz de mover-nos, mesmo em nossos sentimentos mais profundos, seja de ódio ou de angústia; e no lugar dá-nos a alegria, vinda do Espírito, que atinge a cada um de forma diferente, mas com a mesma finalidade: tornar-nos cidadãos do céu. Alegria esta que nos impulsiona a sermos autênticas testemunhas do Evangelho. Testemunhando-o, antes de tudo, com nossa vida.

No capítulo 10, Paulo refere-se, pela primeira vez, à Parusia de Jesus Cristo. Escreve ele: “Pois todos contam como fomos recebidos por vós e como, virando as costas aos ídolos, vos voltastes para o Deus vivo e verdadeiro e vos pusestes ao seu serviço, na espera do seu Filho, Jesus, que ele ressuscitou dentre os mortos e que virá dos céus para nos arrancar da ira que vem vindo”.

Os tessalonicenses viraram as costas para os ídolos. Viremos também nós as costas para os ídolos que impregnam de forma maléfica a nossa sociedade. Voltemo-nos contra a ganância e o poder do consumismo; voltemo-nos contra as drogas e o uso desregrado do dinheiro; voltemo-nos contra os vícios e prazeres carnais, fora dos ensinamentos evangélicos.

Sigamos unicamente o Deus vivo e verdadeiro, que é capaz de confortar-nos e de nos abrir as portas para as eternas alegrias. Um Deus que nos ama sinceramente pelo que somos, e não pelo que possuímos. Deus que envia Seu Filho único para a Redenção do mundo, e para nos livrar dos abismos que nossos pecados causaram. Que o mundo se abra a Jesus Cristo e experimente o seu incomensurável amor por cada um de nós. Que o mundo se abra à verdadeira libertação, que não redime o homem por meio de seus bens, mas o liberta unicamente por Cristo Senhor.

O Ressuscitado, conforme diz São Paulo, vai nos “arrancar da ira que vem vindo”. Mas que ira seria esta?  Poderíamos associá-la ao Juízo Final, último acontecimento da obra Salvadora de Jesus Cristo. Não se expressaria exatamente pelo termo ira, seria demasiado pesado para nós; porém, para a comunidade da época, assim São Paulo no-la associou, visto que os pecados excediam, não a misericórdia de Deus, pois ela é verdadeiramente incomensurável, e o próprio Jesus atesta a Santa Faustina: “A falta de confiança das almas dilacera-Me as entranhas. Dói-me ainda mais a desconfiança da alma escolhida. Apesar do Meu amor inesgotável, não acreditam em Mim, mesmo a Minha morte não lhes é suficiente. Ai da alma que deles abusar!” (Diário de Santa Faustina, 50).

Portanto, também vemos uma perspectiva escatológica nestes textos. Que a nossa preparação para o advento definitivo do Senhor não seja apenas por temor do inferno ( = morte eterna), mas, sobretudo, por reconhecimento ao Amor de Jesus, que não faz distinções, e deveras olha a todos igualmente.

Peçamos neste dia a intercessão de Santa Isabel da Hungria, Padroeira da Ordem Franciscana Secular. Dela nos diz o Santo Padre Bento XVI, quando ainda era o Cardeal Ratzinger:

“O que fez foi realmente viver com os pobres. Desempenhava pessoalmente os serviços mais elementares do cuidado com os doentes: lavava-os, ajudava-os precisamente nas suas necessidades mais básicas, vestia-os, tecia-lhes roupas, compartilhava a sua vida e o seu destino e, nos últimos anos, teve de sustentar-se apenas com o trabalho das suas próprias mãos.(…)

Deus era real para ela. Aceitou-o como realidade e por isso lhe dedicava uma parte do seu tempo, permitia que Ele e sua presença lhe custassem alguma coisa. E como tinha descoberto realmente a Deus, e Cristo não era para ela uma figura distante, mas o Senhor e o Irmão da sua vida, encontrou a partir de Deus o ser humano, imagem de Deus. Essa é também a razão por que quis e pôde levar aos homens a justiça e o amor divinos. Só quem encontra a Deus pode também ser autenticamente humano”. (Da homilia na igreja de Santa Isabel da Hungria de Munique, em 2 de dezembro de 1981).

Meditações sobre as Cartas Paulinas

Carta de São Paulo aos Tessalonicenses – Introdução

Hoje damos início às meditações das Cartas Paulinas. A muito tempo vinha idealizando este projeto, que só agora foi posto em prática. Verdadeiramente precisamos ter uma maior compreensão dos textos sagrados, e mais que isso: precisamos vivenciá-lo na vida cotidiana, mesmo com as grandes pressões que o mundo hoje apresenta.

Seria um meio de ajudar nas reflexões – não obstante as que já são apresentadas domingo – e estudos sobre o que pensava São Paulo, e como poderíamos fazer uma analogia de seus pensamentos. Por isso meditaremos com a maior clareza possível, para que todos os leitores possam ter compreensão do texto.

Paulo constitui um verdadeiro modelo de missionário, que se doa sem reservas a Cristo e ao seu Evangelho. Este “totalmente” veremos presente se observarmos a sua vida que é doada por Cristo; o seu sangue derramado nos diz que jamais devemos calar. Ainda que fortes sejam as adversidades, mais fortes serão as graças e a força daquele que se une a Cristo Jesus.

É importante dizer que é inútil buscarmos um aprofundamento teológico nesta carta, pois ela é efetivamente de caráter pastoral. Aqui Paulo dirige-se ao coração, falando de amor, alegria, reconhecimento, e a enunciação da vinda do Senhor, preparando a todos quais ele se dirige.

Mas então podeis perguntar-me por que inicio com a meditação da carta à comunidade de Tessalônica e não de Romanos, como está organizado na Sagrada Escritura? Bem, esta foi a primeira carta de Paulo à comunidade recentemente fundada; e por isso acho que para compreendermos melhor devemos estar de acordo a escrita das cartas. Então, antes de começar os estudos, que serão divididos por capítulos, aprofundar-nos-emos nas características de cada comunidade, começando pela já citada; e, assim, ao decorrer de cada carta farei uma breve leitura social e religiosa que caracterizavam a sociedade da época de Paulo.

Como já foi afirmado, a Tessalônica, Paulo dirige sua primeira carta. Lá Paulo fez uma evangelização durante o ciclo das suas segundas viagens, por volta do inverno dos anos 49-50.

Era, pois, uma cidade de grande porte e populosa – como também hoje temos, claro que em números maiores – com 300.000 habitantes, sendo a segunda cidade grega mais importante depois de Atenas. Sendo uma cidade portuária, possuía um dos portos mais seguro dos portos comerciais do mar Egeu.

“O período de evangelização foi curto, mas suficiente – aproximadamente de três ou quatro meses pelo menos – para deixar uma comunidade cristã elementarmente organizada, que supõe manter-se fiel ao ensinamento recebido (1Ts 1, 2-10), defendendo-se eficazmente tanto do ambiente pagão, sempre sedutor e ameaçante (1Ts 4, 1-12), como das contínuas pressões e ciladas provenientes da comunidade judaica mais ativa e beligerante na cidade de Tessalônica (1Ts 2, 13-16). Era lógico, no entanto, que não faltassem dificuldades. Prevendo-as, Paulo envia-lhes Timóteo, que regressa alguns meses mais tarde portador de boas notícias no conjunto, mas também de alguns problemas” (Comentários ao Novo Testamento III, Edit. Ave Maria, pag. 559, 2ª Edição).

Tais problemas encontrá-los-emos mais à frente nas meditações no decorrer da carta.

Mas, de imediato, dois temas figuram logo nos primeiros capítulos, e indubitavelmente notá-lo-emos durante toda a carta: a Parusia de Nosso Senhor, o seu advento definitivo – e precisamente a este tema Paulo dedica boa parte da carta, sobretudo ao preocupar-se com o destino último da comunidade – e uma descrição da Igreja. Poderemos avaliá-los, e aprofundarmo-nos, na devida ocasião que nos for permitido pela carta.

Por acréscimo tenho a dizer que nossos estudos serão publicados às quartas-feiras. Espero que aproveitem! No próximo estudo já começaremos as meditações.

Permaneçam na Paz de Jesus e no Amor de Maria!

A verdadeira riqueza é Deus

Se no domingo passado fomos convidados a um encontro com Cristo por meio da oração, agora somos chamados a grande virtude da humildade.

A primeira leitura já é ela um ensinamento para nos desapegarmos das vaidades e prazeres materiais, supérfluos: “Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade” (Ecl 1,2). Assim começa o livro do Eclesiastes. A vaidade pode garantir uma vida melhor neste mundo, mas não nos dá a certeza de uma bem-aventurança, de uma vida moldada nos ensinamentos de Jesus Cristo e dos santos, e mais ainda: busca inserir-nos em um contexto totalmente adverso aos ensinamentos evangélicos.

Frutuoso são os ensinamentos provenientes do “Diálogo” entre Deus e Santa Catarina de Sena. Eis que Deus diz àquela fiel serva: “A soberba não leva ao céu, mas para o mais profundo do inferno” (Edit. Paulus, pag. 274). Quanta prepotência; quanta arrogância; quanta vaidade; quanto orgulho vemos no mundo de hoje! A sociedade está a descaracterizar-se e a privar-se de um intrínseco relacionamento com Deus, pois limita seu olhar apenas às possibilidades terrenas, não podendo ver, assim, o futuro espiritual destinado a cada um de nós, que deve ser o encontro salvífico com Deus.

Na segunda leitura São Paulo nos exorta:

“Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl 3, 1-3).

Toda esta segunda leitura põe-nos em um contexto que caracteriza fortemente a nossa sociedade atual.

Ressuscitar com Cristo é um convite que cada dia renova-se a todos os homens, para que, conhecendo-O, possam amá-lO. E mais ressonante ainda é o objetivo desta ressurreição: alcançar as coisas do alto. O alto é a meta do cristão! É para lá que ele deve caminhar, não sozinho, mas com Cristo. A nossa vida nova, o nosso erguer-se junto com Cristo (synegeirö=conresurgere), se dá pela plena adesão aos seus ensinamentos, anunciados zelosamente pela Santa Igreja e propagados para a conversão das almas e a plena salvação de todos.

“Buscai as coisas do alto!” Não as terrenas, mas as do alto. As que provêm de Deus. Sim, não são fáceis as condições, para tais exige-se uma constante renúncia, no entanto, os frutos que dela provém perpassam esta vida e nos põe em uma profunda união com Deus.

Não pode progredir na vida quem, antes de tudo, não busca progredir na fé. E aqueles que sobrepõem-se a esta necessidade devem ter em mente que “somente o poder que se coloca sob a medida e o juízo do céu – isto é, de Deus – pode tornar-se poder para o bem. E só o poder que se coloca sob a benção de Deus pode ser seguro” (Bento XVI, Jesus de Nazaré, pag. 49).

“Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria.” (Cl 3, 4-5).

Eis aqui onde muitos santos encontraram conforto em suas vidas. Aqui está a razão porque tudo renunciaram e deixaram-se totalmente preencher por Cristo. Eis o nosso consolo! Os santos (temos total certeza) virão na glória com Cristo. Essa vinda é dada, não por não pecarem, mas porque, sendo pecadores, reconheceram a grandeza de Deus, e humilharam-se a esta soberana bondade. Há uma frase que define a atitude de muitos, à qual seria desnecessário acrescentar mais alguma coisa: “Os santos concordam que são pecadores; só os pecadores acham que santos” (Peter Kreeft).

Nós, muitas vezes, nos iludimos com as vãs “glórias” deste mundo, nos exaltamos a tal ponto que não percebemos a nossa insignificância. O próprio Jesus recorda-nos, e mais que isso, impõe-nos esta condição para o seu fiel seguimento: “Quem se exalta, pelo orgulho, será humilhado; e quem se humilha será exaltado” (Mt 23, 12).

Ora, para o alto rumamos e do alto viremos no dia em que Cristo aparecer em sua glória. Mas como se dará esta subida? Dar-nos-á esta resposta o nosso Santo Padre Papa Bento XVI, felizmente reinante, que de forma sublime assim nos define: “A subida para Deus acontece precisamente na descida ao serviço humilde, a descida ao amor, que é a essência de Deus e, portanto, a verdadeira força purificadora, que capacita o homem para conhecer Deus e vê-lo”.
(Ibidem, p. 95).

Na humildade e no perdão Cristo manifestou a sua glória. Humilhado, não quis vingar-se, mas orou pelos seus malfeitores. Ó Senhor, ensina-me a também ser humilde. Ensina-me a curvar-me e a lavar os pés dos meus próximos. Ensina-me que não é pela grandeza que conquistarei o Reino dos céus, mas que quanto menor for maior serei.

Pela humildade nós poderemos contemplar a face de Deus. E são tantos os que estão a privar-se dela. Tantos que põe a confiança no dinheiro e no prazer, mas não buscam beber da verdadeira fonte, aquela da qual emana água viva. Não basta sermos homens novos, se não tomarmos atitudes de tal. “Não é suficiente ir em frente, é preciso ver para onde se vai!” (Bento XVI, Homilia na Missa de Corpus Christi, 2008).

No evangelho Jesus suscita o objetivo de sua missão: Anunciar o Reino de Deus. Ao ser indagado por um homem que pedia-Lhe para convencer o seu irmão que repartisse os bens com ele, o Senhor o diz: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” (Lc 12, 14). Cristo não é divisor de bens materiais. Quem apega-se a bens materiais não serve para seguir Jesus. Quem se lamenta por segui-lO e não ter uma vida melhor (sinceramente digo) por favor não O siga. Ele não necessita e nem quer pessoas que se lamentem. O cristão não pode ser alguém que carpe-se por seguir Jesus! Ele almeja almas que dêem testemunho do seu nome; que não tenham nenhum resquício por ter abandonado tudo para segui-lO, mesmo que seja para a morte. E aí está a nossa verdadeira riqueza: em Deus. Deus é a única e verdadeira riqueza de um cristão. Não será mais impulsionado a esbanjar os prazeres deste mundo, aquele que tiver Deus como centro de sua vida. Ele deixa-nos um alerta: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens” (Lc 12, 15).

Maria, nossa mãe, a Serva do Senhor, nos ajude a tornamo-nos sempre mais dignos do Reino de Deus. Que ela nos torne cada dia mais humildes com o seu exemplo.

Fraternalmente, em Cristo Jesus e Maria Santissima!

A comunhão com Pedro e seus sucessores é a garantia de liberdade

“Na primeira Leitura, é narrado um episódio que mostra a intervenção específica do Senhor para libertar Pedro da prisão; na segunda, Paulo, com base em sua extraordinária experiência apostólica, afirma estar convencido de que o Senhor, que já o havia livrado “da boca do leão”, o livrará de “todo o mal”, abrindo-lhe as portas do Céu; no Evangelho, ao contrário, não se fala mais dos Apóstolos individualmente, mas da Igreja no seu conjunto e da sua proteção com relação às forças do mal, entendida em sentido amplo e profundo. Desse modo, vemos que a promessa de Jesus – “as forças do inferno não prevalecerão” sobre a Igreja – compreende, sim, as experiências históricas de perseguição sofridas por Pedro e Paulo e outras testemunhas do Evangelho, mas vai além, desejando assegurar a proteção sobretudo contra as ameaças de ordem espiritual; segundo o que Paulo escreve na Carta aos Efésios: “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Ef 6, 12).”

Com efeito, se pensamos nos dois milênios de história da Igreja, podemos observar que – como havia prenunciado o Senhor Jesus (cf. Mt 10, 16-33) – nunca faltaram para os cristãos as provações, que em alguns períodos e lugares assumiram o caráter de verdadeiras e próprias perseguições. Essas, no entanto, apesar do sofrimento que provocam, não constituem o perigo mais grave para a Igreja. O dano maior, de fato, provém daquilo que polui a fé e a vida cristã dos seus membros e das suas comunidades, afetando a integridade do Corpo Místico, enfraquecendo a sua capacidade de profecia e testemunho, manchando a beleza de seu rosto. Essa realidade é atestada já no epistolário [cartas] paulino. A Primeira Carta aos Coríntios, por exemplo, responde exatamente a alguns problemas de divisões, incoerências, infidelidade ao Evangelho, que ameaçam seriamente a Igreja. Mas também a Segunda Carta a Timóteo – da qual ouvimos uma parte – fala sobre os perigos dos “últimos tempos”, identificando-os com atitudes negativas que pertencem ao mundo e podem contagiar a comunidade cristã: egoísmo, vaidade, orgulho, apego ao dinheiro, etc. (cf. 3, 1-5). A conclusão do Apóstolo é reconfortante: os homens que fazem o mal – escreve – “não irão longe, porque será manifesta a todos a sua insensatez” (3, 9). Existe, portanto, uma garantia de liberdade assegurada por Deus à Igreja, liberdade seja dos laços materiais que procuram impedir ou coagir a missão, seja dos males espirituais e morais, que podem afetar a autenticidade e credibilidade.”

“O tema da liberdade da Igreja, garantida por Cristo a Pedro, tem também uma relevância específica para o rito da imposição do pálio, que hoje renovamos para trinta e oito Arcebispos Metropolitanos, aos quais dirijo a minha mais cordial saudação, estendendo-a com afeto àqueles que quiseram acompanhá-los nesta peregrinação. A comunhão com Pedro e seus sucessores, de fato, é garantia de liberdade para os pastores da Igreja e para a própria Comunidade a eles confiada. E isso em ambos os planos destacados nas reflexões precedentes. No plano histórico, a união com a Sé Apostólica assegura às Igrejas particulares e às Conferências Episcopais a liberdade com relação aos poderes locais, nacionais ou supranacionais, que podem, em certos casos, obstaculizar a missão da Igreja. Além disso, e mais essencialmente, o ministério petrino é garantia de liberdade no sentido da plena adesão à verdade, à autêntica tradição, de tal forma que o Povo de Deus seja preservado de erros concernentes à fé e à moral. Daí que o fato de, todo o ano, os novos Metropolitanos virem a Roma para receber o Pálio das mãos do Papa deva ser compreendido no seu significado próprio, como gesto de comunhão, e o tema da liberdade da Igreja nos oferece uma chave de leitura particularmente importante. Isso aparece de modo evidente no caso das Igrejas marcadas pela perseguição, ou sujeitas a interferências políticas ou outras duras provações. Mas isso não é menos relevante no caso de Comunidades que padecem a influência de doutrinas enganadoras, ou de tendências ideológicas e práticas contrárias ao Evangelho. O pálio, assim, torna-se, neste sentido, um compromisso de liberdade, analogamente ao “jugo” de Jesus, que Ele convida a tomar, cada um sobre seus próprios ombros (cf. Mt 11, 29-30). Como o mandamento de Cristo – embora exigente – é “doce e leve” e, ao invés de pesar sobre quem o leva, o levanta, assim o vínculo com a Sé Apostólica – embora desafiador – sustenta o Pastor e a porção da Igreja confiada aos seus cuidados, tornando-lhes mais livres e mais fortes.”

Papa Bento XVI, Homilia na Solenidade de S. Pedro e S. Paulo
29 de junho de 2010

Pedro e Paulo: mártires na fé por um único Amor

Celebramos com grande júbilo, neste dia, a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. A Providência concede-nos também este dia como dia do Papa. E hoje gostaria de centrar-me nas leituras propostas, mas, de modo muito particular, na missão do Papa, tanto como Sucessor de São Pedro, como também naquele que foi escolhido pelo Espírito Santo para fazer viva e atuante a unidade imperecível da Igreja, não obstante as dificuldades que sempre se abateram sobre ela, especialmente nos últimos anos.

Para isso, gostaria de tomar como ponto de partida a primeira leitura, onde manifestar-se-á visivelmente a unidade da Igreja para com o seu guia. Diz o texto: “Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus” (12, 5). Aqui vemos que sempre fez-se presente na Igreja a necessidade da oração. Vemos que os fiéis olham com solicitude para o seu pastor. Olham como pessoas que, longe dele, estavam perdidas, desnorteadas, e não sabiam mais por onde deviam prosseguir. E eis que vemos isto tão claramente na situação da Igreja hodierna. Quantos fiéis que, querendo buscar sua sabedoria, desmerecendo os valores cristãos, buscam pastorear a si mesmos, abandonando a Igreja e o seio no qual foram gerados? Para estes vale o que diz esta leitura, onde se manifesta intrinsecamente o sinal de unidade, já aparecido nos primórdios da Igreja.

Na segunda leitura São Paulo (o qual ao lado de São Pedro a Igreja celebra como grande mártir da fé) diz a Timóteo, seu fiel colaborador: “Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” (2 Tm 4, 6-7). Em primeiro lugar, convém ressaltar que o significado de libação é um derramamento de água, vinho, sangue ou outros líquidos, em honra de Deus, ou, no período romano ou grego, em honra de algum ídolo. Neste caso a libação assume um caráter sacrifical, não apenas com um liquido a ser derramado, mas com o sangue daqueles que, pela fé e pela propagação do Evangelho, testemunharam o Senhor que, sacrificado por nós, já não morre, mas vive, e se vive é porque a nós destina algo maior, ao qual o apóstolo se refere como a “coroa da justiça”.

Esta “coroa” é dada não apenas aos mártires, ou aos santos, mas também a nós ela é destinada. A nós se como cristãos demos verdadeiro testemunho de vida, e sacrificamo-nos pela causa maior do Evangelho. É uma “coroa” condicional, bem verdade; não somos obrigados a recebê-la. Mas para o cristão ela deve transmitir não uma simbologia, radicada nas figuras de linguagem da época de Paulo; ela deve nos mostrar que o verdadeiro prêmio é Cristo, e que sem Ele a vida do homem não tem sentido e não está destinada a um objetivo. Ora, estes apóstolos que a Igreja hoje celebra com tanta alegria (aqui no Brasil a Solenidade é celebrada no próximo domingo), demonstram – como disse Santo Agostinho – que suas mortes não foram em vão, buscavam um objetivo: “Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade” (Sermo 295,1-2.4.7-8:PL38,1348-1352). E onde eles encontraram esta verdade? Onde muitos homens hoje poderiam encontrá-la se não fossem tão egocêntricos: Jesus Cristo. Ele, única e eterna verdade, foi a resposta para Pedro e Paulo. Não foi nas perseguições aos cristãos que Paulo encontrou a plena alegria, não foi na sua companhia de pesca que Pedro encontrou a sua satisfação completa, mas foi em Cristo. E eis que eu peço todos os dias que a nossa humanidade caminhe para Ele, não para as ideologias efêmeras, que buscam radicar estruturas na sociedade.

O cristão é chamado a combater, mesmo que isso lhe custe a vida, e, após terminada, esta já não nos valerá mais, pois a verdadeira alegria é estar com Deus, é poder contemplá-lo e poder descansar em ser colo acolhedor, recebendo o abraço do Pai, mesmo que muitas vezes tenhamos sido “filhos pródigos”.

Recordo-me das magníficas palavras do Santo Padre Bento XVI: Tenha a coragem de aventurar-se em Deus! Tente! Não tenha medo d’Ele! Tenha a coragem de apostar na fé! Tenha a coragem de apostar na bondade! Tenha a coragem de apostar no coração puro! Comprometa-se com Deus, então verá que justamente fazendo isso a sua vida se tornará ampla e iluminada, não monótona, mas repleta de infinitas surpresas, porque a suprema bondade de Deus jamais acaba!” (Homilia, 8 de dezembro de 2005). Assim é a figura de cristãos que a Igreja, e principalmente o mundo, precisa.

Por fim o maravilhoso Evangelho dispensaria até comentários. Mas dirá Padre Antonio Vieira, sobre o diálogo de Jesus com Pedro, e a sua maravilhosa profissão:

“Primeiramente não nego, nem se pode negar que o texto  parece que fala com todos os Discípulos e Apóstolos,  a quem o divino Mestre fazia a pergunta. Mas eu  pergunto também quem foi o que única e singularmente respondeu a ela? Claro está que foi São Pedro: Respondit Petrus. E porque respondeu só ele e nenhum outro? Excelentemente St.° Ambrósio: Cum interrogasset Dominus quid homines de Filio hominis æstimarent, Petrus tacebat: ideo (inquit) non respondeo, quia non interrogor: interrogabor, et ipse quid  sentiam tum demum respondebo, quod meum est. «Enquanto Cristo perguntou o que diziam os homens, Pedro esteve calado sem dizer palavra» __  tacebat; e porque esteve calado Pedro e não respondeu palavra? «Porque aquela pergunta, diz ele, não fala comigo»: Ideo non respondeo, quia non interrogor; «porém quando eu for perguntado, então responderei e direi o que sinto, porque a mim me pertence»: Cum interrogabor, et ipse quid sentiam respondebo, quod meum est. Note-se muito esta última palavra, quod meum est, na qual excluiu o mesmo S. Pedro a todos os outros Apóstolos e confiadamente diz que a resposta daquela altíssima pergunta só era sua e só a ele pertencia. É verdade que a palavra da pergunta: vos autem parece que compreendia a todos; mas a resposta exclui aos demais, como encaminhada a ele por quem sabia o que só Pedro sabia e os demais ignoravam”.

Pe. António Vieira, Sermão de São Pedro

Pedro! Eis aí um discípulo que não exclui sua resposta mediante os outros apóstolos. Ele fala em nome dos demais. Façamos uma analogia ao Santo Padre. Ele, em nome da Igreja, é, muitas vezes, o único a levantar sua voz em favor da Verdade (e digo “Verdade” com “V” maiúsculo porque não me refiro apenas a doutrinas, mas ao próprio Cristo), e por isso é caluniado, injustiçado. O Papa não governa a Igreja para ser simpático com ninguém. Ele governa a Igreja para mostrar ao mundo que há uma só Verdade, que há um só Senhor, e que há um só Caminho. E quando me lembro da grande promessa de Jesus a Pedro (“Non praevalebunt portae inferi – não prevaleceram as portas do inferno” (Mt 16,18)), sinto que cada dia mais confirma-se as palavras de São Paulo: “Deus é fiel” (1 Cor 10, 13).

Apesar das dificuldades e dos constantes ataques, a Igreja nunca será abandonada por Cristo. Ele estará sempre do seu lado. E nós, católicos, nunca abandonaremos Cristo, a Igreja e o Papa. Pois quem está contra o Papa e a Igreja, está contra Cristo, que fala por eles,  faz-se presente na humanidade por meio deles.

Que Maria nos ajude nesta tarefa de tornarmo-nos cristãos cada dia mais comprometidos com o Evangelho de Cristo, tomando como modelo para nós estas duas grandes figuras da Igreja.

Oremus pro Pontifice nostro Benedicto!