Teologia da Libertação X Libertação da Teologia

A Teologia da Libertação, entre os pensamentos propagados, fala do pobre como “veículo de salvação”, isto é, a salvação vem pelos pobres. Sabemos que a Igreja durante o decorrer dos milênios sempre esteve ao lado dos mais desfavorecidos, em consonância com o que narra o próprio evangelista, ao retratar que os cristãos “vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um” (At 2, 45). Justiça seja feita, esta narração não pode ser levada somente pelo sentido espiritual da fraternidade; deseja também mostrar a atitude de caridade e de partilha que os primeiros cristãos tinham para com o próximo, sobretudo os que estavam à margem da sociedade, atitude que está em falta em nossos dias, nos quais o consumismo, o capitalismo e o imediatismo assumiram posições relevantes, quando, na verdade, deveriam estar a caridade, o amor e a fraternidade. Apesar disso, a Teologia da Libertação não pratica uma atividade semelhante à dos cristãos da Igreja primitiva, pois não apenas restringe a salvação aos pobres, como também deseja uma Igreja que nasça do meio do povo, nega o Jesus da “fé” e apega-se a um Jesus “histórico”.

É irracional, e chega a ser inimaginável, desejar que esta Igreja nasça do povo. É óbvio que na Igreja deve estar o povo, até porque o povo é parte necessária para que se concretize o projeto salvífico de Jesus Cristo em levar o Evangelho ao mundo todo; mas não está ela firmada no povo, e nem poderia. O Senhor comprou a Igreja “com seu sangue” (At 20, 28) e não com o “suor” do povo. Se ela estivesse firmada no povo já teria perecido a muito tempo. Só o fato de manter-se firme em todos os tempos, apesar dos erros de alguns dos seus filhos, já é uma prova concreta de que sua sustentação está em Jesus Cristo, nos Apóstolos, nos mártires, no Magistério, na Tradição, recebidas na Sucessão Apostólica.

Aliás, cabe aqui dizer essa teologia libertadora usa-se dos pobres para poder esconder as suas múltiplas facetas comunistas. E, por estar infiltrada na Igreja, sabendo que a Igreja abomina o comunismo, não podendo mostrar-se prevalecidamente, utiliza-se de “máscaras” para poder agir às escondidas.

A Teologia da Libertação também não percebe que outro erro é que, o que ela ensina, está em total contradição com o nome. Libertar é a mesma coisa que tornar livre, ou seja, algo que não está restrito. Retendo a salvação aos pobres não estaria ela quebrando este sentido de “libertação”, uma falsa libertação, é óbvio, mas uma libertação em que ela se apoia? Jesus Cristo é para todos, não é propriedade exclusiva para os pobres ou para os ricos, para os ocidentais ou orientais, mas é de todos. “Eu vim para que todos tenham vida, e tenham-na em abundância” (Jo 10, 10).

São Paulo também dirá de forma clara: “Verbum Dei non est ligatum – A Palavra de Deus não está amarrada” (2 Tm 2, 10). Sendo servo de todos, Cristo mostra que o serviço é algo que deve estar radicado na vida de todo cristão, de todos aqueles que desejam segui-lo e que desejam abraçar a cruz para morrer e ressuscitar com Ele.

Acho que falta, hoje, a consciência, em muitos teólogos, não obstante os muitos que já o fazem, de uma libertação da teologia que venha combater a Teologia da Libertação. A Teologia não nasceu para estar presa a “amarras” criadas por ideologias daqueles que não pensam em conformidade com os ensinamentos da Igreja. Também não deve estar presa a nenhum pensamento individualista de teólogos que acham-se autossuficientes para dar um “novo” rumo às explicações. “A Igreja – deixou bem claro o Beato João Paulo II – não é uma instituição democrática”.

Sabemos muito bem que o povo não está atrás de novidades criadas pelas mais diversas cabeças que pensam por si só. O povo ama a Tradição! O povo ama a unidade com o Papa, e eles precisam sentir isso. O acima citado Papa se diria aos sacerdotes desta forma: “Vocês são padres, não líderes políticos ou sociais. Não vamos ter a ilusão de que estamos servindo ao Evangelho por causa de um interesse exagerado no amplo campo de problemas terrenos”. Teologia feita sem a sombra da Igreja passa a ser uma arma de destruição. Quem não pensa com a Igreja, sozinho fará besteira. Feliz é Santo Agostinho que reconhecia o grande e necessário valor da unidade, por isso chegou a exclamar: “Prefiro errar com a Igreja do que acertar sem ela”. Para os que querem contribuir com a teologia recomendo que perseverem na comunhão com a Igreja e com o Papa, que é um exemplo de verdadeiro teólogo. Ajudem a propagar os ensinamentos da Igreja; esses sim são ensinamentos de salvação, de amor, de verdade, pois foram deixados pelo próprio Cristo.

A missão da Igreja é anunciar o Evangelho de salvação e não tomar partido em brigas políticas. E, se vocês me disserem: a Igreja precisa tomar parte para a construção de uma sociedade justa, igualitária e que seja de todos, e isso só será possível se ela puser a “mão na massa”. Eu, porém, rebato esta afirmação: Não existem outras possibilidades para que a Igreja lute por uma sociedade mais justa? A primeira delas é o Evangelho: anunciando os mandamentos de Jesus Cristo. Mas estes nem todos desejam anunciar, e aqueles que anunciam, muitas vezes não vivem. Se antes de procurarmos a intelectualidade procurarmos a oração e testemunho certamente pensamentos teológicos serão muito mais frutíferos e serão verdadeiras armas de transformação. Quem reza para entender será sempre feliz em suas colocações. Afinal, o teólogo precisa, antes de tudo, estar inserido nesta “escola de oração”.

Quanto aos fiéis, tenham sempre presente a afirmação de São Paulo ao jovem Bispo Timóteo: “Se alguém transmite uma doutrina diferente e não se atém às palavras salutares de nosso Senhor Jesus Cristo e ao ensino segundo a piedade, é um orgulhoso, um ignorante, alguém doentiamente preocupado com questões fúteis e contendas de palavras” (2 Tm 6, 3-4).

“Meu Reino não é deste mundo”

Deveria ter feito algumas colocações sobre o Reino de Deus nos dois últimos domingos: um do Pai nosso e outro do domingo passado, que retratava a questão da vaidade e da ganância; porém, como não me foi possível fazê-lo, o farei agora, meditando sobre o Reino de Deus, e as três dimensões que o envolvem.

Em primeiro lugar gostaria de meditar sobre o em dimensão cristológica. Isto faremos baseando-nos no livro Jesus de Nazaré, de Sua Santidade o Papa Bento XVI. Essa primeira dimensão caracteriza-se pela pessoa de Jesus, Ele mesmo, em si, já seria o próprio Reino de Deus, como Orígenes definiu: autobasiléia. O próprio Jesus dá-nos a entender: “Mas, se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus” (Mt 12, 28).

Um segundo conceito seria o Reino de Deus “idealista”, ou seja, “essencialmente situado na interioridade do homem” (Jesus de Nazaré, pág. 60). Tal conceito provém também de Orígines, que, em seu escrito sobre a oração, diz: “quem reza pela chegada do Reino de Deus, reza sem dúvida pelo Reino de Deus que ele já leva em si mesmo, e pede para que este Reino produza frutos e para que chegue à sua plenitude… Por isso, se quisermos que Deus domine em nós, então o pecado não pode de modo nenhum dominar no nosso corpo mortal (Rm 6,12)… Então Deus deve passear em nós como num paraíso espiritual (Gn 3, 8 ) e somente em nós dominar com o seu Cristo” (PG 11, 495s).

E a terceira acepção seria sobre o Reino em sentido eclesiológico: A Igreja como prefiguração do Reino de Deus. “O Reino de Deus e a Igreja são colocados de um modo distinto em uma relação ao outro e mais ou menos aproximados um do outro” (Jesus de Nazaré, pag. 60).

Pois bem! Após tais colocações, desejo combater o sentido de “Reino de Deus” expresso, de modo errôneo, pela Teologia da Libertação. E onde está o erro? Em que contexto? Servirei-me também da Instrução Libertatis Nuntius, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé.

Sabemos que, desde os primórdios, a Igreja anuncia veementemente a Boa Notícia do Evangelho, dada a conhecer primeira e unicamente aos pequeninos (notemos que pequeninos não são apenas os pobres financeiramente, mas todo aquele que humildemente segue os mandamentos e testemunha com convicção a sua fé, mesmo os ricos se repartem os seus bens e não os põe como centro de suas vidas) (cf. Lc 10, 21). Sabemos que a Igreja olha com amor e dedicação para os pobres, e não somente olha como também é a instituição que mais fez por eles. Mas tal atitude não deve procurar alterar aspectos teológicos da “sã doutrina” que foi-nos transmitida desde os tempos apostólicos.

E uma das ideologias da Teologia da Libertação é esta: o Reino de Deus faz-se presente exclusivamente nos pobres (contrariando os três respectivos ensinamentos vistos anteriormente). “Tende-se, deste modo, a identificar o Reino de Deus e o seu advento com o movimento de libertação humana e a fazer da mesma história o sujeito de seu próprio desenvolvimento como processo da auto-redenção do homem por meio de luta de classes” (Libertatis Nuntius, 3).

Para eles o Reino de Deus dar-se-á à medida que acontecer a libertação humana, por meio da luta de classes seria uma espécie de “auto-redenção”. Onde, pois, estaria o Reino do qual Jesus fala? Será que este seria apenas uma mera libertação do poder opressor social? Cristo então teria morrido por causa, não da redenção humana e salvação da humanidade, mas da luta social e proletariado?

A nova hermenêutica inserida nas “teologias da libertação” conduz a uma releitura essencialmente política da Escritura. É assim que se atribui a máxima importância ao acontecimento do Êxodo, enquanto libertação da escravidão política. Propõe-se igualmente uma leitura política do Magnificat. O erro aqui não está em privilegiar uma dimensão política das narrações bíblicas, mas em fazer desta dimensão a dimensão principal e exclusiva, o que leva a urna leitura redutiva da Escritura” (Libertatis Nuntiuns, 5).

Logo percebemos que nesta Teologia há um grande esvaziamento da doutrina e uma má interpretação da mensagem de Cristo. Por conseguinte deparamo-nos também com uma contradição na afirmação do próprio Senhor que, ao ser interrogado por Pilatos se era Rei, responde: “Regnum meum non est de mundo hoc – O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18, 36).

Ora, se o Reino de Cristo (=de Deus) não se reduz a uma realidade terrena, mas é muito mais do que podemos imaginar, uma realidade que vivamente a cada dia somos convidados, que transpõe um simples conceito de mundo e nos faz transcender ao mais alto dos céus, seria impossível que ele se fizesse presente nos pobres e marginalizados da sociedade, como prega a Teologia da Libertação. Se é prefigurado na Igreja, então não pode ser pessoal, individual, senão a Igreja como todo, o sinal visível de salvação e unidade que Cristo deixou para que, perpassados estes 2010 anos, pudesse Sua Palavra chegar a todos os homens de forma inviolável.

Comparar o Reino de Deus a realidades materiais é querer reduzi-lo a uma ação apenas humana, excluindo, assim, o seu verdadeiro sentido que é salvífico.

Chame-se a atenção contra uma politização da existência, que, desconhecendo ao mesmo tempo a especificidade do Reino de Deus e a transcendência da pessoa, acaba sacralizando a política e abusando da religiosidade do povo em proveito de iniciativas revolucionárias” (Libertatis Nuntiuns, 17).

Esta “politização” que deve ser detida. Não se pode politizar o Reino de Deus, e muito menos reduzi-lo, revogando para si direitos inaceitáveis.

Mediante este texto jamais minha intenção foi dizer que devemos esquecer-nos dos pobres, deixá-los à deriva, até por que estaria, eu, indo contra os ensinamentos de Jesus e da Igreja. O que desejo retratar é que não se deve fazer confusões doutrinárias. Praticar a caridade sem alterar a doutrina.

Nós professamos que o Reino de Deus iniciado aqui na Terra, na Igreja de Cristo, não é deste mundo, cuja figura passa, e que seu crescimento próprio não se pode confundir com o progresso da civilização, da ciência ou da técnica humanas, mas consiste em conhecer cada vez mais profundamente as insondáveis riquezas de Cristo, em esperar cada vez mais corajosamente os bens eternos, em responder cada vez mais ardentemente ao amor de Deus e em difundir cada vez mais amplamente a graça e a santidade entre os homens. Mas é este mesmo amor que leva a Igreja a preocupar-se constantemente com o bem temporal dos homens. Não cessando de lembrar a seus filhos que eles não têm aqui na Terra uma morada permanente, anima-os também a contribuir, cada qual segundo a sua vocação e os meios de que dispõem, para o bem de sua cidade terrestre, a promover a justiça, a paz e a fraternidade entre os homens, a prodigalizar-se na ajuda aos irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes. A intensa solicitude da Igreja, esposa de Cristo, pelas necessidades dos homens, suas alegrias e esperanças, seus sofrimentos e seus esforços, nada mais é do que seu grande desejo de lhes estar presente para os iluminar com a luz de Cristo e reuni-los todos nele, seu único Salvador. Esta solicitude não pode, em hipótese alguma, comportar que a própria Igreja se conforme às coisas deste mundo, nem que diminua o ardor da espera pelo seu Senhor e pelo Reino eterno”. (Credo do Povo de Deus)

Que a Virgem Santíssima nos ajude a extirpar os erros da Teologia da Libertação, e nos ajude a apregoar a verdadeira doutrina transmitida pelos apóstolos.

Saudações em Cristo Jesus e Maria Santíssima!

Jesus ou Cristo?

Um tema muito discutido na sociedade atual é sobre o Jesus histórico e o Cristo da Fé. Mesmo sabendo que “o homem histórico Jesus é o Filho de Deus, e o Filho de Deus é o homem Jesus” (Introdução ao Cristianismo, Edit. Herder, pag. 152, Joseph Ratzinger), mas nas últimas décadas surgiu, particularmente dentro da Teologia da Libertação, o conceito que o Jesus histórico, apresentado pela ciência, é unicamente suficiente, o Cristo dos Evangelhos é uma estória. Com isso pretendia-se abalar a credibilidade dos Evangelhos. Este pensamento, criado por Bultmann, insere-se em um dos mais absurdos – e por que não o mais absurdo – pensamento da Teologia da Libertação.

O então Padre Joseph Ratzinger, no seu livro Introdução ao Cristianismo, diz:

O dilema dos dois caminhos – de um lado, transpor totalmente ou reduzir Cristologia a História; de outro lado, desvencilhar-se da História, deixando-a para trás como supérflua para a fé – este dilema poderia ser resumido na alternativa que já perpassa a Teologia moderna: Jesus ou Cristo? A Teologia de hoje começa a voltar as costas a Cristo, refugiando-se em Jesus, enquanto historicamente comprovável, para, em seguida, no ápice do movimento, com Bultmann, virar em direção oposta, voltando de Jesus para Cristo fuga, que, todavia, no momento atual, já recomeça a configurar uma nova debanda de Cristo para Jesus (pag. 156).

Eis que estamos diante de uma problemática que afeta muitos dos nossos teólogos e padres da sociedade hodierna. Para muitos, Jesus não passa de um “libertador” social, revolucionário; no entanto, sua essencial missão fica oculta aos olhos de tais pensadores.

Tais erros, infiltrados na Teologia da Libertação, revestem-se de caráter verdadeiro, o que aumenta mais ainda a sua periculosidade, não somente por estar unida a este grupo de ensinamentos marxistas, mas por estar “dentro da Igreja”, por assim dizer. “Com a análise do fenômeno da teologia da libertação torna-se manifesto um perigo fundamental para a fé da Igreja. Sem dúvida, é preciso ter presente que um erro não pode existir se não contém um núcleo de verdade. De fato, um erro é tanto mais perigoso quanto maior for a proporção do núcleo de verdade assumida” (Eu vos explico a Teologia da Libertação, Card. Joseph Ratzinger I).

A teologia da libertação tenta se revestir de um santo catolicismo, quando na verdade são como raposas que tendem a destruir a vinha do Senhor.

Ainda para Bultmann, “Jesus pertence aos pressupostos do Novo Testamento, permanecendo, porém, encerrado no mundo do judaísmo” (ibidem II).

Ora, no seu livro Essência do Cristianismo, Harnack, exprime um cristianismo demasiado orgulhoso e de caráter racionalista, nos apresenta uma espécie de “libertação”, mas que encontra-se envolta em erros. Diz ele: “Não o Filho, mas exclusivamente o Pai pertence ao Evangelho, como Jesus o anunciou”. Mas o que queria ele afirmar com esta frase? Para ele Jesus seria o divisor da humanidade. “Onde a fé no Filho criou separações – cristãos e não cristãos e cristãos de diversos credos – a fé no Pai é capaz de unir. Onde o Filho só a poucos pertence, o Pai pertence a todos e todos a ele. Onde a fé cindiu, o amor pode reunir. Jesus contra Cristo significa: fora com o dogma, retorno ao amor” (Introdução ao Cristianismo, Edit. Herder, pag. 157, Joseph Ratzinger).

E poderíamos então concluir: logo, a salvação estaria unicamente em Deus e não em Jesus. Chegamos aqui ao relacionamento da Santíssima Trindade. A Igreja anuncia, e a própria Bíblia já nos apresentou, que existem três pessoas em um só Deus. O Pai, o Filho e o Espírito Santo, agem conjuntamente. Não se contradizem. Se Deus salva, também Jesus e o Espírito Santo podem fazê-lo. A diversidade de pessoas não dá lugar à diversidade de “deuses”. O próprio Jesus disse a Filipe: “Quem me viu, viu o Pai… Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras” (Jo 14,9-10).

E eis que outro ponto ao qual gostaria de fazer um breve comentário é sobre a relação amor e dogma. Verdadeiramente, a Igreja pode também ser definida como a “instituição do amor”. Ninguém, mais que a Igreja ama seus filhos que lhes foram confiados pelo próprio Amor. A Igreja dos mártires e dos santos. A Igreja das diversidades de dons, que buscam fundamentar uma humanidade cada dia mais santa. A Igreja que vive o amor. Mas, para alguns, viver o amor significa ser coerente com o erro. Não! Isto não é amor, é imprudência. Já diz o ditado: “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”. Isto significa que devemos combater os erros. Devemos aniquilar as heresias que se levantam contra a Santa Fé Católica. Viver a liberdade de filhos de Deus, supõe que possamos ter em mente que esta inicia-se no limiar dos mandamentos, e encerra-se onde os mesmos findam-se. Não obstante os erros dos seus filhos, a Igreja incita-os a abandonarem a vida desregrada e afastada de Deus, e a unirem-se a Ele por meio da observância dos mandamentos.

A ciência com seus pressupostos e antepondo-se a fé, não terá uma direção correta. Se as duas não estão lado a lado, de algum lado haverá precipitação. Ainda que historicamente pareça poder trilhar seu caminho individual, a ciência não terá sentido, e não chegará a um destino, se privar-se de Deus. Recordo-me das palavras do Papa João Paulo II: “O homem se encontra num caminho de busca, humanamente infindável: busca da verdade e busca duma pessoa em quem poder confiar. A fé cristã vem em sua ajuda, dando-lhe a possibilidade concreta de ver realizado o objetivo dessa busca” (Fides et Ratio, 33).

No seu livro já citado, o Cardeal Ratzinger fala da teologia da “morte de Deus” (pag. 158), propagadora da idéia que, embora não disponhamos mais de Deus, nos fica Jesus Cristo, que torna-se um sinal de confiança e anima-nos a prosseguir. E esta teologia se dá claramente hoje. É a prova viva de que a humanidade necessita redescobrir a face misericordiosa de Deus.

Em conclusão: “Jesus só existe como o Cristo e o Cristo só é real como Jesus… Talvez seja mais indicado confiar mais na presença da fé atuante através dos séculos, que, em sua natureza, nada mais é do que compreensão – compreensão do que e quem finalmente foi Jesus – quiçá seja mais indicado confiar na fé, do que na reconstrução que busca seu caminho fora da realidade. Pelo menos convém tomar conhecimento do que, afinal, essa fé nos diz” (Idem).

Peçamos a Virgem Maria, hoje invocada com o título de Nossa Senhora do Carmo, que interceda pela Santa Igreja, para que possa enfrentar todos os desafios que insurgem contra ela. Aos que puderem, recomendo insistentemente a leitura dos livros Introdução ao Cristianismo e Jesus de Nazaré, para que saibamos defender-nos das heresias que se disfarçam de doutrinas.

Fraternalmente em Cristo Jesus e Maria Santíssima!