Padre Paulo Ricardo denuncia estratégia abortista do Governo na Comissão de Direitos Humanos

Em audiência na Comissão de Direitos Humanos, Padre Paulo Ricardo exorta a presidente a cumprir com sua palavra e não legalizar o aborto.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere | Ontem [leia-se: dia 10], o Padre Paulo Ricardo participou de um importante debate na Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Na ocasião, ele alertou para o perigo do PLC nº3, de 2013, aprovado em regime de urgência no Congresso Nacional, em pouco menos de quatro meses, e que já foi enviado, no último dia 4, para a sanção da Presidente da República.

[Para quem não acompanhou a participação do reverendíssimo padre Paulo Ricardo na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, assistam aos vídeos abaixo:]

De fato, a estratégia da militância abortista foi muito bem preparada. Depois de maquiar o texto do projeto, prevendo, no seu art. 1º, “atendimento emergencial, integral” para as vítimas de violência sexual – cujo conceito eles ardilosamente reformularam no art. 2º –, ainda deram à tramitação do texto caráter de urgência, sem dar tempo para os congressistas meditarem e analisarem com cuidado o conteúdo e as consequências práticas do projeto de lei. Tanto é verdade que este foi aprovado sem o mínimo de discussão ou participação da sociedade.

Afinal, qual o perigo que oferece o texto deste projeto de lei, que nem usa o termo “aborto” explicitamente? Ora, os engenheiros da cultura da morte não precisam dizer claramente quais são suas intenções e objetivos. Basta que usem palavras e expressões inofensivas – quem desconfiará da malícia de um texto que fala do “atendimento integral” em decorrência da “violência sexual” praticada contra as mulheres? – para que os profissionais da Medicina e do Direito já comprometidos com a agenda abortista tenham base legal para amparar suas ideologias. Pavimentada a estrada para o morticínio de nossas crianças, o caminho está livre para a ação autônoma do Executivo, através de regulamentações e normas técnicas, e ao Judiciário, através do ativismo de magistrados inescrupulosos. Estamos diante de uma armadilha clara para implantar a legalização do abortamento às ocultas, à revelia da mídia e da própria população brasileira.

O poder de sancionar ou vetar a lei está nas mãos da Presidente da República, a senhora Dilma Rousseff, a mesma que, nas eleições de 2010, se comprometeu com líderes cristãos a não descriminalizar o aborto no Brasil. Mas também está diante de nós a iniciativa de agir, a fim de impedir que este texto vergonhoso se torne parte de nosso ordenamento jurídico. Contatemos os órgãos do Poder Executivo e os seus Ministérios, e lembremos nossos governantes que a população brasileira, que eles um dia disseram representar, não se vê representada nos interesses espúrios e desumanos das grandes Organizações Internacionais e de sua agenda de morte. Manifestemo-nos por um fato realmente importante, a dignidade da vida humana, o futuro dos nossos filhos e de nossa Nação.

E não nos enganemos com o aspecto aparentemente democrático com que são votadas e aprovadas estas arbitrariedades. Lembrava o bem-aventurado João Paulo II, em sua Evangelium Vitae: “Tudo parece acontecer no mais firme respeito da legalidade, pelo menos quando as leis, que permitem o aborto e a eutanásia, são votadas segundo as chamadas regras democráticas. Na verdade, porém, estamos perante uma mera e trágica aparência de legalidade, e o ideal democrático, que é verdadeiramente tal apenas quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana, é atraiçoado nas suas próprias bases (…). Reivindicar o direito ao aborto, ao infanticídio, à eutanásia, e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade”.

Não sejamos cúmplices da morte de nossos filhos… e de nossa liberdade.

O ex-mestre de cerimônias pontifícias e o “casamento” gay

Devo fazer algumas considerações, voltando ainda ao espinhoso tema do “casamento” gay, que tem agitado os meios de comunicação e as redes sociais nos últimos dias. Alguém comentou aqui no blog – como se já não soubéssemos – que a “união para pessoas do mesmo sexo, em curso, é civil”. Em suas palavras: “para o Estado laico brasileiro, a regularização entre pessoas será igualitária, por força da lei”; “religião é outro departamento”. A opinião dele não é isolada, de maneira nenhuma. Piero MariniO mais novo entusiasta do reconhecimento civil das uniões homossexuais é bispo! e foi cerimoniário do bem-aventurado João Paulo II (o que Wojtyla diria de uma coisa dessas, se estivesse vivo?). Durante entrevista concedida na Costa Rica, por ocasião de um Congresso Eucarístico, Piero Marini (foto) declarou que “é necessário reconhecer as uniões de pessoas do mesmo sexo, pois há muitos pares que sofrem porque não são reconhecidos seus direitos civis” (via Vatican Insider).

- E agora, o que vocês vão dizer, com um bispo da Igreja defendendo a união civil gay? – Ora, o mesmo de sempre: que “[em] presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo”, como está disposto em um documento da Congregação para a Doutrina da Fé, de 2003. Note-se bem: é um dever opor-se tanto ao “reconhecimento legal das uniões homossexuais” quanto à “equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último”. E, se as palavras do então Cardeal Joseph Ratzinger valiam com toda a força também para quem não comunga da fé católica, quanto mais para os fiéis da Igreja, quanto mais para seus bispos! Não tem essa de “o que não se pode reconhecer é que esse par seja um matrimônio”. Há o dever de oposição clara e incisiva também ao reconhecimento civil das uniões de pessoas do mesmo sexo.

Não, isto não significa dizer que a distinção – necessária – entre Estado e Igreja deva ser abolida. A propósito, nenhum dos defensores da família tradicional advoga tamanha estupidez. No Cristianismo – diferentemente, por exemplo, do Islamismo -, sempre houve a consciência clara de que a autoridade civil e a autoridade espiritual atuam em esferas distintas; sempre houve a consciência de que é preciso dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (cf. Mt 22, 21). E, no entanto, não se deduz, daí, que uma sociedade deva ignorar a existência da outra; ou mesmo sobrepor-se à outra, como acontece nas teocracias (quando o poder civil é absorvido pelo religioso) ou nos cesarismos (quando o poder religioso é absorvido pelo civil). Acontece que a discussão sobre o “casamento” gay não tem muito a ver com a intromissão ou não da Igreja na esfera civil. Tem a ver, antes, com os deveres do Estado e os limites de sua atuação. Afinal, o Estado pode legislar sobre uma matéria que está além de sua competência, a saber: uma lei inscrita no coração humano – que nós chamamos comumente de “lei moral natural”?

Com efeito, praticamente em todas as vezes que o Papa Bento XVI condenou a união civil homossexual, foi enfático em lembrar que não se trata de uma “questão religiosa” – como muitos postulam, inclusive quando vão falar sobre o aborto, a pesquisa científica com células-tronco embrionárias etc.; trata-se de uma questão que afronta a própria concepção natural de família, cujas dimensões vão muito além do âmbito privado. Os advogados da causa gay colocam frequentemente que o reconhecimento legal das uniões “homoafetivas” não provocará alteração nenhuma na estrutura social. É mentira. Lembra o Cardeal Ratzinger, no mesmo documento anteriormente citado, que, “[se], do ponto de vista legal, o matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrimônios possíveis, o conceito de matrimônio sofrerá uma alteração radical, com grave prejuízo para o bem comum”. Tanto é verdade que uma ativista gay veio a público e disse claramente: nós, militantes, “mentimos quando dizemos que a instituição do matrimônio não vai mudar”. É claro que vai mudar, só não enxerga quem não quer.

As declarações do monsenhor Piero Marini são absurdas; intoleráveis, para um homem com dignidade episcopal na Igreja Católica. E, no entanto, é sabido que um bispo, sozinho, pode ser infiel, herege ou mesmo apóstata. Fotino, que negava a divindade de Jesus, era bispo; Apolinário, que negava que Cristo tinha uma alma irracional, era bispo; Nestório, que negou a maternidade divina de Maria, era bispo… E ainda hoje muitos exemplos de infidelidade poderiam ser enumerados. Esses casos de heterodoxia são modelos práticos daquilo que o Cardeal Kasper chamou de o “inverno” na Igreja. No caso de monsenhor Marini, é também um exemplo de como a confusão na Liturgia geralmente é consequência de quem já faz malabarismos com a fé e moral católicas.

Médicos do Vaticano aprovam milagre que tornará Wojtyla santo

Por Andrea Tornielli – Tradução: Ecclesia Una | “Santo subito!”: a canonização do Papa Wojtyla caminha a passos largos e poderia ser celebrada já no próximo mês de outubro. Papa João Paulo IIDe fato, nos últimos dias, a Comissão Médica da Congregação para as Causas dos Santos reconheceu que é inexplicável uma cura atribuída ao beato João Paulo II. Um suposto “milagre” que, se aprovado também pelos teólogos e cardeais – o que é muito provável –, fará com que o Pontífice polaco, que morreu em 2005, obtenha a auréola de santo em um tempo recorde, apenas oito anos depois de sua morte.

Tudo aconteceu em grande segredo, com a máxima discrição. Em janeiro, o postulador da causa, mons. Slawomir Oder, apresentou uma possível cura milagrosa à Congregação vaticana para os santos, para uma opinião preliminar. Como é sabido, depois da aprovação de um milagre para a proclamação de um beato, o procedimento canônico prevê o reconhecimento de um segundo milagre que deve acontecer depois da cerimônia de beatificação.

Dois médicos da comissão vaticana examinaram previamente este novo caso, e ambos deram um ditame favorável. O dossiê com os registros médicos e os testemunhos foi então apresentado oficialmente ao dicastério, que imediatamente o incluiu em sua agenda, para ser examinado. Nos últimos dias, o tema foi discutido por uma comissão de sete médicos, presidida pelo doutor Patrizio Polisca, cardiologista de João Paulo II, médico pessoal de Bento XVI e, agora, do Papa Francisco. A comissão médica também deu um parecer favorável, a primeira via livre oficial por parte do Vaticano, definindo como inexplicável a cura atribuída à intercessão do beato Karol Wojtyla.

Trata-se da superação do primeiro obstáculo fundamental, já que o suposto milagre terá agora que ser aprovado pelos teólogos e logo pelos cardeais e bispos da Congregação, antes de ser submetido ao Papa para o “sim” definitivo. Mas, de todo modo, o trâmite da comissão é considerado o passo mais importante: nem os teólogos nem os cardeais entram de fato nas valorações clínicas relativas ao caso.

Fica evidente, pelos passos que já foram dados, a vontade da Congregação para as Causas dos Santos de proceder de maneira rápida, como aconteceu com a beatificação de João Paulo II, celebrada por seu sucessor Bento XVI, em 1º de maio de 2011. Esta larga estrada que segue aberta para Wojtyla indica que também o Papa Francisco está a favor da canonização do Pontífice polaco.

Todavia, é prematuro falar de datas para a canonização, mas a rapidez com a qual está acontecendo o processo do milagre deixa aberta a possibilidade de que se celebre no domingo, dia 20 de outubro, aproveitando a festa litúrgica assinalada para o bem-aventurado Wojtyla, fixada em 22 de outubro.

A canonização tornará João Paulo II o segundo Papa santo do último século, depois de Pio X. Outros dois Papas beatificados mas não declarados santos são Pio IX e João XXIII. Outro Pontífice que está vendo chegar sua beatificação é Paulo VI: depois da conclusão do processo já foi apresentado à Congregação para as Causas dos Santos um milagre atribuído a sua intercessão. Espera-se, por outro lado, a indicação de um milagre para a causa de Pio XII. Enquanto isso, o processo do Papa Luciani já se encontra em fase avançada. Como se vê, a história do papado do século XX está cheia de auréolas.

A Teologia da Libertação na Pastoral da Juventude III

Esta não é a primeira vez que escrevemos sobre a Teologia da Libertação infiltrada na Pastoral da Juventude. Em uma ocasião, quando escrevemos sobre as críticas feitas pelos pejoteiros ao cartaz da Campanha da Fraternidade deste ano, afirmei:

“[É] esta a PJ que criticamos: a Pastoral da Juventude que se alinhou ao materialismo, às ideias revolucionárias e anticristãs do marxismo, à Teologia que tem destruído inúmeras vocações em toda a América Latina… Estas ideologias falsas são demasiado velhas e antiquadas; não combinam com o espírito da juventude.”

Nossa crítica permanece. Jovens que buscam viver seu Batismo, lutando contra o pecado e contra a “cultura de morte” de nosso mundo: esta postagem não é para nenhum de vocês. As linhas que seguem são dirigidas a algumas víboras mascaradas de católicos, que atacam a Igreja da maneira mais vil: tentando destruí-la por dentro. As linhas que seguem são aos sectários que tentam ressuscitar uma Teologia fracassada, falida, sem futuro nenhum. As linhas que seguem são, sobretudo, uma denúncia.

Há uma página no Facebook que já há algum tempo é motivo de escândalo para os fiéis católicos brasileiros. É administrada por membros da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Fortaleza, no Ceará. Há ali inúmeras postagens exaltando figuras como o teólogo da libertação Leonardo Boff, o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, o ditador cubano Fidel Castro e, mais recentemente, o “companheiro” Hugo Chávez.

Ainda é necessário dizer o quanto a idolatria destas personagens contrasta com a autêntica fé católica? O quanto repugna ao Cristianismo o culto destas pessoas que, em vida, lutaram – e lutam – não pelo Reino de Deus, mas pela implantação de um “paraíso socialista” neste mundo? A quem talvez não saiba das contradições gritantes que existem entre o catolicismo e o comunismo ateu, pode interessar muito a leitura deste ótimo artigo do amigo Felipe Melo, do blog da Juventude Conservadora da UnB. Desde o começo, o socialismo foi condenado pelos Papas: o mesmo socialismo pelo qual lutaram Che Guevara, Fidel Castro e outros picaretas hoje estampados no mural da página de uma pastoral que se diz… católica! O mesmo socialismo que hoje tem seus simpatizantes agindo pública e livremente em um grupo dentro da… Arquidiocese de Fortaleza!

Mas eles vão além: introduzem sua desobediência ao Magistério também na Liturgia. Uma foto é suficiente para mostrar a falta de respeito e sacralidade na hora de celebrar a Santa Missa:

"PJ: nosso jeito de ser, crer e viver"

Acontece sempre? Não dá pra saber, mas talvez a legenda “nosso jeito de ser, crer e viver” diga alguma coisa.

É com isto que a Pastoral da Juventude se identifica: com a avacalhação da Liturgia católica, contra a qual o bem-aventurado João Paulo II já tão insistentemente tinha alertado:

“Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. (…) Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.”

- Ecclesia de Eucharistia, n. 10

“A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.” As palavras são de João Paulo II, são do Papa! Mas, devemos esperar obediência desses grupos tão notáveis justamente por desobedecerem? Aliás, é bom nem imaginar qual a ideia que a Pastoral da Juventude faz do Sumo Pontífice, quando chama o próprio Jesus Cristo de “socialista”.

A PJ é católica?! Pode até ser, mas este grupo de Fortaleza, que cultua Che Guevara, Fidel Castro e Hugo Chávez, já abandonou a Igreja há muito tempo. Afinal, nas palavras do Papa Pio XI, de venerável memória, “ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Quadragesimo Anno, III, n. 2).

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Leia também os outros dois posts da trilogia: A Teologia da Libertação na Pastoral da Juventude I e A Teologia da Libertação na Pastoral da Juventude II, no arquivo de nosso blog.

A família é o que é, não o que a modernidade tem feito dela

O “casamento” gay começou há muito tempo. É o título do último artigo do amigo Wagner Moura, em seu blog O Possível e O Extraordinário. Confesso que ainda não tinha parado para pensar no assunto, mas é verdade. Esta total desestruturação que se vê hoje na concepção de família só foi possível porque, há muitos anos, o casamento deixou de ser concebido como um núcleo gerador de vida para se tornar uma comunidade “afetiva entre pessoas regida por um contrato social”. Isto só foi possível graças à mentalidade contraceptiva e ao divórcio, que sujaram a sacralidade do Matrimônio, transformando a família em um mero caso amoroso – passível de ser destruído diante da primeira tempestade -, do qual os filhos seriam apenas um acessório.

Hoje em dia, as famílias numerosas são desprezadas, dando lugar a pequenos grupos, egoístas e instáveis.

Hoje em dia, as famílias numerosas são desprezadas, dando lugar a pequenos grupos, egoístas e instáveis.

Vamos explicar melhor: quando o governo investe em propagandas para que os jovens usem camisinha; quando os meios de comunicação colocam como modelo uma família com um ou dois filhos, no máximo; quando as crianças são ensinadas, desde cedo, nas instituições de ensino públicas, a aceitarem a contracepção; quando os pais ficam alheios à educação de seus filhos – e são obrigados a colocarem-nos na escola a partir dos 4 anos de idade!, para receberem uma “orientação sexual” ofensiva ao pudor e à castidade -, o resultado que temos é a deturpação do verdadeiro sentido da sexualidade.

Não que o sexo seja uma coisa ruim. Muito pelo contrário. A Igreja fala da sexualidade humana como um verdadeiro dom, como “fonte de alegria e prazer” (cf. Catecismo da Igreja Católica, § 2362). O que é condenável é a dissociação do prazer que brota do sexo de sua dimensão procriativa; o que não se pode aceitar é que o ato sexual seja fechado à dádiva da vida. Quando o Papa Paulo VI se pronunciou, ainda no final da década de 60, sobre os males que a regulação artificial da natalidade trariam à sociedade, praticamente ninguém lhe deu muito crédito. Muitos dentro da própria Igreja ridicularizaram o Pontífice – e até hoje não são poucos os que veem o ser contrário aos anticoncepcionais como um “retrocesso medieval”. O que a Humanae Vitae dizia, porém, era profético. Tudo o que Paulo VI previu como consequência da mentalidade contraceptiva se cumpriu, de maneira trágica. As mulheres se viram reduzidas a objetos de prazer dos homens, os padrões morais sofreram uma queda generalizada, a infidelidade conjugal cresceu de modo a colocar os números de divórcio em níveis exorbitantes e, por fim, os governos têm interferido cada vez mais no tema da reprodução, que deveria ficar restrito ao âmbito familiar.

Não bastasse tudo isso, vemos crescer em todos os lugares a aprovação aos chamados “novos modelos de família”. Embora Paulo VI não tivesse falado disto em sua época – em 1968, ninguém falava de “casamento” gay – o que hoje vemos também é consequência das ideias antinatalistas. A partir do momento em que os pais deixaram de se preocupar com a geração e educação dos filhos – que é parte essencial do Matrimônio -, as famílias começaram a se tornar pequenos grupos de pessoas preocupados em buscar sucesso profissional e prazer sexual. Foi aí que vieram os casais que se amasiavam, os pais que abreviavam o número de seus filhos para não atrapalhar suas carreiras e, agora, os homossexuais que querem suas relações afetivas reconhecidas pelo Estado – e pela opinião pública. Afinal, se a família é hoje nada mais que duas pessoas que se amam, por que não dar aval às uniões gays?

O problema que a gente vê em toda essa discussão é de conceito. Há toda uma engenharia social bem projetada para continuar distorcendo a verdadeira noção de casamento, a verdadeira essência da família. E, no entanto, a família é o que é, e não o que a modernidade tem feito dela. Para quem, no mar de tanta corrupção e infidelidade, tenha esquecido em que consiste de fato a instituição familiar, recomendamos a leitura da sempre atual Familiaris Consortio, do bem-aventurado João Paulo II. Com ele, bradamos forte e fazemos um apelo desesperado pela restauração do autêntico Matrimônio: “Família, torna-te aquilo que és!”

Cardeal Sodano: “Somos chamados a cooperar com o Sucessor de Pedro”.

Missa Pro Eligendo Romano Pontifice 2013Foi celebrada, hoje (12), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, a tão esperada Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, que é rezada antes do retiro que elege o próximo Papa.

Foi nesta Missa que, em 2005, o então decano do colégio cardinalício, cardeal Joseph Ratzinger, pronunciou sua memorável homilia condenando o que chamou de “ditadura do relativismo”, uma realidade “que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades”. Seguiu-se àquelas fantásticas palavras sua eleição como 265º sucessor de São Pedro – Bento XVI.

Hoje, sem a perspicácia e a distinta argumentação do Papa teólogo, o cardeal Angelo Sodano agradeceu Sua Santidade pelo serviço frutuoso à frente da Igreja: “Também nós hoje (…) queremos oferecer-nos com Cristo ao Pai que está nos Céus para agradecer-lhe pela amorosa assistência que sempre reserva à sua Santa Igreja e em particular pelo luminoso Pontificado que nos concedeu com a vida e as obras do 265º Sucessor de Pedro, o amado e venerado Pontífice Bento XVI, ao qual neste momento renovamos toda a nossa gratidão”. Após estas palavras, os fiéis soltaram, em sinal de reconhecimento, uma efusiva salva de palmas.

O decano do Sacro Colégio falou de unidade. “É justamente para a unidade do seu Corpo Místico que Cristo (…) enviou o seu Espírito Santo e, ao mesmo tempo, estabeleceu os seus Apóstolos, entre os quais Pedro tem a primazia como o fundamento visível da unidade da Igreja. (…) Todos nós, portanto, somos chamados a cooperar com o Sucessor de Pedro, fundamento visível de tal unidade eclesial.”

O apelo de Sodano à obediência é emblemático após a renúncia de um Papa cujo trabalho, nas palavras do cardeal Zen, teria sido “desperdiçado por outros próximos a ele, que não seguiam a sua linha”; após a má vontade de certos prelados em restabelecer a Missa Tridentina – liberada por Bento XVI, em 2007, no motu proprio Summorum Pontificum –, resistência interpretada por alguns como “desobediência (…) e até rebelião contra o papa”; após um pontificado marcado por um explícito “apelo à desobediência”, assinado por vários párocos da Áustria, pedindo uma “reforma” nada ortodoxa na Igreja. Sem dúvida, falta a muitos – no seio do próprio episcopado, o que é de se lamentar – este desejo de “cooperar com o Sucessor de Pedro”. Fala-se muito hoje do diálogo entre as religiões e pouco da unidade na própria Igreja: unidade de fé, de culto e de governo. Bento XVI foi uma bênção neste sentido: preocupou-se com a coesão eclesial interna, sem por isso abandonar o diálogo inter-religioso.

Mas a missão de um Papa – lembra o cardeal Sodano – vai muito além: “A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas (cf. Jo 10, 15). Isto vale, sobretudo, para o Sucessor de Pedro, Pastor da Igreja universal. Porque quanto mais alto e mais universal é o ofício pastoral, tanto maior deve ser a caridade do Pastor.”

O cardeal Joseph Ratzinger e o papa João Paulo II, bons pastores.

O cardeal Joseph Ratzinger e o papa João Paulo II, bons pastores.

Em João Paulo II e em Bento XVI é possível ver a imagem do bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas. O primeiro abandona-se nas mãos de Deus até o fim de sua vida, permanecendo no ministério petrino mesmo extenuado e acometido por uma longa doença. O segundo renuncia à tiara para dar lugar a outro: reconhece-se “servo” – e, por consequência, dispensável –, dando a todos – católicos e não crentes – uma lição de profunda humildade. Na conclusão destes dois pontificados, que, juntos, somam quase 35 anos, podemos dizer que vivenciamos o reinado de Papas santos e comprometidos com a verdade do Evangelho.

Que venha o próximo! Pio XIII, Gregório XVII, João Paulo III… Importa, mais que o nome, que seja um santo homem; e que “realize com coração generoso” a missão que lhe será confiada como bispo de Roma.

“Não nos levemos muito a sério, somos unicamente instrumentos”.

Bento XVI resignation“Não seria mais ‘cristão’ seguir o exemplo do beato Wojtyla, isto é, a resistência heroica até o final, ao invés do exemplo de São Celestino V? Graças a Deus, são muitas as histórias pessoais, muitos os temperamentos, os destinos, os carismas, as maneiras de interpretar e viver o Evangelho. Grande, apesar do que pensem aqueles que não a conhecem por dentro, grande é a liberdade católica. Muitas vezes, o então cardeal me repetiu, nas entrevistas que teríamos ao longo dos anos, que quem se preocupa demasiado pela difícil situação da Igreja (quando não foi?) demonstra não haver entendido que esta pertence a Cristo, é o corpo mesmo de Cristo. Portanto, cabe a Ele dirigi-la e, se necessário, salvá-la. ‘Nós’, me dizia, ‘somente somos, palavra do Evangelho, servos, e por consequência, inúteis. Não nos levemos muito a sério, somos unicamente instrumentos e, além disso, muitas vezes ineficazes. Não gastemos demais os neurônios [nos devanemos demasiado los sesos] pelo futuro da Igreja: realizemos até o final nosso dever, Ele pensará no resto’.”

“Existe também, acima de tudo até, esta humildade, na decisão de passar o testemunho: o instrumento vai desaparecer, o Dono da messe (como ele gosta de chamá-Lo, com termos evangélicos) necessita de novos operários, que, portanto, cheguem conscientes isso sim, de ser meros servidores. E quanto aos anciãos já extenuados, deem o trabalho mais valioso: a oferta do sofrimento e o compromisso mais eficaz. O da oração incansável, esperando a chamada à Casa definitiva.”

[Vitorio Messori em El ofrecimiento del sufrimiento y de la oración: una resposta a tres perguntas, via Religión en Libertad (tradução minha)]

A KGB espiava Karol Wojtyla desde que era sacerdote em 1946, 25 anos antes do que se pensava

O jovem padre Wojtyla.

O jovem padre Wojtyla.

Fonte: Religión en Libertad | Tradução: Ecclesia Una – Até aqui se pensava que foi em 1971, ano no qual Karol Wojtyla foi nomeado cardeal, que a KGB o colocou em seu ponto de mira. Mas não é verdade: muitos anos antes a polícia secreta da União Soviética já o havia localizado e catalogado como alguém perigoso.

Na Polônia, sob o Governo comunista, todo membro do clero era considerado um inimigo. Também os seminaristas, os estudantes e suas famílias eram vigiados pela Polícia política, e Wojtyla não era exceção. É o que conta Marek Lasota no livro Karol Wojtyla spiato [“Karol Wojtyla espionado”], publicado por Interscienze.

Lasota investigou os arquivos dos serviços secretos poloneses, e trouxe à luz documentos que demonstram até que ponto o Papa foi posto sob estreita observação e vigilância: “Começou a ser controlado pelo aparato repressivo já em 1946”. Nada menos que 25 anos antes do que se pensava.

Que estava fazendo Karol Wojtyla naquele então?

“Durante a guerra, Wojtyla era membro de uma organização secreta de resistência”, explica o autor em uma entrevista à revista Famiglia Cristiana na sua edição de semana passada. “Pouco depois da guerra, esteve mais bem submerso e ativo na vida acadêmica, no processo de redemocratização”.

Enquanto jovem sacerdote, Karol Wojtyla se ocupava dos estudantes e dos intelectuais, e tratou de contribuir na medida de suas possibilidades na reconstrução da elite cultural e social do país: “Havia suficiente para que fosse espiado mais que os demais”, assegura Lasota.

É lógico pensar que o controle se intensificou de maneira exponencial quando o sacerdote polonês, que tinha sido nomeado cardeal em 1971, tornou-se Sumo Pontífice em 1978: “Há muitas provas que evidenciam o notável interesse da KGB por João Paulo II. Já em dezembro de 1978, durante uma reunião do departamento, se decidiu investigar sobre a possibilidade de aproximar-se fisicamente do Papa”, indica o autor de Karol Wojtyla spiato.

“Esta decisão pode ser interpretada de diversas maneiras, obviamente. Os documentos que ainda restam do Instituto Polonês de Memória Nacional (IPN) e de institutos similares nos países ex-comunistas, sobretudo na Alemanha, demonstram que o Papa teve a ver com as autoridades de segurança desses países”, assegura.

O atentado de 1981: os soviéticos por trás?

Segundo Marek Lasota, que é também diretor da seção de Cracóvia do citado Instituto, durante anos a IPN e a Comissão para os crimes contra a nação polonesa investigaram o atentado de 1981. As conclusões, ou ao menos as hipóteses, são surpreendentes: “Depois de ter analisado milhares de documentos, inclusive aqueles que provinham do sistema judicial italiano, e depois de ter entrevistado diferentes pessoas que poderiam estar relacionadas por seu papel, parece confirmar-se a hipótese de um intento de assassinato por parte da KGB soviética”.

Imagem de João Paulo II é pichada em Mato Grosso

Vândalos picharam imagem do beato João Paulo II, no Memorial do Papa, em Cuiabá. O ato de intolerância foi praticado logo após o Bote Fé, que reuniu milhares de pessoas em torno da Cruz Peregrina e do Ícone de Nossa Senhora, da Jornada Mundial da Juventude. “Nenhum suspeito de danificar a imagem foi identificado ou detido.”

João Paulo II e Bento XVI: o aborto é sempre injustificável

“Hoje, a percepção da sua gravidade [a do aborto] vai-se obscurecendo progressivamente em muitas consciências. A aceitação do aborto na mentalidade, nos costumes e na própria lei, é sinal eloquente de uma perigosíssima crise do sentido moral que se torna cada vez mais incapaz de distinguir o bem do mal, mesmo quando está em jogo o direito fundamental à vida. Diante de tão grave situação, impõe-se mais que nunca a coragem de olhar frontalmente a verdade e chamar as coisas pelo seu nome, sem ceder a compromissos com o que nos é mais cômodo, nem à tentação de autoengano. A propósito disto, ressoa categórica a censura do Profeta: ‘Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que têm as trevas por luz e a luz por trevas’ (Is 5, 20). Precisamente no caso do aborto, verifica-se a difusão de uma terminologia ambígua, como ‘interrupção da gravidez’, que tende a esconder a verdadeira natureza dele e a atenuar a sua gravidade na opinião pública. Talvez este fenômeno linguístico seja já, em si mesmo, sintoma de um mal-estar das consciências. Mas nenhuma palavra basta para alterar a realidade das coisas: o aborto provocado é a morte deliberada e direta, independentemente da forma como venha realizada, de um ser humano na fase inicial da sua existência, que vai da concepção ao nascimento.”

“A gravidade moral do aborto provocado aparece em toda a sua verdade, quando se reconhece que se trata de um homicídio e, particularmente, quando se consideram as circunstâncias específicas que o qualificam. A pessoa eliminada é um ser humano que começa a desabrochar para a vida, isto é, o que de mais inocente, em absoluto, se possa imaginar: nunca poderia ser considerado um agressor, menos ainda um injusto agressor! É frágil, inerme, e numa medida tal que o deixa privado inclusive daquela forma mínima de defesa constituída pela força suplicante dos gemidos e do choro do recém-nascido. Está totalmente entregue à proteção e aos cuidados daquela que o traz no seio. E todavia, às vezes, é precisamente ela, a mãe, quem decide e pede a sua eliminação, ou até a provoca.”

“É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente.

- Beato João Paulo II, Evangelium Vitae
25 de março de 1995

“A interrupção da gravidez, absolutamente injustificável, que custa a vida como sempre aconteceu, de numerosas crianças inocentes, permanece uma preocupação dolorosa para a Santa Sé e para toda a Igreja. Talvez o atual debate dos responsáveis políticos sobre a interrupção da gravidez em estado avançado pode fortificar a consciência do fato de que a deficiência diagnóstica da criança não pode ser um motivo para abortar porque também a vida com deficiência é querida e apreciada por Deus e que nesta terra ninguém pode ter a certeza de viver sem limites físicos ou espirituais.”

- Papa Bento XVI, ao embaixador da República Alemã
28 de setembro de 2006