“…jamais chegareis a honrá-la tanto, como chamando-lhe Mãe de Deus.”

Our Lady of Fatima 2

“Necessário seria compreender quão sublime é a grandeza de Deus, para também se compreender a altura a que Maria foi elevada. Bastará, pois, somente dizer que Deus fez desta Virgem sua Mãe, para entender com isso que não lhe era possível exaltá-la mais do que a exaltou. Apropriadamente afirma Arnoldo de Chartres que, em se fazendo Filho da Virgem, Deus a colocou numa altura superior a todos os santos e anjos. Exceto Deus, ela é sem comparação mais elevada do que todos os espíritos celestes, como dizem S. Efrém e S. André de Creta. Vulgato Anselmo escreve: Senhora, vós não tendes quem vos seja igual, porque qualquer outro ou está acima, ou está abaixo de vós; só Deus vos é superior, e todos os outros vos são inferiores. É tão grande, em suma, a grandeza da Virgem, conclui S. Bernardino, que só Deus pode e sabe compreendê-la.”

“‘Por isso ninguém se maravilhe, adverte S. Tomás de Vilanova, se os santos evangelistas, tão prontos em registrar os louvores de São João Batista, de Madalena, foram tão parcos em descrever as prerrogativas de Maria. Contentam-se em dizer que dela nasceu Jesus. Baste-nos isso. Com tais palavras dizem tudo, resumem-lhe todas as excelências, sendo por isso desnecessário que as fossem descrevendo uma a uma’. E descrevê-las por que? Maria é Mãe de Deus, e já não excede com isso a toda grandeza e dignidade que se pode exprimir ou imaginar depois de Deus? pergunta Eádmero. Igualmente conclui Pedro Celense: Dai-lhe o nome que quiserdes, de Rainha do céu, de Senhora dos anjos, ou qualquer outro título de honra, jamais chegareis a honrá-la tanto, como chamando-lhe Mãe de Deus.”

Santo Afonso Maria de Ligório,
Glórias de Maria
3. ed. – Aparecida, SP: Editora Santuário, 1989
p. 291-292

Papa fala sobre Santo Afonso de Ligório e o valor da oração

Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja. “Se não nos salvarmos, toda a culpa será nossa, por não termos rezado.”

“Deus criou por amor, para poder nos dar vida em abundância, mas esta meta, esta vida em plenitude, por causa do pecado, é, por assim dizer, distanciada – todos sabemos – e somente a graça de Deus pode torná-la acessível. Para explicar esta verdade básica e nos fazer entender como é realmente real para o homem os riscos de se perder, Santo Afonso criou uma máxima famosa, muito simples, que diz: Quem reza se salva, quem não reza se condena. Comentando sobre esta frase lapidar, acrescentou: Se salvar sem oração é dificílimo, senão impossível… mas rezando o ‘salvar-se’ é algo seguro e fácil (II, Conclusão). Ele ainda diz: Se não oramos, para nós não há desculpa, porque a graça de rezar é dada a todos… se não nos salvarmos, toda a culpa será nossa, por não termos rezado (ibid.). Dizendo ainda que a oração é uma condição necessária, Santo Afonso queria dar a entender que em cada situação da vida não se pode fazer menos que rezar, especialmente nos momentos de provação e dificuldade. Sempre devemos bater à porta do Senhor com confiança, sabendo que em tudo Ele cuida de seus filhos, de nós. Por isso, somos convidados a não termos medo de recorrer a Ele e de apresentar com confiança os nossos pedidos, na certeza de alcançarmos o que necessitamos.”

“Caros amigos, esta é a questão central: o que é realmente necessário em minha vida? Respondo com Santo Afonso: A saúde e todas as graças que por ela necessitamos (ibid.), é claro, ele quer dizer não só a saúde do corpo, mas acima de tudo, da alma, que Jesus nos dá. Mais do que qualquer outra coisa, precisamos de sua presença libertadora que nos torna plenamente humanos, e por isso, enche de alegria o nosso existir. E só através da oração podemos acolhê-Lo, a Sua graça, que, iluminando-nos em cada situação, faz-nos discernir o verdadeiro bem e, fortalecendo-nos, torna eficaz também a nossa vontade, torna-a capaz de implementar o bem conhecido. Muitas vezes reconhecemos o bem, mas não somos capazes de fazê-lo. Com a oração, conseguimos realizá-lo. O discípulo do Senhor sabe que está sempre exposto à tentação e não deixa de pedir ajuda a Deus em oração, para vencê-la.”

“Santo Afonso recorda o exemplo de São Filipe Neri – muito interessante – no qual desde o primeiro momento em que ele acordava de manhã, dizia a Deus: Senhor, ponha hoje as mãos sobre Filipe, porque senão, Filipe vai te trair (III, 3). Grande realista! Ele pede a Deus para manter Sua mão sobre ele. Nós também, conscientes de nossa fraqueza, devemos pedir a ajuda de Deus com humildade, confiando na riqueza da Sua misericórdia. Em outra mensagem, Santo Afonso diz: Somos pobres de tudo, mas se questionamos não somos mais pobres. Se somos pobres, Deus é rico (II, 4). E, seguindo Santo Agostinho, o convite é para que o cristão não tenha medo de procurar Deus, com a oração, aquele poder que não há igual e é necessário para se fazer o bem, na certeza de que o Senhor não nega sua ajuda àqueles que rezam com humildade (cf. III, 3). Caros amigos, Santo Afonso nos lembra que a relação com Deus é essencial em nossa vida. Sem o relacionamento com Deus falta a relação fundamental e a relação com Deus consiste em falar com Deus na oração pessoal diária e participação nos sacramentos, assim este relacionamento pode crescer em nós, pode crescer em nós a presença divina que conduz o nosso caminho, ilumina-o e o torna seguro e sereno, mesmo no meio de dificuldades e perigos. Obrigado.”

- Papa Bento XVI, Audiência Geral
1º de agosto de 2012

“Procuremos a graça, mas procuremo-la por meio de Maria.”

“Sim, Mãe e esperança nossa, bem sabemos – assim lhe fala Nicolau, monge – que todos os tesouros das divinas misericórdias estão em vossas mãos. Atribuída a S. Ildefonso há uma obra que exprime com mais energia esse pensamento: Senhora, as graças que Deus determinou fazer aos homens, determinou fazê-las todas por vossas mãos, e confiou-vos por isso todos os tesouros das graças. De modo que, ó Maria, conclui S. Germano, não há graça que não tenha sido dispensada por vossas mãos.”

Não temas, Maria, disse-lhe o anho, pois achaste graça diante de Deus (Lc 1, 30). Sobre o texto acrescenta com elegante reflexão S. Alberto Magno: Ó Maria, não roubastes a graça como a queria roubar Lúcifer; não a perdestes como a perdeu Adão; não a comprastes, como a queria comprar Simão, o mago. Achastes a graça, porque a desejastes e buscastes. Achastes a graça, incriada, que é o próprio Deus feito vosso Filho. E juntamente com ele possuístes todos os bens criados. Esse pensamento é confirmado por S. Pedro Crisólogo, dizendo: A excelsa Mãe achou essa graça para dar a salvação a todos os homens. Em outro lugar o mesmo Santo acrescenta que Maria recebeu uma graça plena, bastante para salvar a todos, destinada a cair como chuva sobre todas as criaturas. Para iluminar a terra, criou Deus o sol, observa Ricardo de S. Lourenço. Assim também fez a Maria para que por seu intermédio se dispensem ao mundo todas as divinas misericórdias. Aqui anota S. Bernardo, muito a propósito, que a Virgem, desde que se tornou Mãe do Redentor, adquiriu uma quase jurisdição sobre todas as graças, e deste modo criatura alguma delas recebe, a não ser pelas mãos desta amável Mãe.”

“Concluamos este ponto com as palavras de Ricardo de S. Lourenço: Queremos obter alguma graça? Recorramos então a Maria, que nunca deixou de alcançar a seus servos o que lhes impetra; pois achou e sempre acha a graça divina. E este pensamento extraiu-o de São Bernardo, cujas palavras dizem assim: Procuremos a graça, mas procuremo-la por meio de Maria que a acha com certeza. Se, pois, desejamos graças, é necessário que recorramos a esta tesoureira e dispenseira das graças, já que a vontade suprema do Doador de todo o bem, como no-lo assegura o mesmo Santo, é que todas as graças por mão de Maria se dispensem. O Santo não excetua graça alguma porque quem diz tudo nada exclui.”

[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 2, tratado I, capítulo V, ponto primeiro, Dirija-se a Maria quem deseja graças, pp. 302-304; Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

Dirija-se a Maria quem deseja graças

“Do Arcanjo São Gabriel ouviu a Santíssima Virgem que Isabel, sua prima, estava grávida de seis meses. Iluminada interiormente pelo Espírito Santo, conheceu que o Verbo humanado, e já feito seu Filho, queria começar a manifestar ao mundo as riquezas de sua misericórdia. E era resolução dele começá-lo pela distribuição das primícias àquela família de Isabel. Por isso sem demora e com pressa partiu a Virgem para as montanhas (cf. Lc 1, 39). Levantando-se da tranquilidade de sua contemplação, a que estava sempre aplicada, e deixando a sua cara solidão, com grande pressa partiu para a casa de Isabel. E porque a caridade tudo suporta (cf. 1 Cor 1, 37), e não sabe sofrer demoras (como sobre o texto diz S. Ambrósio), pôs-se a tenra e delicada donzela a caminho, sem se atemorizar com as fadigas da viagem. Chegada que foi àquela casa, saudou sua prima.”

“Como reflete S. Ambrósio, foi Maria a primeira a saudar Isabel. Mas não foi a visita de Nossa Senhora como são as visitas dos mundanos, que pela maior parte se reduzem a cerimônias e falsas exibições. Sua visita trouxe àquela casa um cúmulo de graças. Com efeito, mal entrara e saudara seus habitantes, ficou já Isabel cheia do Espírito Santo, e João livre da culpa e santificado. Por isso deu aquele sinal de júbilo, exultando no ventre de sua mãe. Queria com isso manifestar as graças recebidas por meio de Maria, como declarou a mesma Isabel: Porque assim que chegou a voz da tua saudação aos meus ouvidos, logo o menino exultou de prazer em minhas entranhas (Lc 1, 44). Em virtude desta saudação, observa Bernardino de Busti, recebeu João a graça do Divino Espírito Santo, que o santificou.”

Os primeiros frutos da redenção passaram, pois, pelas mãos de Maria. Foi ela o canal pelo qual foi comunicada a graça ao Batista, e o Espírito Santo a Isabel, o dom de profecia a Zacarias, e tantas outras bênçãos àquela casa. Foram estas as primeiras graças que sabemos terem sido distribuídas na terra pelo Verbo, depois que se encarnou. É muito justo e razoável crer que, desde então, Deus constituiu Maria o aqueduto universal, como a chama S. Bernardo, pelo qual, depois daquele tempo, passassem todas as outras graças que o Senhor quer dispensar-nos (…).”

“Acertadamente, portanto, chamam esta divina Mãe de tesouro, de tesoureira e de dispensadora das divinas mercês. Lembremos aqui Raimundo Jordão, Abade de Celes, S. Pedro Damião, S. Alberto Magno, S. Bernardino e Crisipo de Jerusalém, escritor grego que é citado por Petávio. O mesmo lemos nas Homilias sobre Maria, entre os escritos de S. Gregório Taumaturgo: É a Virgem chamada cheia de graça porque nela está oculto todo o tesouro das graças. Segundo Ricardo de S. Lourenço, Deus depositou em Maria, como num erário de misericórdia, todos os dons da graça e desse tesouro enriquece aos que o servem.”

“Conrado de Saxônia compara Maria ao campo em que está escondido um tesouro, que deve comprar-se por qualquer preço, como disse Jesus Cristo. Esse campo é Maria, diz ele, porque nela está o tesouro de Deus, isto é, Jesus Cristo, e em Cristo, a origem e fonte de todas as graças. Já antes afirmara S. Bernardo que o Senhor depositou nas mãos de Maria todos os tesouros que nos quer dispensar, a fim de que saibamos que quanto bem recebemos, todo é das mãos de Maria. O mesmo nos assegura também a Senhora, dizendo: Em mim está toda a graça do caminho e da verdade (Eclo 24, 25). Isto é: em mim estão, ó homens, todas as graças dos verdadeiros bens que em vossa vida podeis desejar.”

[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 2, tratado I, capítulo V, ponto primeiro, Dirija-se a Maria quem deseja graças, pp. 300-302; Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

“Seguindo a Maria, não errarás o caminho da salvação.”

“Homem, quem quer que sejas, já sabes que nesta vida vais flutuando mais entre perigos e tempestades, do que caminhando sobre a terra. Se não queres ser submergido, não aparte os olhos dos resplendores desta estrela. Olha para a estrela, chama por Maria. Nos perigos de pecar, nas moléstias das tentações, nas dúvidas do que deves resolver, considera que Maria pode te ajudar, chama logo por ela para que te socorra. O seu poderoso nome nunca se aparte do teu coração pela confiança, nem de tua boca para o entoares. Seguindo a Maria, não errarás o caminho da salvação. Quando te encomendares a ela, não desconfie; sustendo-te ela, não cairás. Protegendo-te ela, não temas perder-te; sendo tua guia, sem fadiga te salvarás. Em suma, pretendendo Maria defender-te, certamente chegarás ao reino dos bem-aventurados.”

- São Bernardo de Claraval
citação extraída do livro “Glórias de Maria”

A um Deus puríssimo convinha uma Mãe isenta de toda culpa

“Nenhum outro filho pode escolher sua Mãe. Mas e a algum deles fosse dada tal escolha, qual seria aquele que, podendo ter por Mãe uma rainha, a quisesse escrava? Ou, podendo tê-la nobre, a quisesse vil? Ou, podendo tê-la amiga, a quisesse inimiga de Deus? Ora, o Filho de Deus, e ele tão somente, pode escolher-se mãe a seu agrado. Por conseguinte, deve-se ter por certo que a escolheu tal qual convinha a um Deus. Mas a um Deus puríssimo convinha uma Mãe isenta de toda culpa. Fê-la, por isso, imaculada, escreve S. Bernardino de Sena. E aqui quadra uma passagem de São Paulo: Pois convinha que houvesse para nós um pontífice tal, santo, inocente, impoluto, segregado dos pecadores (Hb 7, 26). Um douto autor faz observar que, segundo o Apóstolo, foi conveniente que nosso Redentor fosse separado tanto do pecado como até dos pecadores. Também S. Tomás o afirma com as palavras: Aquele que veio para tirar o pecado, devia ser segregado dos pecadores, quanto à culpa que pesava sobre Adão. Mas como poderia Jesus Cristo dizer-se separado dos pecadores, se pecadora lhe fosse a Mãe?”

“Diz S. Ambrósio: Cristo procurou-se, não aqui na terra, mas no céu, um vaso de eleição no qual baixou ao mundo, e fez do seio da Virgem um templo sagrado. Em seguida, faz o Santo alusão às palavras de S. Paulo: O primeiro homem, formado da terra, é terreno: o segundo, vindo do céu, é celeste (1 Cor 15, 47). De vaso celeste chama Ambrósio a Divina Mãe. Não que Maria não fosse terrena por natureza, como sonhariam alguns hereges, mas porque ela é celeste pela graça, e excede os anjos do céu em santidade e pureza. Assim convinha ao Rei da glória, que havia de habitar em seu seio conforme a S. Brígida o revelou S. João Batista. O mesmo dizem as palavras de Deus Pai à referida Santa: ‘Maria foi ao mesmo tempo um vaso puro e manchado. Puro, porque era formosíssima; manchado, porque nascida de pecadores. Não obstante, foi concebida sem pecado, para que meu Filho também nascesse sem pecado’. As últimas palavras não devem ser entendidas como se Cristo Senhor fosse capaz de contrair culpa. Significam apenas que não devia passar pelo opróbrio de nascer de uma criatura manchada pelo pecado e escrava do demônio.”

[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 2, tratado I, capítulo 1, II, Convinha a Deus Filho preservar da culpa a Maria, como sua Mãe, pp. 241-242; Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

Maio

Como é do conhecimento de todos, o mês de Maio é consagrado à santíssima Virgem Maria. Por esse motivo, a foto de cabeçalho do nosso blog acaba de ser atualizada. A imagem traz, à direita, Nossa Senhora de Fátima e, à esquerda, uma frase de São Luís Maria Grignion de Montfort, famoso por escrever o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”. O santo abre a obra justamente com esta bela sentença: “Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo”.

Queremos homenagear a santa Mãe de Deus, neste mês a ela dedicado, com algumas reflexões sobre o reinado que deve exercer neste mundo e como podem os seus servos contribuir para fazer com que ela seja cada vez mais honrada e respeitada, nos quatro cantos do planeta. Para isto, utilizaremos, ao longo do mês, duas obras importantes:

- “Glórias de Maria”, de Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja;

- “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Monfort.

Já em outras ocasiões trechos destes dois livros viraram postagens neste blog – ver, p. ex., aqui e aqui. Agora, trabalharemos com ainda mais afinco para enriquecer este espaço com belas mensagens sobre aquela que foi escolhida pelo Altíssimo para acolher em seu seio o mais belo dos filhos dos homens – nosso Senhor Jesus Cristo.

Aproveito o ensejo para convidar todos os católicos para o Consagra-te 2012. Este ano o “Tratado”, de São Luís de Montfort, completa seus 300 anos. E, como de costume, um monte de gente está se preparando para fazer-se escravo de Jesus Cristo pelas mãos de Maria Santíssima. Agora, em junho, na cidade de Várzea Grande, acontecerá um evento – com a presença dos reverendíssimos padre Paulo Ricardo e padre Overland de Moraes -, explicando em que consiste esta consagração. Toda a comunidade católica está convidada a participar e, se possível, procurar fazer a consagração – a realizar-se no dia 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição de Maria.

Enquanto 17 de junho não chega, liguemos os nossos televisores, hoje, e assistamos ao programa Escola da Fé, que contará com a presença especial do padre Paulo Ricardo. Qual ocasião faria o reverendíssimo sacerdote ir para a comunidade Canção Nova? Está acontecendo, em Cachoeira Paulista, o Congresso Mariano, do dia 4 a 6 de maio. Passarão por lá vários pregadores marianos. Por isso, neste fim de semana, é bom ficar ligado na TV Canção Nova. ;)

Pornografia: o problema é sério, mas tem conserto

Eu quero aproveitar que o blog O Catequista está abordando o assunto para oferecer também uma humilde contribuição sobre este tema delicado que é a pornografia. É triste observar que os meios de comunicação social – em especial, a Internet – têm facilitado muito, e de maneira assustadora, o acesso dos indivíduos ao material pornográfico, disponível seja por meio de imagens, textos ou mesmo vídeos. O resultado desta verdadeira “pornografização” de nossa cultura é trágico. Isto porque, como lembrou a Viviane, “pessoas que consomem pornografia correm o sério risco de desenvolverem uma sexualidade pervertida”. E por sexualidade pervertida, leia-se zoofilia, pedofilia, sadomasoquismo, homossexualidade et caterva.

Já há muito tempo O Ancião recomendou, neste espaço, um livro de psicanálise que tratava justamente o efeito da pornografia no cérebro masculino. Neste ínterim, aceitei a sugestão dele e acabei adquirindo a obra. Infelizmente, o ótimo Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain [“Ligado para a intimidade: como a pornografia sequestra o cérebro masculino”], de William Struthers, ainda não tem tradução para o português, mas, para aqueles que leem em inglês, vale muito a aquisição.

Neste livro, o autor, Ph.D. pela Universidade de Illinois, explica que o uso repetido da pornografia pode configurar um verdadeiro vício, comparável até à dependência de drogas ou a transtornos obsessivos-compulsivos. “O usuário é incapaz de parar de usar, apesar de tentativas sucessivas de limitar ou reduzir seu consumo de pornografia. Isso pode progredir para comportamentos de alto risco (vendo o material em público), e a quantidade de tempo e energias devotada à pornografia aumenta, mesmo que se sinta apenas um curto pedaço de tempo passando” (p. 81, The Consequences of Porn).

Como podemos ver, a situação pode ficar realmente desastrosa. Mas tudo isto nada mais é que consequência do pecado. São Paulo já dizia que a ofensa a Deus acarreta a morte (cf. Rm 6, 23); primeiro, a morte espiritual, a perda da graça. Quando deliberadamente decidimos abrir, na Internet, um site pornográfico, ou quando vamos a uma banca e compramos uma revista do mesmo teor, estamos decidindo por destronar do nosso espírito o Senhor Jesus Cristo, para dar lugar ao seu mais infame inimigo, o demônio. Depois disso, há também a morte física, e aqui cabem as consequências devastadoras do consumo da pornografia. Ele vai lentamente tornando-se um mau hábito, até que encontremo-nos em um verdadeiro poço sem fundo, escravizados pelo pecado da impureza, incapazes de submetermos as nossas paixões ao sadio uso da razão.

Mais importante que deplorar os funestos frutos da pornografia, porém, é alertar para como se livrar deste problema. Porque, sim, existem muitas pessoas, bons católicos até, que travam um combate difícil para vencer sua carne e deixar a pornografia. Uma vez neste mundo – e uma vez exposto a altas doses de vídeos adultos -, torna-se difícil eliminar instantaneamente a dependência deste material. Para isto, aconselhamos a leitura do Tratado da Castidade, de Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja. Ali, este grande santo católico mostra alguns passos para fugir do espírito da impureza. Segundo ele, são seis:

O primeiro é humilhar-se continuamente diante de Deus. O Senhor castiga muitas vezes os espíritos soberbos, permitindo que caiam em qualquer pecado impuro. Sê, pois, humilde, e não confies em tuas próprias forças. (…)

O segundo meio é recorrer imediatamente a Deus, sem entrar em diálogo com a tentação. Logo que se apresentar ao nosso espírito um pensamento impuro, devemos elevar a Deus imediatamente o nosso pensamento ou dirigi-lo a qualquer objeto indiferente. A coisa melhor será invocar imediatamente os Santíssimos Nomes de Jesus e Maria, e não cessar de repeti-los até desaparecer a tentação. (…)

O terceiro meio é a recepção assídua dos Santos Sacramentos da Confissão e da Comunhão. É de suma importância revelar quanto antes ao confessor as tentações impuras. (…)

O quarto meio é a devoção à Imaculada Mãe de Deus, que é chamada a Virgem das Virgens. Quantos jovens não se conservaram puros e castos como Anjos, devido à devoção à Santíssima Virgem!

O quinto meio é a fuga da ociosidade. (…) “Quem trabalha é tentado por um demônio só; quem vive ocioso, é atacado por uma multidão deles”, diz São Boaventura.

O sexto meio consiste no emprego de todas as precauções exigidas pela prudência, tais como a modéstia dos olhos, a vigilância sobre as inclinações do coração, a fugida das ocasiões perigosas, etc.

Então, é possível, sim, viver a castidade, muito embora o mundo lute, com todas as forças, para que vivamos a impureza e a devassidão. É importante lembrar, porém, que todo esforço humano, sem a graça de Deus, resulta em fracasso. Urge apegarmo-nos constantemente aos meios sobrenaturais, a fim de que sejamos vitoriosos nesta batalha pela pureza. E não temamos; o Senhor está conosco!

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Um Deus se tornou louco de amor pelos homens

“É coisa agradável ver-se alguém estimado por uma alta personagem, tanto mais se esta estiver disposta a felicitá-lo com uma grande fortuna. Oh! quanto mais agradável e estimável nos deverá ser o ver-nos amados por Deus, que nos pode transmitir uma fortuna eterna? Na antiga lei o homem podia duvidar se Deus o amava com ternura. Depois, porém, de vê-lo sobre um patíbulo derramar seu sangue e morrer, como poderíamos ainda duvidar que ele nos ama com toda a ternura possível? Minha alma, contempla o teu Jesus, como ele está pendente na cruz, todo chagado: eis como ele te demonstra bem claramente por suas chagas o amor de que está repleto seu coração. “O segredo do coração se revela pelas chagas do corpo”, diz S. Bernardo. Meu caro Jesus, aflige-me ver-vos morrer sob a pressão de tantas dores nesse madeiro de opróbrio, mas tudo me consola e me inflama em amor por vós, conhecendo por meio dessas chagas o amor que me tendes. Serafins do céu, que pensais da caridade de meu Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim?”

“Afirma S. Paulo que os pagãos, ouvindo pregar que Jesus foi crucificado por amor dos homens, tinham isso em conta de uma loucura inacreditável: Nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, que é para os judeus um escândalo e para os pagãos uma loucura (1 Cor 1, 23). Como é possível, diziam, crer que um Deus onipotente, que não precisa de ninguém para ser sumamente feliz, tenha querido fazer-se homem para salvar os homens e morrer numa cruz? Seria o mesmo que crer que um Deus se tornou louco de amor pelos homens. E, assim pensando, recusavam aceitar a fé! Esta grande obra da redenção, que os pagãos julgavam e chamavam uma loucura, sabemos nós que Jesus a empreendeu e realizou. Vimos a sabedoria eterna, diz S. Lourenço Justiniano, o Unigênito de Deus tornado como louco, por assim dizer, pelo amor excessivo que tinha aos homens. Sim, porque não deixa de ser uma loucura de amor, ajunta o cardeal Hugo, querer um Deus morrer pelo homem.”

- Santo Afonso de Ligório,
A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo
– Piedosas e edificantes meditações
sobre os sofrimentos de Jesus”, volume 1
,
opúsculo 1, capítulo 2, 8-9

A fortaleza dos mártires é prova da verdade de nossa fé

“Quinze imperadores romanos empregaram durante muitos anos todas as suas forças para exterminar a religião cristã. Sob o império de Diocleciano, que declarou a nona perseguição, foram trucidados, em um só mês, 17 mil cristãos, sem contar os milhares e milhares que foram desterrados. Segundo o cômputo de Genebrardo, o número dos mártires que perderam a vida, nas dez grandes perseguições, se eleva a 11 milhões, de modo que, distribuindo-os para cada dia do ano, teremos 30 mil mártires para cada dia.”

“Apesar de martirizarem a estes confessores de Cristo de toda a maneira imaginável, dilacerando-os com unhas de ferro, queimando-os em grelhas incandescentes, aplicando tochas ardentes a seus corpos, atormentando-os com outros horrores, o número dos que estavam prontos a morrer por sua fé não diminuía, antes crescia cada vez mais. Tibério, governador da Palestina, escreveu ao imperador Trajano que se ofereciam tantos cristãos ao martírio que era impossível supliciar a todos. Trajano publicou então um edito que mandava deixar em paz os cristãos.”

“Agora pergunto: Se não fosse verdadeira essa fé professada pelos mártires e até hoje pela Santa Igreja, e se Deus não os tivesse assistido, como poderiam suportar aqueles horrendos tormentos e submeter-se a uma morte tão cruel? – Que mártires, porém, podem apresentar as seitas separadas da Igreja Católica? Possuem elas talvez um S. Lourenço que, enquanto era assado na grelha, transbordava de alegria, oferecendo por gracejo ao tirano em pasto seus membros assados pelo fogo? Possuem talvez um S. Marcos ou Marcelino, cujos pés foram transpassados com cravos e que responderam ao juiz que os aconselhava a renunciarem à fé para verem-se livres de tal tormento: Falas em tormento e nós nunca sentimos tão grande alegria como agora que padecemos por Jesus Cristo! Possuem talvez um S. Processo ou Martiniano, cujos corpos foram queimados com chapas de ferro em brasa e dilacerados com pentes de ferro e que, apesar disso, cantaram sem interrupção os louvores de Deus e exprimiram um desejo ardente de morrer por Jesus Cristo?”

- Santo Afonso de Ligório
(Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã,
segunda parte, capítulo primeiro, da fé)