Por Sandro Magister – Tradução: Ecclesia Una | Há uma particularidade, nas Missas celebradas pelo papa Francisco, que suscita questões que até agora têm permanecido sem resposta.

Papa Francisco, durante Missa de inauguração de seu pontificado, 19 de abril de 2013.
No momento da comunhão, o papa Jorge Mario Bergoglio não a administra pessoalmente, mas deixa que sejam outros a dar aos fiéis a Hóstia consagrada. Ele se senta e espera que termine a distribuição do sacramento.
As exceções são pouquíssimas. Nas Missas solenes, antes de se sentar, o Papa dá a comunhão a quem o assiste no altar. E na Missa da Quinta-Feira Santa passada, no cárcere para menores Casal del Marmo, ele quis dar a comunhão aos jovens detentos que se aproximaram para recebê-la.
Desde que foi eleito Papa, Bergoglio não deu uma explicação deste comportamento seu.
Mas há uma página de um de seus livros do ano de 2010 que nos permite intuir os motivos que estão na origem do gesto.
O livro é aquele que traz suas conversas com o rabino de Buenos Aires, Abraham Skorka.
No final do capítulo dedicado à oração, o então arcebispo diz:
“Em seu tempo, Davi foi adúltero e assassino intelectual e, no entanto, o veneramos como um santo porque teve a coragem de dizer ‘eu pequei’. Humilhou-se diante de Deus. A pessoa pode fazer um desastre, mas também pode reconhecê-lo, mudar de vida e reparar o que fez. É verdade que entre os fiéis há pessoas que não só mataram intelectual ou fisicamente, mas mataram indiretamente pelo mau uso do dinheiro, pagando salários injustos. Fazem parte de sociedades de beneficência, mas não pagam a seus empregados o que lhes corresponde, ou os escravizam. (…) De alguns conhecemos o currículo, sabemos que se fazem católicos, mas têm estas atitudes indecentes das quais não se arrependem. Por essa razão, em certas situações não dou a comunhão, fico atrás e a dão os ajudantes, porque não quero que estas pessoas se aproximem de mim para a foto. A pessoa poderia negar a comunhão a um pecador público que não se arrependeu, mas é muito difícil comprovar essas coisas. Receber a comunhão significa receber o corpo do Senhor, com a consciência de que formamos uma comunidade. Mas se um homem, mais que se unir ao povo de Deus, enviesa a vida de muitíssimas pessoas, não pode comungar: seria uma contradição total. Esses casos de hipocrisia espiritual se dão em muita gente que se refugia na Igreja e não vive segundo a justiça que prega o Senhor. Tampouco demonstram arrependimento. É o que vulgarmente dizemos que levam vida dupla”.
Como se pode notar, Bergoglio explicava em 2010 seu abster-se de dar pessoalmente a comunhão com um raciocínio muito prático: “Não quero que estas pessoas se aproximem de mim para a foto”.
Como pastor experiente e bom jesuíta, ele sabia que entre os que se aproximavam para receber a comunhão podia haver pecadores públicos não arrependidos, que por outro lado se proclamavam católicos. Sabia que, a esse ponto, teria sido difícil negar-lhes o sacramento. E sabia dos efeitos públicos que poderia ter essa comunhão, se fosse recebida das mãos do arcebispo da capital argentina.
Pode-se argumentar que Bergoglio percebe o mesmo perigo como Papa, até mais, inclusive. E por isso adota o mesmo comportamento prudencial: “não dou a comunhão, fico atrás e a dão os ajudantes”.
Os pecados públicos que Bergoglio apresentou como exemplo, em sua conversa com o rabino, são a opressão do pobre e a negação do justo salário ao trabalhador. Dois pecados tradicionalmente mencionados entre os quatro que “clamam aos céus a vingança de Deus”.
Mas o raciocínio é o mesmo que nos últimos anos tem sido aplicado por outros bispos a outro pecado: o apoio público às leis pró-aborto por parte de políticos que se proclamam católicos.
Esta última controvérsia tem seu epicentro nos Estados Unidos.
No ano de 2004, o então cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, transmitiu à Conferência Episcopal norte-americana uma nota com os “princípios gerais” sobre a questão.
A Conferência Episcopal decidiu “aplicar” uma e outra vez os princípios recordados por Ratzinger, exortando “a cada um dos bispos que expressem juízos pastorais prudentes nas circunstâncias próprias de cada caso”.
De Roma, o cardeal Ratzinger aceitou esta solução e definiu-a “em harmonia” com os princípios gerais de sua nota.
Na verdade, os bispos dos Estados Unidos não têm uma postura unânime. Alguns, também entre os conservadores, como os cardeais Francis George e Patrick O’Malley, são resistentes a “fazer da eucaristia um campo de batalha política”. Outros são mais intransigentes. Quando o católico Joe Biden foi eleito vice-presidente de Barack Obama, o então bispo de Denver, Charles J. Chaput, hoje na Filadélfia, disse que o apoio dado por Biden ao chamado “direito” ao aborto é uma culpa pública grave e “em consequência, por coerência ele não deveria se apresentar para receber a comunhão”.
É um fato que no último dia 19 de março, na Missa de inauguração do pontificado de Francisco, o vice-presidente Biden e a presidente do Partido Democrata, Nancy Pelosi, também ela católica pró-aborto, fizeram parte da representação oficial dos Estados Unidos.
E ambos receberam a comunhão. Mas não das mãos do papa Bergoglio, que estava sentado atrás do altar.
“Pois não é pão ou vinho comum o que recebemos. Com efeito, do mesmo modo como Jesus Cristo, nosso salvador, se fez homem pela Palavra de Deus e assumiu a carne e o sangue para a nossa salvação, também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi pronunciada a ação de graças com as mesmas palavras de Cristo e, depois de transformado, nutre nossa carne e nosso sangue, é a própria carne e o sangue de Jesus que se encarnou.”
No livro do Apocalipse, São João narra que, tendo visto e ouvido o que lhe havia sido revelado, prostrou-se em adoração aos pés do Anjo de Deus (cf. Ap 22, 8). Prostrar-se ou ajoelhar-se ante a majestade da presença de Deus, em humilde adoração, era um hábito de reverência que Israel sempre praticava ante a presença do Senhor. Diz o primeiro livro dos Reis:
Reta final das eleições em vários municípios do país. E, novamente, vamos falar sobre São Paulo. Nos últimos dias, o debate político entre Fernando Haddad, do PT, e José Serra, do PSDB, contou com uma troca constante de farpas – como era de se esperar.
Bem diferente do discurso do líder da Assembleia de Deus
cerveja Guinness (o esboço de imagem mostra ele com uma boa caneca* nas mãos) e é periodista freelancer. E, o mais importante: está “orgulhoso” de ter se convertido à fé católica.
“Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que tem que ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos de continuar depois o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo irreprimível de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor mais outra delicadeza: que não tenha querido limitar a sua presença ao instante do Sacrifício do Altar, mas tenha decidido permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário.”
“Não nos acostumemos aos milagres que se operam diante dos nossos olhos: ao admirável prodígio de que o Senhor desça todos os dias às mãos do sacerdote. Jesus quer que estejamos despertos, para que nos convençamos da grandeza do seu poder, e para que ouçamos novamente a sua promessa: Venite post me, et faciam vos fieri piscatores hominum, se me seguirdes, farei de vós pescadores de homens; sereis eficazes e atraireis as almas para Deus. Devemos confiar, pois, nessas palavras do Senhor, entrar na barca, empunhar os remos, içar as velas e lançar-nos a esse mar do mundo que Cristo nos entrega por herança. Duc in altum et laxate retia vestra in capturam! – fazei-vos ao largo e lançai as vossas redes para pescar.”
Este ano, mais uma vez os católicos vão às urnas. E, novamente, os políticos vão às igrejas “para rezar”. O safado da vez é o ex-ministro da Educação – e hoje concorrente de Chalita na corrida pela prefeitura de São Paulo -,
“Saíram sangue e água do coração traspassado de Jesus. Em todos os séculos, a Igreja, segundo a palavra de Zacarias, olhou para esse coração traspassado e nele reconheceu a fonte de bênção indicada antecipadamente no sangue e na água. A palavra de Zacarias impele mesmo a buscar uma compreensão mais profunda daquilo que lá aconteceu.”
Em artigo recente, publicado em seu site e intitulado
“Não sou contra a Comunhão na mão por princípio: eu mesmo a administrei assim e a recebi também desta maneira. Fazendo com que a Comunhão seja recebida de joelhos e que seja administrada na boca, quis dar um sinal do temor e colocar um ponto de exclamação acerca da Presença real. Não por último, porque justamente nas celebrações de massa, como aquelas na Basílica de São Pedro ou na Praça, o perigo da banalização é grande. Ouvi falar de pessoas que colocam a Comunhão na bolsa, levando-a quase como se fosse um souvenir qualquer. Num contexto semelhante, no qual se pensa que é óbvio receber a Comunhão – da série: todos vão lá na frente, então também faço o mesmo -, queria apresentar um sinal forte, isto deve ficar claro: ‘É algo particular! Aqui está ele, diante dele é que caímos de joelhos. Prestem atenção! Não se trata de um rito social qualquer, do qual se pode participar ou não’.”
“Com razão podia a Igreja nascente ver nessa cena [a entrada de Jesus em Jerusalém] a representação antecipada do que ela faz na liturgia. No texto litúrgico pós-pascal mais antigo que conhecemos – a Didaché (por volta do ano 100) -, já aparece o ‘Hosana’ juntamente com o “Maranata” antes da distribuição dos Dons sagrados: ‘Venha a graça e passe este mundo. Hosana ao Deus de Davi. Quem é santo, aproxime-se; quem não é, faça penitência. Maranata: Vinde, Senhor Jesus. Amém’ (10, 6).”