Os fundamentos da nossa fé são sinais do amor de Deus

http://vidaempaz.files.wordpress.com/2008/10/casal-discutindo.jpg?w=230&h=293Dei uma olhada no blog e fiquei espantada. Só se fala de papa, papa e papa. Falar do amor de Deus, da volta de Jesus, e da esperança que temos na salvação, não vi nada, e depois vem falar que não o veneram… Me poupem! Fazer um blog onde centenas de pessoa acessam e só falar de papa!

Vi uma foto no blog – se não me engano, do papa Pio XII – em que ele aparece sentado em um trono de ouro sendo carregado por homens. Meu Deus! E vem depois dizer que não o adoram… Adorar, segundo o Dicionário Aurélio, significa culto, reverência e veneração. Se o que vocês fazem ao papa é venerar, então vocês o adoram (!), pois adorar e venerar (segundo o Aurélio) são sinônimos!

Cadê Jesus, a nova Jerusalém, a vida eterna, a salvação e outras coisas no seu blog?

(…)

- Ludmila, em comentário no blog
17 de julho, 12h07min

Ludmila, críticas ao blog sempre são bem-vindas, especialmente quando têm um bom fundamento. Grande parte de suas críticas, entretanto, se parece mais com um ataque de protestante enfurecido ao ver os elementos da fé católica exaltadas por um blog… católico!

Você diz que, ao olhar o meu blog, ficou espantada. O motivo? Afirma que falamos demais do Papa!

Eu, sinceramente, acho que falamos pouco do Papa. Os últimos posts têm expressado algumas preocupações com relação à situação da Igreja na Argentina e às eleições presidenciais em nosso país. Há muito tempo que não fazemos um artigo específico falando da necessidade de obediência ao Papa. Mas, me comprometo a escrever um sobre o assunto, especialmente para você. Quanto mais falarmos do amor ao Papa, melhor.

Você afirma que não falamos nada sobre o amor de Deus, sobre a volta de Jesus, sobre a esperança da salvação… Acontece que praticamente todas as vezes que fazemos citações de alocuções e discursos do Papa Bento XVI lemos assuntos relacionados ao amor de Deus, à necessidade de nos prepararmos para a volta de Jesus e também à esperança que devemos ter na salvação (que não pode se transformar em presunção). E não só isso. Se dermos uma olhada naquela nuvem de tags que há na barra lateral do blog, vamos ler algumas etiquetas como: “aborto”, “igreja católica”, “nossa senhora”, “papa” (não poderia faltar! :) ), “sacerdócio”, “santos”. Vamos observar com mais cuidado essas etiquetas, que são, na verdade, os temas centrais discutidos nesse blog. Mostremos o quanto esses assuntos estão ligados ao amor de Deus e à esperança cristã.

O aborto. Aqui no blog travamos um compromisso com a vida humana, desde a concepção até a sua morte natural. Escrevemos regularmente posts convidando os leitores a refletirem a importância de defender esse direito tão importante, que é o direito à vida. A condenação do aborto, que é feita pela Escritura e pelo Magistério da Igreja, é um exemplo desse amor de Deus que se manifesta por todos os Seus filhos. É a expressão apaixonada de um Deus que não suporta ver a injustiça à qual é submetida muitos de seus filhos.

A Igreja Católica. “Assim como o Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza, assim, de modo semelhante, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada” (Mystici Corporis, n. 12). O que é a Igreja se não essa obra de amor que Cristo iniciou ao entregar a S. Pedro a missão de pastorear o rebanho do Senhor e proteger aqueles que foram redimidos pelo Sangue de Cristo para que não perdessem a fé? Ora, a Igreja é essa obra perene de amor, que resiste aos ventos e às tempestades de todos os tempos e que não é e não pode ser vencida por nenhuma obra demoníaca, uma vez que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Falar da Igreja é falar de um Deus que ama o Seu povo e é fiel à promessa que fez para com todos aqueles que n’Ele confiam. É falar também da busca que Jesus faz a cada pecador. Através da pregação da Igreja, o Cristo anuncia a conversão às pessoas e as chama à participação no Reino celeste, que receberemos como prêmio por nossa fé e por nossas boas obras.

http://br.monografias.com/trabalhos/paradoxo-mariano/Image6745.jpgNossa Senhora. Que misericórdia Deus manifestou para com os homens quando enviou para junto deles o Verbo divino! Verbum caro factum est. Ele se fez carne! E se encarnou justamente no seio dessa doce Senhora. Diz São Luís de Montfort que clamaram os profetas, pediram os doutores e mestres da Lei, mas somente Maria foi digna de trazer em Seu seio o Salvador. Veio ao mundo o Cristo por meio de Maria; vem aos homens a graça também por meio dessa clemente e piedosa Rainha. Aqui na terra, nas bodas de Caná, intercedeu a favor dos homens. No Céu, para onde foi elevada de corpo e alma, roga por todos nós, pecadores, manifestando seu terno amor pela humanidade. E que grande amor não deve sentir também o nosso coração ao pronunciar o nome de Maria! Foi constituída essa piedosa Virgem para ser Mãe de Misericórdia para com todos os aflitos e desesperados por causa de seus pecados. E justamente porque é ela a onipotência suplicante, segundo dizia São Bernardo. Tudo aquilo que ela pede ao Filho, Ele lha concede. Maria é sinal desse amor transbordante de Deus por toda a humanidade sofredora.

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/07/hhhh2b-2bc25c325b3piajj.jpg?w=190&h=234O Papa. A figura do sucessor de S. Pedro é sinal de unidade. “O Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade quer dos Bispos quer da multidão dos fiéis” (Lumen Gentium, n. 23). A fidelidade e obediência ao Papa é a garantia de que não caímos no erro, porquanto o próprio Cristo a ele entregou a missão de confirmar os seus irmãos na fé. E que bom é conhecer a Verdade! Diz Jesus: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos livrará” (Jo 8, 32). A S. Pedro – a mais ninguém – foram dadas as chaves do Reino dos céus, para que ele pudesse ligar e desligar, atitude que mostra a sua autoridade como chefe supremo da Igreja de Cristo. Essa autoridade, visível, é a amostra de que Deus está conosco, de que seus filhos não estão órfãos e, portanto, é mais um belo sinal do amor de Cristo por cada um de nós.

O sacerdócio. Será preciso falar da importância do sacerdócio para a edificação da Igreja e para a salvação das almas? O sacerdote, na consagração, traz em suas mãos o próprio Cristo, filho de Deus vivo, Aquele que dá vigor e sustento para a nossa alma! O sacerdote, ao ministrar o sacramento da Penitência aos fiéis, recobra, na alma deles, a graça de Deus que se perdera com o pecado. O sacerdote, ao ser modelo de obediência a Deus e de fidelidade ao ministério, conduz inúmeras pessoas para o redil de Nosso Senhor. “O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”, dizia o Santo Cura de Ars. De tal modo Deus amou o mundo que lhe deu o sacerdócio, para que todo o que crer n’Aquele que se consagra sobre os altares de nossas igrejas não pereça, mas tenha a vida eterna.

Os santos. Os santos são pessoas que, em vida, foram modelos a serem seguidos. Por inflamarem no amor a Deus e viverem o Evangelho na sua radicalidade, receberam a coroa da glória e ensinaram os homens a servir à Igreja. Após a morte, intercedem por nós junto a Deus, oferecendo-Lhe as nossas súplicas e orações. Não é essa também uma grande demonstração do amor de Deus para conosco? No decorrer da história, Ele suscita homens virtuosos para que possam fortalecer espiritualmente aqueles que desejam subir o monte das tentações e das tempestades dessa vida.

Então, é isso. Falar do amor ao Papa, do amor à Igreja, do amor à Virgem Maria, do amor aos santos e ao sacerdócio, é expressar a nossa gratidão pelo incomparável amor de Deus por cada um de nós.

Ao falar de uma foto do Venerável Pio XII, na qual ele é carregado por homens, você diz: “E vem depois dizer que não o adoram…”

Mas, é claro que não! E definições do Dicionário Aurélio não são apropriadas para uma discussão de caráter teológico. Tomando como referência o dicionário, você afirma: “Se o que vocês fazem ao papa é venerar, então vocês o adoram.” Pois, a Igreja, tomando como referência o II Concílio de Niceia, que estabeleceu a diferença entre o culto de latria e o culto de dulia, deixa bem clara a distinção entre adorar e venerar. Porque adoração só a Deus nós prestamos, enquanto veneração devemos a pessoas santas e virtuosas, que doaram a sua vida a Deus e ao serviço da Sua Palavra. Desnecessário é discorrer muito sobre esse assunto, já que tantos sites de apologética católica já o fizeram e tantos documentos eclesiais já condenaram a iconoclastia. Essa heresia é bem mais antiga que a Reforma Protestante e, mesmo assim, ainda há pessoas que insistem na teimosia de igualar os termos “adoração” e “veneração”.

Toda essa discussão tem origem no problema da leitura particular da Bíblia. Cada um lê a Bíblia como quer e, então, chegamos a uma confusão. É preciso resgatar a leitura das Sagradas Escrituras, confirmada na interpretação do Magistério da Igreja e dos Santos Padres. Rezemos, para que a Virgem Santíssima possa guiar à conversão todos aqueles que desprezam a autoridade da Igreja Católica, Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Pedofilia e ordenação de mulheres no mesmo documento

O Público havia publicado a expressão “ordenamento” – o erro grotesco ainda é visível no link da notícia – mas mudou recentemente para o termo correto. Sobre a notícia: mais tendenciosa impossível. É que essa semana a Santa Sé modificou o documento que trata sobre os delitos mais graves cometidos contra a fé, a Eucaristia, e a moral. O documento falava de delitos das mais diversas naturezas: heresia, cisma e apostasia (crimes contra a fé); profanação das espécies sagradas, assim como a simulação da ação litúrgica do Sacrifício Eucarístico (crimes contra o Santíssimo Sacramento); ordenação conferida a uma mulher (delitos cometidos contra o sacramento da Ordem); abuso sexual contra menor cometido por um clérigo e aquisição de material de pornografia infantil por um padre (crimes mais graves contra a moral). Enfim, vários delitos eram citados na Norma (que está disponível para leitura, em espanhol, no site da Santa Sé).

O fato de eles serem citados, todos no mesmo documento, não significa, no entanto, que os delitos estão sendo equiparados. Foi isso, porém, o que afirmou a notícia do Público. O título da notícia é: “Ordenação de mulheres é crime a par da pedofilia para o Vaticano”.

A Igreja fez questão de responder às manchetes mentirosas que foram publicadas ao redor do mundo. “Estão no mesmo documento, mas isso não os coloca no mesmo nível ou lhes atribui o mesmo nível de gravidade”, disse Dom Charles Scicluna, que colaborou na redação das normas. A Agência Zenit publicou declarações interessantes sobre o assunto. É importante deixar bem claro que o documento enumerava os delitos mais graves cometidos em matérias específicas. A heresia é um crime contra a fé; a profanação das espécies sagradas, um crime contra a Eucaristia; a ordenação de mulheres, um atentado à dignidade do sacramento da Ordem; e a pedofilia, um delito cometido contra a moral. São naturezas diferentes. Em nenhum momento o documento colocou os delitos no mesmo nível, estabelecendo que a gravidade de todos eles fosse igual.

Acontece que a mídia mundial está contaminada por um terrível sentimento anticlerical, que adora mentir para difamar a Igreja. E como aquela já tem sua opinião formada sobre a ordenação de mulheres, tenta exercer pressão sobre a Santa Sé, de todas as maneiras, para formar, também, a consciência das pessoas.

Recomendo, para a compreensão dos motivos pelos quais a Igreja não aceita que sejam ordenadas mulheres para o ministério sacerdotal, a leitura da declaração Inter Insigniores, da Congregação para a Doutrina da Fé. “[O] sacerdócio – diz o documento – não faz parte dos direitos da pessoa; é sim algo que depende da economia do mistério de Cristo e da Igreja.”

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Escolher a melhor parte

Neste Domingo somos chamados a contemplar Cristo e ouvi-lo em suas palavras. No evangelho é muito bem representada esta ação na figura de Maria, que põe-se aos pés de Cristo para escutá-lo e, ouvindo os ensinamentos do Mestre, se dispõe a fazer sua plena vontade, põe-se em atitude de serviço. Na primeira leitura é caracterizada a figura de Abraão, que serve ao Deus todo poderoso, e sugestiva e intrigante é a figura dos homens que apresentam-se a ele: três homens, representando as três pessoas da Santíssima Trindade.

Assim como Abraão, nós somos convidados a este constante ato de serviço: Humilhar-se diante de Deus, chorar nossas mágoas e pecados, reconhecermo-nos indignos de tamanha misericórdia, para que desta forma ela se manifeste em profusão.

Mas, se por um lado temos a figura de Maria, que põe-se a serviço e está em constante atenção para a mensagem de Jesus, por outro lado temos a figura de Marta, que ocupada com os afazeres da casa, não colocou-se aos pés de Jesus para compreender sua mensagem salvífica. Jesus então lhe diz: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10, 41-42).

Fico pensando como estas palavras de Jesus incidem tão fortemente na sociedade hodierna. Quantas vezes os afazeres deste mundo “sufocam”, por assim dizer, o que realmente é essencial em nossa vida. E não seria extremismo meu dizer que o único essencial em nossa vida é Deus. Não precisamos nos ater a coisas supérfluas, desnecessárias, às quais não nos trará nenhum bem espiritual.

Sei muito bem quão difícil é falar e, mais ainda, combater o espírito de extravagância e de consumismo que este mundo relativista propõe. Porém, urge cada vez mais alto a nós cristãos, tomarmos ciência deste dever e pô-lo em prática. Mesmo que seja o mundo um instrumento de perseguição, mas quem está sob a proteção de Deus, quem se põe sob sua segurança e quem deseja cumprir sua vontade, será sempre amparado por Ele e poderá anunciar, sem nenhum temor, as diversidades de ensinamentos às quais nós devemos combater com o Santo Evangelho e o ensinamento da Santa Mãe Igreja.

Colocar-se aos pés de Cristo é, também, estar em adesão com os seus ensinamentos; e os deixados por  Ele para a Sua Igreja. É saber da necessidade de estarmos sempre atuantes, combatendo as forças do mal. Dirá Pascal: “Cristo morreu de braços abertos, para que nós não vivamos de braços cruzados.” E quantos, infelizmente, cruzam os braços e esquecem-se da missão à qual são chamados.

São Paulo irá dizer na segunda leitura: “Alegro-me de tudo o que já sofri por vós e procuro completar em minha própria carne o que falta das tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu corpo, isto é, a Igreja. A ela eu sirvo, exercendo o cargo que Deus me confiou de vos transmitir a palavra de Deus em sua plenitude: o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado aos seus santos” (Cl 1, 24-26).

Ora, se até Paulo servia a Igreja, quem são hoje tais pessoas que, injustamente, atacam a Igreja e buscam ferir a integridade de seu corpo? Nosso Senhor confiou a Igreja a missão de perpetuar a sua presença na terra, de prefigurar o Seu Reino vindouro, ao qual ansiosos esperamos. Quantos dizem que a Igreja deve ser “reformada”, que é antiquada, retrógrada? Ao invés de reformar a Igreja, reformem seus corações que se fecham a Jesus e à palavra imutável que Ele deixou à sua Igreja.

Peçamos à Virgem Maria o dom da escuta e da humildade, para que, também nós, possamos colocar-nos aos pés de Cristo e escolhermos a “melhor parte”, a qual nem o mundo poderá tirar-nos. T

Fraternalmente em Cristo Jesus e Maria Santíssima!

Publicado também no: Reflexões Franciscanas