“Procuremos a graça, mas procuremo-la por meio de Maria.”

“Sim, Mãe e esperança nossa, bem sabemos – assim lhe fala Nicolau, monge – que todos os tesouros das divinas misericórdias estão em vossas mãos. Atribuída a S. Ildefonso há uma obra que exprime com mais energia esse pensamento: Senhora, as graças que Deus determinou fazer aos homens, determinou fazê-las todas por vossas mãos, e confiou-vos por isso todos os tesouros das graças. De modo que, ó Maria, conclui S. Germano, não há graça que não tenha sido dispensada por vossas mãos.”

Não temas, Maria, disse-lhe o anho, pois achaste graça diante de Deus (Lc 1, 30). Sobre o texto acrescenta com elegante reflexão S. Alberto Magno: Ó Maria, não roubastes a graça como a queria roubar Lúcifer; não a perdestes como a perdeu Adão; não a comprastes, como a queria comprar Simão, o mago. Achastes a graça, porque a desejastes e buscastes. Achastes a graça, incriada, que é o próprio Deus feito vosso Filho. E juntamente com ele possuístes todos os bens criados. Esse pensamento é confirmado por S. Pedro Crisólogo, dizendo: A excelsa Mãe achou essa graça para dar a salvação a todos os homens. Em outro lugar o mesmo Santo acrescenta que Maria recebeu uma graça plena, bastante para salvar a todos, destinada a cair como chuva sobre todas as criaturas. Para iluminar a terra, criou Deus o sol, observa Ricardo de S. Lourenço. Assim também fez a Maria para que por seu intermédio se dispensem ao mundo todas as divinas misericórdias. Aqui anota S. Bernardo, muito a propósito, que a Virgem, desde que se tornou Mãe do Redentor, adquiriu uma quase jurisdição sobre todas as graças, e deste modo criatura alguma delas recebe, a não ser pelas mãos desta amável Mãe.”

“Concluamos este ponto com as palavras de Ricardo de S. Lourenço: Queremos obter alguma graça? Recorramos então a Maria, que nunca deixou de alcançar a seus servos o que lhes impetra; pois achou e sempre acha a graça divina. E este pensamento extraiu-o de São Bernardo, cujas palavras dizem assim: Procuremos a graça, mas procuremo-la por meio de Maria que a acha com certeza. Se, pois, desejamos graças, é necessário que recorramos a esta tesoureira e dispenseira das graças, já que a vontade suprema do Doador de todo o bem, como no-lo assegura o mesmo Santo, é que todas as graças por mão de Maria se dispensem. O Santo não excetua graça alguma porque quem diz tudo nada exclui.”

[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 2, tratado I, capítulo V, ponto primeiro, Dirija-se a Maria quem deseja graças, pp. 302-304; Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

Papa: “Apesar das debilidades humanas (…), a Igreja é guiada pelo Espírito Santo.”

O Santo Padre comentou, durante a Audiência Geral desta quarta-feira (30), o vazamento de informações confidenciais do Vaticano, crime que culminou com a detenção de um mordomo do Papa. Nas palavras de Bento XVI,

“Os fatos que vêm sucedendo nos últimos dias em torno da Cúria e de meus colaboradores provocam profunda tristeza em meu coração, mas nunca deixei de ter a certeza que, apesar das debilidades humanas, da dificuldade e da provação, a Igreja é guiada pelo Espírito Santo e o Senhor nunca deixará de oferecer-nos Sua ajuda para sustentá-la em seu caminho.”

“Há muitas intromissões, ampliadas por alguns meios de comunicação e especialmente gratuitas, que vão mais além dos fatos, oferecendo uma imagem da Santa Sé que não corresponde à realidade. Desejo renovar minha confiança e meu alento aos meus mais estreitos colaboradores e a todos os que cotidianamente, com fidelidade, espírito de sacrifício e em silêncio me ajudam no cumprimento do meu ministério.”

Dirija-se a Maria quem deseja graças

“Do Arcanjo São Gabriel ouviu a Santíssima Virgem que Isabel, sua prima, estava grávida de seis meses. Iluminada interiormente pelo Espírito Santo, conheceu que o Verbo humanado, e já feito seu Filho, queria começar a manifestar ao mundo as riquezas de sua misericórdia. E era resolução dele começá-lo pela distribuição das primícias àquela família de Isabel. Por isso sem demora e com pressa partiu a Virgem para as montanhas (cf. Lc 1, 39). Levantando-se da tranquilidade de sua contemplação, a que estava sempre aplicada, e deixando a sua cara solidão, com grande pressa partiu para a casa de Isabel. E porque a caridade tudo suporta (cf. 1 Cor 1, 37), e não sabe sofrer demoras (como sobre o texto diz S. Ambrósio), pôs-se a tenra e delicada donzela a caminho, sem se atemorizar com as fadigas da viagem. Chegada que foi àquela casa, saudou sua prima.”

“Como reflete S. Ambrósio, foi Maria a primeira a saudar Isabel. Mas não foi a visita de Nossa Senhora como são as visitas dos mundanos, que pela maior parte se reduzem a cerimônias e falsas exibições. Sua visita trouxe àquela casa um cúmulo de graças. Com efeito, mal entrara e saudara seus habitantes, ficou já Isabel cheia do Espírito Santo, e João livre da culpa e santificado. Por isso deu aquele sinal de júbilo, exultando no ventre de sua mãe. Queria com isso manifestar as graças recebidas por meio de Maria, como declarou a mesma Isabel: Porque assim que chegou a voz da tua saudação aos meus ouvidos, logo o menino exultou de prazer em minhas entranhas (Lc 1, 44). Em virtude desta saudação, observa Bernardino de Busti, recebeu João a graça do Divino Espírito Santo, que o santificou.”

Os primeiros frutos da redenção passaram, pois, pelas mãos de Maria. Foi ela o canal pelo qual foi comunicada a graça ao Batista, e o Espírito Santo a Isabel, o dom de profecia a Zacarias, e tantas outras bênçãos àquela casa. Foram estas as primeiras graças que sabemos terem sido distribuídas na terra pelo Verbo, depois que se encarnou. É muito justo e razoável crer que, desde então, Deus constituiu Maria o aqueduto universal, como a chama S. Bernardo, pelo qual, depois daquele tempo, passassem todas as outras graças que o Senhor quer dispensar-nos (…).”

“Acertadamente, portanto, chamam esta divina Mãe de tesouro, de tesoureira e de dispensadora das divinas mercês. Lembremos aqui Raimundo Jordão, Abade de Celes, S. Pedro Damião, S. Alberto Magno, S. Bernardino e Crisipo de Jerusalém, escritor grego que é citado por Petávio. O mesmo lemos nas Homilias sobre Maria, entre os escritos de S. Gregório Taumaturgo: É a Virgem chamada cheia de graça porque nela está oculto todo o tesouro das graças. Segundo Ricardo de S. Lourenço, Deus depositou em Maria, como num erário de misericórdia, todos os dons da graça e desse tesouro enriquece aos que o servem.”

“Conrado de Saxônia compara Maria ao campo em que está escondido um tesouro, que deve comprar-se por qualquer preço, como disse Jesus Cristo. Esse campo é Maria, diz ele, porque nela está o tesouro de Deus, isto é, Jesus Cristo, e em Cristo, a origem e fonte de todas as graças. Já antes afirmara S. Bernardo que o Senhor depositou nas mãos de Maria todos os tesouros que nos quer dispensar, a fim de que saibamos que quanto bem recebemos, todo é das mãos de Maria. O mesmo nos assegura também a Senhora, dizendo: Em mim está toda a graça do caminho e da verdade (Eclo 24, 25). Isto é: em mim estão, ó homens, todas as graças dos verdadeiros bens que em vossa vida podeis desejar.”

[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 2, tratado I, capítulo V, ponto primeiro, Dirija-se a Maria quem deseja graças, pp. 300-302; Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

Küng: contra a unidade e a santidade da Igreja

A nova do teólogo suíço Hans Küng foi aderir ao sedevacantismo. O professor – amigo de Ratzinger, mas não da doutrina católica – está revoltado com uma possível reconciliação entre a Igreja Católica e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Ele questiona inclusive a validade da sagração episcopal dos quatro bispos da Fraternidade. “Em vez de se reconciliar com essa irmandade ultraconservadora, antidemocrática e antissemita, o papa deveria se preocupar com a maioria dos católicos que está pronta para as reformas e com a reconciliação com todas as Igrejas reformadas e com todo o âmbito ecumênico”, afirmou Küng, em entrevista concedida ao jornal La Repubblica e publicada, na íntegra, pelo IHU Online.

Além de sugerir a Bento XVI o que ele deve fazer como Papa, Küng comentou o recente escândalo do vazamento de notícias confidenciais do Vaticano. “É triste quando, justamente coincidindo com a festa do Espírito Santo, ficamos sabendo, no Vaticano, de tantos eventos e comportamentos ocorridos lá, que na verdade não são exatamente algo santo nem sagrado”, disse.

Ora, não é nenhuma novidade que a Igreja “é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio” (Paulo VI, Credo do povo de Deus, n. 19). Pecados e misérias na Cúria Romana existem desde os tempos do infame João XII ou do corrupto Alexandre VI. O que não pode fraquejar com isso é a nossa fé na Igreja, no fato de que nosso Senhor prometeu permanecer com os seus discípulos até o fim dos tempos, na promessa que ele fez a São Pedro de que as portas do inferno não prevaleceriam sobre Sua Igreja (cf. Mt 16, 18).

A propósito, não é atitude digna de um católico ficar apontando os erros da Igreja e as limitações dos Seus membros. “Não é coerente com a fé cristã – lembra São Josemaría Escrivá -, não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja, quem não tem confiança n’Ela, quem só se compraz em apontar as deficiências e as limitações dos que a representam, quem a julga de fora e é incapaz de se sentir seu filho.”

Mas, ora, o que estamos dizendo? Hans Küng deixou de ser católico há um bom tempo. Desde quando negou o dogma da infalibilidade papal e perdeu a licença de lecionar teologia católica. Para falar em nome desta Mãe que é a Igreja, precisa fazer um longo caminho de volta à verdadeira Fé. Só que aparentemente não é isto que Küng quer. Uma pena.

“Não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja.”

“Estamos convencidos (…) de que possuímos o Espírito Santo na medida em que amamos a Igreja de Cristo.”
- Santo Agostinho

Non est abbreviata manus Domini, não se tornou mais curta a mão de Deus: Deus não é hoje menos poderoso do que em outras épocas, nem é menos verdadeiro seu amor pelos homens. A nossa fé ensina que a criação inteira, o movimento da terra e dos astros, as ações retas das criaturas e tudo quanto há de positivo no curso da história, tudo, numa palavra, veio de Deus e para Deus se ordena.”

“A ação do Espírito Santo pode passar-nos despercebida, porque Deus não nos dá a conhecer seus planos e porque o pecado do homem turva e obscurece os dons divinos. Mas a fé recorda-nos que o Senhor atua constantemente: foi Ele que nos criou e nos conserva o ser; é Ele quem, com a sua graça, conduz a criação inteira para a liberdade da glória dos filhos de Deus.”

“Por isso, a tradição cristã resumiu num só conceito a atitude que devemos adotar perante o Espírito Santo: docilidade. Temos que ser sensíveis àquilo que o Espírito divino promove à nossa volta e em nós mesmos: aos carismas que distribui, aos movimentos e instituições que suscita, aos efeitos e decisões que nos faz nascer no coração. O Espírito Santo realiza no mundo as obras de Deus: como diz o hino litúrgico, Ele é dador de graças, luz dos corações, hóspede da alma, descanso no trabalho, consolo no pranto. Sem a sua ajuda, nada há no homem que seja inocente e valioso, pois é Ele quem lava o que está manchado, cura o que está enfermo, aquece o que está frio, reconduz o extraviado e encaminha os homens até o porto da salvação e da felicidade eterna.”

“Mas nossa fé no Espírito Santo deve ser plena e completa: não é uma crença vaga na sua presença no mundo; é uma aceitação agradecida dos sinais e realidades a que Ele quis vincular especialmente a sua força. Quando vier o Espírito de Verdade – anunciou Jesus -, Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. O Espírito Santo é o Espírito enviado por Cristo para realizar em nós a santificação que Ele nos mereceu na terra.”

“É por isso que não pode haver fé no Espírito Santo se não houver fé em Cristo, na doutrina de Cristo, nos sacramentos de Cristo, na Igreja de Cristo. Não é coerente com a fé cristã, não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja, quem não tem confiança nEla, quem só se compraz em apontar as deficiências e as limitações dos que a representam, quem a julga de fora e é incapaz de se sentir seu filho. E sou levado a considerar também como é extraordinariamente importante e abundantíssima a ação do Divino Paráclito durante a celebração da Santa Missa nos nossos altares, enquanto o sacerdote renova o sacrifício do Calvário.”

- São Josemaría Escrivá em O Grande Desconhecido,
extraído do livro “É Cristo que passa”, cap. 13

A Marcha das Vadias e a intolerância do movimento feminista

Cartaz anunciando a Marcha das Vadias – com tarja, claro.

Ano passado fiz uma rápida menção à Marcha das Vadias, aqui, neste espaço. Na ocasião, deplorava que mulheres saíssem quase à paisana pelas ruas, exigindo respeito, quando está claro que “a forma como uma mulher se veste interfere decisivamente na maneira como ela é tratada pelo homem”, como mostra uma pesquisa desenvolvida há algum tempo na Universidade de Princeton. Este feminismo agressivo, desnudo, não ajuda as mulheres. No decorrer dos últimos séculos, estas lutaram com bravura na defesa de seus direitos, obtiveram conquistas importantíssimas… só que os anseios deste novo movimento que se forma são terrivelmente perversos. Entre as bandeiras levantadas pelo grupo, podemos citar a legalização do aborto, a aceitação geral da libertinagem sexual e o ódio e fúria contra as manifestações religiosas de pensamento – das quais a cristã é a principal.

Neste sábado, dia 26, aconteceu novamente a Marcha das Vadias. A manifestação aconteceu em várias capitais brasileiras, e também em Toronto, no Canadá. “Nós estamos defendendo uma educação mais humanista contra a violência cometida contra a mulher. Queremos ter o direito de nos vestir como quisermos, sem dizer que estamos provocando o estupro e que a causa do crime é o estuprador”, disse uma professora, provavelmente organizadora do evento. O G1 publicou uma galeria de fotos da marcha – as manifestantes pintaram seus corpos e estenderam cartazes com frases do tipo “Sou livre”, “Meu corpo”, “Não vim da sua costela, você que veio do meu útero”, “Vadia hoje, vadia amanhã, vadia sempre” (!), “Nem santa, nem puta”, “Sim, nós gozamos” et caterva. No Rio, uma mulher se fantasiou de freira e escreveu a palavra “vadia” no peito. Em São Paulo, o protesto ocorreu com os seios à mostra.

Ainda no Rio, o mesmo G1 informa que “parte do grupo tentou entrar na igreja [de Nossa Senhora de Copacabana] e uma das manifestantes tirou a camisa, ficando com os seios de fora no pátio do templo”. E isto durante a celebração de uma Missa com crianças! Este protesto feminista já é um verdadeiro esculacho, mas elas não consideram isto suficiente. Têm que destilar sua intolerância contra a religião… E por quê? Porque a doutrina católica aponta as incoerências do seu proceder, porque o mistério do Cristianismo – do Deus que se fez Homem e se entregou por amor – incomoda estas pessoas que desconhecem a noção de sacrifício, de penitência. Que elas não acreditem em tudo isto… é direito delas! O que pedimos é respeito, o que pede a Constituição Federal é respeito. Mas, entende-se a situação: quem não consegue respeitar nem o próprio corpo, como pode respeitar a religião dos outros?!

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Reportagem do noticiário de uma filiada da Rede Globo no Rio, sobre a invasão das feministas à igreja Nossa Senhora de Copacabana.

Abaixo, vídeo da turba fazendo tumulto na escadaria da igreja. O grupo gritava frases como “Uh, é Madalena!”, “Eu amo homem, amo mulher, tenho direito de amar quem eu quiser!” e “Ei, Papa, vai tomar no c…!” (!).

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A informação que chega até nós é a de que a Polícia Militar interveio “e um policial chegou a usar gás de pimenta para dispersar o grupo”. Só que “ninguém foi preso”.

Estamos na seguinte situação: uma pessoa invade um templo católico, exibe os peitos no interior da igreja e nada acontece. Mas se por acaso um pastor ou um padre católico decidem criticar o comportamento homossexual e as consequências funestas que daí advém, o discurso pode ser enquadrado como preconceituoso. Como é de conhecimento, uma reforma prevista no Código Penal pretende criminalizar a chamada “homofobia”, enquanto os atos de vilipêndio religioso que as paradas gays têm promovido nos últimos anos permanecem impunes.

Manifestações insidiosas estas que vêm acontecendo ultimamente. A culpa do crime de estupro não deve ser imputada à mulher – e não é isto que defendemos. Mas, sim, roupas indecentes desfiguram qualquer criatura. Boa parte de nossas mães e esposas não concorda com esta Marcha das Vadias, e o motivo é simples: para ser livre, uma jovem não precisa ser vadia; para ser livre, uma jovem precisa ser modesta.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* * *

Leia também: Marcha pró-aborto tumultua missa das crianças no RJ, no blog O Possível e O Extraordinário.

Leia mais: A lógica (ou falta dela?) das feministas…, no blog do Everton Siqueira.

Leia mais: O que esperam as senhoritas com as tetas à mostra?, no blog Deus lo Vult!.

“Seguindo a Maria, não errarás o caminho da salvação.”

“Homem, quem quer que sejas, já sabes que nesta vida vais flutuando mais entre perigos e tempestades, do que caminhando sobre a terra. Se não queres ser submergido, não aparte os olhos dos resplendores desta estrela. Olha para a estrela, chama por Maria. Nos perigos de pecar, nas moléstias das tentações, nas dúvidas do que deves resolver, considera que Maria pode te ajudar, chama logo por ela para que te socorra. O seu poderoso nome nunca se aparte do teu coração pela confiança, nem de tua boca para o entoares. Seguindo a Maria, não errarás o caminho da salvação. Quando te encomendares a ela, não desconfie; sustendo-te ela, não cairás. Protegendo-te ela, não temas perder-te; sendo tua guia, sem fadiga te salvarás. Em suma, pretendendo Maria defender-te, certamente chegarás ao reino dos bem-aventurados.”

- São Bernardo de Claraval
citação extraída do livro “Glórias de Maria”

Um novo Schönborn?

Manifestou-se favorável à união homossexual, no último dia 17, o cardeal católico de Berlim, Rainer Maria Woelki. Sua posição abertamente contrária à doutrina da Igreja foi revelada durante uma conferência que reuniu mais de 50 mil católicos na cidade alemã de Mannheim – segundo informações do IHU Online. “Quando dois homossexuais assumem a responsabilidade um pelo outro, se eles se relacionam uns com os outros de uma forma fiel e a longo prazo, então você tem que ver isso da mesma forma como as relações heterossexuais”.

Infelizmente este não é o primeiro prelado que faz apologia do casamento gay. Recentemente, o cardeal Carlo Maria Martini disse não compartilhar “as posições de quem, na Igreja, critica as uniões civis”.

Rainer Woelki é atual arcebispo da cidade de Berlim e foi proclamado cardeal no Consistório deste ano; ou seja, pode fazer ainda muito estrago ao rebanho alemão. Rezemos.

O testemunho de Rolando Rivi: ele preferiu morrer a abandonar sua batina.

Os entusiastas do hábito eclesiástico podem comemorar o reconhecimento do martírio do jovem seminarista italiano Rolando Rivi, que preferiu morrer a abandonar sua batina. Nos anos 40, após os nazistas ocuparem o seminário, todos os estudantes foram mandados para casa. Longe dali, eles continuavam rezando e estudando. Mais: Rolando Rivi “continuou usando sua batina, apesar da perigosa onda anticlerical e até do conselho de seus pais para que deixasse de fazê-lo”. Em 1945, após a celebração do Santo Sacrifício, Rivi – que usava sua batina – acabou capturado pelos partiggiani – um movimento armado de cunho marxista e anticatólico. Ele permaneceu sendo torturado física e verbalmente pelos carrascos por três longos dias. “Ao fim, todo ferido, ajoelhou-se para receber dois tiros… e a palma do martírio.”

Rolando Rivi recusou a ideia de deixar de lado o seu hábito. “Estou estudando para ser padre e a batina é o sinal que eu sou de Jesus”, dizia.

Que vergonha para os nossos tempos…! Enquanto na Europa da 2ª Guerra a perseguição ao catolicismo era escancarada, visível, mesmo assim, havia indivíduos – neste caso, de modo mais específico, padres e seminaristas – que não hesitavam em manifestar publicamente a sua fé, ostentando com bravura seus hábitos talares. Hoje, não há nenhuma matança generalizada de católicos e, ainda assim, os clérigos se recusam a voltar ao uso da batina, reclamando que “o hábito não faz o monge”, ou que a batina não faz ninguém santo. Vergonha para os nossos tempos, ver o compromisso de um seminarista que, mesmo diante da perseguição, abraçou sua batina e morreu por amor à Fé.

Hoje, não se pode nem mais falar abertamente de voltar ao uso do hábito talar. O padre Paulo Ricardo ousou criticar a moda de secularização que fervilha em nossos seminários e foi alvo da cólera dos modernistas. “Entendemos que identidade sacerdotal, bem construída, se expressa no testemunho pessoal e nas obras apostólicas e não na batina”, escreveram os 27 signatários da carta aberta contra o ministério do sacerdote cuiabano.

Aqui está o testemunho vivo de que a identidade sacerdotal se expressa não só no testemunho pessoal e nas obras apostólicas, como também na maneira como a pessoa se apresenta ao mundo. Sim, a batina é importantíssima para o ministério sacerdotal. E o reconhecimento do martírio deste jovem seminarista não pode vir em melhor hora. Concedei-nos, Senhor, santos sacerdotes; dai-nos, Senhor, jovens embatinados e santos, por amor a Vós, por amor à Igreja, por amor às almas.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

O consumo de álcool e tabaco e a histeria dos puritanos

“Os puritano pira”. À esquerda, o bem-aventurado João XXIII, fumando; à direita, o bispo Joseph Ratzinger – hoje Papa Bento XVI -, apreciando uma boa cerveja.

Dizia o filósofo britânico G. K. Chesterton que não é o álcool que degrada o homem, mas, ao contrário, é o homem quem degrada a bebida. De fato, é o mau uso (o abuso) que se faz da bebida alcóolica o que determina um dependente do álcool. Nunca vi copos de cerveja com vida própria, se insinuando para os seres humanos e colocando-se em suas bocas. Também nunca vi um cigarro tocando a campainha da casa das pessoas e pedindo para ser fumado. É por iniciativa nossa que consumimos álcool ou tabaco. Porém, me desculpem os puritanos, o uso moderado destas substâncias definitivamente não constitui pecado.

Há alguns meses o blog O Catequista publicou um artigo abordando justamente este tema; e foi lembrado um ponto particularmente importante para esta reflexão. Foi o próprio Jesus Cristo quem realizou o milagre de transformar a água em vinho nas bodas de Caná (cf. Jo 2, 1-12)! O próprio Senhor tratou de oferecer aos convidados da festa uma bebida alcoólica. Convenhamos: “Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém” (Tg 1, 13). Então, como beber vinho – ou qualquer outra bebida com álcool – pode ser um ato pecaminoso?

É claro que existe uma óbvia diferença entre o consumo do álcool, ou do tabaco, e o abuso destas substâncias. Por isso, a Igreja se vê obrigada a advertir:

“A virtude da temperança leva a evitar toda a espécie de excessos, o abuso da comida, da bebida, do tabaco e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado da velocidade, põem em risco a segurança dos outros e a sua própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpados.”

- Catecismo da Igreja Católica, § 2290

Está claro que uma pessoa que está dirigindo embriagada coloca em risco a sua vida e também a de outrem. Quem abusa do álcool pode enfrentar situações muito embaraçosas, acontecendo mesmo de que não se lembre do que fez enquanto estava sob o efeito da substância. Aí está um problema particularmente grave. Cabem, neste ponto, as sempre atuais considerações do Compêndio de Teologia Moral do pe. Teodoro Del Greco, sobre o pecado da gula.

“À gula se referem a intemperança no beber até à perda do uso da razão (embriaguez), a qual, se é perfeita, isto é, se chega a impedir completamente o uso da razão, é pecado mortal “ex genere suo”, se causada sem motivo suficiente.”

Por graves razões, provavelmente, pode permitir-se a embriaguez, como por exemplo, para curar uma doença ou para com mais segurança submeter-se alguém a uma operação cirúrgica. Afastar a melancolia não é motivo suficiente para embriagar-se. A embriaguez que priva só parcialmente do uso da razão (imperfeita) é somente pecado venial, mas poderia tornar-se mortal pelo dano ou escândalo produzido, pela tristeza que poderia causar aos pais, etc.”

[Compêndio de Teologia Moral, Del Greco;
edição em PDF, pp. 56-57]

A Igreja é bastante criteriosa ao tratar estes assuntos, mas está bem claro que beber uma cerveja com os amigos no fim de semana não é pecado algum. Constituiria pecado o seu abuso, mas não o seu uso moderado – o que pressupõe que coloquemos em prática a virtude da temperança. Podemos encontrar muitos grupos de alcoólicos anônimos patrocinados por movimentos católicos, mas certamente não encontraremos uma só linha do Catecismo que condene o consumo de álcool – ou mesmo de tabaco. Muita gente dentro da própria Igreja precisa aprender isso. Qualquer tentativa de demonizar um copo de vinho – ou de cerveja, que seja – é mera tagarelice puritana. Não é doutrina católica.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!