São Pedro e São Paulo: modelos de verdadeiro e real apostolado!

Desde as épocas remontas a Igreja celebra neste mesmo dia, 29 de junho, a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Igreja que, por amor a Cristo, fizeram doação de sua própria vida em favor da expansão do Evangelho pelo mundo.

Também constitui o momento de renovarmos a nossa fé na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, e reafirmarmos nossa comunhão ao Santo Padre Bento XVI, cujo dia hoje celebramos, de modo particular nesta Solenidade que comemoramos o seu 60º aniversário de ordenação sacerdotal. Rendamos graças a Deus por sua vida de testemunho e serviço à Igreja e peçamos que, por muitos anos, ocupe a Cátedra de Pedro, com o seu belíssimo exemplo de apostolado e que possa percorrer o mundo anunciando o Evangelho com o espírito de São Paulo.

Hoje a Igreja retorna às suas origens e contempla estas tão excelsas personagens, procurando inserir seus exemplos em nossos dias tão conturbados por ideologias que, apesar de parecerem convincentes, boas e fáceis, se contrapõem ao Evangelho. Perturbados estão os nossos corações como outrora esteve o coração de São Pedro, mas ele não desanimou e, mesmo no cárcere, continuou a render louvor a Deus com toda a Igreja. Uma noite lhe apareceu o anjo do Senhor que lhe disse: “Levanta-te depressa!” (At 12, 7). E o anjo o libertou da cadeia sem que fosse visto pelos guardas. Maravilhosos prodígios realiza o Senhor por nós!. Realiza-o primeiramente em favor de Pedro e depois em favor de toda a Igreja.

A posição de estar em pé é muito significativa, como foi dito por nós em uma das reflexões passadas. Está em pé aquele que está pronto a servir, que é humilde, que caminha. Pedro levantou-se porque sentiu que a sua missão não findava ali, mas ainda deveria continuar, ele deveria ser um sinal luminoso para toda a Igreja que estava sacudida pelas perseguições e violentada pelos vários ventos de doutrinas. Hoje, como fizera o anjo a Pedro, ele quebra as correntes do pecado que aprisionam aos membros da Igreja, e também a estes encoraja para que possam erguer-se. Assim tomamos consciência de que, apesar das debilidades dos homens de hoje, que estão inseridos no Corpo místico de Cristo, a Igreja nunca poderá estar “presa” pelas investidas de Satanás que propõe derrubá-la.

Levante, ó Igreja! Aquilo que anuncias não é utópico, não está restrito a um passado distante. Aquilo que anuncias é o próprio Cristo, Senhor da vida, que impera sobre a morte e sobre todas as investidas malignas. Somos também constituídos de uma liberdade. Esta liberdade, porém, deve ser usada para nos aproximar de Deus e não para nos afastar d’Ele. São Pedro nos diz que a pior doença das almas é a ignorância. Mas que ignorância é esta? Como ela pode ser definida? Esta ignorância é a ausência de Deus da vida do homem, é o não conhecer a Deus. Só aquele que conhece a Deus possui a verdadeira sabedoria, e isto porque só em Deus reside a verdadeira sabedoria. Como dirá a Escritura: “O temor ao Senhor eis a sabedoria. Fugir do mal eis a inteligência” ( 28,28).Quem não O conhece não tem a vida eterna prometida por Jesus e destinada a todos aqueles que nele põem a sua confiança, exceto se esse não conhecer seja dado por uma falta de evangelização que, infelizmente, ainda não chegou a todo o mundo.

E é evidente que há duas formas de conhecer a Cristo: a primeira é a forma “superficial”, vista da multidão. Um olhar passageiro e distante, que é extrínseco e, por isso, incapaz de causar uma transformação no modo de agir de cada um. A segunda forma é mais intensa, é o olhar que modifica o íntimo, o olhar dos discípulos. Puderam compartilhar deste olhar a pecadora arrependida, Zaqueu, o ladrão que na cruz clama por perdão, o centurião que vai a Jesus para pedir por seu filho e o cobrador de impostos Levi, mas também tantos e tantos que foram modificados pelo olhar intrínseco dos que puderam conhecer a Cristo, e conhecer no sentido profundo e verdadeiro da palavra. Aquela pequena minoria é chamada a diferenciar-se de toda a multidão. E é verdadeiramente indiscutível e visível que os cristãos devem voltar às origens, devem apresentar-se ao mundo primeiro por suas ações, pelo testemunho que deve acompanhar a atividade eclesial.

Simão Pedro foi outro que pôde conhecer verdadeiramente a Cristo. E em dois momentos principais podemos ver esta manifestação: Em Cesaréia de Filipe e no mar de Tiberíades. Antes da sua morte Jesus institui Pedro como chefe da Sua Igreja; depois da morte Jesus confia a Pedro o pastoreio das ovelhas e confirma a missão que já lhe fora outorgada, pois só depois de Sua morte Jesus realmente solidifica as bases da sua Igreja, uma vez que fora comprada com o Seu sangue (cf. At 20, 28).

Gostaria de meditar sobre este primeiro momento que hoje nos narra o Evangelho. Pedro aqui é posto por Jesus como sinal de sustento para a Igreja e na frase dirigida a Jesus, após tê-los indagado sobre sua identidade, encontramos todo o lugar onde também está alicerçada a nossa profissão de fé: “Tu es Christus, Filius Dei vivi – Tu és Cristo, Filho de Deus vivo” (Mt 16, 16). E para nós, quem é Jesus Cristo? O que Ele significa para o nosso mundo que vive distante de Deus? O que Pedro professara é o ponto de discórdia para o mundo. Não se quer admitir que Jesus seja o Filho de Deus, e que Ele possa reivindicar para Si a adoração de Deus. Não se admite que Ele seja a salvação e um sinal de esperança para o mundo. Não se admite que Ele seja o ponto de partida e de chegada da humanidade.

A Pedro que iria negá-lo três vezes – e Jesus o sabia – Ele confia o mandato de governar a Igreja, de ser o primeiro Papa. Eis aqui um encontro misericordioso de Jesus com Pedro. Ele olha para Pedro, Pedro conhecia-o e sente este olhar quando se encontram em Tiberíades. “Tu és Pedro”. És Rocha, na qual o Senhor edifica a Sua Igreja, que é toda Santa. Mas quantas vezes desfiguramos a Igreja porque somos maculados pelo pecado?! Quantas vezes não nos submetemos a Deus para submetermo-nos ao mundo, porque parece difícil trilhar os caminhos da santidade? Pedro deixou o medo falar mais alto do que sua fé. Conosco, porém, o exemplo de Pedro e de tantos mártires deve nos precaver dessas tentações. Devemos temer o medo. Devemos manifestar ao mundo que o derramamento do sangue dos mártires não invoca divisão e de guerra, mas amor e uma verdadeira esperança. Ele relembra este sinal de união entre o céu e a terra, do qual Pedro é detentor das chaves.

Outro que experimenta o olhar misericordioso do Senhor é São Paulo. Ainda jovem Paulo via o olhar piedoso dos muitos cristãos que ele perseguiu, agora ele olha piedosamente para Jesus e sabe que tudo o que foi feito nele será consumado. Por isso, consciente do fim de sua missão, Paulo exclama:  “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2 Tm 4, 7). Guarda a fé aquele que antes no-la havia dado ao mundo, e a guarda não por viver de forma egoísta, mas porque vivenciou tudo aquilo que havia propagado, porque o que anunciou ao mundo, os sofrimentos que lista aos cristãos, ele já havia sentido em si.

São Paulo é para a Igreja espelho de sua ação missionária. A Igreja não é uma “porção” do povo que segue a uma ideologia, seja por atração ou por um bem estar, ao contrário: é o reflexo da viva e constante atuação de Cristo no mundo. É sustentada pelo Espírito Santo e a sua essência é a santidade! O apóstolo faz dessa atuação o sentido da sua vida. Na sua conversão ele encontra-se com o olhar misericordioso do Senhor, a partir daí sua vida já não era-lhe característica íntima mas pertencia a todos, sobretudo a Cristo, por isso exclama com tanta convicção: “É Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Esta frase expressa uma doação total nossa a Cristo; um doar-se sem reservas, sem esperar nada em benefício próprio. Ser cristão é amar e saber que muitas vezes seremos perseguidos e maltratados, e ainda assim continuaremos a amar. Isso Paulo fez e isso ele ensina-nos a fazermos.

Queremos rezar agora. Senhor, vos pedimos a graça de perseverarmos na unidade com o Sucessor de São Pedro, e o Colégio Apostólico. Não deixeis que a vossa Igreja seja maculada por divisões, mas que possa mostrar ao mundo que somente se estiver em Vós ela poderá permanecer unida em oração, como se encontraram a Santíssima Virgem Maria e os Apóstolos no Cenáculo. E erguemos uma prece incessante de agradecimento por estes modelos de vida que hoje celebramos, tão exemplares, pedindo “que a Igreja siga sempre o ensinamento dos Apóstolos dos quais recebeu o primeiro anúncio da fé” (Oração da Coleta).

“É claro que estamos diante de um ato de vilipêndio”

Transcrevo abaixo trechos do texto publicado ontem no blog do Reinaldo Azevedo, no qual ele comenta o crime cometido pelos organizadores da Parada Gay contra a fé católica. Enfatizamos: “É claro que estamos diante de um ato de vilipêndio”. É óbvio, muito embora os gayzistas – que não são apenas intolerantes, como também mentirosos – desconversem, dizendo que a propaganda blasfema não tinha o objetivo de ferir o sentimento religioso do povo brasileiro. Para ler o artigo completo, vá ao site da revista Veja.

“Os organizadores da parada gay deste ano, sob o pretexto de combater o preconceito, resolveram, de cara, partir para a provocação. O tema do ‘samba-enredo’ era ‘Amai-vos uns ao outros’, numa evocação da mensagem cristã, que passa a ter, evidentemente, um conteúdo ‘homoafetivo’, como eles dizem, e, dado o conjunto da obra, homoerótico. É uma gente realmente curiosa: quer a aprovação de um PLC 122 — que, na forma original, impunha simplesmente a censura aos religiosos —, mas reivindica o direito de se apropriar de emblemas da religião para fazer seu proselitismo. E isso, claro!, porque eles só querem a paz, a igualdade e convivência pacífica…”

“Pois bem: esses sindicalistas do gayzismo — que, reitero, representam os homossexuais tanto quanto a CUT representa todos os trabalhadores — acharam que aquela provocação não tinha sido o bastante. Como nem evangélicos nem católicos reagiram à bobagem, então resolveram dobrar a dose. A organização do evento espalhou 170 cartazes em postes da Paulista em que 12 modelos masculinos aparecem quase pelados, em situações de claro apelo erótico, recomendando o uso de camisinha. Até aí, bem! Ocorre que eles aparecem caracterizados como santos católicos, a exemplo de São Sebastião e São João Batista. Junto com a imagem, a mensagem: ‘Nem Santo Te Protege’ e ‘Use Camisinha’.”

(…)

“Resta evidente que, embalados pela disposição do próprio Supremo de cassar o Artigo 226 da Constituição para reconhecer a união civil entre pessoas do mesmo sexo, os sindicalistas do movimento gay perderam a noção de medida e de parâmetro. Sexualizar ícones de uma religião que cultiva um conjunto de valores contrários a essa forma de proselitismo é uma agressão gratuita, típica de quem se sente fortalecido o bastante para partir para o confronto. Colabora com a causa gay e para a eliminação dos preconceitos? É claro que não! Não estão eles dizendo que não querem mais ser discriminados nas escolas, nas ruas, campos construções? Você deixaria seu filho entregue a um professor que acha São João Batista um, como posso dizer, ‘gato’? Que vê São Sebastião e não resiste a um homem agonizante, sofrendo? O que quer essa gente, afinal? Direitos?”

“Ainda é tempo de recuar e desculpar-se, deixando de distribuir os preservativos com as tais imagens. Mas não farão isso.”

(…)

“Esse sindicalismo gay só decidiu partir para o confronto e não vai reconhecer a agressão estúpida aos católicos — própria de quem não quer a paz coisa nenhuma! — porque foi adotada justamente como ‘vanguarda’. E, vocês sabem, é vanguardista atacar a Igreja Católica desde o século… 16!”

“É o caso de a Igreja reagir com o devido rigor. É claro que estamos diante de um ato de vilipêndio, que nenhuma religião deve aceitar, sobretudo porque também é um bem protegido pela Constituição. Há de reagir em nome dos seus fiéis, sabendo, de antemão, que vai ser atacada pela imprensa porque, hoje em dia, ter uma religião também não é uma coisa de vanguarda — desde o século 18, pelo menos, é assim… Estamos, como vocês podem notar, diante de idéias realmente novas, que antecipam o futuro.”

“Que a Igreja Católica, pois, tenha a coragem de apanhar dos jornalistas. A questão é saber quem são seus interlocutores. Se preciso, que vá às portas do Supremo. Se os valores de uma religião não são mais um bem protegido, vamos, então, ouvir isso da boca de nossos doutores. Se for o caso, os católicos pedirão, no mínimo, os mesmos direitos de que gozam os índios, cujas crenças são acolhidas no Artigo 231.”

“Militância em favor dos direitos dos homossexuais é uma coisa; perverter imagens religiosas, emprestando-lhes um sentido erótico que não têm, é coisa de tarados. Se a Justiça nada pode, então é o caso de convocar a medicina.”

Os gayzistas também sabem blasfemar

Parada GayAssistindo ao Fantástico hoje, tomei notícia das mais novas manifestações de “tolerância” promovidas pelos participantes da Parada do Orgulho Gay. Sim, eles se reuniram – como costumam fazer todos os anos – na Avenida Paulista e integraram – novamente – uma festa pecaminosa e imoral.

Quando falamos aqui que os interesses do movimento homossexual brasileiro estão muito além de um simples “pedido de tolerância” – como quer pintar a mídia brasileira -, as pessoas pensam que somos exagerados, que estamos sendo fundamentalistas, que devemos ser mais amorosos, e toda aquela conversinha furada que já conhecemos. Estamos sendo recriminados por falar demais. Só que o que falamos é a mais pura verdade. O Gayzismo se configura como uma verdadeira doutrina. A laicidade do Estado está sendo lentamente substituída pela confissão de uma religião que se esconde sob os mais belos adjetivos que podem ser atribuídos a uma religião moderna (de “humanitária” e “tolerante” a “amorosa” e “acolhedora”). Tudo não passa de uma farsa, porquanto é através do constrangimento às outras religiões, é através da tentativa sórdida de calar os cristãos de nosso país, que a doutrina gayzista pretende subsistir.

Provas concretas? Há muitas. E bastaria usar aqui os textos de integrantes do movimento gay pedindo que a educação brasileira incentive a “desconstrução da heteronormatividade” ou mesmo a liberalização da pedofilia. Só que, na última manifestação do Orgulho Gay realizada em São Paulo, os gayzistas decidiram ir um pouco mais longe. Confeccionaram imagens de santos católicos com perfil homossexual. O G1 coloca a arte blasfema num grupo que ela denomina da seguinte forma: “Balões, cartazes e fantasias chamaram a atenção para os direitos dos homossexuais”.

Direitos dos homossexuais

Afinal – esta pergunta está certamente na boca de muitos -, que direito novo é este adquirido pelos homossexuais, para que possam se servir de cartazes ofensivos para agredir a fé cristã? Que país é esse, meu Deus, onde uma maioria católica tem que ficar calada enquanto um grupo de homossexuais intolerantes se escarnece publicamente dos Santos?

* * *

A propósito, não poderia deixar de fazer um adendo: a senadora Marta Suplicy esteve presente no evento gayzista. A mesma senadora que luta por temas considerados fascinantes pelo candidato católico Gabriel Chalita. Como não é típico dos emcimadomuristas fazer esclarecimentos, vamos ficar um bom tempo sem saber que “temas fascinantes” são estes que tanto impressionam Chalita.

Configurados a Cristo na Eucaristia

Caro cibus, sanguis potus/ manet tamen Christus totus sub utraque specie – O pão é a carne e o vinho é o sangue; todavia debaixo de cada uma das espécies Cristo está totalmente”. Eis como cantamos hoje na Sequência celebrando a Solenidade de Corpus Christi. A Igreja nos chama a adorar piedosamente a Eucaristia, que nos fortalece em nossa caminhada. Hoje somos convidados a olharmos para aquele dia em que Nosso Senhor, somente por amor, doa seu Corpo e Sangue pela nossa salvação. A celebração que hoje realizamos nos põe diante de um gesto presente, mas também escatológico. Primeiro reunimo-nos em volta do Senhor, comemos do seu corpo e bebemos do seu sangue; segundo é o gesto do caminhar, isto é, a procissão que tradicionalmente realizamos nos ensina que todos somos peregrinos para o Pai, que caminhamos para um encontro definitivo com Jesus Cristo e, por conseguinte, para a eterna felicidade; e em terceiro o gesto definitivo que é ajoelhar-se e adorar o Senhor, reconhecer a sua onipotência e agradecê-lo por se nos dar em alimento.

Neste dia a Igreja revive a Quinta-feira Santa, agora já à luz do mistério grandioso da Ressurreição. Na primeira leitura, retirada do Deuteronômio, faz-se memória da peregrinação do povo hebreu por quarenta anos, rumo a terra prometida, e lá se diz: “Ele te humilhou, fazendo-te passar fome e alimentando-te com o maná que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te mostrar que nem só de pão vive o homem mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor” (Dt 8, 3). Estas palavras são também dirigidas a nós, que fazemos parte de uma geração não mais confiante somente na palavra do Senhor, em sua paternal bondade e solicitude, mas, muito mais, por ela romper neste estreito vínculo com Deus e passar a gerar “falsas palavras”, que conseguem persuadir a tantos. Aquele maná, dado outrora aos hebreus, ganha mais tarde um novo significado, alcança, por assim dizer, a “plenitude” do termo em Jesus Cristo, pão eterno e verdadeiro dado a todos os homens. E por meio deste “dar-se” Ele plenifica e perpetua a sua estada em nosso meio.

Desta forma é rompida e suprimida a ausência deste espaço de tempo que nos separam de Cristo. Com essa perpétua estadia conosco Ele não retira-se do mundo, não está invisível, ausente, obscurecido pelo tempo. Também para o homem hodierno esta é uma esperança: Ainda que abandonemos a Deus Ele nunca nos abandonará. Ainda que d’Ele nos afastemos Ele sempre estará ao nosso lado! Por isso, tenhamos confiança! Quem confia no Senhor nunca será desamparado!

“Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre” (Jo 6, 58). Não basta comermos o Corpo do Senhor e permanecermos indiferentes à sua graça salvífica, é preciso aceitarmos ser transformados por Ele. É preciso carregar em nós Aquele que recebemos e demonstrá-Lo ao mundo.

Sobre este vínculo de unidade com o Senhor São Paulo nos diz na segunda leitura: “O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão” (cf. 1 Cor 10, 16-17). Este é, sobretudo, um dos principais aspectos da Eucaristia: congregar a todos os povos diante de um único Senhor. Gostaria de dizer primeiramente que este aspecto é sinônimo de reconhecê-lo como verdadeiro Deus, de n’Ele encontrar a plena felicidade e o fundamento da esperança e do amor; caso contrário não é Deus. Quem se curva diante do dinheiro e dos prazeres terrenos fazendo-os centro de suas vida, não pode curvar-se diante de Deus. Depois: O verdadeiro Deus une a todos em seu amor, acolhe aos pecadores e ampara aos fracos, não faz distinção de ideias políticas, de nacionalidade, de profissão, mas une os homens em um único corpo: a Igreja, firmada em um único alicerce: o amor de Deus, partilhando um único Pão: Cristo.

Ademais, esta Solenidade é um momento sempre propício para nos alertar para a crescente tentação ao individualismo que sempre vem ganhando espaço na sociedade, e mesmo dentro da Igreja; esse constitui um desvio na estrada a caminho do Mestre, além de ser totalmente contrário ao que Ele ensinara. A Eucaristia é unidade, fraternidade, amor. Outro risco que corre-se, porém, é de generalizar tais palavras a ponto de chegar-se ao extremo de relacionar a Igreja com brigas políticas e sociais. “A Igreja, recordara muitas vezes o Beato João Paulo II, não é uma instituição democrática”, mas é “um projeto que nasceu no Coração do Pai” (Catecismo da Igreja Católica §759). Mediante isso, as vontades humanas não contam e não prevalecem, mas somente a divina.

São Leão Magno recorda que “a nossa participação no corpo e no sangue de Cristo não tende para se tornar senão o que recebemos” (Sermo 12, De Passione 3, 7, pl 54). Eis que recebendo Cristo, Pão vivo, também somos chamados a configurar-nos a Ele, a sermos testemunhas do Seu Reino hoje. Como bem dissera o Sumo Pontífice Bento XVI: “Todos podem se abrir à ação de Deus, ao seu amor; com o nosso testemunho evangélico, nós cristãos devemos ser uma mensagem viva, aliás, em muitos casos somos o único Evangelho que os homens de hoje ainda leem” (Homilia na Quarta-feira de Cinzas, 2011). Demonstrai, cristãos, ao mundo, que vós sois Evangelhos vivos e testemunhas verdadeiras! Que sejamos reconhecidos, antes de tudo, pelas nossas ações, imitadoras de Cristo, ainda que por vezes sejam falhas, mas que sejam imitadoras. Portemos a esperança ao mundo! Mas, mais ainda, portemos o mundo à Esperança verdadeira e perpétua.

“A Eucaristia é o alimento destinado àqueles que no Baptismo foram libertados da escravidão e se tornaram filhos; é o alimento que ampara no longo caminho do êxodo através do deserto da existência humana. Como o maná para o povo de Israel, assim para cada geração cristã a Eucaristia é alimento indispensável que ampara enquanto atravessa o deserto deste mundo, ressequido por sistemas ideológicos e econômicos que não promovem a vida, mas ao contrário a mortificam; um mundo no qual domina a lógica do poder e do ter em vez da do serviço e do amor; um mundo no qual com frequência triunfa a cultura da violência e da morte. Mas Jesus vem ao nosso encontro e infunde-nos segurança: Ele mesmo é ‘o pão da vida’ (Jo 6, 35.48)” (Bento XVI, Homilia de Corpus Christi 2007).

“Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo” (Jo 10, 21). Para muitos que ali se encontravam foram “duras” tais palavras. Deveras, a limitação da inteligência humana faz com que seja incapaz de entender os insondáveis mistérios da salvação. Para nós, porém, estas palavras portam esperança e vida, destinadas a toda a sociedade e confiada a todos os homens.

Invoquemos agora a Virgem Maria, “Mulher Eucarística”, como dissera o Papa João Paulo II, e peçamos que Ela seja nossa intercessora junto a Deus. Peçamos também que todo o mundo possa abrir-se a Cristo Eucarístico, que este possa produzir em nós os seus efeitos redentores. “Alimentai-nos e defendei-nos e fazei que mereçamos fruir da vossa glória na Terra dos vivos. Vós que tudo conheceis e tudo podeis fazer, e nos alimentais aqui, na Terra, da mortalidade, admiti-nos, Senhor, lá no Céu, à vossa mesa e dai-nos parte na herança e na companhia dos que moram na cidade santa. Amém. Aleluia” (Sequencia).

Reflexões jovens na Revelação Cristã

Fizemos, eu e meu amigo Leonardo, um vídeo falando sobre a Revelação Divina. Gastamos praticamente a tarde inteira tentando gravar até que, enfim, depois de rezar o Terço, conseguimos! Abaixo vocês conferem o resultado.

Casaldáliga e Lakeland: a cilada da heterodoxia no Brasil e no mundo

O relativismo é um grande e terrível mal; esta mania de descristianizar o Evangelho não pode ser sinônimo de fraternidade, paciência, muito menos de verdadeiro amor. Disse certa vez o Papa Paulo VI que “não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas” (Humanae Vitae, n. 29). E afirmou, em consonância com este sábio conselho, o bem-aventurado João Paulo II: “A maternidade da Igreja nunca pode ser separada da missão de ensinar que ela deve cumprir sempre como Esposa fiel de Cristo, a Verdade em pessoa” (Veritatis Splendor, n. 95). Assim, acolher aquele que erra não significa distorcer a doutrina da Igreja, porquanto esta seria uma verdadeira traição a Jesus.

Por que estou falando tudo isto? Exatamente porque muitos teólogos contemporâneos estão se esquecendo das palavras acima transcritas. Muitos querem adentrar um ambiente sagrado com poucas cerimônias, ou mudando todas as coisas de lugar, como se fossem eles – e não o Divino Jesus – os autores da moral católica, os criadores da Liturgia, os inventores das orações. A situação é trágica porque é uma clara intromissão do espírito revolucionário na Teologia. Perdoem-me os teólogos da libertação, modernistas e outros hereges, mas a Teologia católica não permite mutilações deste tipo. A doutrina da Santa Igreja nasce na intolerância das palavras de Nosso Senhor: “Dizei somente sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno” (Mt 5, 37).

Dom Pedro Casaldáliga não entende este recado divino. Para falar de homossexualidade, faz aquilo que aqui em Minas chamamos de “rodear o toco”. É como ler mensagens do Paulo Coelho ou do Dalai Lama: textos que não te acrescentam nada, um desejo incomensurável de não ferir o orgulho dos outros.

“A sexualidade é parte integral da pessoa humana e é, por definição, relação. Se vive dentro de uma cultura, na história das pessoas e dos povos. Como toda vertente humana tem sua dimensão ética. Isso faz com que a sexualidade (heterossexualidade, homossexualidade…) seja debate, polêmica, dependendo dos pontos de vista e das situações histórico-culturais. A homossexualidade tem sido estigmatizada, sobre tudo na Igreja, e facilmente se tem enfrentado como doença e como vício. Exige-se, na Igreja principalmente, uma revisão a fundo da sexualidade e particularmente da homossexualidade, como de uma condição humana que pode e deve responder dignamente à realização da pessoa, com as exigências morais em sociedade e à vivência da fé religiosa.”

[Trecho de entrevista dada por Casaldáliga ao Mov. contra a Miséria
e publicada no Instituto Humanitas Unisinos
]

Não há nada claro e objetivo nas palavras de Dom Pedro. O desacordo com o Magistério está escondido em palavras obscuras… O bispo diz ser necessário fazer “uma revisão” da homossexualidade; deve-se tratá-la como “uma condição humana que pode e deve responder dignamente à realização da pessoa”. Têm o que de católicas estas afirmações, afinal?

Nada!

O Catecismo da Igreja Católica não fala, em nenhum trecho, da necessidade de alguma “revisão” acerca do que sempre foi a resposta cristã à prática homossexual (e é estar sujo de espírito modernista a atitude de esperar por este demoníaco pedido de “revisão”). A mensagem de Cristo não pode ser mais clara: “Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves a Tradição sempre declarou que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados. São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados” (Catecismo, § 2357).

O problema do pensamento religioso heterodoxo não está só no Brasil, como podem erroneamente supor alguns leitores. Não mesmo. Um teólogo norte-americano que já vem mantendo há algum tempo posições escancaradamente anticatólicas acerca de aborto, homossexualidade e ordenação de mulheres, participou do último encontro da Sociedade Teológica Católica (!) dos EUA. O resultado só podia ser mesmo o escândalo. Paul Lakeland chegou a criticar a declaração Dominus Iesus, escrita pelo até então cardeal Joseph Ratzinger, alegando ser um documento que não faz “absolutamente nada para aproximar mais a Igreja e o mundo”, como se a caridade não tivesse que passar pela dura senda da verdade. O teólogo também falou sobre a santidade e só faltou citar Leonardo Boff para encerrar com chave de ouro sua paupérrima reflexão:

“Se estamos engajados em comparações invejosas e muitas vezes ignorantes entre a santa Igreja e o mundo pecaminoso, ou em comparações espiritualmente vazias entre a plenitude da verdade na ‘nossa’ tradição e os defeitos das outras, estamos envolvidos no negócio da exclusão, varrendo para fora o santo mistério de Deus para impor as nossas falíveis considerações humanas sobre onde os santos podem ser encontrados”.

“Dentro da Igreja, tais crimes são cometidos quando um subgrupo da comunidade, em nome de suas convicções sobre o que a pureza parece ser, e persuadido de que pode falar por Deus, marginaliza os outros, quer eles sejam divorciados, gays e lésbicas, ou irmãs religiosas que realizam seus trabalhos, quer estejam trabalhando nos hospitais católicos ou no Congresso, quer, de fato, eles sejam até mesmo apenas teólogos”.

[Paul Lakeland no 66º Encontro Anual
da Sociedade Teológica Católica dos EUA
]

Não sei o que Lakeland quer dizer exatamente quando fala de “comparações invejosas e ignorantes entre a santa Igreja e o mundo pecaminoso”, mas será que ele condena que exista realmente uma real oposição entre o espírito do mundo e a santidade da Igreja? Fiz uma conexão imediata entre essas estranhas palavras e aquela famosa frase de Santo Atanásio: “Se o mundo for contra a verdade, então Atanásio será contra o mundo”. Será que esta corajosa proclamação deste grande Padre da Igreja é mais uma “comparação invejosa e ignorante entre a Igreja e o mundo”?

Se Lakeland é ou não contrário a Atanásio não é, nem de longe, o ponto mais importante de toda essa história. A pergunta que não quer calar é: O que um herege estava fazendo numa conferência católica? Se queremos ver a doutrina católica imperar em nossos seminários e universidades, precisamos fazer alguma coisa concreta. Podemos começar banindo hereges e apóstatas de dar palestras ou conferências, já que estão contra a verdade da Igreja*. Faltam-nos a muitos bispos, padres e leigos a coragem atanasiana de dizer: se estes teólogos são contra a verdade, então seremos contra estes teólogos. Se estes teólogos acham que a verdade moral católica é uma simples convicção pessoal, então estes teólogos não podem continuar falando em nome da Igreja.

E isto não é – pelo amor de Deus! – preconceito, intolerância, ódio, perseguição ou ofensa. Deixar que as almas se percam ouvindo palavras desencaminhadoras ou lendo livros que contêm gravíssimos erros contra a fé – isto sim é verdadeiro ódio. À Verdade. Isto sim é verdadeira ofensa. Ao zelo que pede Jesus que tenham os pastores de Sua Igreja.

Que o Altíssimo tenha misericórdia de Sua Igreja, que peregrina neste mundo rumo aos céus. Para que não fujam do aprisco as ovelhas pelas quais foi derramado o Sangue do próprio Deus.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* Providências já estão sendo tomadas por alguns bispos, graças ao bom Deus. É o que podemos ver nesta notícia do LifeSiteNews.com que data do ano passado.

Magistrado goiano diz não a união homoafetiva

Juiz de Goiás anulou contrato de união estável entre homossexuais, segundo o G1. Faço abaixo breve comentário acerca do assunto, enaltecendo, obviamente, a coragem do magistrado, que não teve medo de dizer a verdade: “O Supremo mudou a Constituição. Apenas o Congresso tem competência para isso. O Brasil reconhece como núcleo familiar homem e mulher”.


Não deixem de ler os oportunos comentários do Jorge Ferraz ao caso.

A Santíssima Trindade: Fonte de todo o Bem

Neste Domingo, terminado o Tempo Pascal e de volta ao Tempo Comum, celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade. Manifesta-se, desta forma, a presença salvífica desta no mundo e, ao mesmo tempo, o consolo que traz à Igreja, e a nós seus membros, nas tribulações pelas quais passamos e haveremos de passar.

Na figura da Trindade contemplamos o perfeito exemplo de comunhão, uma demonstração de que somente quando se age em conjunto, com Deus e consigo mesmo, os homens podem alcançar a transcendência que almejam. A Comunidade perfeita nos impulsiona nesta busca e nos mostra que Deus não está distante, mas age por nós, conosco e em nós; e por meio deste “agir” os homens tornam-se verdadeiros imitadores de Cristo.

Na primeira leitura, hoje retirada do livro do Êxodo (cf. 34, 4b-6.8-90), Moisés clama ao Senhor: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, vagaroso na cólera, cheio de bondade e de fidelidade”. Este é o Deus que adoramos! Não é um Deus colérico, mas amoroso, que desceu das nuvens para comunicar-se conosco, que não escondeu sua face de misericórdia, mas mostrou-a ao mundo; um Deus que não permaneceu inacessível nas alturas, satisfeito com sua autossuficiência, mas quis estabelecer um diálogo conosco, quis fazer-se um de nós para que pudéssemos conhecer este outro nome que damo-lo: Amor. Deus é amor! O amor, sabemos, não conhece a ira e a desunião, não conhece o ser “inacessível”, mas está ao lado, fortalecendo, não deixando que desanimemos. O amor é reflexo da Trindade, que primeiro nos amou, e da qual não pode vir o mal, ele não é interesseiro e sim gratuito. Por isso, santo Agostinho dirá: “Vides Trinitatem, si charitatem vides – Vês a Trindade, se vês a Caridade” (De Trinitatem, VIII, 8, 12).

Hoje vê-se que os homens não mais buscam contemplar o rosto de Deus, não desejam serem reflexos de Deus, mas de si próprios. E é por causa desta divulgação egocêntrica da auto-imagem que a sociedade está desnorteada, perdendo a direção que deve seguir, perdendo Deus de vista. Se o caminho do homem não for Deus ele jamais poderá encontrar a felicidade eterna e jamais poderá ter esperanças. Se o caminho do homem não for Deus sua vida será em vão e os progressos, ditos em nome de um mundo melhor, serão armas de destruição. A Sagrada Escritura conhece apenas um Deus, o Deus de todos os povos, de Abraão de Isaac e de Jacó (cf. Ex 3,1). Mas quando o homem não caminha segundo as leis de Deus ele acaba por criar outros deuses, como fora feito na Mitologia grega. Deveras, lá encontramos deuses que agiam de forma correta ou ruim, que matavam, que torturavam…, etc. Nosso Deus, porém, é um Deus que ama, que acolhe, que perdoa, que é de todos e, acima de tudo, não é uma estória mas uma Pessoa que encarna-se e que passa a ser um de nós em Cristo, Aquele que é “imagem do Deus invisível” (Cl 1, 15). E isto Jesus diz no Evangelho: “Tanto Deus amou o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Deus age na história! Esta ação singular não é individual, mas comunitária, que abrange todas as três Pessoas divinas: “O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo” (Santo Atanásio, Ep. 1 ad Serapionem, 28-30). Assim, a Teologia nos explica que ao falarmos de Deus não nos referimos apenas ao Pai, mas também ao Filho e ao Espírito Santo “que procede do Pai e do Filho” (Símbolo niceno-constantinopolitano).

Ele está próximo a nós! Para isso, no entanto, é necessário que nos abramos à sua graça redentora e salvífica; que deixemo-nos tocar por seu amor e que sejamos um com Ele.

É nesta “graça” que São Paulo reúne a comunidade de Corinto, é nesta graça que nós nos reunimos em cada celebração eucarística, quando o celebrante profere: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13, 13). É precisamente desta “Graça” que os povos sentem falta. E esta falta não é causada por uma ausência da graça no mundo, mas por uma ausência do mundo na graça. Nossa história deve estar firmada no nome de Deus. Só Deus pode solidificar as bases trêmulas de uma humanidade desumana, que dEle se afasta, que já não mais O faz centro, mas centraliza seus gostos. E esse perigo bate à nossa porta. Onde Deus deixa de ser o centro os caprichos e futilidades, a violência e a falta de fé, sufocam o homem e o atiram-no para um abismo criado por ele mesmo. A verdadeira autonomia do homem não está no achar-se superior a Deus, mas no inclinar-se perante Ele, no reconhecer a sua “essência” de filho e no estar aberto ao relacionamento com os irmãos.

Já na Sagrada Escritura vemos que Jesus revela aos discípulos o mistério da Trindade, que jamais pode ser compreendido pelos homens. Quando Filipe pede que Jesus mostrasse-lhes o Pai Ele responde: “A tanto tempo estou convosco e não me conheceis Filipe! Quem me viu, viu também o Pai. Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras” (Jo 14, 9-10). Desta forma fica clara a pessoa de cada um, a essência igual de todos e a intrínseca união existente entre eles. São um! O pedido do discípulo não expressa a sua ignorância, mas a gritante necessidade que o mundo tem de ouvir essa resposta de Jesus.

Esse grito ecoa em todos os cantos da terra, mostrando que Igreja deve ser “espelho” da Trindade. “Numa sociedade tensa entre globalização e individualismo, a Igreja é chamada a oferecer o testemunho da koinonia, da comunhão. Esta realidade não vem ‘de baixo’, mas é um mistério que, por assim dizer, tem as ‘raízes no céu’: precisamente no Deus Uno e Trino. Ele, em si mesmo, é o eterno diálogo de amor que Jesus Cristo nos comunicou, entrando no tecido da humanidade e da história para levar à plenitude” (Homilia do Papa Bento XVI, 18 de maio de 2008).

Que Maria, Filha do Pai, Mãe do Filho e Esposa do Espírito Santo, interceda constantemente pela Igreja, para que seja sinal de unidade entre os povos

O zelo pela ortodoxia contra o embuste socialista

Recomendo vivamente o vídeo do Padre Paulo Ricardo falando sobre o poder paralelo dentro da Igreja do Brasil. O sacerdote tece críticas ferrenhas à Teologia da Libertação e aos que infelizmente se aliaram às suas propostas. O vídeo é grande, mas realmente vale muito à pena conferir.

Aproveito o ensejo para indicar o jogo Filosofighters [o Wagner Moura foi quem jogou primeiro].  É uma imitação do famoso Street Fighter, só que as brigas são travadas entre filósofos. Quem correr, com Santo Agostinho, em direção a Marx terá a visão de um bispo zeloso, que não quer ver perecer suas ovelhas contaminadas por esta verdadeira praga atéia que é o socialismo.

Santo Agostinho contra Marx

Oxalá todos os bispos e sacerdotes brasileiros tivessem o zelo de um defensor da fé, como Santo Agostinho, de um martelo dos hereges, como Santo Antônio de Pádua, ou de um inimigo do modernismo, como foi São Pio X! Oxalá pudéssemos fechar nossos olhos ante a vergonha de um padre católico chegar a dizer que “sem exageros, a proposta socialista só edifica”, quando praticamente todos os Papas do último século condenaram com veemência o embuste do comunismo!

Sejam colocados debaixo dos pés de Cristo todos os Seus inimigos! Seja exaltada pelos séculos dos séculos a Igreja Católica, Mãe e Mestra de nossa Civilização!

Santo Agostinho contra Marx 2

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Algumas pérolas de G. K. Chesterton

Estou começando a apreciar G. K. Chesterton e gostaria de compartilhar com vocês um trecho da sua obra sobre São Tomás de Aquino, excerto que foi transcrito no blog Suma Teológica e que faz uma clara referência ao são equilíbrio presente na sempre vivaz ortodoxia católica.

“Em verdade, isto ilustra vivamente a estupidez provinciana dos que fazem objeção ao que eles chamam ‘credos e dogmas’. Foi precisamente o credo e o dogma o que salvou a saúde moral do mundo. Essas pessoas propõem, em geral, uma religião alternativa de intuição e de sentimento. Se na era realmente das trevas tivesse havido uma religião de sentimento, teria sido de sentimento negro e suicida. Foi o credo rígido que resistiu ao ímpeto desse sentimento suicida. Os críticos do ascetismo têm talvez razão quando supõem que muitos eremitas ocidentais se sentiam muito semelhantes a faquires orientais. Mas o que não podiam era pensar como faquires orientais, por serem católicos ortodoxos. E só o dogma manteve o seu pensamento em contato com um pensamento mais saudável e humano. Não podiam negar que um Deus bom criara um mundo normal e natural; e não podiam dizer que o demônio fizera o mundo, porque não eram maniqueus.”

“Milhares de entusiastas do celibato, na era da grande corrida para o deserto ou para o claustro, poderiam ter chamado pecado ao casamento, se considerassem somente os seus ideais individuais, à moda moderna, e os seus sentimentos imediatos a respeito do casamento. Felizmente, tinham de aceitar a autoridade da Igreja, que definira não ser pecado o casamento. Uma religião moderna e emotiva poderia, em um momento, ter transformado o Catolicismo no maniqueísmo. Mas, ainda que o sentimento religioso tornasse os homens loucos, lá estava a teologia para os curar.”

“Neste sentido é que surge Santo Tomás como o grande teólogo ortodoxo, que recordou aos homens a doutrina da criação, quando muitos deles se inclinavam ainda para o pessimismo e a destruição. É ridículo que os críticos do medievalismo citem uma centena de frases medievais, que parecem tocadas de simples pessimismo, sem no entanto compreender o fato central: que os homens medievais não se importavam com ser antigos ou modernos e não aceitavam a autoridade de uma disposição por ela ser melancólica, mas importavam-se muitíssimo com a ortodoxia, que não é uma disposição ou inclinação.”

Abaixo – mais Chesterton! – há um vídeo ao qual tive acesso graças ao blog do prof. Angueth. Trata-se da dramatização de um debate que aconteceu de fato entre o ateu Robert Blatchford e Gilbert Chesterton. Quem já leu “Ortodoxia” vai encontrar, no vídeo, muitos dos argumentos utilizados pelo teólogo católico para a defesa da existência de milagres. Para quem está acostumado a ver debates entre neo-ateus e filósofos cristãos contemporâneos na Internet, a proposta é realmente muito interessante. Vale à pena assistir.

A propósito – e tomei conhecimento disto pelo blog do Fábio Luciano –, no último dia 14 completaram-se 75 anos da morte de Chesterton. Que os católicos de nosso país possam tomar mais conhecimento da rica obra deste grande escritor britânico.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!