O sacerdote antropólogo – que não batizou nenhum indígena

Eis aqui uma daquelas notícias que não podemos deixar de comentar. Pelo Fratres in Unum, tomamos conhecimento do trabalho aparentemente “missionário” do padre Silvano Sabatini, que permaneceu por 40 anos convivendo com os indígenas em terras amazônicas. Sem sombra de dúvida, é deveras importante o esforço evangelizador da Igreja nestes lugares em que é notável um apreço pela cultura religiosa. Na maioria dos lugares, o que se vê é a perda de noção do Sagrado, a massiva adesão a uma forma de pensamento materialista, que suprime o pensamento religioso em nome da razão e do progresso.

Pois bem, voltando ao caso do referido sacerdote, este decidiu contar suas experiências em um livro (em português: “O sacerdote antropólogo. Entre os indígenas da Amazônia”). Na obra, Sabatini faz um relato escabroso: “Não batizamos nenhum ianomâmi (…) porque estávamos convencidos de que não tinha sentido batizar uma pessoa fora da comunidade e que é a cultura que deve ser evangelizada: o homem tem direito a ter sua cultura e deve encontrar nela a forma de se expressar de maneira cristã. Batizar fora da comunidade significaria criar no batismo uma dupla personalidade.”

Como é? Um sacerdote católico vai a uma aldeia indígena, permanece lá por longos quarenta anos, e não ministra o Sacramento do Batismo, necessário para a salvação, a nenhum indígena sequer? Isto só pode ser piada… O nome disto está entre os sinônimos de “piada”, porque, definitivamente, esta não é uma “missão”, em seu sentido católico. Segundo o decreto Ad Gentes, do Concílio Vaticano II,

“A missão da Igreja realiza-se (…) mediante a atividade pela qual, obedecendo ao mandamento de Cristo e movida pela graça e pela caridade do Espírito Santo, ela se torna atual e plenamente presente a todos os homens ou povos para os conduzir à fé, liberdade e paz de Cristo, não só pelo exemplo de vida e pela pregação mas também pelos sacramentos e pelos restantes meios da graça, de tal forma que lhes fique bem aberto caminho livre e seguro para participarem plenamente no mistério de Cristo” (n. 5).

A doutrina da Igreja é muito clara quando coloca a importância suprema do Batismo para a salvação dos homens. Para corroborar este ensinamento, não faltam exemplos. Desde o início da pregação apostólica, são inúmeros os relatos de pessoas que, recebendo a fé em Cristo morto e ressuscitado, recebem o Batismo para a remissão dos pecados. E por que os que desejavam incorporar-se à Igreja recebiam este sacramento? Porque os Apóstolos estavam atentos àquela exortação de seu Mestre: “Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos prescrevi” (Mt 28, 19-20).

Estas são as palavras do Fundador! E quem quer que desejasse segui-Lo deveria aderir ao que Ele diz… Mas, em nossos tempos, não é bem assim. Os intelectuais de nossa época aplaudem um hipócrita que negligencia a missão de salvas as almas dos homens em nome do “respeito à cultura alheia” e do “convívio fraternal com as diversas crenças”. Esta forma de fazer antropologia, que descuida dos preceitos mais basilares de nossa Fé – e ainda se orgulha disso -, é uma amostra de como podem ir longe estes “evangelizadores modernos”, que, esquecidos da necessidade de serem leais à mensagem do Evangelho, fazem dos terrenos de missão fossas para depositarem suas fezes.

Ficamos com o Catecismo: “A Igreja não conhece outro meio senão o Batismo para garantir a entrada na bem-aventurança eterna” (§ 1257). Oxalá todos os membros da Igreja tivessem a ousadia de… serem católicos.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Vazio musical, sinônimo de vazio cultural

O quarteto da pesada: Beethoven, Mozart, Vivaldi e Bach

Mentes vazias não se contentam com o silêncio. Uma sociedade esvaziada da cultura perde todo o seu valor. O ponto a que chegou a nossa cultura musical, hoje, é simplesmente reflexo de uma sociedade sem cultura, ou melhor, com os valores culturais às avessas. Não que a música tenha perdido o seu valor, mas foram as pessoas que denegriram o valor da música, ou melhor: que denegriram-se a si próprias e acabaram por afetar todas as suas outras ações culturais, sentimentais e também religiosas. Recordo-me que desde muito pequeno já fora sido eu formado, de forma aprazível, por minha mãe, para apreciar a música erudita ou as boas músicas, que deixam alguma mensagem ou nos fazem contemplar o transcendente.

A música, que sempre serviu para o engrandecimento de Deus ou para a expressão de um sincero sentimento, agora tornou-se um viés de violência e depravação humana. O que antes cultuava o espírito e procurava engrandecer e enaltecer a poderosa manifestação divina, agora rebaixa o homem à condição de um mero animal ávido de realizar seus prazeres. A partir do momento que a música deixa de transparecer as belezas presentes no mundo e além dele; a partir do momento que ela já não mais é instrumento do amor e da expressão da pureza sentimental; quando ela deixa de ser uma expressão da alma e passa a ser expressão de uma realidade ignominiosa; em resumo: a partir do momento que ela é desvirtuada destas suas funções, ela deixa de ser manifestação de um sobrenatural divino, transcendente, para ser instrumento diabólico.

A música (do grego μουσική τέχνη – a arte das musas), como o próprio termo já sugere, é arte. Não é apenas uma prática cultural e humana, mas vejo-a como uma expressão da própria alma; aliás, as obras de arte, a pintura, a música, a arquitetura têm alma. A alma neste caso não é a conhecida por nós, que vivifica o homem, mas é um conjunto de capacidades ou possibilidades que cada homem ou cada coisa possuem em particular, em maior ou menor participam.

Na tentativa de definir-se a música dão-se muitos conceitos, nenhum deles, porém, definitivos e satisfatórios. É vista como “arte do efêmero”, mas eu prefiro vê-la como “expressão do inexpressível”, sabendo que ela não pode ser enquadrada em um conceito. O que é inexpressível menos ainda há de ser definível. Tão complexo quanto definir o tempo é definir a música. O que, no entanto, faz com que a música seja música? Certamente não será outra coisa senão a sua essência. Para a Filosofia a essência é aquilo que define a coisa; que faz com que ela seja esta coisa e não outra.

Santo Agostinho dirá que todas as coisas são belas pois trazem intrínsecas em si uma harmonia musical. No seu De Musica ele pergunta – ao mesmo tempo instigando-nos a descobrir na música as maravilhas do existir: “Podemos amar outra coisa senão a beleza? Mas é a harmonia que agrada na beleza; ora, nós já vimos, a harmonia é o resultado da igualdade nas proporções. Esta proporção igual não se acha apenas nas belezas que são do domínio do ouvido ou que resultam do movimento dos corpos, mas ela existe ainda nessas formas visíveis, às quais damos mais comumente o nome de beleza” (S. Agostinho, De Musica, VI, 13, 38).

A beleza musical consiste sobretudo na interiorização do que escuta-se. Não se deve – ao menos em meu ponto de vista – escutar a música, no sentido mais restrito da palavra. Esse método vazio tem feito com que qualquer combinação de sons, com letras vazias e depreciativas dos valores humanos e da dignidade da pessoa, fosse chamada de música.

“Se, para compor música, só fosse necessário obedecer às leis da harmonia e aos princípios formais de desenvolvimento, todos seríamos grandes compositores; mas é a ausência do sentido melódico que nos impede de atingir excelência musical simplesmente comprando um manual de música” (N. R. CAMPBELL, Physics; The Elements, 1920, p. 130).

É preciso sentir a música, deixar-se invadir pelos bons sentimentos que ela permite passar. Que a música não seja apenas agradável aos ouvidos, mas também a alma. O contexto da hodierna sociedade vê-se tomado, de forma avassaladora, pelas mais macabras letras musicais e melodias – se é que podemos chamá-las de músicas. Dos grandes compositores – dentre os quais os meus preferidos: Chopin, Mozart, Beethoven e Bach – tínhamos expressões vivazes de uma cultura salutar, fundamentada não apenas nos valores que os homens têm em sua cultura como também nos valores evangélicos.

O Papa Bento XVI, também profundo amante da música erudita, afirmou em seu discurso após um concerto que lhe fora oferecido em ocasião do seu 60º aniversário de ordenação sacerdotal, onde foram entoadas peças de Vivaldi e de Bach:

De Vivaldi, diz ele: “Era um sacerdote católico, fiel ao seu Breviário e às suas práticas de piedade. A escuta da sua produção de música sacra revela o seu espírito profundamente religioso”.

De Bach: “Tinha uma concepção profundamente religiosa da arte: honrar a Deus e voltar a criar o espírito do homem. A escuta da sua música evoca quase o correr de um regato, ou então uma grandiosa construção arquitetônica, em que tudo está harmoniosamente amalgamado, como se procurasse reproduzir aquela sintonia perfeita que Deus gravou na sua criação. Bach é um maravilhoso «arquiteto da música», com um uso sem igual do contraponto, um arquiteto norteado por um tenaz ésprit de géometrie, símbolo de ordem e de sabedoria, reflexo de Deus, e assim a racionalidade genuína torna-se música no sentido mais elevado e puro, beleza resplandecente.”

Sobre Mozart, diz o Santo Padre a respeito de suas músicas: “é uma alta expressão de fé, que conhece bem a tragicidade da existência humana e que não cala sobre seus aspectos dramáticos, e por isto é uma expressão de fé propriamente cristã, consciente que toda a vida do homem é iluminada pelo amor de Deus”

O Sumo Pontífice reconhece e aponta os aspectos destes grandes compositores: pessoas que tinham uma relação íntima com Deus e que compunham mais com o espírito do que com a razão. Agora, ao contemplar as músicas que hoje se-nos apresentam, fico perplexo com a formação que estamos atribuindo às gerações futuras. Amar a beleza é imprescindível na existência humana. Esta beleza, no entanto, não é adjetiva, não deve ser tomada aqui como algo que parte do exterior, um culto hedonista, entretanto é algo que brota do coração, que dá sentido a vida do homem e nos torna perceptíveis de uma realidade: Tudo o que vem de Deus é belo, desta forma só na beleza se pode encontrar Deus.

O ser humano não pode reconhecer Deus enquanto vive à sobra do que não lhe apraz, do que não o edifica, do que o torna meramente um objeto; mas só poderá encontrar Deus e fazer a “experiência” de Deus no que é aprazível aos olhos do coração e da fé. Na dinâmica da vida paradoxos são necessários. O que parece contrário, no entanto, para nada mais serve a não ser para a nossa edificação, para a nossa solidificação em Deus. Na experiência do mundo nós experimentamos o que ele nos oferece, mas na dinâmica de Deus nós oferecemos o que experimentamos.

Reclamamos o governo de distribuir camisinhas nas escolas, de mostrar a devassidão na TV, de propagar a imoralidade em novelas e reality shows, mas esquecemos de criticar mais uma coisa: As músicas que são permitidas e que muitas vezes ganham verbas das autoridades para serem propagadas pelo Brasil a fora. Do outro lado o governo critica a prostituição. Hipócritas! Imorais! Vocês querem acabar com a prostituição permitindo que as mulheres sejam denegridas e ofendidas, sendo rebaixadas a meros objetos? Vocês querem ser chamados “representantes do povo” para destruírem as famílias? Quem busca destruir as famílias e os valores não são “representantes do povo”, mas legítimos representantes de Satanás.

Às famílias, primeiras educadoras, cabem seguir claramente os conselhos de São Paulo: “Examinai tudo: guardai o que é bom” (1 Ts 5, 21). Cabe aos país educarem seus filhos para que não se deixem levar por esse redemoinho de imoralidades. Que a educação dos filhos e a formação dos valores éticos e dos valores da moral cristã sejam prioridades no berço familiar. Não esperemos que o governo eduque; nem que somente a Igreja eduque, mas que também vós possais, desde já, formar vossos filhos como verdadeiros cidadãos e verdadeiros cristãos.

Não irei entrar mais em detalhes e muito menos irei avaliar letras de músicas, apenas desejei fazer uma reflexão geral entre a música que as crianças, jovens e adultos estão habituados a escutarem hoje e a música que verdadeiramente podemos denominar como música, arte, obra. Se quisermos ter um país melhor, se queremos edificar cidadãos melhores, creio que precisaríamos reformular também a nossa cultura, pois uma só é a causa de tamanha lástima: A perda de valores.

A Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2012

Seguindo a tradição quaresmal de todos os anos escrever sobre o tema da Campanha da Fraternidade, proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil “para melhor vivermos este tempo de penitência” – o que nem sempre de fato acontece -, proponho-me a fazer uma breve reflexão a respeito da “Fraternidade e Saúde Pública”.

Com efeito, neste ano de 2012, é este o tema ao qual será dado enfoque especial: a saúde pública. Pergunta-se: Como seria possível viver bem este tempo da Quaresma e, ao mesmo tempo, propor-nos a olhar com especial atenção esta Campanha da Fraternidade? Antes de mais nada, aconselhamos que seja lida a mensagem do nosso Santo Padre ao Cardeal Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB, justamente por ocasião da CF 2012. Em poucas linhas, o Papa Bento XVI explica que, especialmente para nós, católicos, o lema da campanha – “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Eclo 38, 8) – “é uma lembrança de que a saúde vai muito além de um simples bem estar corporal”. Destaco:

“No episódio da cura de um paralítico (cf. Mt 9, 2-8), Jesus, antes de fazer com que esse voltasse a andar, perdoa-lhe os pecados, ensinando que a cura perfeita é o perdão dos pecados, e a saúde por excelência é a da alma, pois ‘que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?’ (Mt 16, 26). Com efeito, as palavras saúde e salvação têm origem no mesmo termo latino salus e não por outra razão, nos Evangelhos, vemos a ação do Salvador da humanidade associada a diversas curas: ‘Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo o tipo de doença e enfermidades do povo’ (Mt 4, 23).”

Convém, portanto, primeiramente, que lembremo-nos da “cura perfeita”: “o perdão dos pecados”. O tempo da Quaresma é especial para buscarmos o Sacramento da Penitência. Nele, através de um sincero arrependimento de nossas faltas, achegamo-nos ao tribunal da misericórdia do Altíssimo e imploramo-Lo a cura de nossa alma, a nossa saúde espiritual, cuja importância supera – é o Papa quem o diz – a saúde física.

Aqui, faz-se importante traçar algumas rápidas considerações a respeito do que infelizmente a Campanha da Fraternidade tem se tornado em muitas paróquias pelo Brasil afora. Ao invés de convidar os cristãos a um tempo de penitência e oração, em muitas igrejas este apelo litúrgico é substituído pela lembrança de temas que, da maneira como são abordados, não colaboram – nem de longe – para fazer nascer no coração dos fiéis o espírito de jejum, mortificação e ascese. Por isto a necessidade de ler esta última mensagem do Papa. Ela impede – ou pelo menos tenta evitar – que os teólogos da libertação façam da Campanha da Fraternidade apenas mais um “movimento de conscientização social” ou de “mobilização popular”; ao mesmo tempo, recorda aos pastores da Igreja que uma CF verdadeiramente católica não deve dar atenção especial às coisas deste mundo, perecíveis, mas sim àquilo que de fato importa: a glória de Deus, a salvação das almas, a conversão da Igreja.

Quanto ao tema deste ano – “Fraternidade e Saúde Pública” – consideremos o seguinte: a saúde pública de nosso país presta auxílio aos enfermos, e a Igreja, neste tempo de Quaresma, chama os fiéis a praticarem a esmola. O chamado parte do próprio Cristo no Evangelho da Quarta-Feira de Cinzas. Pois bem, aqui está: por que não unir a preocupação que a Igreja desde o princípio manifestou para com os doentes e moribundos a uma ação efetiva de caridade, virtude fora da qual definitivamente não é possível viver uma boa Quaresma?

“Saúde pública”! Esta expressão infelizmente nos remete aos últimos discursos dos defensores da legalização do aborto em nosso país… Sob o lema “Aborto é questão de saúde pública”, os detratores da vida humana fazem um estardalhaço, minimizam o valor da dignidade do ser humano – chegando a compará-lo a um mosquito -, banalizam a benção que é a criança na vida de uma família – merece nota esta feminista que, além de odiar crianças, declara que seria capaz de matar um bebê para que calasse a boca – e, por fim, chegam a manipular dados e estatísticas para defender suas ideias. Esta verdadeira guerra que os servos da “cultura de morte” fazem contra o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, só mostra como o tema “saúde pública” pode ser distorcido em favor de ideias tirânicas e homicidas.

Esta Quaresma é oportunidade para que travemos este difícil combate, que é, acima de tudo, espiritual. Por meio da esmola, do jejum, da oração – e também do apostolado pró-vida -, é possível, sim, entrar no deserto da preparação para a Páscoa de nosso Senhor e viver, com fruto, a Campanha da Fraternidade deste ano.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos dê vivenciarmos uma santa Quaresma; e, ao mesmo tempo, livre nossa nação da maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Um Deus se tornou louco de amor pelos homens

“É coisa agradável ver-se alguém estimado por uma alta personagem, tanto mais se esta estiver disposta a felicitá-lo com uma grande fortuna. Oh! quanto mais agradável e estimável nos deverá ser o ver-nos amados por Deus, que nos pode transmitir uma fortuna eterna? Na antiga lei o homem podia duvidar se Deus o amava com ternura. Depois, porém, de vê-lo sobre um patíbulo derramar seu sangue e morrer, como poderíamos ainda duvidar que ele nos ama com toda a ternura possível? Minha alma, contempla o teu Jesus, como ele está pendente na cruz, todo chagado: eis como ele te demonstra bem claramente por suas chagas o amor de que está repleto seu coração. “O segredo do coração se revela pelas chagas do corpo”, diz S. Bernardo. Meu caro Jesus, aflige-me ver-vos morrer sob a pressão de tantas dores nesse madeiro de opróbrio, mas tudo me consola e me inflama em amor por vós, conhecendo por meio dessas chagas o amor que me tendes. Serafins do céu, que pensais da caridade de meu Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim?”

“Afirma S. Paulo que os pagãos, ouvindo pregar que Jesus foi crucificado por amor dos homens, tinham isso em conta de uma loucura inacreditável: Nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, que é para os judeus um escândalo e para os pagãos uma loucura (1 Cor 1, 23). Como é possível, diziam, crer que um Deus onipotente, que não precisa de ninguém para ser sumamente feliz, tenha querido fazer-se homem para salvar os homens e morrer numa cruz? Seria o mesmo que crer que um Deus se tornou louco de amor pelos homens. E, assim pensando, recusavam aceitar a fé! Esta grande obra da redenção, que os pagãos julgavam e chamavam uma loucura, sabemos nós que Jesus a empreendeu e realizou. Vimos a sabedoria eterna, diz S. Lourenço Justiniano, o Unigênito de Deus tornado como louco, por assim dizer, pelo amor excessivo que tinha aos homens. Sim, porque não deixa de ser uma loucura de amor, ajunta o cardeal Hugo, querer um Deus morrer pelo homem.”

- Santo Afonso de Ligório,
A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo
– Piedosas e edificantes meditações
sobre os sofrimentos de Jesus”, volume 1
,
opúsculo 1, capítulo 2, 8-9

Papa Bento XVI: “O tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça”

“Depois do batismo de penitência do Jordão, no qual assume sobre si o destino do Servo de Deus que renuncia a si mesmo e vive pelos outros e se coloca entre os pecadores para tomar sobre si o pecado do mundo, Jesus se refugia no deserto para estar quarenta dias em profunda união com o Pai, repetindo assim a história de Israel, todos aquelas sequências de quarenta dias ou anos os quais citei [cf. Gn 7,4.12; 8,6; Ex 24,18; Dt 8,2.4; Jz 3,11.30; 1 Re 19,8]. Esta dinâmica é uma constante na vida terrena de Jesus, que procura sempre um momento de solidão para orar ao seu Pai e permanecer em intima comunhão, em intima solidão com Ele, em exclusiva comunhão com Ele, para depois retornar para o meio das pessoas. Mas neste tempo de ‘deserto’ e de encontro especial com o Pai, Jesus se encontra exposto ao perigo e é invadido pela tentação e pela sedução do Maligno, o qual o propõe uma outra via messiânica, longe do projeto de Deus, porque passa através do poder, do sucesso, do dinheiro, do domínio e não através do dom total na cruz. Esta é a alternativa: um messianismo de poder, de sucesso ou um messianismo de amor, de dom de si.”

“Esta situação de ambivalência descreve também a condição da Igreja no caminho no ‘deserto’ do mundo e da história. Neste deserto, nós cristãos temos certamente a oportunidade de fazer uma profunda experiência com Deus que faz forte o espírito, confirma a fé, nutre a esperança, anima a caridade; uma experiência que nos faz participantes da vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte mediante o sacrifício de amor na cruz. Mas o ‘deserto’ é também o aspecto negativo da realidade que nos circunda: a aridez, a pobreza das palavras de vida e de valores, o secularismo e a cultura materialista, que fecham a pessoa no horizonte mundano do existir diminuindo toda referência à transcendência. É este também o ambiente no qual o céu que está sobre nós é obscuro, porque está coberto pelas nuvens do egoísmo, da incompreensão e do engano. Apesar disso, também para a Igreja de hoje, o tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça, já que temos a certeza que também da rocha mais dura, Deus pode fazer brotar água vida que mata a sede e restaura.”

- Papa Bento XVI, Audiência Geral
22 de fevereiro de 2012

Quaresma: Momento favorável para a conversão

Mais uma vez somos convidados pela Igreja ao tempo quaresmal. Neste período faz-se ecoar em nosso coração o clamor do Senhor: “Voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Joel 2, 12-13). Deter-me-ei primeiramente nesta profecia para melhor adentrarmos ao mistério celebrado.

Como, neste dia de Cinzas e início de Quaresma, poderemos nos esvaziar de qualquer sentimento de engrandecimento e prepotência e rasgarmos o coração? Como poderemos mostrar a outros que o que realmente Deus olha é o coração e não o exterior? Primeiramente tenhamos em mente que é necessário testemunharmos. É preciso que o cristão seja uma testemunha veemente do evangelho. Nada mais nos pede o Senhor, senão que rasguemos os corações. E por que nos pede que rasguemos o coração e não as vestes? Por que as vestes se rasgam mas não se vê o coração, e o coração rasgado, ainda que não se rasguem as vestes, pode ser visto. A ascese neste período constitui algo fundamental na experiência da humildade cristã e nos faz reconhecer que nada somos, mas Deus é tudo e Ele tudo pode.

É triste vermos, pois, que a nossa sociedade não mais quer voltar-se à Deus, senão aos prazeres e efemeridades que este mundo oferece. O mundo necessita de Deus! Deus está próximo do mundo, mas o mundo não quer estar próximo dEle. Ainda clamamos, em comunhão com toda a Igreja: O Senhor quer perdoar-vos! Ele é um Deus amoroso! Achegai-vos a Ele! É sabido que ninguém pode resistir sem Deus. Qualquer sociedade sem Deus jamais, por si só, ficará de pé. É Deus quem sustenta todos os homens, e os fortalece em sua caminhada. Quando parecemos estar sós, quando parecemos desesperançados, Deus nos estende a mão, manifesta sua misericórdia e nos convida a levantar novamente. Não estamos sós nestas provações, estamos com Deus! Não rasguemos as vestes pois elas não demonstram o que somos, rasguemos o coração, para que vendo o nosso amor outros também o façam.

Neste sentido, as Cinzas, impostas hoje em nossa cabeça pelos sacerdotes, demonstram o que somos: pó, e é ao pó que retornaremos. Nada somos! Somos criados à imagem e semelhança de Deus. Não fisicamente nos assemelhamos a Ele, mas o nosso espírito deve ser semelhante. Que semelhança a criatura pode ter com o que Lhe fez? O amor! O amor nos assemelha a Deus. Um amor que deve ser incondicional. E ponho-me muitas vezes a perguntar para que apegar-se tanto aos bens materiais? Para que arrogância e prepotência? Para que se fechar à sempre nova mensagem do Evangelho? Nossa vida assemelha-se a um sopro. Que seja sopro do Espírito Santo, e não das frivolidades que tentam impor-se em nossa cultura.

Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteri – Lembra-te que és pó e ao pós hás de voltar”. Claro está que com esta frase, dita pelo sacerdote na imposição das cinzas sobre nossas cabeças, resume-se todo o sentido da nossa espiritualidade quaresmal. O brado evangélico da salvação associa-se a estas palavras da Escritura. Não é a vivência da vida de forma desenfreada que será para nós garantia de uma felicidade. “Recorda-te que é pó”. Mas o que precisamente simboliza este pó? Em primeiro lugar devemos recordar que não significa um período que se esvai da nossa vida reduzido a mera finitude deste mundo, e, portanto, uma parte que pode ser apagado, mas vai além disso: O pó recorda-nos que nada somos, que nossa vida não é eterna; que não persiste a matéria, mas a nossa alma que transcende a Deus. O verdadeiro sinônimo de felicidade não pode ser encontrado se não estiver totalmente radicado na perspectiva evangélica da conversão.

Na segunda leitura São Paulo convida-nos a reconciliarmo-nos com Deus. Eis o momento propício para que o mundo se volte a Ele. Voltemo-nos hoje! Agora! Deixai de lado a mediocridade que levais em vossas vidas. “’No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri’. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2 Cor 6,2). Este clamor de Paulo, perpassados dois mil anos, convida-nos a deixar de lado este velho homem. Deixai de lado a vida laxa que levais! Cristo está a bater na porta e vós não escutais. Este momento favorável não virá, mas já está entre nós. É Deus quem nos socorre. A dualidade da vida de um homem faz com que ele perca todas as suas esperanças, sente-se só, isolado de toda uma realidade que parece estar além dele. Mas quem possui Deus, ainda que a vida oscile e manifeste-se em várias direções, a perseverança e o amor não deixaram que percamos nossa fé.

Só Cristo pode transformar qualquer situação de pecado em novidade de graça. Eis por que assume um forte impacto espiritual a exortação que Paulo dirige aos cristãos de Corinto: “Em nome de Cristo suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus”; e ainda: “Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação” (5, 20; 6, 2).

Hoje vos convido, irmãos, a mudarem de vida. Despi-vos do que era velho, o Senhor nos traz o que é novo. A cada Quaresma, preparando-nos para a Semana Santa, o Senhor faz-nos recordar a sua constante fidelidade e a sua maior prova de amor: a doação de seu Filho único. E creiam meus irmãos: nada é maior e nenhuma prova de amor maior podemos esperar do que esta grande e humilde atitude de Deus.

O mundo deixou-se contaminar pelo veneno de Satanás! Ele está procurando afastar-nos de Deus para nos atrair aos seus desejos, e admitamos que ele está a conseguir. E aqui o nosso Cristianismo deve fazer-se presente. Devemos fazer com que o próximo veja em nós o rosto de Cristo, sempre presente e acolhedor. Nossa Igreja não pode fundamentar-se em leis se em primeiro lugar a caridade não se fizer presente, pois do contrário será endurecida. A Igreja deve ter leis, deve prezar pelas alfaias e pela liturgia, mas se não prezar pela caridade antes de qualquer coisa, perderá toda a sua fundamentação e tudo tornar-se-á vazio.

Este ano o Santo Padre Bento XVI nos oferece como meditação quaresmal com a mensagem do autor sagrado: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24). Estas exortantes palavras tomam um grande sentido sobretudo ao contemplarmos a nossa sociedade secularizada, que já não mais coloca-se no exercício da caridade cristã. Peçamos ao Senhor que renove os nossos corações; que estejamos atentos para ajudar-nos uns aos outros na caminhada. Que sejamos capazes de despojar-nos dos nossos desejos e de todas as coisas que prendem a nossa atenção na superficialidade.

Que nesta Quaresma clamemos ao Senhor por um coração renovado, capaz de estar sempre disposto a perdoar e capaz de configurar-se a Cristo por meio disto. Que Maria Santíssima interceda sempre por nós!

Uma Santa Quaresma a todos!

As profecias da Humanae Vitae, de Paulo VI

Gostaria de aproveitar este tempo de Carnaval para escrever alguma coisa sobre as profecias feitas pelo Papa Paulo VI na encíclica Humanae Vitae, de 1968.

Primeiro, o que uma coisa tem a ver com a outra? Simplesmente tudo, caro leitor. No tempo do Carnaval parece que os hormônios da galera vêm à tona com muito mais força. Sim, há muita gente juntando as ferramentas de pesca e indo ao rancho para aproveitar o sossego da natureza; tem muita gente indo a um bom retiro espiritual para rezar e desagravar o Coração de Jesus; mas, ao mesmo tempo, há muitos – muitos mesmo! – aproveitando a festa para cair na gandaia, “encher a cara” e virar a noite sem pensar em nada, mais ou menos no estilo de “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!” (Is 22, 13; 1 Cor 15, 32).

Danças imorais, roupas extravagantes, sexo sem compromisso, bebedeira liberalizada… Todos estes retratos integram um álbum sujo que contam a história da modernidade. Mas um senhor velho, sentado numa cátedra bimilenar, já anunciava a vinda de todos os males que hoje contemplamos com tristeza no olhar. Queremos falar, aqui, de um modo mais específico, dos alertas de Paulo VI sobre os problemas que uma mentalidade contraceptiva traria à sociedade – problemas que já estamos experimentando. Todas as previsões acertadas deste Pontífice estão compendiadas no número 17 da encíclica Humanae Vitae. Destacamos:

http://3.bp.blogspot.com/_F68NpbGCqXI/SruLPKXpS7I/AAAAAAAADDA/2lGFikiS26I/s400/Paulo+VI+(3).JPG“Os homens retos poderão convencer-se ainda mais da fundamentação da doutrina da Igreja neste campo, se quiserem refletir nas consequências dos métodos da regulação artificial da natalidade. Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens – os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto – precisam de estímulo para serem féis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância. É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.”

“Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal.”

O Papa Montini expõe quatro consequências principais advindas da adoção generalizada dos métodos contraceptivos: (1) queda generalizada dos padrões morais; (2) um aumento na infidelidade e ilegitimidade; (3) a redução das mulheres a objetos utilizados para satisfação dos homens; e (4) coerção governamental em matérias envolvendo reprodução. Aparentemente, nenhum destes pontos é-nos estranho. Examinemo-los:

- Queda generalizada dos padrões morais. Mais do que padrões morais sendo derrubados, a própria existência de verdades morais objetivas vem sendo seriamente questionada nestes tempos de “ditadura do relativismo” em que vivemos. Os princípios de bem e mal são lentamente abolidos; ao invés, adota-se cada vez mais um princípio pragmático de pensamento: as ações do homem deveriam ser pautadas não pelo que é certo ou errado, mas pelo que é útil e vantajoso para o momento. As consequências passam até mesmo dos limites toleráveis, a ponto de lermos na Internet verdadeiras “apologias” de práticas vergonhosas, como a pedofilia. Contra estes, levanta-se o profeta Isaías: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!” (Is 5, 20).

Amargam o que é doce, também, aqueles que desnaturam o ato conjugal, doação íntima dos esposos, vivendo a sexualidade como uma mera busca de prazer. Ainda na Humanae Vitae Paulo VI explica que esta condenação da contracepção artificial “está fundada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador” (n. 12). Em nosso tempo, porém, estes dois significados parecem ter se divorciado. Mais: para muitos, nem mesmo o aspecto unitivo do ato conjugal é levado em conta, sendo substituído por uma “pseudounião”, uma doação momentânea, limitada à esfera da libido. Estes relacionamentos mais efêmeros – que podem durar uma só noite até – são cultuados, também por nosso governo. Basta assistir as propagandas confeccionadas para o tempo do Carnaval.

- Um aumento na infidelidade e ilegitimidade. Bom, falar de infidelidade no mundo contemporâneo é praticamente proibido, já que a noção de compromisso vem praticamente caindo em ostracismo. Mas, nos casos em que este ainda existe, está fragilizado por um generalizado desprezo pela virtude da castidade. Assim, se ainda não ocorreu por parte de um dos cônjuges uma traição de fato, certamente algum “já adulterou com ela [outra] em seu coração” (Mt 5, 28). Há casais que ainda vivem o amor entre si e lutam para viver a fidelidade, mas infelizmente o quadro geral é bem outro. A cultura pornográfica e hedonista de nosso século estimula a poligamia e incentiva os homens a evitarem o casamento, fazendo com que a própria instituição familiar entre em crise.

- A redução das mulheres a objetos utilizados para satisfação dos homens. Basta ouvir um pouquinho as músicas que fazem sucesso nas danceterias e nos bailes ultimamente… O funk é, por excelência, a música de coisificação da mulher – como também várias letras do axé. Em uma, ela é cachorra e “fica de quatro na mesa”; noutra, canta que está a disposição do homem com um “quero te dar”; nalgumas, não é tratada nem mesmo como mulher (só se ouve a referência ao seu órgão sexual, nada mais).

Essas músicas não são ouvidas por todos, é verdade. Mas são retratos de uma dura realidade: as mulheres não estão sendo devidamente respeitadas. Muitas mesmo não se dão ao devido respeito, se vestindo vulgarmente, se comportando indecentemente… No Carnaval esta sentença encontra seu ápice. Os desfiles das escolas de samba estão repletos de mulheres seminuas, dançando tanto para quem está na Sapucaí quanto para quem está em casa.

- Coerção governamental em matérias envolvendo reprodução. A China é o melhor exemplo do que um Estado totalitário, aliado a um neomalthusianismo sem escrúpulos, pode fazer. No país, prevalece, desde os anos 70, a Política do Filho Único. Os casais que ousam ter mais de um filho são punidos com multas altíssimas (isto quando o governo não obriga que a criança seja cruelmente privada de seu direito de viver).

Em nosso país, já começou a iniciativa de distribuir camisinhas nas escolas, iniciando as nossas crianças e adolescentes precocemente no mundo do sexo – isto sem falar das cartilhas vergonhosas que são distribuídas com o financiamento das autoridades públicas. Ora, então você sugere que evitemos a educação sexual em sala de aula? Sugiro que o tema seja abordado, mas de forma a se manter o pudor, pois sabemos muito bem que nem todos os pais concordam com esta política contraceptiva agressiva de nosso governo. O alerta do Papa Pio XII soa bastante conveniente neste momento de nossa história:

“O pudor sugere ainda aos pais e educadores os termos apropriados para formar, na castidade, a consciência dos jovens. Evidentemente, como lembrávamos há pouco numa alocução, ‘este pudor não se deve confundir com o silêncio perpétuo que vá até excluir, na formação moral, que se fale com sobriedade e prudência dessas matérias’. Contudo, com freqüência demasiada nos nossos dias, certos professores e educadores julgam-se obrigados a iniciar as crianças inocentes nos segredos da geração duma maneira que lhes ofende o pudor. Ora, nesse assunto tem de se observar a justa moderação que exige o pudor.”

- Sacra Virginitas, n. 57

Justa moderação! É por nos furtamos de observar esta justa moderação da qual fala o Venerável Pio XII que experimentamos hoje os frutos amargos de uma educação permissiva e irresponsável. É por desprezarmos os conselhos de Paulo VI que hoje observamos uma generalizada “degradação da moralidade” e dos bons costumes… É, é forçoso para muitos reconhecer, mas “é hora de admitir que a Igreja sempre esteve certa sobre a contracepção”.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Os abusos litúrgicos e a fumaça de Satanás na Igreja

http://mi-cache.legacy.com/usercontent/ns/photos/152753238.jpgx?w=280&h=244&option=1“O Papa Montini, por Satanás, queria indicar todos aqueles padres ou bispos e cardeais que não rendem culto ao Senhor, celebrando mal a Santa Missa por causa de uma errônea interpretação e aplicação do Concílio Vaticano II. Ele falou da fumaça de Satanás porque sustentava que aqueles prelados que faziam da Santa Missa uma palha seca em nome da criatividade, na verdade estavam possuídos da vanglória e do orgulho do Maligno. Portanto, o fumo de Satanás não era outra coisa além da mentalidade que queria distorcer os cânones tradicionais e litúrgicos da cerimônia Eucarística.”

Cardeal Virgílio Noé, explicando o que Paulo VI queria dizer com “fumaça de Satanás” na Igreja

Padre Paulo fala sobre inculturação e profanação da Liturgia

http://beinbetter.files.wordpress.com/2012/02/446602_us_missa_afro_mundo_209_279.jpg?w=279Digite “abusos litúrgicos” no Google e se prepare… para sofrer um infarto! As fotos são horríveis… É coroinha levantando patena na hora da doxologia, é a Comunhão sendo oferecida aos fiéis em vasos de vidro, é indivíduo fantasiado de sei-lá-o-quê dançando em frente ao altar, é padre levantando a sagrada Hóstia enquanto, ao lado, tem um carinha segurando um espeto de churrasco (esta é particularmente escandalosa), enfim, enfim… É preciso confessar que, em muitos lugares de nosso país, o Santo Sacrifício do altar não vem sendo devidamente celebrado. E respeitado.

Por isto recomendo que assistam ao último “A Resposta Católica”, no qual padre Paulo Ricardo responde se as Missas ditas “inculturadas” são permitidas. Abaixo, transcrevi alguns trechos do vídeo, para maior conforto dos leitores. Aproveitem.

(…)

Inculturação é simplesmente tirar aqueles elementos que iriam perturbar a compreensão da Missa e do Santo Sacrifício naquela cultura específica, mas isso não se faz espontaneamente, não se faz a partir do alvitre do celebrante, e nem sequer de Bispos locais. É necessário que haja a aprovação da Santa Sé. As pessoas que celebram esse tipo de Missa estão violando um direito fundamental dos fiéis. O Código de Direito Canônico, quando coloca os direitos dos fiéis em geral, diz o seguinte, no cânon 214: “Os fiéis têm o direito de prestar culto a Deus segundo as determinações do próprio rito aprovado pelos legítimos Pastores da Igreja”.

É um direito do fiel. Ou seja, um fiel, quando vai à igreja, tem o direito de receber a Missa da Igreja, não a Missa do padre. Agora, é evidente que padres e celebrantes gemam diante deste cânon. Por quê? Porque está tirando deles a possibilidade de ser um tiranete. Ou seja, “eu sou o pequeno ditador que diz como a Missa será”… É evidente que equipes de Liturgia gemam diante deste cânon. Porque equipes de Liturgia, criativas, que querem começar a Missa com a bênção final e terminá-la com a procissão de entrada (…), essas pessoas que querem tudo de cabeça para baixo, irão protestar… Mas, que alívio para os fiéis! Que alívio para os fiéis saber que a Igreja os defende e defende seus direitos; que quando eu vou à Missa, eu não quero ser refém do celebrante e da equipe de Liturgia; quando eu vou à Missa, eu quero saber como ela começa, tem o seu prosseguimento, segundo os ritos, e como é que ela acaba… Que bom saber que a Missa pode e deve ser respeitada!

Uma outra realidade é o fato de que essas Missas “inculturadas” (…) são, na verdade, Missas dessacralizadas. Existe algo de profundamente errado, antropologicamente errado, nessas Missas, que é o seguinte: Quando você vai a um terreiro de macumba, as vestes que as pessoas estão oficiando o sacrifício são vestes diferentes, os ritmos, a música, são ritmos e músicas diferentes, existe naquela religião um sentido do sagrado. Ou seja, a pessoa que está realizando aquele culto afro-brasileiro, ela não está nem se vestindo e nem se comportando como ela faz no dia-a-dia. Porque existe um princípio antropológico básico de que o culto se presta com algo diferente do dia-a-dia. Ou seja, existe o sagrado, existe o secular, o profano, aquilo que eu faço no dia-a-dia. O culto a Deus é prestado com algo diferente do meu dia-a-dia. (…)

A Igreja sempre viveu dentro desta verdade antropológica. Nós tínhamos uma música sagrada – o gregoriano -, roupas sagradas – os paramentos litúrgicos -, textos sagrados, havia toda uma realidade sagrada… Eu estou usando “havia” não porque foi abolido, mas “havia” porque as pessoas jogaram fora, jogaram fora o patrimônio da Igreja! Tudo isto ainda existe, ainda está aí, e não foi o Vaticano II que acabou com isso… Essas pessoas que dizem isso (…) jamais le[ram] uma linha do Vaticano II. Eu desafio você a encontrar na Sacrosanctum Concilium qualquer tipo de aprovação deste tipo de maluquice litúrgica. Não há… E isso jamais passou pela antecâmara do cérebro dos padres conciliares.

(…)

Pois bem, aqui está a realidade. Estas Missas – assim chamadas “inculturadas” – deveriam se chamar Missas profanadas, dessacralizadas, Missas onde o sagrado agora já não existe, existe somente o profano. Você (…) usa a roupa profana, usa uma roupa que não foi pensada para o culto, colocam-se danças que não são danças sagradas, colocam-se ritmos que não são ritmos sagrados, tudo isto dentro da Missa. Ora, mesmo que fossem ritmos e danças sagradas, ninguém teria a autorização de inserir nada sem a licença da Santa Sé, porque é necessário apresentar à Santa Sé primeiro para que ela aprove qualquer modificação dentro do rito, porque a Santa Sé está aí para tutelar a Tradição ritual da Igreja, a validade dos Sacramentos, a retidão da fé, e, nesse caso, o direito dos fiéis. Então, vejam, este tipo de Missa não somente não tem cabimento, mas como não tem verdade antropológica.

Uma terceira coisa: este tipo de Missa não tem verdade teológica. Ou seja, se você for ver, todas estas inserções, estes tipos de rituais, foram feitos por pessoas que não entendem absolutamente o que é o verdadeiro rito da Missa. A Missa é a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, é o Santo Sacrifício Eucarístico. Todas essas inculturações sempre (…) vão na direção de “festosas” celebrações comunitárias, onde o Sacrifício de Cristo na Cruz fica encoberto, esquecido, quase que ausente. Por quê? Porque o que é importante é aquilo que você é, o importante é aquilo que nós temos no dia-a-dia, trazer o profano pra dentro da Igreja.

Chamar isto de profanação talvez seja literal demais. Mas é isto que está acontecendo.

O governo e a sua nova propaganda de Carnaval

O Carnaval está chegando e, com ele, muita coisa precisa – novamente – ser dita. A princípio, gostaria de parabenizar os católicos que, desejosos de imitar o modelo dos Santos, anseiam aproveitar a festa para participar de um retiro, reunir a família ou mesmo ir a uma festa mais moderada, com menos promiscuidade e mais responsabilidade.

O lembrete que faço é uma advertência do Catecismo:

2339. A castidade comporta uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz. A dignidade do homem exige que ele possa agir de acordo com uma opção consciente e livre, isto é, movido e levado por convicção pessoal e não por força de um impulso interno cego ou debaixo de mera coação externa. O homem consegue esta dignidade quando, libertado de todo cativeiro das paixões, caminha para o seu fim pela escolha livre do bem e procura eficazmente os meios aptos com diligente aplicação.”

É importante lembrar que esta “aprendizagem do domínio de si” é sempre coisa a se aperfeiçoar. Não podemos nos julgar suficientemente fortes, de modo que nos esqueçamos de procurar os meios de conservar viva em nós a virtude da castidade. “O domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo”, lembra o mesmo Catecismo. Regra importante quando o assunto é castidade: buscar as forças em nós mesmos é um erro. É certo que de nós parte a atitude de evitar as ocasiões de pecado e fugir da ociosidade; mas tudo isto sem uma assiduidade nos Sacramentos – e na oração – significa que estamos confiando demais em nós mesmos, esquecendo-nos que a castidade “é também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual”.

* * *

Agora, parênteses. Acho não ser nem preciso lembrar que esta luta pela castidade é um verdadeiro “ir contra a corrente”. Apreendemos muito bem o modelo perverso de vida que os meios de comunicação propagam e as próprias instituições federais incentivam. Chega ao nosso conhecimento, pelo blog do Reinaldo Azevedo, uma propaganda do Ministério da Saúde, fomentando o sexo irresponsável e o uso da camisinha. O lema da propaganda é “Na empolgação, rola de tudo, só não rola sem camisinha”; se parece com aquele slogan de dois carnavais passados [“Seja qual for sua fantasia, use camisinha”], que já tinha comentado aqui. Só que, desta vez, o governo conseguiu ir ainda mais longe: a campanha contava com um vídeo de conteúdo “homoafetivo” (ao lado, imagens retiradas do vídeo).

A propaganda já foi retirada do site do Ministério da Saúde. No site Agência Brasil: “De acordo com a assessoria de imprensa do ministério, o vídeo foi feito para ser exibido exclusivamente em locais fechados, que recebem público homossexual, e não deveria ter sido disponibilizado na internet. Segundo o ministério, a postagem do vídeo no portal foi ‘um equívoco’.”

Equívoco ou não, o governo vai continuar promovendo campanhas deste tipo, incentivando o sexo sem compromisso; a família cristã continuará sendo atacada despudoradamente pelos meios de comunicação em massa e os nossos cidadãos permanecerão sendo taxados de moralistas pelos defensores dos maus costumes. Mas, “não arredaremos o pé”. Concordamos com Reinaldo Azevedo: “A camisinha é só uma barreira física. O que realmente pode combater a doença [a AIDS] são as interdições morais.Uganda está aí para confirmar esta que também é a posição do Papa.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* * *

Leia também: Epidemia de AIDS: tem culpa eu?, do blog O Catequista.