Fiasco feminista

28 de setembro é o “Dia Latino-Americano pela Legalização do Aborto”.

Ora, devem estar surpreendidos os que até então desconheciam este fato, até isto existe? Sim, é verdade; existe. Os anticlericais não só impiedosamente tentam acabar com feriados religiosos – mais especificamente, católicos -, desejando ver apagadas da memória do povo brasileiro as festividades cristãs; os mesmos grupos servidores de Satanás também instituem algumas datas “festivas” para clamar com seu senhor a legalização do assassinato de crianças nos ventres de suas mães. E foi escolhido para a “festa sanguinária” dos abortistas justamente o dia 28 de setembro – que, se pudesse falar, certamente protestaria não merecer tal infâmia.

E como foi a festa das feministas? Este ano foi uma celebração bem triste, pode-se dizer. No mesmo dia 28 foi definido pela Suprema Corte do México – como notificou o Wagner Moura – que as leis estaduais que criminalizam a prática do aborto são, sim, constitucionais! Ou seja, o nascituro permanece com o seu direito à vida reconhecido!

Foi, sem sombra de dúvidas, uma grande derrota para Satanás e seus sequazes (São Miguel Arcanjo sempre se adiantando…), um feito a ser comemorado. Que a Virgem de Guadalupe continue livrando a América Latina da maldição do aborto, e sejam precipitados pela mão poderosa do Altíssimo os inimigos da vida humana.

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Leia mais: Pérolas de quem quer #LegalizarOAborto…, sobre manifestações pró-aborto no Twitter por ocasião do “Dia pela Legalização do Aborto”, e ¡No Pasarán! Proibir o aborto não é inconstitucional! Vitória no México!, ambos do blog Deus lo Vult!.

Leia ainda: Internautas repudiam dia pela legalização do aborto, do blog O Possível e O Extraordinário.

Uma reabilitação de Martinho Lutero?

Tendo em vista que precisava reforçar alguns pontos no artigo, torno a publicá-lo novamente, sem medo algum ou receio. O fato do artigo ter saído do ar uns dias para muitos pode ter parecido que quis retirar aquilo que disse. Jamais! Tenho comigo as palavras de Santo Agostinho que dizia: “Prefiro errar com a Igreja a acertar sozinho”.

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A 21ª Viagem Apostólica de Sua Santidade Bento XVI é à Alemanha (a terceira neste país). Este é um momento propício para a renovação da fé daquele povo, que tanto necessita de uma palavra de consolo e de um gesto de apoio e carinho do Papa naquela sociedade secularizada. As maiores confissões religiosas nesse país são o Luteranismo e o Catolicismo, respectivamente, com 32,9% e 32,3% de fiéis. 67% (54.765.265) da população é cristã.

Em um dos atos públicos da sua viagem ressalta-se o encontro inter-religioso com os membros da confissão luterana e com os representantes das igrejas evangélicas na Alemanha. Esse grande passo dado pelo Santo Padre, neste âmbito, foi criticado por alguns católicos que disseram que  ele teria reabilitado Lutero; e ouve gente que até mesmo fez chacota afirmando: “São Lutero, rogai por nós!”. Essa mesma conversa já havia saído em 2008.

O grande problema não é o encontro que o Sumo Pontífice, felizmente reinante, promoveu, mas a má interpretação dele, sobretudo por alguns membros da Igreja e pela mídia. E o que dizer, quando até mesmo nos Seminários vemos pessoas que se opõem às decisões do Papa? São estes os sacerdotes que colocamos para o povo de Deus? E como depois queremos cobrar do povo aquilo que nós não oferecemos a eles?

Com este artigo não quero criar inimizade com os tradicionais, a quem muito admiro (e inclusive sou tradicional!), ou com os sedevacantistas, ou protestantes. Apenas desejo demonstrar de forma clara que as afirmações do Sumo Pontífice não reabilitam a Lutero.

Vamos, porém, ao que disse o Santo Padre:

«Como posso ter um Deus misericordioso?» O facto que esta pergunta tenha sido a força motriz de todo o seu caminho, não cessa de maravilhar o meu coração. Com efeito, hoje quem se preocupa ainda com isto, mesmo entre os cristãos? Que significa a questão de Deus na nossa vida, no nosso anúncio? Hoje a maioria das pessoas, mesmo cristãs, dá por suposto que Deus, em última análise, não se interessa dos nossos pecados e das nossas virtudes. Ele bem sabe que todos nós não passamos de carne. Se se acredita ainda num além e num juízo de Deus, praticamente quase todos pressupõem que Deus terá de ser generoso e, no fim de contas, na sua misericórdia ignorar as nossas pequenas faltas. A questão já não nos preocupa. Mas, verdadeiramente são assim pequenas as nossas faltas? Porventura não está o mundo a ser devastado pela corrupção dos grandes, mas também dos pequenos, que pensam apenas na própria vantagem? Porventura não é ele devastado por causa do poder da droga, que vive, por um lado, da ambição de vida e de dinheiro e, por outro, da avidez de prazer das pessoas que a ela se abandonam? Não está ele porventura ameaçado por uma crescente predisposição à violência que não raro se dissimula sob a aparência de religiosidade? Poderiam a fome e a pobreza devastar assim regiões inteiras do mundo, se estivesse mais vivo em nós o amor de Deus e, derivado dele, o amor ao próximo, às criaturas de Deus que são os homens? E poderiam continuar as perguntas nesta linha. Não, o mal não é uma ridicularia. Mas não seria forte, se verdadeiramente colocássemos Deus no centro da nossa vida. Esta pergunta que desinquietava Lutero – Qual é a posição de Deus a meu respeito, como apareço a seus olhos? – deve tornar-se de novo, certamente numa forma diversa, também a nossa pergunta, não acadêmica mas concreta. Penso que este constitui o primeiro apelo que deveremos escutar no encontro com Martinho Lutero” (Discurso aos representantes do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha).

Belíssimas palavras do nosso Papa! Quanta sabedoria! Quanta prudência! E neste texto quem seguramente poderá me afirmar que o Papa teria reabilitado Lutero? A única coisa que ele cita como esplêndido na vida do subversor é a pergunta que norteou toda a sua vida. E esta pergunta mesma foi colocada à margem da vida cristã. Elogiar uma pessoa por uma característica, não é elogiá-la pelo todo.

O que norteia-nos hoje? A mídia secularizada, nossos desejos, o excesso, do qual o filósofo Aristóteles bem falara, a relativização, a cultura de morte… Pecamos à vontade porque achamos que Deus perdoará todos os nossos pecados no dia do Juízo Final. Vivemos em constante estado de tibieza, fraquejamos na fé, apegamo-nos ao mundo e depois achamo-nos no direito de apontar os pecados dos outros. Quanta falta de fé! Anunciar a verdade do Evangelho, que é o próprio Cristo, significa transmitir puramente a Santa Doutrina, mas apenas transmitir e não julgar. ‎ “O dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios” (Papa Bento XVI, Homilia na Vigília com os jovens na Alemanha). Denunciar é uma coisa, julgar é outra bem diferente, e esta compete somente a Deus.

O Santo Padre, em seguida, formula várias perguntas, demonstrando se não seriam nossa culpa tantas desgraças que afligem a humanidade. Sabemos que Lutero era um apóstata, um libertino vulgar que se dizia “reformador” do Cristianismo e da Cristandade. Pode ele não ter querido (o que acho impossível!) a princípio ser este “reformador” e causar esta “desunião”, mas é sabido que ele, apesar de não ter querido, deu total continuidade a este desgraçado acontecimento. E o que aconteceu? A Igreja mudou? O Papado acabou? Não! Lutero morreu! A Igreja não acabou nem acabará!

“O pensamento de Lutero, a sua espiritualidade inteira era totalmente cristocêntrica. Para Lutero, o critério hermenêutico decisivo na interpretação da Sagrada Escritura era «aquilo que promove Cristo». Mas isto pressupõe que Cristo seja o centro da nossa espiritualidade e que o amor por Ele, o viver juntamente com Ele, oriente a nossa vida” (Discurso aos representantes do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha).

Querendo ou não sabemos que a Teologia de Lutero era sim, de certa forma, Cristocêntrica, apesar de não ser Eclesiológica. O centro de todos os seus escritos foi Cristo, foram as Escrituras, independente do que viria a fazer e falar deles depois. E todos os teólogos com quem conversei foram unânimes em afirmá-lo. Agora, se existe alguém que pressupõe saber mais do que os teólogos, e do que o próprio Papa (a quem comparo com um Doutor da Igreja), então não venha disseminar suas ideologias aqui. Ademais, o fato de que os protestantes não estejam unidos ao Corpo eclesiológico não significa que não possam estarem unidos a sua alma. Poderíamos condenar todos os não-católicos ao inferno? E aqueles que tem reta intenção? E aqueles que vivem o Evangelho melhor do que nós? E os que, mesmo não sendo cristãos, procuram viver uma vida reta e sem hipocrisia? Como o próprio Papa dissera:

“«Os publicanos e as mulheres de má vida vão antes de vós para o Reino de Deus. João Baptista veio ao vosso encontro pelo caminho que leva à justiça, e não lhe destes crédito, mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram nele. E vós, que bem o vistes, nem depois vos arrependestes, acreditando nele» (Mt 21, 31-32). Traduzida em linguagem de hoje, a frase poderia soar mais ou menos assim: agnósticos que, por causa da questão de Deus, não encontram paz e pessoas que sofrem por causa dos seus pecados e sentem desejo dum coração puro estão mais perto do Reino de Deus de quanto o estejam os fiéis rotineiros, que na Igreja já só conseguem ver o aparato sem que o seu coração seja tocado por isto: pela fé.

Assim, a palavra deve fazer-nos refletir seriamente; antes, deve abalar a todos nós. Isto, porém, não significa de modo algum que todos quantos vivem na Igreja e trabalham para ela se devam considerar distantes de Jesus e do Reino de Deus. Absolutamente, não!” (Homilia do Papa na santa Missa em Friburgo)

Sabemos que, pelas suas obras neste mundo, o seu destino ultimo pode não ter sido dos melhores. “Na hierarquia dos anjos rebeldes, ainda que cause pesar aos seus amigos, Lutero ocupa o grau mais baixo, mais próximo do lodo e do pântano” (Th. Mainage: Témoignages dês apostats. Paris 1916, p. 76). Por outro lado: se Cristo perdoou os maiores pecadores, aqueles que mereceriam as chamas eternas, que são os seus assassinos, como poderíamos afirmar que não perdoara também a Lutero? Então me direis: Mais aqueles não conheciam a Cristo, enquanto Lutero o conhecia. Eu responderia: E Cristo faz diferença em sua misericórdia? Acaso todos não são iguais ante seus olhos? Quem somos nós para restringir a misericórdia de Cristo? Quem somos nós para limitá-la e dizer quem deve ou não ser salvo? Não seremos nós, antes, condenados pela nossa falta de caridade? O Sagrado Concílio Vaticano II dirá:

São plenamente incorporados à sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e os meios de salvação nela instituídos, e que, pelos laços da profissão da fé, dós sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, se unem, na sua estrutura visível, com Cristo, que a governa por meio do Sumo Pontífice e dos Bispos. Não se salva, porém, embora incorporado à Igreja, quem não persevera na caridade: permanecendo na Igreja pelo «corpo», não está nela com o coração. Lembrem-se, porém, todos os filhos da Igreja que a sua sublime condição não é devida aos méritos pessoais, mas sim à especial graça de Cristo; se a ela não corresponderem com os pensamentos, palavras e acções, bem longe de se salvarem, serão antes mais severamente julgados (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 14).

O Concílio ainda afirma:

A Igreja vê-se ainda unida, por muitos títulos, com os batizados que têm o nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro. Muitos há, com efeito, que têm e prezam a Sagrada Escritura como norma de fé e de vida, manifestam sincero zelo religioso, creem de coração em Deus Pai omnipotente e em Cristo, Filho de Deus Salvador, são marcados pelo Batismo que os une a Cristo e reconhecem e recebem mesmo outros sacramentos nas suas próprias igrejas ou comunidades eclesiásticas. Muitos de entre eles têm mesmo um episcopado, celebram a sagrada Eucaristia e cultivam a devoção para com a Virgem Mãe de Deus. Acrescenta-se a isto a comunhão de orações e outros bens espirituais; mais ainda, existe uma certa união verdadeira no Espírito Santo, o qual neles actua com os dons e graças do Seu poder santificador, chegando a fortalecer alguns deles até ao martírio. Deste modo, o Espírito suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo e a prática efectiva em vista de que todos, segundo o modo estabelecido por Cristo, se unam pacificamente num só rebanho sob um só pastor. Para alcançar este fim, não deixa nossa mãe a Igreja de orar, esperar e agir, e exorta os seus filhos a que se purifiquem e renovem, para que o sinal de Cristo brilhe mais claramente no seu rosto (Idem, 45).

Na belíssima declaração Dominus Iesus, se diz:

Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares. Por isso, também nestas Igrejas está presente e atua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objetivamente tem e exerce sobre toda a Igreja.

As Comunidades eclesiais, invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, não são Igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão pelo Batismo incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que imperfeita, com a Igreja. O Batismo, efetivamente, tende por si ao completo desenvolvimento da vida em Cristo, através da íntegra profissão de fé, da Eucaristia e da plena comunhão na Igreja (nº 17).

Agora a questão é: Se alguém não aceita o Sagrado Concílio Vaticano não é a mim que se opõe, mas a Doutrina da Igreja, unida ao Sucessor de São Pedro, o nosso Supremo Pastor Visível.

Lutero era sim hipócrita! Queria condenar a Igreja por “vender” indulgências, mas era assassino, comparável a estes miseráveis abortistas e a estes movimentos claramente contrários a dignidade da vida humana. Antes: era antissemita. Ele próprio escrevera: “A Alemanha deve ficar livre de judeus, aos quais após serem expulsos, devem ser despojados de todo dinheiro e joias, prata e ouro, e que fossem incendiadas suas sinagogas e escolas, suas casas derrubadas e destruídas (…), postos sob um telheiro ou estábulo como os ciganos (…), na miséria e no cativeiro assim que estes vermes venenosos se lamentassem de nós e se queixassem incessantemente a Deus” (Sobre os judeus e suas mentiras de Martinho Lutero).

É nossa a culpa em não matar eles.“, dizia Lutero a respeito dos judeus (Michael, Robert. “Luther, Luther Scholars, and the Jews,” Encounter, 46 (Autumn 1985) No.4:343).

Conhecendo a ideologia desta personagem, que é a prefiguração de Hitler, vocês achariam realmente que o Santo Padre tenderia a reabilitar Lutero? A única coisa que ele não poderia afirmar (como também nenhum de nós) é que Lutero esteja no inferno. Detesto Lutero, mais neste aspecto não poderia calar-me diante da afirmação de alguns, sobretudo da mídia, que, como sempre, tende a contrariar as afirmações do Santo Padre.

Em 2006 Sua Santidade Bento XVI tinha afirmado que: “A fé não é uma marcha triunfal, mas um caminho salpicado de sofrimentos e de amor” (Audiência Geral, 24 de maio de 2006). Quem critica o Papa deveria ter ao menos um pouco de Teologia para saber que a justificação pela fé, para Lutero, tornaria o homem impecável, e, portanto, seria um triunfante caminho em direção do céu. Com este ataque o Papa faz cair por terra a ideia de uma possível reabilitação de Lutero, que, tenho certeza disto, nunca virá a acontecer.

Portanto, tenhamos cautela em nossas colocações. Negar a Misericórdia de Deus é pecado gravíssimo. Rezemos pelos membros da confissão luterana, que tiveram a triste sorte de terem Lutero como fundador, e rezemos pelo nosso Papa. Que o Espírito Santo o ilumine e inspire sempre mais. Que ele continue sendo esta autêntica testemunha da Verdade, modelo para todos os cristãos. E que sempre nos lembremos das promessas de Cristo: “As portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16,16).

Viva o Santo Padre!!

Viva a Santa Igreja Católica!!

Porventura não deveria a Igreja mudar?

“Assistimos, há decênios, a uma diminuição da prática religiosa, constatamos o crescente afastamento duma parte notável de batizados da vida da Igreja. Surge a pergunta: Porventura não deveria a Igreja mudar? Não deveria ela, nos seus serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?”

“Uma vez alguém pediu a beata Madre Teresa para dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua reposta foi: tu e eu!”

(…)

“Sempre, e não apenas no nosso tempo, a fé cristã constitui um escândalo para o homem: que o Deus eterno se preocupe conosco, seres humanos, e nos conheça; que o Inatingível, num determinado momento, se tenha colocado ao nosso alcance; que o Imortal tenha sofrido e morrido na cruz; que nos sejam prometidas a nós, seres mortais, a ressurreição e a vida eterna – crer em tudo isto é para nós, homens, uma verdadeira presunção.”

“Este escândalo, que não pode ser abolido se não se quer abolir o cristianismo, foi infelizmente encoberto, mesmo recentemente, pelos outros tristes escândalos dos anunciadores da fé. Cria-se uma situação perigosa, quando estes escândalos ocupam o lugar do escândalo primordial da Cruz tornando-o assim inacessível, isto é, quando escondem a verdadeira exigência cristã por trás da incongruência dos seus mensageiros.”

- Papa Bento XVI, Encontro com os católicos, em Friburgo
25 de setembro de 2011

Justificando a desobediência

Há alguns dias denunciamos aqui alguns comentários estranhos contidos no folheto litúrgico-dominical “O Domingo”. Enganam-se aqueles que pensam, porém, que é só este material litúrgico o infectado por ideias estranhas à doutrina da Igreja.

Já há muito tempo usamos, aqui em nossa paróquia, o folheto “Deus Conosco”. Assim como “O Domingo”, este também traz algumas reflexões no Evangelho da Missa dominical. No último domingo – ou seja, ontem -, nova confusão. O padre Francisco Albertin, de Paragominas, no Pará, contou uma historinha para “ilustrar” as palavras de Jesus – “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus” (Mt 21, 31) -, mas, no fim, acabou por desorientar os fiéis (clique na imagem para ampliar).

E por que desorientar? Ora, porque existe uma instrução chamada Redemptionis Sacramentum – muito deixada de lado, por sinal -, “sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia”. No item 46 do documento, há uma recomendação conveniente:

“O fiel leigo que é chamado para prestar uma ajuda nas Celebrações litúrgicas e deve estar devidamente preparado e ser recomendado por sua vida cristã, fé, costumes e sua fidelidade para o Magistério da Igreja. Convém que haja recebido a formação litúrgica correspondente a sua idade, condição, gênero de vida e cultura religiosa. Não se eleja a nenhum cuja designação possa suscitar o escândalo dos fiéis.”

Pela maneira como foi colocada no folheto a historinha de fundo moral à la “você está me julgando”, somos levados a ficar do lado da mulher de roupa escandalosa ajudando no presbitério, e quem discordar está sendo fariseu e mau, porque “foi Jesus Cristo quem disse”. Esquecemo-nos que é o organismo vivo da Igreja, Corpo Místico de nosso Senhor, o responsável por interpretar autenticamente as Sagradas Escrituras. O “autenticamente” é muito importante, porque, como já dizia o Pe. António Vieira, “as palavras de Deus, pregadas no sentido em que Deus as disse, são palavras de Deus; mas pregadas no sentido que nós queremos, não são palavras de Deus, antes podem ser palavras do Demônio.”

Estas e outras historinhas estúpidas são usadas para sensibilizar as pessoas e tirar o crédito das leis canônicas e litúrgicas da Igreja. A desobediência, então, é justificada, em nome da “misericórdia”, da “igualdade” (da “liberdade”, da “fraternidade” e por aí vai…). Não se pode falar do Código de Direito Canônico e da importância de ser posto em prática, então, porque se não se é chamado de intolerante, opressor e cruel. É como se a Igreja que oferece aos seus filhos o Sacramento da Reconciliação fosse uma instituição totalmente alheia àquela que organizou as normas e diretrizes litúrgicas, as orientações e sentenças do Código de Direito Canônico; é como se o Cristo que acolheu a adúltera arrependida fosse um diferente daquele que expulsou os vendilhões do Templo de Deus.

Mas, não! As duas atitudes – a de misericórdia e a de justiça – são tomadas pela mesma Igreja, pelo mesmo Jesus. Tentar separar duas dimensões tão importantes da religião cristã, enaltecendo uma e demonizando outra, é perversamente perigoso. Pior ainda é fazer isto em um instrumento que deveria ser para os fiéis mais simples um meio de encontro com o Altíssimo, com a Sua Palavra, com os ensinamentos da Sua Igreja.

Quem está mais próximo do Reino de Deus?

“Há teólogos que, à vista de todas as coisas terríveis que acontecem hoje no mundo, põem em dúvida se Deus não possa ser realmente omnipotente. Diversamente, nós professamos Deus, o Omnipotente, o Criador do céu e da terra. E sentimo-nos felizes e agradecidos por Ele ser omnipotente; mas devemos, ao mesmo tempo, dar-nos conta de que Ele exerce o seu poder de maneira diferente de como costumamos fazer nós, os homens. Ele próprio impôs um limite ao seu poder, ao reconhecer a liberdade das suas criaturas. Sentimo-nos felizes e agradecidos pelo dom da liberdade; mas, quando vemos as coisas tremendas que sucedem por causa dela, assustamo-nos. Mantenhamos a confiança em Deus, cujo poder se manifesta sobretudo na misericórdia e no perdão. E estejamos certos, amados fiéis, de que Deus deseja a salvação do seu povo. Deseja a nossa salvação, a minha salvação, a salvação de cada um. Sempre, mas sobretudo em tempos de perigo e transtorno, Ele está perto de nós, e o seu coração comove-se por nós, inclina-se sobre nós. Para que o poder da sua misericórdia possa tocar os nossos corações, requer-se a abertura a Ele, é necessária a disponibilidade para abandonar livremente o mal, levantar-se da indiferença e dar espaço à sua Palavra. Deus respeita a nossa liberdade; não nos constrange. Ele aguarda o nosso «sim» e, por assim dizer, mendiga-o.”

“No Evangelho, Jesus retoma este tema fundamental da pregação profética. Narra a parábola dos dois filhos que são convidados pelo pai para irem trabalhar na vinha. O primeiro filho respondeu: «“Não quero”. Depois, porém, arrependeu-se e foi» (Mt 21, 29). O outro, ao contrário, disse ao pai: «“Eu vou, senhor.” Mas, de facto, não foi» (Mt 21, 30). À pergunta de Jesus sobre qual dos dois cumprira a vontade do pai, os ouvintes justamente respondem: «O primeiro» (Mt 21, 31). A mensagem da parábola é clara: Não são as palavras que contam, mas o agir, os actos de conversão e de fé. Jesus, como ouvimos, dirige esta mensagem aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo de Israel, isto é, aos peritos de religião do seu povo. Estes começam por dizer «sim» à vontade de Deus; mas a sua religiosidade torna-se rotineira, e Deus já não os inquieta. Por isso sentem a mensagem de João Baptista e a de Jesus como um incómodo. E assim o Senhor conclui a sua parábola com estas palavras drásticas: «Os publicanos e as mulheres de má vida vão antes de vós para o Reino de Deus. João Baptista veio ao vosso encontro pelo caminho que leva à justiça, e não lhe destes crédito, mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram nele. E vós, que bem o vistes, nem depois vos arrependestes, acreditando nele» (Mt 21, 31-32). Traduzida em linguagem de hoje, a frase poderia soar mais ou menos assim: agnósticos que, por causa da questão de Deus, não encontram paz e pessoas que sofrem por causa dos seus pecados e sentem desejo dum coração puro estão mais perto do Reino de Deus de quanto o estejam os fiéis rotineiros, que na Igreja já só conseguem ver o aparato sem que o seu coração seja tocado por isto: pela fé.

- Papa Bento XVI, Homilia na Esplanada do Aeroporto de Freiburg
24 de setembro de 2011

Papa na Alemanha: “É a Jesus que ferem as perseguições contra a sua Igreja.”

“Na parábola da videira, Jesus não diz: ‘Vós sois a videira’; mas: ‘Eu sou a videira, vós os ramos’ (Jo 15, 5). Isto significa: ‘Assim como os ramos estão ligados à videira, assim também vós pertenceis a Mim! Mas, pertencendo a Mim, pertenceis também uns aos outros’. E, neste pertencer um ao outro e a Ele, não se trata de qualquer relação ideal, imaginária, simbólica, mas é – apetece-me quase dizer – um pertencer a Jesus Cristo em sentido biológico, plenamente vital. É a Igreja, esta comunidade de vida com Ele e de um para o outro, que está fundada no batismo e se vai aprofundando cada vez mais na Eucaristia. ‘Eu sou a videira verdadeira’: isto na realidade, porém, significa: ‘Eu sou vós, e vós sois Eu’ – uma identificação inaudita do Senhor conosco, a sua Igreja.”

“Uma vez, às portas de Damasco, o próprio Cristo perguntou a Saulo, o perseguidor da Igreja: ‘Porque Me persegues?’ (At 9, 4). Deste modo, o Senhor exprime a comunhão de destino que deriva da íntima comunhão de vida da sua Igreja com Ele, o Cristo ressuscitado. Ele continua a viver na sua Igreja neste mundo. Ele está conosco, e nós estamos com Ele. ‘Porque Me persegues?’: destas palavras se conclui que é a Jesus que ferem as perseguições contra a sua Igreja.”

(…)

“Alguns olham para Igreja, detendo-se no seu aspecto exterior. Então ela aparece-lhes apenas como uma das muitas organizações presentes numa sociedade democrática; e, segundo as normas e leis desta, se deve depois avaliar e tratar inclusive uma figura tão difícil de compreender como é a ‘Igreja’. Se depois se vem juntar ainda a experiência dolorosa de que, na Igreja, há peixes bons e maus, trigo e joio, e se o olhar se fixa nas realidades negativas, então nunca mais se desvenda o grande e profundo mistério da Igreja.”

“Consequentemente deixa de assomar qualquer alegria pelo fato de se pertencer a uma tal videira que é ‘Igreja’. Crescem insatisfação e descontentamento, se não virem realizadas as próprias ideias superficiais e errôneas de ‘Igreja’ e os próprios ‘sonhos de Igreja’! Então cessa também aquele jubiloso cântico ‘Agradeço ao Senhor que por graça me chamou à sua Igreja’ que gerações de católicos cantaram com convicção.”

- Papa Bento XVI, Homilia durante Missa no Olympiastadion, em Berlim
22 de setembro de 2011

Método de educação “do século XIX” faz sucesso no Brasil

Esta aqui é uma notícia que eu não poderia deixar pelo menos de indicar aos leitores do nosso blog. Foi divulgada recentemente uma lista das escolas que obtiveram as melhores médias no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). No topo da lista está o Colégio de São Bento, do estado do Rio. A receita para o sucesso? Tradição, horário integral e… ensino religioso. “O aspecto religioso é essencial na formação do ser humano, nos aspectos ético, moral e de convivência”, afirmou a supervisora pedagógica Maria Elisa Penna Firme Pedrosa. “A disciplina é decorrência natural.”

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/foto/0,,20584916-EX,00.jpgO colégio ainda mantém o costume de receber apenas alunos do sexo masculino. E não pensa em mudar o regime. “Funciona muito bem neste modelo e vai permanecer como está. Avaliamos que se abríssemos (a meninas), a escola seria outra, diferente. Não há intenção nem interesse. A escola continuará masculina”, declarou Maria Elisa.

Uma especialista em gênero e educação, professora da USP – e provavelmente membro da família do Stanford Nutting -, protestou. Segundo ela, o método utilizado no colégio religioso remete ao século XIX. “Não é possível desenvolver a personalidade integral do aluno onde há segregação. (…) É muito complicado dizer que a segregação garante qualidade. Vivemos num mundo misto que aliás, mostra que as meninas têm mais sucesso que os meninos. Que desenvolvimento é esse que só dá certo quando eu separo? Qual a mensagem que você passa? Como se propõe a prepará-los para o mundo que é misto? Que principio é esse que não trabalha com o heterogêneo?”

Enquanto as feministas protestam, o Colégio de São Bento continua com seu excelente trabalho de formação. O trabalho certamente não será imitado, uma vez que repugna ao homem de nossa época ideias como rigor, disciplina e tradição. Mas, a experiência vai continuar mostrando que são justamente estes valores tão desprezados pelos pedreiros os elementos angulares.

O que um católico precisa saber sobre o 11 de setembro

Após o atentado de 11 de setembro de 2001, alardeia a imprensa, o mundo nunca mais foi o mesmo.

De fato, está cada vez mais difícil ser cristão. (Não é com isto que a mídia está preocupada quando usa aquela frase, mas vamos dar a ela sentido autêntico.) Enquanto em alguns muitos lugares permanece uma perseguição aberta, e que ainda é, já quase dois mil anos depois de Nero, situação comum e corriqueira – vergonha para a sociedade moderna que “tanto avança” quando o assunto é “direitos humanos”! -, em alguns outros lugares, desde a Europa ateia até a América Latina cristã, difunde-se uma repressão velada, um ódio silencioso ao Cristianismo e àqueles que ainda ousam – “em pleno século XXI”, como gritam, rasgando as vestes, os inimigos da Cruz – seguir nosso Senhor Jesus Cristo.

Funciona mais ou menos assim: “eu não vou proibir, cristão fanático, que você reze o Terço ou leia a sua Bíblia, contanto que faça isto em sua casa, ou no seu templo religioso”. Em alguns lugares já há leis limitando qualquer forma de pensamento religioso cristão à esfera privada. Em outros lugares, predomina a ridicularização: o cristão pode falar mal do aborto, do casamento gay, das pílulas anticoncepcionais et cetera, mas vai ser escarnecido, porque essas posições – onde já se viu! – são ensinamentos enferrujados de uma estrutura hierárquica medieval e absolutista, a Igreja Católica!

E o que tudo isto tem a ver com islamismo? Bem, propaga-se a ideia – já largamente difundida – de que foram os Estados Unidos da América os arquitetos do atentado ao World Trade Center e ao Pentágono há 10 anos atrás. O nome “terrorismo” não pode jamais ser utilizado para designar fanáticos muçulmanos suicidas. Terroristas seriam os próprios EUA, que demonizam qualquer evento que sirva para contrariar os seus “interesses imperialistas”. Os muçulmanos, pelo contrário, são intocáveis, e aquilo que fazem, não importa a legitimidade da prática, é sempre bom, é sempre irrepreensível.

Bobagem tudo isto que digo? Então assistam ao vídeo do padre Paulo Ricardo, que faz uma análise de ótima qualidade do resultado final do ataque terrorista de 11 de setembro.

Um Natal na casa de Stanford Nutting

Quem já acompanha as traduções que a família do prof. Angueth está fazendo do material audiovisual produzido pelo Theater of the Word Incorporated já conhece a personagem Stanford Nutting. Ela é um católico bem a seu modo: defende a abolição dos conceitos de certo e errado (relativismo) e o aggiornamento do conteúdo de nossa fé a fim de abarcar as demais formas de pensamento existentes neste mundo. O sujeito é um fanfarrão, como diria o Capitão Nascimento.

O vídeo abaixo, que acabou de ser legendado pelo prof. Angueth, é uma crítica muito bem humorada à irreligiosidade do homem moderno. Estão juntos, reunidos, para celebrar o Natal – ou melhor, o “Quansah Rama Hannukah Dam” -, alguns membros da família de Nutting: um irmão rad-trad; um outro, protestante, adepto da teologia da prosperidade; e um jovem que acabou de receber a Confirmação e que agora acha que “se aposentou” da Igreja… Sem falar da avó da família, que é admiradora de Dawkins e Hitchens… A produção é imperdível e garantia de boas gargalhadas; não deixem de assistir.

O Papa e a oração V

http://www.avivamentoja.com/uploads/Avivamento/EliahMtCarmel.jpg“O povo pelo qual Elias reza é posto de novo diante da própria verdade, e o profeta pede que também a verdade do Senhor se manifeste e que Ele intervenha para converter Israel, dissuadindo-o do engano da idolatria e levando-o assim à salvação. O seu pedido é para que o povo enfim saiba, conheça de modo pleno quem é verdadeiramente o seu Deus, e faça a escolha decisiva de seguir só Ele, o Deus verdadeiro. Pois somente assim Deus é reconhecido por aquilo que é, Absoluto e Transcendente, sem a possibilidade de lhe pôr ao lado outros deuses, que O negariam como Absoluto, tornando-o relativo. (…) Ao Absoluto de Deus, o fiel deve responder com um amor absoluto, total, que comprometa a sua vida inteira, as suas forças e o seu coração.”

(…)

“Estimados irmãos e irmãs, o que nos diz, a nós, esta história do passado? Qual é o presente desta história? Em primeiro lugar está em questão a prioridade do primeiro mandamento: adorar unicamente a Deus. Onde Deus desaparece, o homem cai na escravidão de idolatrias, como mostraram, no nosso tempo, os regimes totalitários e como mostram também diversas formas de niilismo, que tornam o homem dependente de ídolos, de idolatrias, escravizando-o. Em segundo lugar, a finalidade primária da oração é a conversão: o fogo de Deus que transforma o nosso coração e nos torna capazes de ver Deus e, assim, de viver segundo Deus e de viver para o próximo. E o terceiro ponto: os Padres dizem-nos que também esta história de um profeta é profética, se — dizem — é sombra do porvir, do futuro Cristo; é um passo ao longo do caminho rumo a Cristo. E dizem-nos que aqui vemos o verdadeiro fogo de Deus: o amor que orienta o Senhor até à Cruz, até ao dom total de si mesmo. Então, a autêntica adoração de Deus consiste em dar-se a si próprio a Deus e aos homens, a verdadeira adoração é o amor. E a autêntica adoração de Deus não destrói, mas renova e transforma. Sem dúvida, o fogo de Deus, o fogo do amor consome, transforma e purifica, mas precisamente por isso não destrói mas, ao contrário, cria a verdade do nosso ser, volta a criar o nosso coração. E assim, realmente vivos pela graça do fogo do Espírito Santo, do amor de Deus, somos adoradores em espírito e em verdade.”

- Papa Bento XVI, Audiência Geral
15 de junho de 2011